- há 4 meses
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00:00Mais bacana ainda que elas, as meteoríticas, estão aqui ao vivo com a gente.
00:06Vamos recebê-las então aqui nos estúdios do Olhar Digital para uma conversa bem bacana.
00:12Eu vou colocar a imagem delas aqui na nossa tela.
00:15Deixa eu mandar aqui o meu boa noite para todas.
00:18Olá, meu boa noite a todas vocês.
00:20Eu vou mandar o boa noite individual para a gente não ficar brigando aqui com as vozes.
00:25Muito bem-vindas.
00:26Eu queria começar falando, deixa eu apresentá-las primeiro, obviamente.
00:33Amanda Tosi, que é pesquisadora do Instituto de Geossciências.
00:37Boa noite, Amanda. Bem-vinda.
00:39Boa noite, Marisa. Obrigada pelo convite.
00:42Obrigada por estar aqui.
00:45A gente poder estar falando um pouco do nosso trabalho, não só dos meteoritos,
00:50mas também um pouco da nossa dinâmica de trabalho.
00:53Obrigada pelo espaço.
00:54Nós é que agradecemos a presença de vocês.
00:57E Elisabeth Zuconouto também, que é curadora da coleção de meteoritos do Museu Nacional,
01:04que está aqui conosco.
01:05Boa noite, Elisabeth. Bem-vinda.
01:07Boa noite.
01:09Vamos receber Diana...
01:11Ah, perdão.
01:13Perdão.
01:14Vamos receber também Diana Andrade, que é professora do Observatório do Valongo.
01:19Todas elas são da UFRJ.
01:21Boa noite, Diana. Bem-vinda.
01:22Boa noite, Marisa. Muito obrigada por estar aqui.
01:27Eu quero deixar aqui minha admiração por você.
01:31Gosto muito do seu trabalho.
01:32Acompanho principalmente os vídeos no Instagram.
01:35Parabéns aí por esse trabalho.
01:37É uma gratidão estar aqui com vocês.
01:39Ah, muitíssimo obrigada.
01:41Fico muito feliz pessoalmente.
01:43E está mais ainda com a equipe aqui do Olhar Digital.
01:45Vinda de vocês, então, mais especial ainda.
01:47Muito obrigada.
01:49Vamos começar, então, conversando com a Beth.
01:51Beth, o trabalho de vocês evidencia a falta de uma regulamentação sobre a posse de meteoritos no Brasil, não é?
01:59O que permite até que materiais valiosos para a ciência sejam perdidos.
02:05O que vocês defendem em termos de uma nova legislação para o país?
02:08Então, a legislação era a Diana que ia falar, mas...
02:15Ah, você prefere que a Diana responda?
02:17Vamos para a Diana, ela pode responder também.
02:20Aquela está mais integrada com a parte de legislação.
02:25Embora eu tenha sugerido essa legislação há muitos anos atrás, mas é que ela está mais...
02:32Eu posso falar a mais decorada.
02:34Como vocês preferirem.
02:35Porque a gente fez um vídeo anteontem, ela que falou essa parte.
02:40Então, por favor, vamos lá, Diana.
02:43Então, na verdade, não é uma opinião só nossa, né?
02:48A gente está representando também a opinião de vários outros pesquisadores brasileiros.
02:54Eu e a Beth, nós participamos de um grupo de trabalho exatamente para pensar nas leis que podem vir a ter aí para a defesa do nosso meteorito, dos nossos meteoritos, né?
03:08Então, o que a gente gostaria é que não fosse proibido vender meteorito, mas que também o patrimônio nacional ficasse preservado.
03:18Então, assim, a gente tem um grupo de trabalho, onde tem pessoas da Sociedade Brasileira de Geologia, Sociedade Astronômica Brasileira, Museu Nacional, Direito Espacial, né?
03:30Lutando por isso e a ideia de um projeto de lei que já existe, né?
03:35É que o meteorito, ele possa ser comercializado desde que uma parte fique para a ciência.
03:43Então, uma parte é para ser estudado.
03:46Então, é uma lei que quem acha o meteorito, se tiver na sua terra, é o proprietário, mas se for alugado e o inquilino achou, é dividido com o dono do terreno, né?
04:01Mas é, precisa de uma parte ir para a ciência.
04:05Então, isso que a gente defende, né?
04:07É uma parte para a ciência, mas se a gente defender que não pode ser comercializado, a gente sabe que os meteoritos não vão aparecer mais.
04:15Então, a gente defende que a ciência e as pessoas, a população, porque são elas que acham, né?
04:23Que estejam juntas aí.
04:25Faz todo sentido.
04:28Agora, antes de, até, né?
04:30Eu nem comentei sobre o destaque de vocês do New York Times.
04:33Beth, eu vou falar com você, então, sobre isso.
04:35O que significou para vocês, não é?
04:37Esse trabalho, o tamanho destaque, que até saiu no New York Times, conta para a gente até o que essa visibilidade internacional significa para o trabalho de vocês e até, de uma forma geral, para a ciência brasileira.
04:50Então, cientificamente, nas revistas científicas, a gente publica, mas aquela coisa, poucas pessoas veem.
05:00E um jornal como o New York Times, o mundo todo vê.
05:04Então, são pessoas de vários níveis sociais e de diversas culturas e tudo.
05:13Então, abrange uma gama muito grande.
05:17Então, para a gente que estamos trabalhando com divulgação, foi assim, acredito assim, foi fantástico essa sorte de termos interessado a esse repórter do New York Times, o nosso trabalho, e ter saído dessa reportagem.
05:33Então, fez uma divulgação não só no Brasil, que é nosso grande interesse, mas no mundo inteiro, isso.
05:44E isso tem sido muito positivo, tanto para a gente quanto para a ciência brasileira, mostrando que a gente está fazendo um trabalho inovador, quer dizer, não tão inovador.
05:55Eu falo assim, gente, eu sigo, é uma pessoa de 100 anos atrás, que foi o Neininger, esse aqui é um novo livro do neto dele, mas que ele fez isso daí, não com uma divulgação assim, como hoje em dia a gente tem internet e tudo,
06:11mas ele ia nas cidades, nos Estados Unidos inteiro, procurando meteorito, comprando, vendendo, fazendo.
06:19E a meteorita deve muito a ele, e a gente está tentando fazer isso aqui no Brasil, porque quem acha é o pessoal do campo, não é o cientista que está atrás no laboratório que acha o meteorito.
06:34A gente pode até calcular onde ele caiu, mas achar mesmo ser o primeiro é as pessoas do campo, e elas têm que saber como é o meteorito.
06:44Interessante. Agora vamos falar lá com a Amanda. Amanda, além da pesquisa, vocês se dedicam também à divulgação científica em escolas e também em comunidades remotas, o que é muito bacana.
06:57Que tipo de reação vocês encontram até ao levar um fragmento, por exemplo, do espaço para crianças e qual o impacto que vocês observam?
07:06Bom, então, dando um gancho aí para o que a Beth estava falando, como são as pessoas do campo que encontram, a gente está no laboratório, mas a gente não tem como ficar procurando.
07:19Bom, então, a gente já está há quase 10 anos trabalhando juntas nessa divulgação científica, dando palestras em várias cidades.
07:26A Beth já há muitos anos, muito mais, há quase 40 anos.
07:29Mas é a primeira vez que a gente consegue financiamento do governo federal, através do CNPq, com o nosso projeto Meteoritos Pé na Estrada.
07:38E com esse financiamento a gente consegue atingir áreas mais remotas, mais no interior do Brasil, nas cinco regiões do Brasil, levando esse conhecimento dos meteoritos, né?
07:49O que são meus meteoritos, a importância dos meteoritos para crianças, adolescentes, adultos.
07:56E eles simplesmente ficam fascinados, porque é realmente muito fascinante você poder pegar no meteorito.
08:05Uma coisa é você aprender através de slides, através de livro, através até da própria internet.
08:13Mas outra coisa é você poder tocar, aprender a pegar.
08:17Então, uma das coisas que a gente ensina nas palestras é a reconhecer.
08:20Porque como a gente vai ter esse retorno de meteoritos, né?
08:26De aumentar a quantidade de meteoritos no Brasil, a quantidade de meteoritos encontrados no Brasil,
08:32se a sociedade não aprender a reconhecer.
08:35Então, esse é um dos grandes objetivos do projeto, é ensinar a importância e o reconhecimento.
08:43Então, eles ficam encantados.
08:45Muitas vezes eles vêm nos abraçar, ficam muito obrigada, professoras, pelo conhecimento, pela palestra.
08:53Nós adoramos.
08:54E o retorno disso é que praticamente todos os dias recebemos e-mails, telefonemas, WhatsApp,
09:03caixas de amostras chegando no Museu Nacional.
09:07E isso é o retorno desse trabalho, da gente divulgar, ensinar, estimular as pessoas a ir procurar.
09:17Então, elas estão num ambiente delas, onde elas moram, no campo, no quintal de casa, na fazenda.
09:23E, de repente, elas se deparam com uma pedra diferente.
09:26E eu acho que isso pode ser o meteorito, né?
09:29Que eu vi naquela palestra, que eu vi aquelas moças falando.
09:34Então, acho que eu vou entrar em contato com elas e vou ver se isso é um meteorito.
09:39Então, esse retorno, não só de encantamento, agradecimento por a gente levar, a gente fica muito feliz desse retorno.
09:47E também o retorno para a ciência, porque alguns meteoritos brasileiros já foram encontrados, né?
09:55Até recentemente, a gente tem esse retorno, né?
09:58De alguns meteoritos sendo já estudados e classificados, por conta da sociedade reconhecer,
10:04entrar em contato com a gente e a gente fazer o estudo e agora oficializar os novos meteoritos brasileiros.
10:11Muito bacana.
10:12Agora, até seguindo essa questão de educação, Beth, eu queria que você falasse um pouco,
10:17porque o grupo é formado por mulheres, não é?
10:19Em uma área que historicamente ainda é dominada por homens.
10:24Quais são os maiores desafios que vocês ainda enfrentam?
10:27Se é que enfrentam, né?
10:28Nesse trabalho e mais, como que as meteoríticas podem influenciar as meninas para a ciência?
10:37Então, por incrível que pareça, no ano que eu entrei para fazer astronomia,
10:43tinha outras mulheres fazendo astronomia, então, assim, eu não senti tanto ser mulher, né?
10:50Mas depois, as meteoríticas surgiram exatamente porque eu falei assim,
10:57nossa, como tem mulher trabalhando em meteorítica?
11:01Porque eu também trabalhava com uma professora chamada Loiva, que era de geologia,
11:05mas ela já se aposentou há bastante tempo.
11:10E outras também, que já se aposentaram, que vieram antes de mim também.
11:15Então, a gente estava falando assim, né?
11:16E a meteorítica é a ciência também que estuda meteoritos.
11:21Então, é por isso que a gente fez essa palavra.
11:24Meteoríticas, do meteorítica ciência e meteorítica nós, mulheres, estudando meteoritos.
11:30Então, no campo, a gente causa bastante, como é que eu ia falar?
11:40A gente estimula bastante as mulheres que elas veem, que elas podem ser alguma coisa.
11:45Meninas, então, logo em Palmas de Monte Alto, tinha uma menininha muito esperta lá.
11:50A gente sente que a gente...
11:53Elas pensam assim, nossa, eu vou poder ser alguma coisa que não seja só uma dona de casa, às vezes.
12:00Especialmente no campo, né?
12:02Com certeza. Muito bacana isso.
12:05Agora, Diana, uma de vocês disse que ver um meteorito é como viajar para o espaço sem gastar bilhões.
12:14Bom, primeiro que eu quero saber quem foi que disse.
12:16E até, viu, Diana, de uma perspectiva científica, que tipo de segredos do universo uma rocha como essa pode conter?
12:24E o que a ciência aprendeu com ela?
12:27Você está sem o áudio.
12:34Eu vou deixar para contar para você no final quem disse isso, que aí a gente passa já a voz para outra pessoa.
12:41Então, os meteoritos, é fácil você entender a importância dos meteoritos marcianos, os lunares,
12:48porque é um pedaço da Lua, é um pedaço de Marte que chega até aqui.
12:52Então, a gente consegue estudar esses corpos celestes que estão lá longe sem precisar ir até lá, né?
12:59Eles acabam chegando aqui.
13:01Então, é bem fácil de entender essa importância.
13:04Mas existem meteoritos, como os condritos, né?
13:08Que eles são como um instantâneo do sistema solar no momento da formação.
13:12Então, assim, as características fisico-químicas do sistema solar, naquele início lá, 4,56 bilhões de anos atrás, ficou gravado ali.
13:22Então, a gente consegue, a partir desses meteoritos, estudar essas características.
13:27Outros meteoritos, um tipo específico de condrito, que é o carbonace, tem muito matéria orgânica.
13:34Então, todas as bases do DNA, do RNA, a ribose do RNA, os ingredientes para a vida, já apareceram nesses tipos de meteoritos.
13:44Então, a gente poderia ter todos os ingredientes do RNA, por exemplo, vindo a partir dos meteoritos e chegando na Terra, né?
13:52Para surgir a vida.
13:54Então, isso é muito interessante.
13:55E, além disso tudo, que conta muita história do nosso sistema solar, né?
13:59Ainda conta histórias de estrelas que vieram antes, porque alguns meteoritos têm grãos pré-solares.
14:06Então, grãos que contam história do que aconteceu antes.
14:10Então, ele traz ali certas anomalias isotópicas que falam, olha, só pode ter sido formado esse grão numa supernova,
14:18que explodiu antes do Sol começar a sua vida, né?
14:24Do seu processo.
14:25Então, chegou na nebulosa, enriqueceu a nebulosa.
14:29Então, isso tudo pode ser contado a partir dos meteoritos.
14:34E quem falou isso foi a Beth.
14:36Vou deixar agora ela falar sobre isso.
14:40Vamos lá, Beth.
14:42Então, eu não sei se era vontade, quando era criança, de ser astronauta e tudo.
14:50E aí, eu descobri que os meteoritos são o espaço que vem até as nossas mãos,
14:56em vez de a gente ter que ir até lá.
14:58Porque a gente tem um pedaço da Lua aqui nas mãos.
15:01Tem um pedaço de Marte.
15:02Tem desasteróides, principalmente, né?
15:06Então, e tudo isso se gasta milhões para poder ir lá, ou bilhões para poder se chegar e trazer um pedacinho de rocha
15:13que, quando você vai ver, é idêntico com o meteorito.
15:17Mas só que a frase não é minha, não.
15:19É do Eduardo Anders, que dizia assim,
15:22The Poor Man's Space Probe, que é a sonda espacial do homem pobre.
15:27Então, quer dizer, na verdade, a gente é mais ou menos isso, né?
15:32Que a gente não tem que gastar bilhões para ir lá.
15:34Chega aqui de graça, só basta a gente ter que ter ele nas mãos.
15:39E isso depende da população.
15:41Sensacional.
15:43Bom, nós estamos recebendo aqui a Elisabeth Zuccolotto,
15:47que é curadora da coleção de meteoritos do Museu Nacional.
15:51Elisabeth, muitíssimo obrigada pela sua participação.
15:54Uma excelente noite.
15:56Muito obrigada.
15:57Nós é que agradecemos a oportunidade.
15:59E tivemos também a Amanda Tosi, que é pesquisadora do Instituto de Geosciências.
16:05Amanda, obrigada pela participação mais uma vez.
16:07Obrigada mais uma vez também pela oportunidade aqui de estar falando sobre os meteoritos.
16:15E vamos nos despedindo também de Diana Andrade, que é professora do Observatório do Valongo.
16:22Diana, muitíssimo obrigada.
16:24Parabéns a vocês e muito obrigada.
16:26E tenha uma excelente noite você também.
16:27Muito obrigada também.
16:31Agradeço muito e parabenizo aí todos vocês do programa.
16:35Muito obrigada pela participação vocês três, as meteoríticas.
16:39Foi um prazer tê-las aqui conosco.
16:40Boa noite.
16:42Boa noite.
16:43Boa noite.
16:43Tá aí, pessoal.
16:45Espero que vocês tenham gostado.
16:46Um papo super gostoso aqui sobre meteoritos com elas.
16:51Meteoríticas.
16:51Bacana, né?
16:52Espero que vocês tenham curtido.
16:54Espero que vocês tenham gostado.
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