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Desafio do Brasil é escalonar uso da biodiversidade da Amazônia na economia, diz Carlos Nobre
Terra Brasil
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há 4 meses
Desafio do Brasil é escalonar uso da biodiversidade da Amazônia na economia, diz Carlos Nobre
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00:00
No entanto, líderes políticos, econômicos e empresariais tratam o crescimento como a meta suprema.
00:12
E a sociedade continua a associar o crescimento à prosperidade.
00:16
Então, do ponto de vista dos limites planetários, o que o senhor diria que são realmente os limites do crescimento?
00:23
Obrigada, Dolores. Como você falou, esse é um dos grandes debates de agora.
00:32
Vou começar aqui no começo. Os sinais de limites planetários são totalmente agnósticos ao crescimento.
00:41
Eles nos dizem algo que é muito importante para o desenvolvimento econômico.
00:46
Ele nos dá os limites que oferecem essa igualdade.
00:54
Como você vai jogar o jogo dentro disso?
00:58
Não depende só da ciência. Os limites planetários são como um campo de futebol.
01:07
Você tem ali as linhas, você tem até o juiz, mas se a bola sair das linhas, você não vai poder jogar.
01:16
O jogo precisa ser jogado dentro das linhas do campo.
01:22
Você pode jogar como o Brasil, o melhor time do mundo, ou você pode jogar como eu,
01:29
um perna de pau, não sustentável, um jogador que abusaria do sistema.
01:37
Então, como o jogo é jogado, depende da economia mundial para essa igualdade de condições.
01:44
A gente tem que estabelecer os limites, respeitar os limites, e se tivermos crescimento econômico dentro desses limites,
01:53
ou se tivermos uma falta de crescimento, ou outro paradigma econômico, isso é uma questão secundária.
02:01
A gente tem que se manter dentro dos orçamentos impostos pelos limites.
02:06
Então, eu sei que muitos aí não são acadêmicos, então eu quero explicar o seguinte.
02:15
Eu também estou entre os cientistas que dizem que talvez a gente não precise de um crescimento de PIB enorme
02:26
para lidar com as questões, mas quanto mais esse PIB cresce, mais a gente tem problemas com fósforo e nitrogênio com as questões climáticas.
02:42
Então, quanto mais você cresce, pior você se sai nas questões ecológicas, nas questões climáticas.
02:52
E também, essa desassociação é muito difícil.
02:56
As economias europeias separaram a economia da emissão de gases de efeito estufa,
03:05
mas temos que pensar naqueles que estão produzindo os bens.
03:12
Então, isso é um desafio muito grande.
03:14
Então, há um argumento muito pujante com relação ao futuro,
03:20
onde poderemos ter o crescimento econômico ainda totalmente desassociado das questões climáticas,
03:29
principalmente com a transição energética.
03:31
Nós podemos criar uma energia verde que possa alimentar toda a economia sem os impactos climáticos.
03:42
Essa transição energética é um dos exemplos onde poderemos ter sucesso,
03:47
mas é muito mais difícil quando a gente fala de madeira, do solo, de água potável.
03:53
Esses riscos de um efeito rebote com tecnologias mais eficientes,
04:02
que têm um uso unitário de materiais menor,
04:08
isso pode ter um efeito rebote de mais volume de uso.
04:13
Então, precisamos pensar na economia circular
04:16
e pensar das novas abordagens circulares,
04:22
ao mesmo tempo que discutimos a descabornização.
04:28
Tudo isso tem que fazer parte da agenda.
04:32
E eu quero encerrar dizendo o seguinte,
04:34
países como o Brasil, países da África,
04:38
que têm uma hierarquia de maturidade econômica,
04:42
eu faria o argumento como o Jackson diz no livro dele sobre prosperidade,
04:50
que aqueles países que são maduros e prósperos
04:54
chegaram num ponto onde o PIB vai ter que acabar
04:57
e o desenvolvimento econômico vai ser bastante limitado
05:02
e nós vamos ter que pensar em outros valores para a economia.
05:06
As economias que estão emergindo rapidamente,
05:09
que são economias mais imaturas,
05:13
ainda vão ter esse crescimento tradicional
05:18
para que a gente possa ter essa jornada coletiva
05:24
para um espaço mais seguro.
05:27
Não pode ser uma medida única para todo mundo.
05:30
Precisamos de abordagens específicas
05:32
para diferentes regiões econômicas do mundo.
05:35
E um único ponto, um último ponto, Lourenço,
05:39
é que nós temos muitas evidências,
05:42
e eu acho que o que foi dito antes,
05:44
enfatiza isso, é que as soluções
05:46
mostram que são melhores para o desenvolvimento econômico,
05:52
trazem mais resiliência do que
05:55
essa abordagem de crescimento do PIB.
05:58
Então, precisamos pensar sobre esse crescimento econômico
06:02
continuando, mas uma redefinição desse crescimento econômico
06:06
dentro dos limites do planeta,
06:08
colocando o valor econômico no desenvolvimento
06:12
de novas maneiras de sermos responsáveis.
06:17
E eu acho que isso é uma coisa que a gente tem que se lembrar,
06:19
que o PIB é uma mensuração obsoleta
06:25
do que realmente importa para os seres humanos e sociedades.
06:33
Eu gostaria, então, de responder rapidamente a isso,
06:36
mas só para eu entender, professor Rockström.
06:39
O senhor está falando que nós precisamos, então,
06:41
de sistemas de governança mais robustos.
06:45
E eu gostaria de saber, então,
06:47
como você trataria isso no contexto da Amazônia?
06:50
Então, estamos falando de questões globais,
06:53
mas também questões de soberania nacional.
06:56
Então, gostaria de saber como o senhor vê isso
06:59
e também como garantir que vozes locais,
07:02
principalmente em comunidades indígenas,
07:04
participem desse processo de mudança na Amazônia.
07:08
Essa é uma questão, mas, infelizmente,
07:14
com a ditadura militar nos anos 70,
07:18
eles invadiram a Amazônia para se livrar da floresta.
07:23
A floresta era o inimigo.
07:27
Eles queriam invadir a Amazônia pela riqueza mineral
07:30
e um monte de outras bobagens.
07:33
Infelizmente, até os anos 70,
07:36
nós tínhamos apenas 2,5% da Amazônia
07:41
sem a floresta.
07:45
Agora, a madeira não era um grande item
07:50
de exportação para o Brasil.
07:54
Nós, hoje, estamos...
07:59
Não estamos fazendo o que as populações indígenas
08:04
fizeram por milhares de anos.
08:06
Há milhares de anos, eles começaram
08:08
a usar mais de 2.300 produtos
08:13
da biodiversidade amazônica,
08:16
plantas medicinais, frutas.
08:22
Infelizmente, depois da ditadura,
08:25
nós começamos a destruir a Amazônia
08:28
sempre pensando na destruição para a soja,
08:37
para a exploração da madeira,
08:39
para a exploração pecuária.
08:42
E nós não podemos continuar fazendo isso.
08:45
É muito bom estar aqui
08:47
e ver o Guilherme Leal da Nature.
08:49
Por muitas décadas, eles vêm mostrando
08:54
que há maneiras de utilizar os produtos
08:58
da biodiversidade na indústria moderna,
09:02
na industrialização moderna.
09:05
Há muitos bons exemplos disso.
09:07
E eu vou falar sobre alguns números.
09:11
Fizemos uns cálculos
09:12
sobre a questão do PIB.
09:18
O PIB na Amazônia,
09:19
nós calculamos que todos os produtos
09:22
advindos da biodiversidade
09:25
respondem por 1,2% do PIB.
09:30
O açaí, cupuaçu, buriti,
09:36
outras castanhas, pirarucu, peixe também,
09:40
1,2%.
09:42
Um produto que é a carne vermelha
09:48
é 70% do PIB da Amazônia.
09:52
Então, nós temos esse desafio
09:54
de uma transição que precisa ser
09:56
célebre rápida
09:57
para melhorar a vida da população amazônica.
10:06
Temos também exemplos de excelentes cooperativas
10:09
que produzem mais de 50 produtos
10:12
baseados na biodiversidade.
10:13
e os lucros dessas cooperativas
10:19
são sete vezes maiores
10:22
do que a agropecuária,
10:26
20 vezes mais pessoas empregadas.
10:31
Esse é o caminho,
10:33
mas precisamos escalonar isso.
10:36
Isso precisa ganhar escala.
10:37
Então, como que nós, Brasil,
10:42
temos a maior biodiversidade do planeta
10:47
e não utilizamos essa biodiversidade
10:50
para criar uma economia sustentável?
10:53
Então, esse é o grande desafio.
10:56
E também precisamos
10:59
dar escala
11:03
a essas empresas,
11:05
a esses fabricantes
11:06
que querem
11:07
explorar isso
11:10
para bem dos países.
11:11
lembrar
11:14
e não conseguir
11:14
fazer
11:16
um
11:17
aqui
11:17
em
11:18
um
11:19
novo
11:20
acima
11:21
e
11:21
e
11:21
um
11:21
alemão
11:23
e
11:23
2
11:24
e
11:24
a
11:25
e
11:25
aí
11:25
e
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