Ministério da Saúde amplia a faixa etária para realização da mamografia. -------------------------------------- 🎙️ Assista aos nossos podcasts em http://tribunaonline.com.br/podcasts
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00:00Pessoal, agora 8 horas 45 minutos. Outubro começa hoje junto com o mês.
00:06Vem a campanha do Outubro Rosa. É um mês dedicado à prevenção e ao combate ao câncer de mama.
00:13E logo no início da campanha a gente tem uma mudança importante.
00:16Você já deve estar acompanhando, ouvindo falar que o Ministério da Saúde ampliou a recomendação
00:22para o exame da mamografia.
00:25Agora mulheres a partir dos 40 anos também vão poder realizar o exame pelo SUS.
00:32Segundo o próprio Ministério, essa faixa etária concentra mais de 20% dos casos de câncer de mama no país.
00:38E a detecção precoce pode aumentar muito as chances de cura.
00:43Para falar sobre essa mudança, sobre a importância da prevenção, vamos conversar ao vivo aqui, pessoal.
00:51Nossa mesa está linda, está toda rosa aqui hoje. Bom dia, meninas.
00:55A gente está com a doutora Thais Setinoco, que é mastologista e ginecologista.
01:00Bom dia, doutora.
01:01A gente também está com a Sheila Junca, que é artesã e foi diagnosticada com câncer de mama.
01:08Venceu essa luta e estou muito feliz de te receber aqui. Bem-vinda.
01:12Obrigada.
01:13Vamos conversar um pouco sobre esse assunto. A gente começou outubro aí com essas novidades.
01:19Deixa eu começar pela Sheila. Vou te pedir gentilmente para que você conte um pouco da sua história para quem está assistindo a gente.
01:26Quando que veio o seu diagnóstico, Sheila?
01:27Foi em 2018.
01:29Eu sempre fui muito preocupada com a minha saúde. Eu sempre fiz meus exames em dia. Tive meus exames em dia.
01:38E em 2018 eu senti um nódulozinho na mama. Eu estava deitada no sofá. Passando a mão na mama, senti.
01:48Isso foi num sábado. Na segunda-feira eu já corri para fazer o exame. E o médico já falou comigo que ele tinha todas as características de maligno.
01:58Uau! Nessa primeira consulta...
02:01Foi numa ultrassom.
02:03Nossa, que susto.
02:04É. E aí ele sugeriu uma biópsia, né? E aí veio o resultado.
02:09Como é que foi depois do diagnóstico? Que tratamentos você precisou fazer?
02:14Você precisou fazer cirurgia também, né?
02:16Sim. Eu fiz 16 sessões de quimioterapia e fiz mastectomia. Tirei minha mama toda.
02:23A gente está vendo algumas fotos suas aí ao longo do tratamento. Não é fácil, não é, Sheila?
02:29Não.
02:29O que você pode compartilhar com a gente dessa caminhada?
02:33No início, quando você recebe o diagnóstico, você associa com o fim.
02:40Não é fácil.
02:41Só que depois, o apoio da família, dos amigos é muito fundamental. E eu me apeguei muito a Deus.
02:51Então, você tem duas opções. Ou você associa com o fim, ou você associa com o começo.
02:58É isso aí.
02:58E aí eu fui para o começo de uma batalha. E graças a Deus, eu quis fazer tudo muito rápido.
03:06Eu fiz as 16 sessões de quimioterapia. Trabalhei todos os dias.
03:11É mesmo?
03:12Todos os dias. Isso me ajudou muito.
03:15Eu faltava o trabalho só no dia que eu fazia quimio, né? Porque eu passava o dia todo no hospital.
03:20Depois das quimioterapias, eu fiz a mastectomia. E logo em seguida, eu fiz a reconstrução.
03:30E eu gostaria, assim, de dizer que o diagnóstico precoce salva vidas.
03:38Foi muito rápido, né?
03:39Foi muito rápido. Foi muito rápido. E eu gostaria muito de enfatizar isso.
03:45Porque você que está me ouvindo agora, faça seus exames. Não tenha medo de fazer os seus exames.
03:53Porque eu estou aqui hoje porque eu tive o diagnóstico precoce.
03:59E o diagnóstico precoce salvou minha vida.
04:01Com certeza. Que alegria te receber aqui. Trazendo esse relato e esse alerta tão importante.
04:07Doutora, ela tem um ponto que me chamou muita atenção do relato dela.
04:12Ela falou que ela sempre estava com os exames em dia, ali cuidando.
04:15Mas foi em casa, com atenção, que ela mesmo detectou que havia alguma coisa errada ali.
04:21Como isso é importante, esse olhar atento, né?
04:24Isso é muito importante. Nós chamamos de consciência mamária.
04:28A mulher precisa de conhecer como a sua mama é, a densidade.
04:34E sempre, a gente fala sempre, não é todos os dias.
04:38Mas de tempos em tempos é importante a mulher examinar suas mamas,
04:43sabendo como ela é, percebendo qualquer alteração, procurar ajuda médica.
04:48Então, hoje a gente tem um termo para isso. Chama consciência mamária.
04:51De quanto tempo eu posso fazer o autoexame, doutora?
04:54Uma vez por mês, de dois em dois meses. O ideal, ser fora do período menstrual.
05:00Porque é normal, né? Antes da menstruação e durante a menstruação,
05:05a mama ficar com uma sensibilidade maior, uma densidade maior.
05:09Então, após a menstruação, é o melhor período para poder examinar suas mamas.
05:14E o outubro começa com essa novidade.
05:16Por que o Ministério da Saúde tomou essa decisão de antecipar essa idade, né?
05:24Agora, mulheres a partir dos 40 anos vão poder fazer esse rastreamento pelo SUS.
05:28Por que essa decisão, doutora?
05:30Por dois motivos.
05:31O primeiro, realmente, a porcentagem de mulheres mais jovens
05:36diagnosticadas com câncer de mama vem aumentando ao longo dos anos.
05:40Então, antigamente, a faixa etária predominante era a partir dos 50 anos.
05:47Hoje a gente sabe que isso reduziu.
05:49E outra coisa é pela efetividade do diagnóstico precoce através da mamografia.
05:55O único exame que demonstrou uma diminuição na morte, ou seja, diagnóstico precoce, foi a mamografia.
06:04Então, a mamografia, ela consegue detectar tumores até que não são palpáveis ainda.
06:10Antes deles aparecerem clinicamente.
06:14E aí, quanto mais cedo o tratamento é feito, melhor e maior é a chance de cura dessa mulher.
06:21Então, o importante é que, às vezes, a paciente fala,
06:24ah, eu palpei minha mama, não tem nada, então eu não preciso de fazer o exame.
06:28Precisa.
06:29A mamografia, ela é feita em mulheres assintomáticas.
06:32Porque a intenção é pegar esses tumores antes mesmo que eles apareçam clinicamente.
06:39Perfeito.
06:39Sheila, o seu diagnóstico veio quando você tinha quantos anos?
06:4244.
06:4344 anos.
06:44Você fazia mamografia regularmente?
06:46Fazia.
06:47Já fazia.
06:47Sim.
06:48Doutora, isso é muito importante também.
06:50Para a mulher que tem 40 anos, que está assistindo o Tribuna amanhã,
06:53fala, opa, agora eu entro aí nesse exame de rastreio.
06:56De quanto em quanto tempo ela deve procurar a médica dela de rotina?
07:01Anualmente.
07:01Uma vez por ano?
07:02Uma vez por ano.
07:04Então, em forma de rastreio, ou seja, mulheres assintomáticas,
07:08que não têm nenhuma queixa, anualmente elas devem ir ao ginecologista
07:13e fazerem todos os seus exames de prevenção.
07:16Mamografia e o preventivo também, que é um rastreamento do câncer de colo de útero.
07:20Então, naquelas mulheres assintomáticas, anualmente, percebeu qualquer alteração,
07:27imediatamente procurar o médico.
07:29Sheila, você já teve algum caso na família?
07:32Não.
07:33Foi o primeiro caso?
07:34Primeiro.
07:35Quem tem histórico familiar, doutora, esse cuidado, ele precisa ser um pouco diferenciado?
07:41O olhar precisa estar mais atento?
07:42Sim.
07:42E é interessante que as pessoas acham que o câncer de mama, a maioria dos casos, tem cunho genético,
07:51tem alteração genética.
07:53Não, pelo contrário.
07:54As alterações genéticas ligadas ao câncer de mama são de 5% a 10% dos casos.
08:0095% a 90% são ao acaso.
08:05Então, a maioria é ao acaso, não está ligada à genética, mas sim, mulheres com parentes de primeiro grau, principalmente,
08:12elas têm que ficar mais atentas e de forma rigorosa fazerem os seus exames.
08:20E é interessante que, por exemplo, se teve, a minha mãe teve o diagnóstico de câncer de mama aos 40 anos,
08:27essa filha deve começar o rastreamento antes dos 40.
08:31A minha filha já faz.
08:33Você tem filhas, né?
08:34Minha filha tem 31.
08:34Você tem uma filha só?
08:35Tem um casal.
08:36Um casal.
08:37Aí a sua filha, depois do seu diagnóstico...
08:39Ela começou a fazer com 30 anos.
08:41Olha só que importante.
08:42Aí, uma vez por ano, ela faz isso aí.
08:44Uma vez ao ano.
08:45Isso é muito importante.
08:46Por isso que é importante ir ao ginecologista ou mastologista.
08:50Então, na população geral é 40 anos, mas naquelas famílias que tiveram câncer,
08:57tiveram um caso de câncer de mama em parentes de primeiro grau, e aqui eu abro parênteses,
09:02câncer de mama não é só em mulher, então pode ter câncer de mama em homens também.
09:07Outro ponto importante, porque acaba virando um tabu, né?
09:11Os homens não falam sobre câncer de mama, né?
09:13Exatamente.
09:14É mais raro, sim.
09:151% dos tumores, eles podem acontecer nos homens, e naquela família que tem um histórico
09:21de câncer de mama masculino, tem uma maior chance também de ter alterações genéticas
09:26e precisa de fazer o segmento mais de perto.
09:29Perfeito.
09:29Sheila, você passou por um processo longo, né?
09:33O seu tratamento.
09:35Eu queria que você compartilhasse com a gente qual foi a etapa mais desafiadora, assim,
09:39para você.
09:41Eu acho que é o diagnóstico, quando você recebe o diagnóstico, porque depois você
09:48não tem muitas opções, né?
09:52Ou você se entrega ou você vai para a batalha.
09:54Verdade.
09:55Então, para mim, a parte mais difícil foi o diagnóstico.
10:01Depois eu fiz a quimioterapia, eu posso dizer que foi tranquilo.
10:05A gente tem aqueles momentinhos de choro, né?
10:10De medo.
10:11Mas eu me apeguei muito a Deus e eu posso falar que eu passei por uma fase um pouco menos
10:20difícil, porque eu fortalecia minha fé diariamente.
10:25E quando eu fiz a mastectomia, foi muito difícil.
10:29Muitas mulheres têm esse receio de perder as mamas, né?
10:34Isso envolve autoestima, né?
10:38Isso envolve tudo.
10:38Como é que foi para você?
10:40Você está até emocionada, né?
10:41Compartilhando com a gente.
10:43Quando você entra para o centro cirúrgico, não é fácil.
10:46Imagina.
10:48E você sai, assim, sem um órgão.
10:52Não é uma coisa fácil.
10:55Imagina.
10:55Mas a gente supera.
10:59E logo em seguida também eu fiz a minha reconstrução.
11:05E aí eu posso dizer que a gente sai mais linda do que nunca.
11:10Então, eu não gostaria de passar essa imagem triste, nem medo, porque tudo na vida da gente
11:21passa, e passa mesmo.
11:24E você consegue sair muito mais bonita, muito mais forte, muito mais humana.
11:31E eu hoje, eu me sinto linda.
11:34Maravilhosa.
11:35E é linda demais.
11:37Que relato importante, Sheila, você trazer isso para a gente, porque muitas mulheres têm
11:42até medo de fazer a mamografia, acham que o exame vai trazer dor ou vai trazer um desconforto.
11:50Tem medo de falarem, perder as mamas.
11:53Isso acaba virando um tabu também.
11:55E muitas deixam de procurar essa ajuda, esse atendimento.
12:00A gente precisa enfatizar, né?
12:02Não tem que ter medo.
12:05Tem que fazer o exame, porque o exame, o resultado precoce, o diagnóstico precoce,
12:11salva a gente, né?
12:15E a mama depois volta ao normal.
12:17A minha tá muito mais bonita.
12:19Olha aí, gente.
12:21E cheia de vida, e cheia de alegria.
12:24Eu acho que isso que é importante.
12:25Sim, não pode deixar se abalar.
12:28A gente se abala, claro, né?
12:29A gente brinca que é um momento difícil, é um momento de dor, mas é um momento de
12:35superação também.
12:36Com certeza.
12:37A gente supera.
12:38Com certeza.
12:39E bom trazer esse relato aqui.
12:41Gente, nosso tempo acabou.
12:42Eu ficaria aí conversando com vocês por mais tempo.
12:45Quero agradecer muito a sua presença.
12:47Obrigada a você.
12:48Saúde pra você.
12:49Obrigada pelo relato, Sheila.
12:50Doutora, obrigada também pelos esclarecimentos.
12:53O mês de outubro, ele é dedicado nessa prevenção.
12:58Tem a campanha do outubro rosa, mas é um cuidado que tem que ficar o ano inteiro, né,
13:03doutora?
13:03A gente não pode esquecer disso.
13:05Obrigada, meninas, pela presença.
13:07Obrigada a vocês.
13:07Vamos encerrar juntas, então, o programa de hoje.
13:11Pra você que tá aí em casa, obrigada pela companhia, quem tá no YouTube acompanhando.
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