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NotíciasTranscrição
00:00Fundo preto revelando à esquerda logotipo do Ministério da Cultura.
00:04À direita, governo federal.
00:06Abaixo em branco, união e reconstrução.
00:08E a palavra apresenta.
00:09Logo do Mídia para Todos, com três figuras humanas.
00:12Vermelho, azul e amarelo.
00:14Acima, microfone, TV e balão.
00:16De dentro pra fora, logo da TV Serio, TV comunitária do Rio de Janeiro.
00:22Aparece com uma frase em branco.
00:24Acima, uma realização.
00:30Nos episódios 1 e 2, Mídia para Todos resgatou a realização da primeira e única Conferência Nacional de Comunicação, realizada em 2009.
00:40Mostrou também a ampla mobilização social que preparou a primeira Confecon.
00:45No Rio de Janeiro, a Conferência Municipal e no Estado, a Conferência Estadual.
00:50No episódio 3, a série destacou os depoimentos de Beto Almeida, Cláudia de Abreu e Francisco Soriano,
00:56sobre a primeira Confecon 15 anos depois e os novos desafios da luta pela democratização da mídia.
01:04Agora, neste episódio 4, falam Laurindo Lalo Leal, Orlando Guilhom e Sônia Lager.
01:10Fundo preto e ícones quadrados com desenhos de redes, mídias e comunicação dispostos de forma dinâmica à esquerda.
01:17Em branco, o texto diz resgatar e atualizar a temática da primeira Conferência Nacional de Comunicação, 15 anos.
01:27Em base preta, escrita em rosa, episódio 4, depoimentos de participantes, 15 anos depois da primeira Confecon.
01:35Laurindo Lalo Leal, jornalista e professor aposentado da USP Barra São Paulo.
01:41Orlando Guilhom, ativista do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação.
01:47Sônia Lager, ativista de movimentos sociais, no mesmo tom rosa, depoimentos primeira Confecon.
01:55Laurindo Lalo Leal, jornalista e professor aposentado da USP Barra São Paulo.
02:00E talvez esse exemplo da Confecon e das circunstâncias que levaram à realização da Confecon e as características que ela teve
02:15mostram e mostraram o papel político fundamental da comunicação para a democracia de qualquer país,
02:28mais especificamente no caso brasileiro, diante das circunstâncias históricas que determinam e determinaram e continuam determinando
02:38o controle da mídia pelos setores mais conservadores da sociedade, apesar do avanço ultimamente de uma mídia alternativa,
02:46mas que ainda não tem a força e o poder de se igualar do ponto de vista da dimensão, do ponto de vista do alcance com as mídias tradicionais,
03:00que ainda se impõem e estabelecem grande parte das pautas econômicas, políticas, sociais, de costumes na sociedade brasileira.
03:13E que circunstâncias foram essas? Primeiro, o fato de nós termos naquele momento um governo com alta dose de popularidade
03:23que poderia impor, que poderia colocar em discussão na sociedade temas que são altamente sensíveis para as camadas dominantes,
03:35como é o caso da comunicação. E foi por isso, e foi só devido a essa circunstância política,
03:43lembrem qual era naquele momento o índice de popularidade do presidente Lula e do governo Lula,
03:50era altíssimo no final do governo. Isso, claro que deu algum tipo de respaldo ao governo colocar esse tema em discussão.
04:03E ainda assim, em situação bastante difícil, com uma série de problemas, que inclusive levaram, como você lembrou,
04:15a só se discutir, só se convocar a Confecon, quase no final do governo Lula.
04:22Quando, não só a saúde, como você lembrou, mas vários outros setores da sociedade,
04:29já vinham tendo as discussões nacionais, as suas conferências nacionais, há algum tempo.
04:36Mas foram também muito impulsionadas pelo governo Lula.
04:41Se expandiu muito o número de conferências setoriais, na educação, na infância, na adolescência,
04:51enfim, vários temas nacionais foram levados para a proximidade e o interior até do governo federal,
05:02através dessas movimentações provocadas pelas conferências nacionais.
05:07No caso específico da Confecon, eu gostaria de lembrar que foram movimentadas, a gente calculou na época,
05:15mais de 30 mil pessoas participando dos debates em todo o Brasil,
05:20desde os municípios, passando pelas regiões e pelos estados,
05:28até chegar à Confecon, que foi a Conferência Nacional.
05:31Eu acho que nunca antes, nem depois desse fato, um número tão grande de pessoas
05:38se debruçou sobre a questão da comunicação.
05:42E o mais importante não é isso, numericamente é importante,
05:46mas do ponto de vista da qualidade é mais importante ainda,
05:49porque foi um debate, Moisés, que não ficou restrito aos especialistas da academia
05:56ou aos profissionais da comunicação.
05:59ele chegou às bases da sociedade.
06:02Então, a comunicação foi debatida por pessoas que faziam parte do movimento das mulheres,
06:10dos movimentos, do movimento negro, enfim,
06:16e pessoas até que não estavam fazendo parte de movimento nenhum,
06:20mas eram cidadãs e cidadãos brasileiros que estavam discutindo comunicação
06:28e começavam a perceber a importância que elas tinham nas suas próprias vidas,
06:34nas suas próprias organizações.
06:36Então, foi um momento muito rico e que, infelizmente, não teve continuidade,
06:42porque o poder das empresas, dos conglomerados midiáticos no Brasil é muito forte
06:52e não admite nenhum tipo de comunicação sobre o seu trabalho,
06:57não admite nenhum tipo de discussão sobre o seu trabalho,
07:03sobre o seu papel político, sobre o seu papel social.
07:06Eles se acham donos absolutos da verdade e qualquer tipo de discussão
07:11eles acabam rotulando por censura.
07:14E ali, naquelas circunstâncias especialíssimas,
07:17eles foram obrigados ou a participar ou a não participar,
07:24refutando a importância desse modelo.
07:27Tanto é que as empresas de comunicação foram chamadas para o debate também,
07:34só que poucas participaram.
07:36Obviamente, a Globo e algumas outras grandes empresas ficaram fora,
07:41que a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão,
07:45a ANJ, Associação Nacional de Jornais,
07:48que se negaram a participar,
07:51porque sabiam que iriam ser colocados em debate
07:56temas que não interessavam ao domínio midiático
08:02que essas empresas têm no Brasil.
08:04Então, nós tivemos esse momento, que é um momento histórico,
08:08que foi realizado naquelas circunstâncias históricas
08:13e que, infelizmente, nós não tivemos até hoje uma repetição.
08:17Embora outros setores da sociedade, neste novo governo Lula,
08:22continuem realizando as suas conferências nacionais.
08:25Mas a Conferência Nacional de Comunicação
08:27é um tema delicadíssimo do ponto de vista político
08:32e que é boicotado pelos grandes meios de comunicação
08:36por parte da sociedade conservadora que sustenta esses meios.
08:42Há uma história no Brasil
08:44desse controle dos grandes meios de comunicação,
08:47por esses setores e num processo cada vez mais de concentração.
08:54Cada vez mais, menos meios de comunicação
08:57controlando mais espaços da sociedade.
09:02Sejam eles os meios de comunicação impressos,
09:06sejam eles os meios de comunicação que ocupam
09:09e que ocupam espaço público, que são as ondas eletromagnéticas
09:16que transmitem sons e imagens.
09:21Na década de 50, você tinha, para exemplificar o que é a concentração,
09:26você tinha, por exemplo, no Rio de Janeiro, 15, 16 jornais diários.
09:31Hoje você tem três, dois, três.
09:34E mais do que isso,
09:36esses grupos econômicos
09:40que conseguiram criar esses jornais impressos,
09:46revistas,
09:47até a metade do século XX,
09:50quando chega a televisão no Brasil,
09:53e eles já tinham controle do rádio também,
09:55das emissoras de rádio,
09:56grande parte das emissoras de rádio,
09:58não todas,
09:59mas quando chega a televisão no Brasil,
10:02eles se arvoram
10:04a dizer
10:06que por serem concessionários de rádio,
10:10de emissoras de rádio,
10:11no caso do Grupo Globo, por exemplo,
10:15que por serem concessionários do grupo de emissoras de rádio,
10:19eles teriam direito, sem concorrência,
10:22a canais de televisão,
10:24a concessões de emissoras de televisão,
10:26porque eles alegavam,
10:28e alegaram,
10:29e com isso ganharam as concessões,
10:32que a televisão era simplesmente
10:34um desdobramento tecnológico do rádio.
10:37Esse é um problema sério.
10:39É o problema da concentração,
10:40você não tem a possibilidade
10:43de alternativa,
10:45a relação ao que estava ocorrendo.
10:46Então, eu estou dando esses exemplos
10:48para mostrar que a concentração
10:50é muito nociva à sociedade brasileira.
10:54Enquanto você não tiver uma pluralidade
10:56de formas efetivas
10:59de informar a sociedade,
11:01você não tem uma sociedade democrática,
11:04porque não há uma circulação ampla de ideias.
11:06Não tem o contraditório,
11:08você não tem o diferencial
11:10que pode levar as pessoas
11:12a pelo menos pensarem
11:14na possibilidade de uma alternativa
11:17a essa política que é defendida
11:20e transmitida por esses meios de comunicação.
11:23Eu acho que essa...
11:23E aí, nós voltamos à questão da Confecon.
11:26É por isso também
11:27que você teve a Confecon lá,
11:30no final da década inicial do século,
11:33e depois você não tem mais nada
11:36porque há obstáculos políticos
11:41como esses que a gente está comentando aqui
11:43para evitar que se discuta
11:45a comunicação do Brasil.
11:47Porque quando se discute comunicação,
11:49você abre a possibilidade
11:51de novas ideias,
11:52e de novos rumos
11:54para a própria comunicação.
11:56Depoimentos Primeira Confecon
11:57Orlando Guilhom
11:59Ativista do Fórum Nacional
12:01pela Democratização da Comunicação
12:03Porque, ao contrário
12:04da Conferência de Saúde,
12:06a primeira e única, infelizmente,
12:09temos que dizer isso,
12:10Conferência Nacional de Comunicação,
12:12como você muito bem lembrou,
12:13só aconteceu em dezembro de 2009.
12:17Já no...
12:18vamos dizer assim,
12:19ao apagar um ano depois,
12:21o Lula terminaria o seu segundo mandato
12:23e entregaria para a Dilma
12:25a continuação que saiu vitoriosa
12:27daquela eleição.
12:28Então,
12:29por que demorou tanto?
12:32A pergunta que nós fazíamos
12:33naquela ocasião,
12:34claro que nós já sabemos
12:35um pouco a resposta.
12:37Por que demorou tanto
12:38a realização dessa conferência,
12:45praticamente 60 anos depois
12:47da primeira Conferência Nacional de Saúde?
12:50Porque esse tema
12:51sempre foi um tema
12:53muito delicado
12:55e é onde sempre houve
12:56muita resistência.
12:57O empresariado brasileiro,
12:59em todas as áreas,
13:00sempre foi muito
13:01conservador,
13:03muito reativo,
13:04muito reacionário,
13:05muito pouco aberto
13:08a renovações,
13:09a avanços
13:10institucionais,
13:13legais,
13:14no âmbito das legislações
13:16e das políticas públicas.
13:18Mas, particularmente,
13:20na área de comunicação,
13:22isso se constatou na época,
13:23você deve lembrar
13:24tão bem quanto eu,
13:26o empresariado
13:27da área de comunicação
13:28não queria nem ouvir falar
13:29em conferências,
13:32consideravam isso aí
13:33um assinte,
13:36colocar a sociedade civil,
13:37a população,
13:38a cidadania organizada
13:41para debater um tema
13:43que eles consideravam
13:44que era um tema deles,
13:45era um tema
13:46dos grandes empresários
13:48da comunicação.
13:49Então, eles resistiram muito,
13:51muito,
13:52e só sobre forte pressão
13:54da sociedade civil organizada.
13:57Nós já estávamos
13:58no finalzinho
13:59do segundo mandato do Lula,
14:02estava tendo conferências,
14:03como você muito bem sinalizou,
14:05aliás,
14:05agora se repete novamente,
14:07teve conferências
14:08sobre todos os temas
14:10possíveis e imaginários,
14:12meio ambiente,
14:13mulher,
14:14saúde,
14:15educação,
14:16LGBT,
14:16arte,
14:17cultura,
14:17não sei o que lá,
14:18e ninguém falava
14:20na conferência de comunicação.
14:22Foi preciso
14:23um forte processo
14:25de pressão,
14:26de mobilização
14:26para arrancar do governo
14:28essa iniciativa
14:31e essa conferência.
14:33E vamos lembrar
14:34que, de certa forma,
14:38isso te explica
14:39por que avançamos pouco
14:40nessa área até hoje,
14:42a conferência foi boicotada
14:44por boa parte
14:45do empresariado
14:46da área,
14:47dos donos
14:48dos grandes monopólios
14:49de mídia,
14:51alguns se recusaram
14:52a participar do processo,
14:54em qualquer instância,
14:55municipal,
14:55estadual,
14:56muito menos nacional,
14:57membro da posição da Globo,
14:59inclusive,
15:00bastante firme.
15:01as grandes entidades,
15:03a BERT,
15:04a NR,
15:05a NJ,
15:07as grandes entidades
15:08empresariais,
15:09boicotaram,
15:10a princípio,
15:11não participavam
15:12do processo,
15:13e meio que impuseram
15:16ao governo
15:17para que alguns deles
15:18participassem,
15:20mesmo que o pessoal
15:20da Band
15:21participou,
15:22se não me faz
15:23a memória,
15:23SBT,
15:24recorre,
15:26exatamente.
15:26eles impuseram
15:30praticamente
15:31ao governo
15:32a ideia
15:33de tudo bem,
15:34já que vai ter conferência,
15:35vamos lá,
15:36mas essa conferência
15:37não pode ser,
15:38ela não pode ter caráter
15:39deliberativo,
15:42ela não pode ter caráter
15:42conclusivo,
15:44ela tem que se tornar
15:45num grande fórum
15:46de consulta,
15:48de debate,
15:51só consultiva,
15:54um grande espaço
15:55de trocas de opiniões,
15:56mas sem caráter
15:57deliberativo.
15:58Tanto que a gente
15:59conseguiu aprovar
16:00mais de 600
16:02resoluções
16:04nessa primeira
16:05Confecó em 2009,
16:06que na sua
16:07grande maioria
16:08não se traduziram
16:10a posteriori
16:11em leis
16:12e em políticas públicas.
16:14E por que
16:14elas não se traduziram
16:16em políticas públicas?
16:19Porque
16:19o empresariado
16:22deu o checkmate,
16:24deu antes
16:26ao boicotar,
16:27ao não indicar
16:28delegados,
16:28ao não participar,
16:30deu durante
16:31o processo,
16:32foi um processo
16:32muito tenso,
16:33eu me lembro
16:33de muitas noites
16:35mal dormidas
16:35lá na Confecó,
16:37a pauta mudava
16:38toda hora,
16:39os temas,
16:40os grupos de trabalho,
16:41não sei se esse tema
16:42não pode,
16:42não sei o que,
16:43de certa forma,
16:45ela foi um marco,
16:46se a gente
16:47está aí na internet
16:49se pesquisar
16:50nos documentos,
16:52a Intervoz,
16:54tem sites
16:54que falam sobre isso,
16:55você pesquisa lá,
16:56tem lá o caderno
16:57de resoluções,
16:59se você ler
16:59os cadernos
17:00de resoluções
17:01da primeira Confecó,
17:032009,
17:04eles são atuais,
17:05na medida em que
17:05não se conseguiu
17:06traduzir em projetos
17:08de lei
17:08e em políticas públicas,
17:10aquelas demandas,
17:11na sua grande maioria,
17:13continuam aí
17:14na ordem
17:15de que nós
17:16estávamos numa luta
17:17absolutamente certa.
17:19Agora,
17:19o fato
17:20é que nós avançamos,
17:22não só porque
17:23entidades como
17:24o FNDC,
17:25Interrosas
17:26e outras,
17:27FENAG, etc.,
17:28que na época
17:28já eram muito fortes
17:30e estiveram na cabeça
17:31da coordenação
17:33do nosso movimento
17:35e de todo o processo
17:36de preparação
17:37e de intervenção
17:38e conclusão
17:39nas plenárias
17:40da Confecon,
17:42mas muitas outras
17:44entidades,
17:44articulações
17:45e movimentos
17:46surgiram
17:47de lá para cá.
17:48Eu vou só citar
17:49o fato de que
17:50hoje está em curso,
17:51eu acredito que você
17:52saiba,
17:52deve estar acompanhando,
17:54pelo menos duas
17:54grandes iniciativas
17:55que é,
17:56não que a gente
17:57não queira mais
17:58regulamentar
17:59a rádio de fusão,
18:00continuamos querendo
18:01que achamos
18:01que isso é importante,
18:03como queríamos
18:03em 2009,
18:04mas hoje,
18:05por exemplo,
18:06muito mais importante
18:07do que regulamentar
18:08as rádios e TVs
18:09é regulamentar
18:11as chamadas
18:11big techs,
18:13as chamadas
18:13mídias virtuais,
18:14as grandes monopólios
18:18também,
18:19o TikTok,
18:21o Facebook,
18:22o Instagram,
18:23não sei o quê,
18:23eles dominam hoje
18:24a comunicação
18:25social,
18:29passando,
18:29inclusive,
18:30o poder
18:31das grandes redes
18:32privadas
18:34de TV e rádio.
18:35E existe hoje
18:36uma grande campanha
18:37coordenada
18:38nacionalmente
18:40por mais de 100 entidades,
18:42você vê como a coisa
18:42cresceu,
18:43tem coletivo
18:44de tudo quanto é jeito,
18:45tem gente que trabalha
18:46mais com a questão
18:47da internet,
18:47tem gente que trabalha
18:48mais com comunicação
18:49popular e comunitária,
18:51tem gente que trabalha
18:52mais com comunicação
18:53pública,
18:53mas está todo mundo
18:54reunido um pouco
18:55nesses fóruns,
18:56nesses comitês,
18:58nessas redes
18:59que lutam pela
19:01democratização
19:02da comunicação.
19:03Então,
19:03de certa forma,
19:05sim,
19:06o nosso movimento
19:06cresceu,
19:07se ampliou,
19:08o tema deixou
19:09de ser um tema
19:09tabu,
19:10eu me lembro
19:11de lá para cá
19:12várias vezes
19:13eu vi
19:13entidades
19:15presidentes
19:17da CUT,
19:17o João Pedro
19:18Stelis do MST
19:19falava várias vezes,
19:21falava sobre a reforma
19:22agrária,
19:22mas não esquecia
19:23de falar sobre a necessidade
19:25da reforma da mídia,
19:26do que eles chamavam
19:26de democratização
19:28da mídia,
19:28ou seja,
19:29passou a ser
19:30uma pauta
19:31que foi,
19:32de certa forma,
19:33acolhida
19:33pelo movimento social
19:35como um todo.
19:36Então,
19:36nesse sentido,
19:37sim,
19:38nós avançamos,
19:39mas eu não quero
19:40também dar uma
19:40de poliana,
19:41de achar,
19:41já,
19:42então nós hoje
19:42estamos muito mais fortes.
19:44Como você mesmo
19:45constatou,
19:46esse tema
19:47continua sendo,
19:48pelo menos
19:49do seu ponto de vista
19:49institucional,
19:50governamental,
19:51nacional,
19:51ainda um tema
19:52tabu,
19:54um tema difícil.
19:56Fundo Preto
19:57escrito em rosa,
19:58depoimentos,
19:58primeira com FICOM,
20:00Sônia Latia,
20:00ativista de movimentos sociais.
20:02Porque, de fato,
20:07é inadmissível
20:09e, ao mesmo tempo,
20:11é muito revelador
20:12que a gente esteja
20:15nesse cenário,
20:18inclusive,
20:18de debate
20:19do que é liberdade
20:21de expressão,
20:22do que é,
20:24de fato,
20:26a necessidade ou não
20:27da regulação da mídia.
20:28E aquela conferência
20:30de 2009
20:31que nós ralamos
20:33para conseguir,
20:35você é um dos grandes
20:36baluartes disso,
20:38mas não foi fácil
20:39convencer o governo Lula
20:41naquela época
20:42que era necessário
20:43porque a reação
20:45da Aberte
20:46e de todos os canais
20:47da mídia hegemônico
20:49já era bastante
20:50forte de resistência.
20:54E nós conseguimos
20:55realizar uma coisa
20:55extraordinária,
20:56que eu bem me lembre,
20:58a gente,
20:58reuniu aqui no Rio
21:00quase 500 pessoas.
21:02Em Brasília,
21:03nós tivemos quase
21:032 mil pessoas
21:05e todos os temas
21:08eram abordados.
21:09E para que a gente
21:10retome,
21:13naquela época,
21:14pautas que foram
21:15fundamentais.
21:16E, quando eu penso nisso,
21:18em algumas,
21:19a gente foi vitorioso
21:20e, em outras,
21:22nós perdemos de lavada.
21:25No debate de ideias,
21:27no enfrentamento
21:29daquele pensamento único
21:31que massacrou a gente
21:32dos anos 90 para cá,
21:34do neoliberalismo,
21:36você ter o contraditório
21:39na TV,
21:40particularmente na TV aberta,
21:42particularmente nos meios
21:44onde a grande massa popular
21:47vai buscar as suas informações,
21:50é nevrálgico.
21:51se bem me lembro,
21:53eu acho que você,
21:54uma das grandes pautas
21:56que a gente levava,
21:57e eu militei também
21:58na TV comunitária
21:59em alguns momentos
22:00com você,
22:02a nossa discussão
22:05era que,
22:06enquanto as rádios comunitárias,
22:08as rádios populares,
22:11as centrais sindicais
22:12pediam acesso
22:13a um canal de televisão
22:15e eram negadas,
22:17naquela fase,
22:18inclusive,
22:18estava começando
22:19a ter restrições policiais
22:22a veiculações de bairro,
22:24de rádio de bairros
22:25e tudo mais,
22:26isso era uma luta
22:27fundante para a gente
22:29na questão
22:29da democratização
22:31da comunicação.
22:33E a gente dizia
22:34que era fundamental
22:35que todos os veículos
22:37tivessem uma formação,
22:40eu me lembro que era isso,
22:41a educação
22:42para que não tivesse mais
22:45a hegemonia racista
22:47na representação
22:48do povo brasileiro,
22:50uma certa misoginia
22:51onde o papel da mulher
22:52era sempre
22:53a gostosa
22:53ou a empregada
22:54ou a mulher submissa.
22:57Esses debates
22:57graçaram,
22:58tanto aqui
22:59nos municípios
23:01quanto no Estado,
23:02e hoje,
23:03quando eu vejo
23:04o corte,
23:05a preocupação
23:06e a fala,
23:08muitas vezes
23:09até pode ser
23:10uma fala,
23:11digamos assim,
23:12autorizada,
23:14mas é uma fala
23:15de respeito
23:16à negritude brasileira,
23:20de resgate
23:20dessa cultura,
23:22de enfrentamento
23:23do machismo.
23:25Isso é uma conquista
23:26que foi
23:27trabalhada
23:29pelos movimentos,
23:30mas que refletiu
23:31e brilhou
23:32como pauta
23:34daquela conferência.
23:36Agora,
23:36ao mesmo tempo,
23:37toda a discussão
23:38de liberdade,
23:41de pluralidade
23:43no discurso
23:45e no acesso
23:46aos veículos
23:46de comunicação,
23:48a gente não avançou
23:49praticamente nada.
23:50posição sobre o projeto
23:51de lei
23:52da, por exemplo,
23:52da devastação ambiental.
23:56Você teria,
23:58em qualquer outro
23:59país,
24:01a posição
24:01de todos
24:02os partidos
24:03políticos
24:04manifestos
24:06numa hora
24:07de você
24:07veicular
24:08um noticiário.
24:10Ou uma discussão,
24:13por exemplo,
24:14da discussão
24:15de um decreto
24:16que tenha sido
24:17feito
24:18pela Ministra
24:19da Saúde
24:20regulando
24:22como as mulheres
24:25vítimas de estupro
24:27ou qualquer outras coisas
24:28teriam acesso
24:29ao aborto legal.
24:32Nós passamos
24:33por esses debates
24:34recentes,
24:35estou dando dois exemplos
24:37candentes
24:37para a população
24:38e para o mundo.
24:41e você
24:43só via
24:44a fala
24:45moralista
24:48de um lado só,
24:50entendeu?
24:53Sem dar
24:54a possibilidade
24:56de todos os lados
24:57se manifestarem.
24:57Democratização
24:58é isso.
24:59Democracia
25:00é um exercício
25:02muito sofrido
25:03porque você
25:04precisa
25:05ouvir
25:05todo mundo.
25:07Em base preta,
25:08o logotipo
25:08do Mídia
25:09para Todos
25:09se posiciona
25:10à esquerda.
25:11A base
25:12fica laranja
25:13e dizeres
25:14em preto
25:14à direita
25:15aparece.
25:16Pesquisa
25:16e auxiliar
25:17gravação
25:18comunica dados
25:19carlos osório
25:20contato
25:21arroba
25:22comunicadados
25:23ponto com
25:23ponto br
25:24roteiro
25:25edição
25:25e acessibilidade
25:26três
25:27brasis
25:28mauricio
25:28correia da
25:29silva
25:30mauricio
25:31arroba
25:31três brasis
25:32ponto com
25:32ponto br
25:33gravação
25:34e divulgação
25:35hrn
25:37systems
25:37Henrique
25:38Roque Neto
25:39hrn
25:41arroba
25:41hrnsys
25:43ponto com
25:45gerenciamento
25:46de projetos
25:47jade parovski
25:48assessoria
25:49jade parovski
25:51jade parovski
25:52arroba
25:53otlook
25:54ponto com
25:54coordenação
25:55adjunta
25:56francisco
25:57soriano
25:57de
25:58sousa
25:58nones
25:58francisco
25:59sori
26:00arroba
26:00gmail
26:01ponto com
26:02coordenação
26:03geral
26:03moises
26:04chitniquiarro
26:05correa
26:06moises
26:07cc
26:08arroba
26:09pm
26:09ponto
26:10m
26:10a tela
26:12escurece
26:12escrito em
26:13branco
26:14mídia para
26:15todos
26:15é uma produção
26:16audiovisual
26:17independente
26:18de responsabilidade
26:19da tv
26:19comunitária
26:20do rio de janeiro
26:21viabilizado
26:22a partir
26:23da celebração
26:25com a união
26:25de termo
26:26de fomento
26:27minc
26:27número
26:28965639
26:30barra
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26:32decorrente
26:33da emenda
26:34parlamentar
26:35número
26:3544560017
26:39de autoria
26:40do deputado
26:40federal
26:41reymond
26:41pt
26:42barra
26:43rj
26:44logotipos
26:45do ministério
26:46da cultura
26:47e do governo
26:47federal
26:48aparecem paralelos
26:49em uma base
26:50preta
26:50logotipo
26:51da tv
26:52se rio
26:52surge de dentro
26:54para fora
26:54em branco
26:55embaixo
26:56tv comunitária
26:57do rio de janeiro
26:57a tela escurece
27:02fim da audiodescrição
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