00:00Pessoal, é o seguinte, vocês podem até não gostarem do Guto Galamba,
00:03acusá-lo de fazer marquetagem ou propriamente tentar, enfim, se apresentar,
00:08mas é inegável que ele acaba desafiando certos consensos
00:12desse, enfim, de uma palavra inventada chamada gordofobia,
00:16que é de um negacionismo científico absurdo, pós-moderno, sinceramente,
00:21que acaba virando um escudo para as pessoas, enfim,
00:23simplesmente aceitarem a condição que elas estão,
00:26como se fosse uma condição estática, irreversível, né?
00:28Claro que é uma situação complexa, mas é um debate que está posto aí.
00:32Doutora Karina, o que você achou?
00:33Na verdade, quando a gente pega o lado do Guto,
00:37a gente está falando de uma pessoa que sabe que é uma condição de saúde
00:42ou de doença, né? Pensar na obesidade, aumenta a chance,
00:47todo mundo sabe, de cardiopatias, diabetes, hipertensões.
00:52Então, ele traz isso nesse vídeo de uma forma muito...
00:56forte.
00:59E do outro lado, você vê lá os 30, porque eu assisti esse vídeo,
01:05esses 30 participantes, eles tomam isso como algo pessoal,
01:08como se estivesse falando do valor deles.
01:11Então, a discussão fica muito acalorada,
01:15porque quem está lá, os obesos, né?
01:18Que eles chamam de gordos lá, falam,
01:20ó, você está me desrespeitando,
01:22é importante que eu me aceite como eu sou.
01:24Então, essa que é a grande luta, né?
01:27É uma tentativa que dá para perceber,
01:31eu acho, desses participantes quererem ser aceitos,
01:36porque sofrem preconceito mesmo.
01:38Inclusive, tem uma pesquisa,
01:40não sei se vocês sabem, muito interessante,
01:42que é a Harvard que fez com o Yale,
01:45mostrando que até no serviço de saúde,
01:49o obesos tem preconceito, sofre preconceito,
01:52e são até menos cuidados,
01:54por conta dessa história de todo mundo achar
01:57que é uma simples escolha de comida.
01:59E lembrando do assunto anterior,
02:00a gente fica muito bravo...
02:01Não dá para menosprezar que tem isso, sim,
02:03pelo amor de Deus.
02:03As pessoas têm livre-arbítrio,
02:05claro que são casos e casos,
02:06mas muitas vezes,
02:07parece que tem uma tendência perturbadora
02:09na sociedade global, eu diria hoje em dia,
02:11Mano Ferreira,
02:12que as pessoas estão tentando adequar a ciência
02:14à sua própria ideologia,
02:16tentar adequar a ciência
02:17ao que você gostaria que a realidade realmente fosse.
02:21A gente parece que passou da aceitação da obesidade
02:24para a celebração da obesidade, né?
02:27Muitas vezes.
02:28Ou de, pelo menos, de alguma forma,
02:29bater palma para pessoas
02:31ou exaltar pessoas
02:33porque elas se deixaram largar
02:35e acabaram chegando nessa situação.
02:37É difícil falar de aceitação, né?
02:38A gente aplaudia e exaltava
02:40quem conseguia reverter isso,
02:41quem conseguia emagrecer isso.
02:43Quando foi que a gente se perdeu?
02:44Fica a pergunta.
02:46É, mas ao mesmo tempo, Marinho,
02:48eu acho que a retórica de simplesmente
02:50fazer quase um bullying com o gordo, né?
02:53Eu acho que não é efetiva.
02:55porque é preciso pensar
02:57quais são as condições concretas
03:00que levam alguém a estar
03:02nessa armadilha da obesidade, né?
03:05Porque se fosse tão fácil assim
03:08simplesmente falar
03:09e a pessoa vai se convencer,
03:11agora vai mudar o estilo de vida
03:13e vai resolver todos os problemas emocionais
03:16que, eventualmente,
03:18ela lida com a comida, enfim.
03:21Não é tão simples assim, né, Karina?
03:23É, você pegou o ponto
03:25que eu super acredito
03:27que é assim,
03:28uma coisa é aceitar.
03:30E a gente não está falando de aceitar.
03:32Porque aceitar é aceitar a doença, né?
03:34É um risco para a sua saúde.
03:36Uma coisa é não ser maltratado.
03:39Aí sim, eu acho que eles têm todo o direito
03:41de falar não queremos ser maltratados,
03:43mas é diferente.
03:44Eu acho que é isso que está sendo confundido
03:46na cabeça de alguns.
03:47O que eu condenei aqui é celebração.
03:49Sim, exatamente.
03:50Celebração, aceitação.
03:52Exatamente.
03:52E o terceiro,
03:53você acabou de colocar uma coisa é aceitar,
03:55o outro é que você estava contra o ponto.
03:56É, ser maltratado.
03:57Maltratado, aí estamos juntos, lógico.
03:59É, mas o que rola preconceito rola?
04:01Eu, os meus dois melhores amigos, assim,
04:03que eu saio sempre,
04:04são obesos.
04:05E um até anda de bike e tudo,
04:08faz várias atividades físicas,
04:09vai na academia,
04:11come o mesmo,
04:11a gente até brinca, né,
04:12que come a mesma quantidade de comida que eu
04:14quando a gente vai no churrasco,
04:15toma a mesma quantidade de coisa
04:16e mesmo assim não consegue emagrecer,
04:18mesmo fazendo regime,
04:19lá atrás ele já tentou outras vezes, né,
04:21e precisa dessa ajuda.
04:22Agora, acho que o ponto que o Marinho
04:24quer trazer é assim,
04:25de você romantizar essa situação, né,
04:27de você realmente falar assim,
04:28ah, não,
04:29eu tenho que me aceitar da maneira como eu sou,
04:31tudo,
04:32porque sofre preconceito?
04:33Sofre.
04:33Eu já fui num bar
04:34e um dos amigos meus,
04:35o cara falou assim,
04:36ah, não dá pra sentar nas cadeiras não,
04:37porque senão vai quebrar.
04:38Então, assim,
04:39é uma forma de um certo preconceito,
04:41é chato isso, né?
04:42Você não lembra aquela influenciadora?
04:43É aquilo,
04:43a gente não precisa ser politicamente correto,
04:45é questão de ser correto,
04:47totalmente correto,
04:48ou pelo menos ser um mala,
04:49ou um,
04:51vou nem falar o terceiro tema.
04:52Vai que a sua doutora precisa,
04:53você falou muito bem,
04:54lembra uma influenciadora,
04:56não vou ficar citando nomes,
04:57que havia ali a romantização sobre a obesidade,
05:00que inclusive,
05:01tempos depois,
05:02acho que até atualmente,
05:03na verdade,
05:03ela fez ali uma redução de estômago,
05:05tá tentando se reeducar.
05:07Então,
05:07quando ele coloca ali celebrar,
05:09é a gente dar palmas,
05:11comemorar pessoas que estão ali
05:14acima do peso doentes,
05:16com colesterol alto,
05:17com AVC,
05:18que já tentaram de tudo
05:19e romantizam aquilo
05:21como sendo algo saudável.
05:23Então,
05:23acho que nesse cenário
05:24que ele coloca
05:24sobre celebrar,
05:25que a gente tem que entender
05:27que muitas das vezes,
05:28para não falar todas,
05:29porque eu não sou médica,
05:30há ali uma condição de saúde,
05:32é uma doença.
05:33Claro que algumas ocasionadas
05:34por escolhas,
05:35obviamente,
05:35não podemos aqui,
05:36colocar que toda pessoa
05:38que está acima do peso,
05:38não é de escolha.
05:40Agora,
05:41a gente tem que entender
05:42que é uma questão
05:42de saúde pública,
05:43muitas das vezes,
05:44e que em razão de ser saúde,
05:46é como se nós estivéssemos
05:47comemorando
05:48alguém que está lá,
05:49um cardiopata,
05:50ah,
05:50que parabéns.
05:51Então,
05:52levando pelo lado
05:53da saúde pública,
05:54a gente não pode romantizar,
05:55mas também tem que entender
05:57qual condição
05:58e como que aquela pessoa
05:59chegou a estar ali
06:01acima do peso,
06:02porque ela não nasceu
06:03daquele jeito,
06:04então essa condição
06:04ela tem que ser entendida.
06:06Assim como a gente também
06:07não pode romantizar,
06:08só trazendo um ponto,
06:09as pessoas que usam
06:10de forma exacerbada,
06:12é anabolizantes,
06:14tem o corpo lá
06:14todo fitness
06:15e não tem saúde,
06:16tem pressão alta,
06:17é colesterol,
06:18o coração já não está
06:19ganhando de copiar
06:20tanto sangue.
06:20A galera do suco
06:21também tem um estigma social,
06:23tem, tem, tem, tem.
06:24As pessoas são zoadas,
06:26são rechaçadas,
06:26viu?
06:27Desculpa,
06:27quem acaba recorrendo a isso,
06:28né?
06:29Bom,
06:30de qualquer modo,
06:30eu vou interromper a doutora Karina.
06:31Doutora Karina,
06:32pode seguir por favor
06:33aqui,
06:34complementando?
06:34Eu tenho uma tendência atual
06:36agora que eu acho
06:37que é melhor
06:38para todos eles,
06:39é a medicina,
06:41considerar que são
06:43coparticipantes
06:45para poder ajudar
06:46a encontrar estratégia.
06:48Então,
06:48o preconceito,
06:49como o Mano estava falando,
06:50não ajuda ninguém
06:51a sair do lugar,
06:52ou ajuda poucos
06:53a saírem do lugar, né?
06:54Ah,
06:54não quero viver
06:55nesse lugar,
06:56eu vou sair.
06:56mas não ajuda a todos.
06:58Então,
06:59se nós pudéssemos,
07:00nós,
07:00eu estou falando
07:01como profissionais da saúde,
07:02pudermos trabalhar
07:03para nos responsabilizarmos também
07:05e ajudar em novas estratégias,
07:08eu acho que esse é um caminho
07:09que a gente pode ajudar mais.
07:11E vocês sabem
07:11que até convênios,
07:12determinados convênios,
07:13Marinho,
07:14estão colocando
07:15até academias à disposição
07:16dentro ali do plano,
07:18porque se uma pessoa,
07:19ela faz academia,
07:20ela está dentro do peso,
07:21está tudo direitinho,
07:22claro que tem menos,
07:24se aciona menos o convênio.
07:26O convênio ditado,
07:27prevenir é melhor
07:28do que remediar.
07:29Isso,
07:29já entendendo isso
07:30como uma condição mesmo
07:31de saúde mesmo.
07:32Não,
07:32sem dúvida alguma,
07:33a gente segue adiante aqui,
07:34inclusive o próprio Diogo
07:35estava aqui dizendo
07:35que envolve,
07:36claro,
07:36um componente de saúde mental,
07:38não é só a saúde física,
07:40mas um baita de um debate
07:41aqui,
07:41acho que agregador
07:42e é isso, pessoal,
07:43pelo menos a minha mensagem
07:44não seja politicamente correta
07:45e sucumba
07:46às pressões aí
07:47de um bando de gente
07:48que só quer cortar o seu pescoço,
07:49mas por que não ser correto
07:50a nível humano
07:51e também estender uma mão amiga
07:53e reconhecer que é um problema,
07:54mas também não é ficar
07:55exaltando e romantizando
07:57porque também é só
07:58aprofundar o problema.
07:5911 horas e 56 minutos,
08:00a gente se despede
08:01de todo mundo que nos ouviu
08:01pela rede Jovem Pan de rádio,
08:03Morning Show.
08:04Fica por aqui,
08:04amanhã às 10,
08:05tamo junto de novo.
08:06Tchau.
08:07E aqui a gente segue
08:08aqui nas multiplataformas
08:09da Jovem Pan,
08:11dá o seu panorama final aqui,
08:13considerações finais,
08:15candidata Karina Pirroa.
08:16Inclusive hoje
08:17que é o dia do psicólogo,
08:18então parabéns.
08:19Parabéns.
08:19Parabéns,
08:21salva de palmas aí,
08:22por favor.
08:23Sim,
08:23vamos lá.
08:25Vamos lá.
08:25Eu diria parabéns ao Guto
08:27que de alguma forma
08:28ele está aí trabalhando
08:30para ajudar pessoas,
08:32lógico,
08:33tudo bem,
08:33ele tem o ganho com isso,
08:35mas e daí?
08:36A questão é que ele está
08:37fazendo um trabalho
08:38bem bonito
08:38e na blusa dele lá
08:40estava o símbolo
08:40de uma ONG
08:42que ele está criando
08:43para ajudar as pessoas
08:44na nutrição,
08:45na atividade física
08:46e é isso aí,
08:47é um pouco de cada um
08:48para ajudar.
08:49Volta para cá,
08:50Guto Galama,
08:51quando você quiser,
08:52portas abertas aqui
08:53no Morning Show também,
08:54sempre aí contribuindo.
08:56Agora,
08:56falando da nossa enquete aqui,
08:57pessoal,
08:57que a gente lançou
08:58no início do programa,
08:59inclusive foi o tema
08:59que abriu o programa,
09:01foi claro,
09:02se você do outro lado
09:03concordava que
09:04a polícia penal
09:05atuasse dentro
09:07da casa de Jair Bolsonaro
09:08e 3.400 votos depois,
09:11aí engajando todos vocês,
09:13um não retumbante
09:14de 86%
09:15e um sim de 13%.
09:1713% aí,
09:18tinha que ser, né?
09:1913% aí querendo
09:21que os policiais...
09:22Deu 13%?
09:23Deu 13, né?
09:24Tinha que ser 13%.
09:26Brincadeira.
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