00:00Na Paraíba, 63% dos estudantes concluem o ensino médio aos 19 anos, mas destes 63%, apenas 6,1% chegam ao fim da etapa com aprendizado considerado adequado, regular, em língua portuguesa e matemática.
00:23Esses são os dados que vieram à tona a partir da divulgação do Anuário Brasileiro da Educação Básica de 2025.
00:33O levantamento mostra que, de cada 100 estudantes, 63% concluem o ensino médio aos 19 anos, porém, apenas 6,1% atingiram o nível esperado de aprendizagem em matemática e português na terceira série em 2023.
00:52Na rede pública, o nível foi ainda mais baixo, sendo apenas 3,5%. Já na rede privada, o indicador atingiu 21%.
01:05Aos 16 anos, 81 em cada 100 estudantes concluem os anos finais do fundamental.
01:12No entanto, apenas 13% apresentam aprendizado adequado em português e matemática no nono ano.
01:19Entre os alunos da rede pública, o percentual é de 8,2%, enquanto os estudantes da rede privada registram 35,8% de aprendizado.
01:30Nos anos iniciais do ensino fundamental, o índice de conclusão é maior, 89 em cada 100 estudantes terminam essa etapa aos 12 anos.
01:41Desses, 34,9% apresentam aprendizagem adequada em matemática e português no quinto ano.
01:49Entre os alunos da rede pública, a taxa de aprendizado é de 28,5%, enquanto na rede privada o indicador chega a mais de 57%.
01:59Já na pré-escola, a cobertura é mais ampla.
02:03De cada 100 crianças, 92 estão matriculadas em alguma instituição, seja da rede federal, estadual, municipal ou privada.
02:12Essa reportagem está no Jornal da Paraíba desta sexta-feira.
02:17E para comentar esses números, a gente recebe agora o professor Ivo Lavô, que hoje participa não na condição de colunista, mas sim como estudioso, pesquisador da área da educação, participando com a gente justamente para trazer a sua opinião.
02:32Professor Ivo Lavô, qual a sua visão em um número como esse?
02:38Na Paraíba, daqueles estudantes que concluem o ensino médio aos 19 anos, apenas 6% concluem o ensino médio dominando a língua portuguesa e matemática, que a gente sabe que são as duas disciplinas, checkmate do Exame Nacional do Ensino Médio.
02:58Mas eu gostaria da sua análise, da sua visão sobre os números do anuário da educação básica no Brasil, no ano de 2025.
03:07Boa tarde, professor Ivo.
03:11Zé Dias Neto, boa tarde a todos do programa Olho Vivo e de todo o sistema diário de comunicação.
03:20É um prazer estar com vocês mais uma vez.
03:22Bem, eu nem preciso conhecer, eu nem necessito conhecer precisamente o formato da educação da Paraíba para comentar esses números.
03:33Eu já tenho debatido na pauta semanal, diária educação, sobre essas questões de forma indireta, né?
03:42E aí eu vou colocar aqui alguns fatores que são fatores da educação brasileira, seja ela no Ceará, na Paraíba, em São Paulo, em Minas Gerais, em qualquer lugar desse país.
03:55É claro que em alguns estados, os cuidados quando são aprimorados, os resultados, eles são melhores.
04:03A exemplo do estado do Ceará, que a gente teve uma elevação nesses números e também uma elevação, como vocês podem comprovar, com relação à alfabetização da criança na idade certa.
04:16E é sobre o primeiro ponto que eu gostaria de comentar.
04:19Nós temos que voltar-se para a base.
04:23Então, a educação precisa voltar-se para o sistema infantil.
04:29Então, quando a gente não cria bases consistentes lá na educação infantil, nós comprometemos o ensino fundamental, consequentemente comprometemos o ensino médio.
04:42Esse seria uma questão.
04:43Então, nós precisamos, e quando eu falo de fortalecer a educação infantil, eu me refiro a colocar profissionais qualificados, qualificar cada vez mais esses profissionais
04:57e ter uma agenda assertiva de bases científicas para a formação de um aluno que futuramente responderá positivamente para o português e matemática.
05:10Como eu já elenquei aqui, a questão da música, a questão das atividades corretas, da participação da família na escola e etc.
05:19Por que isso não acontece?
05:22Por que os profissionais mais qualificados não estão na educação infantil?
05:26Aí eu vou para o segundo fator, que já foi objeto de uma pesquisa minha e uma pós-graduação, que é a chamada gestão tutelada.
05:36Nós já avançamos na educação a nível estadual, ou seja, o ensino médio, de acordo com o LDP, o Estado é responsável pelo ensino médio.
05:45A educação infantil e o ensino fundamental é de responsabilidade dos municípios.
05:50E aí está o entrave. O que é a gestão tutelada?
05:54A questão dessa atenção precisa mudar o formato da gestão das escolas municipais,
06:03que elas acontecem no formato tutelado, ou seja, são indicações políticas.
06:10Não há um processo criterioso para quem vai ocupar um cargo de coordenação pedagógica, de gestor escolar.
06:18Isso dificulta significativamente a agenda da escola.
06:23E o que acontece?
06:24Vou falar aqui do Ceará e acontece também aí na Paraíba.
06:28Já na educação estadual, que é de nível médio, as escolas têm um maior êxito,
06:37porque a gestão das escolas estaduais acontece de forma meritocrática,
06:43via concurso público, por pessoas qualificadas que têm uma formação técnica para atuar na educação.
06:50Então, isso tem que acontecer também na educação infantil e no ensino fundamental.
06:55Além disso, eu destacaria aqui, por último, tem tantos outros fatores,
07:00mas eu destacaria, por último, a importância de se ter um projeto de educação
07:05mais concentrado para a língua portuguesa e para a matemática.
07:10E eu considero que isso não acontece nas escolas brasileiras,
07:14porque nós estamos com uma agenda muito grande.
07:17Tudo virou responsabilidade da escola.
07:20Então, nós temos uma agenda socioemocional, uma agenda de tratamento com as famílias.
07:27A escola é, José Dias Neto até, uma política de assistência,
07:33chega até a ser, muitas vezes, a alimentação de algumas famílias.
07:37Então, assim, a escola se ocupa de muitas agendas e, muitas vezes,
07:42deixa a desejar no seu projeto de educação, de fato,
07:46que é ter uma assertividade, principalmente na criação das bases
07:52para a língua portuguesa e matemática.
07:57Então, essa é a minha análise.
07:59Eu quero aqui agradecer e dizer que eu sou esperançoso que isso possa acontecer.
08:05Deveria ter acontecido de forma inversa,
08:08mas já na rede estadual as mudanças já aconteceram.
08:12Era para ter sido o contrário.
08:13Primeiro, a gente deveria ter resolvido a coisa na educação infantil,
08:17no ensino fundamental, mas se voltar e chegar na educação infantil,
08:21dá para corrigir.
08:22Mas talvez a gente tenha aí já uma geração perdida.
08:26Então, nós vamos ter que avançar.
08:28Isso não é assunto mais para demorar.
08:32É urgente.
08:33Os números apontam aí a fragilidade.
08:36E eu acho que a nossa atenção precisa se voltar.
08:39Até porque isso vai reverberar na economia.
08:42Porque nós teremos também pessoas menos hábitas
08:45às funções de trabalho mais na frente.
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