00:00Ah, com certeza, com certeza. Eu acho que é isso que você falou, a gente vai passar por esse preconceito, e eu reconheço esse preconceito de fora da minha própria bolha, da minha própria comunidade, mas tem dentro também.
00:10E é muito bizarro quando a gente vê de dentro, você fica, meu Deus, é um dos meus fazendo isso comigo, que tristeza, sabe? Que tristeza.
00:19Mas eu acho que é algo que, eu falei, eu tava falando disso ontem, inclusive, com outras pessoas, exatamente sobre isso, e eu acho que é algo que tá longe de acabar.
00:26Acho que a gente tá melhorando com várias coisas, porque as entradas nos lugares estão melhorando, eu acho que as pessoas estão reconhecendo mais a gente nos lugares, e é isso, assim, eu acho que o mundo está mudando, com certeza.
00:40Mas tá um, altos e baixos, altos e baixos, e às vezes é isso, parece que a gente voltou 10 anos, parece que fala, não, acho que agora tá indo. Vai e volta, então eu acho que a gente tá longe de não ter mais isso.
00:51E aí, com isso, eu acho que tem um trabalho também a se fazer interno, sabe? Do tipo, não deixar isso me afetar, não deixar isso me parar, não ficar com medo disso, lutar quando eu posso.
01:04Quando eu estiver cansado, não vou lutar, porque é uma vida também, lutando, né? Nós da comunidade, a gente tá uma vida lutando, e às vezes a gente cansa, então tá tudo bem também a gente se respeitar e não lutar agora, lutar depois.
01:14Mas, eu acho que é uma coisa que é isso, assim, é esse jogo interno também, com algo que a gente sabe que não vai acabar amanhã.
01:21Galquinha, eu já ouvi em entrevistas de drag, dizendo que tem muita dificuldade de ter uma vida amorosa, porque geralmente são gays, né?
01:31E o outro não quer ter um namorado que se veste, que se monta, e eu acho isso tão estranho, né? Como você disse, ter um preconceito dentro...
01:41E é um personagem, a pessoa não vai...
01:42Você tinha que ter orgulho, né? Do teu parceiro, que é um artista, e na verdade você tem vergonha.
01:48Exato, porque mexe com o feminino, e o feminino é muito doido, porque é isso, é muito até um reflexo do machismo dentro da comunidade LGBT, sabe?
01:58Porque é isso, o feminino não é visto com bons olhos por alguns homens gays.
02:03Já se sentiu rejeitado?
02:04Super, super mesmo. E de saber que era esse o motivo, de saber que não tava indo pra frente, porque eu sou uma drag queen, e aí aquele cara naquele momento não tava afim de viver com um cara que foge do padrão.
02:19Porque querendo ou não, eu reconheço como padrão em várias coisas, e vejo esses privilégios, mas querendo ou não, eu sou uma drag.
02:25Que, tipo assim, eu já sou um cara que a minha maior fonte de renda hoje também, essa é quem eu sou.
02:32E é um cara afeminado, e isso já tira minhas chances com vários outros...
02:35O afeminado já restringe muito, né?
02:38Exato, é muito doido, assim, muito doido mesmo.
02:40Aí fica nessa discussão de alguns caras que falam assim, ah, mas é gosto, aí fica, será que a gente tá falando só de gosto?
02:45E não só uma construção também, e por aí vai.
02:48E aí a discussão vai longe.
02:49E aí
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