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Liel Miranda, CEO da Alpargatas, acredita que o grande trunfo da empresa está na capacidade de transformar um item do dia a dia em objeto de desejo global. À frente da companhia desde 2024, ele aposta na combinação entre agilidade operacional, inteligência de mercado e inovação para manter a Havaianas relevante no Brasil e cada vez mais presente no exterior.

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Transcrição
00:00:00Olá, boa noite, está no ar o Show Business, o mais tradicional talk show de negócios da TV brasileira.
00:00:08E no programa de hoje vamos receber o executivo Liel Miranda, CEO da Alpargatas,
00:00:14dona de uma das marcas mais conhecidas pelos brasileiros, as Havaianas,
00:00:20que tem uma venda anual de mais de 200 milhões de pares.
00:00:26Eu sou o Bruno Meier e seja muito bem-vindo ao Show Business, que começa em instantes.
00:00:43Ele comanda a Alpargatas, dona de uma marca icônica chamada Havaianas.
00:00:51Nós vamos conversar nesta edição do Show Business com o CEO Liel Miranda.
00:00:59Liel, obrigado pela presença em nosso estúdio.
00:01:02Você comanda a Alpargatas desde fevereiro de 2024.
00:01:09Você consegue definir, né, é um período, querendo ou não, breve da posição que você está.
00:01:17Mas você já consegue definir como ela virou uma marca desejada ao longo do tempo pelas pessoas
00:01:26e com uma participação aí de mercado de mais de 70% aí no setor de chinelos?
00:01:33Bom, muito obrigado, Bruno.
00:01:34Grande prazer estar aqui falando dessa marca que pertence aos brasileiros, na verdade, né?
00:01:39A gente vende 200 milhões de pares de Havaianas no Brasil,
00:01:43que dá quase um para cada brasileiro todos os anos.
00:01:45Então, todo mundo tem a sua Havaianas em casa, todo mundo compra todos os anos.
00:01:51É um ícone brasileiro.
00:01:53A história da marca, na verdade, é muito longa.
00:01:55Foi lançada em 1962.
00:01:58Ela representa o Brasil lá fora, né?
00:02:00O original do Brasil.
00:02:02Tem muita gente lá fora que, quando pensa num produto brasileiro, pensa em Havaianas.
00:02:07E aqui no Brasil, ela tem uma história fantástica.
00:02:09Ela era um produto básico.
00:02:11Era um produto da cesta básica, como o arroz, o feijão.
00:02:14E, de repente, virou um produto de moda.
00:02:17E isso aconteceu, mais ou menos, há uns 25 anos atrás,
00:02:20quando os consumidores mais jovens, surfistas e tal,
00:02:24começaram a usar Havaianas como um produto icônico e um produto da moda.
00:02:31E a empresa aproveitou essa onda e começou a falar disso,
00:02:34e começou a lançar produtos com inovação.
00:02:36Então, nesses 25 ou mais anos, Havaianas passou a ser parte da moda e do estilo e da cultura brasileira.
00:02:46Deixa eu chamar a atenção, porque a gente tem um dado super recente da Alpargatas,
00:02:51uma companhia de capital aberto.
00:02:54E ela teve uma receita líquida de 1 bilhão e 101 milhões de reais no segundo trimestre deste ano.
00:03:02É uma alta de 8,3%.
00:03:04Se a gente comparar o mesmo período de 2024,
00:03:08teve crescimento no mercado internacional.
00:03:10Se você sentou, o mercado internacional cresceu 13%.
00:03:14Aqui no Brasil, cresceu 8%.
00:03:16Agora, chama muito a atenção, no segundo trimestre deste ano, o lucro.
00:03:23Porque o lucro bateu 87 milhões de reais.
00:03:27E esse valor simplesmente representa uma alta de 270%
00:03:33na comparação com o segundo trimestre do ano anterior.
00:03:39O que motivou essa alta, Liel?
00:03:41Foram duas coisas.
00:03:42A primeira delas é que a Alpargatas e a Havaianas
00:03:46tinham passado por um período mais turbulento depois da pandemia.
00:03:50Depois da pandemia, o consumo se alterou muito.
00:03:52Os produtos que eram consumidos durante a pandemia perderam volume depois da pandemia.
00:03:57E aí, a empresa teve que ajustar estoques.
00:04:00E nesse ajuste de estoques, isso impactou o segundo trimestre do ano passado.
00:04:06Esse foi o lado negativo dessa história,
00:04:09porque esse ano a gente conseguiu resolver esse problema
00:04:12e não tivemos nenhum problema com estoques excessivos.
00:04:15A coisa boa é que também tem uma outra parte desse crescimento no lucro,
00:04:19que foi o tipo de produto que a gente está vendendo.
00:04:23A gente está vendendo um produto com mais inovação, com mais valor agregado.
00:04:27Então, o consumidor está evoluindo no gosto e no tipo de Havaianas que ele está comprando.
00:04:34E que está comprando menos Havaiana básica e mais as Havaianas inovadoras, de estilo.
00:04:40E isso melhora o preço médio do produto e melhora o lucro também.
00:04:44Então, duas variáveis.
00:04:46São essas duas variáveis.
00:04:47E eu estou falando de um resultado positivo.
00:04:51A gente está falando de uma alta de 272%.
00:04:55Mas agora eu quero entrar num assunto que você mesmo citou de alguns desafios.
00:05:03Não sei se é exatamente um problema.
00:05:06Eu acredito que foi um problema.
00:05:08Não sei se foi na sua gestão.
00:05:09Vocês tiveram aí desafios como estoques excessivos, que você citou.
00:05:16Aumento de preços.
00:05:17Vocês tiveram problemas de logística.
00:05:21Como é que vocês enfrentaram todos esses problemas, Liel?
00:05:23Bom, isso aconteceu antes da minha gestão.
00:05:25Antes da sua gestão, exatamente.
00:05:27Eu cheguei a um ano e meio.
00:05:28Mas um pouco foi o que eu expliquei sobre a pandemia.
00:05:31A pandemia mesmo foi determinante.
00:05:33Eu imagino por conta do estoque, né?
00:05:35É, a pandemia atrapalhou muito as empresas porque a demanda oscilou demais.
00:05:41Alguns produtos, a demanda cresceu porque as pessoas passaram a usar mais em casa.
00:05:46Chinelo, Havaianas é um desses.
00:05:48Outros produtos, a demanda caiu porque as pessoas não estavam indo mais para o trabalho e para a rua.
00:05:54Nessa oscilação de demanda, algumas empresas tiveram dificuldade de acompanhar a compra da matéria-prima, a produção, a gestão do inventário para abastecer o mercado corretamente.
00:06:05A gente, ao Pagatas, enfrentou esse problema.
00:06:08Então, a gente entrou o ano de 2023 com um inventário muito elevado e a gente teve que fazer toda a gestão desse inventário, o que impactou os resultados do ano passado, por exemplo.
00:06:20Esse ano, a gente já superou todos esses problemas.
00:06:23O inventário já está normalizado.
00:06:25A gente não tem nenhum problema de abastecimento, de supply chain.
00:06:31A gente hoje consegue entregar 80% dos pedidos no dia certo, na hora certa, com a quantidade correta para os nossos clientes.
00:06:39E a gente acertou também o portfólio.
00:06:41Porque agora, a gente, como eu expliquei antes, tem um portfólio mais atrativo e está vendendo mais de um produto ainda mais valioso para o consumidor.
00:06:50Isso que você falou dos clientes, de saber, de ser assertivo, de certa forma, de entregar na hora certa, no dia certo, você está falando, por exemplo, para um cliente que eu vou dar um exemplo, um atacarejo, um supermercado, é isso?
00:07:05Ou você está falando de algo mais amplo, inclusive, o consumidor que compra online?
00:07:11Todos os canais.
00:07:13Todos os canais.
00:07:13Havaianas é um produto presente em mais de 300 mil pontos de venda no Brasil.
00:07:18Então, todos os lugares, exatamente.
00:07:21Todos os estados brasileiros?
00:07:22Todos os estados brasileiros, 300 mil pontos de venda.
00:07:25Todos os municípios?
00:07:27Absolutamente, todos os municípios.
00:07:29Então, a gente está presente em 95% dos lares brasileiros.
00:07:33Então, é muito pouco provável que você não encontre Havaianas em algum lugar para comprar.
00:07:38Esse abastecimento cria uma complexidade muito grande.
00:07:41Num país como o Brasil, e a gente tem um adicional que não é só ter Havaianas.
00:07:47Tem que ter Havaianas na cor que o consumidor quer.
00:07:50Na cor branca, na cor azul.
00:07:52E no tamanho que ele quer.
00:07:53Porque não adianta eu ter a branca 38 se a consumidora quer a branca 36.
00:07:59Então, essa complexidade é grande.
00:08:01E a gente passou por um período um pouco mais difícil, mas hoje em dia a gente conseguiu regularizar.
00:08:07Então, hoje, desde o atacarejo até a banca de jornal e passando pelos supermercados, pelas lojas de shopping,
00:08:16você vai encontrar a Havaianas na cor e no tamanho adequado para o consumidor.
00:08:21Falando da complexidade de administrar, comandar uma companhia desse porte que você comanda,
00:08:30os executivos que passam por essa cadeira, executivos inclusive de varejo,
00:08:35eles reportam que um dos grandes desafios é a distribuição.
00:08:41Como você falou, você está em todos os municípios brasileiros, em todos os estados deste país.
00:08:49Mas você me colocou justamente algo que eu não tinha pensado,
00:08:54que é esse desafio de você, por exemplo, colocar o número dos chinelos, na cor dos chinelos,
00:09:00para atender o desejo do consumidor brasileiro.
00:09:04Qual que é o segredo?
00:09:05Para não faltar chinelo em nenhuma loja brasileira.
00:09:10No tamanho que o consumidor, a consumidora quer.
00:09:13Bom, acho que o primeiro desafio é você ter uma previsibilidade da demanda.
00:09:19Então, hoje em dia fala-se muito de inteligência artificial,
00:09:22não dá para ficar imaginando quanto vai vender no próximo trimestre.
00:09:26Você tem que ter modelos preditivos para poder fazer a previsão da demanda.
00:09:31Isso é uma inteligência, é um processo que tem que estar muito maduro dentro da empresa.
00:09:36Depois disso, você tem que ter manufaturas, fábricas, muito ágeis,
00:09:41para poder responder a essa oscilação.
00:09:43Nós temos quatro fábricas no Brasil, tem três no Nordeste, um em Minas Gerais,
00:09:48e essas fábricas operam de acordo com a demanda.
00:09:51Quando a demanda cresce muito para uma determinada cor,
00:09:54a gente tem que se adaptar a isso muito rapidamente.
00:09:56Então, planejamento de demanda, depois flexibilidade de manufatura,
00:10:01e depois ter uma boa relação com os parceiros de distribuição.
00:10:05Porque a gente atende desde o atacarejo, que a gente atende direto,
00:10:09mas atende a pequena loja, e aí você tem que ter distribuidores.
00:10:12Nós temos mais de 60 distribuidores no Brasil que visitam essas pequenas lojas.
00:10:18Então, é uma cadeia completa.
00:10:20E só para te dar um exemplo de como essas coisas são dinâmicas,
00:10:23a gente teve agora recentemente uma Havaianas Beige.
00:10:27E ela foi lançada e o consumidor gostou daquela cor,
00:10:30e começou a chamar de Havaianas encardida, na mídia digital.
00:10:35Encardida.
00:10:36E está fazendo sucesso?
00:10:37Está fazendo um sucesso enorme.
00:10:39A demanda triplicou, e aí entra de novo a agilidade.
00:10:43A gente teve que acelerar a produção e acelerar a distribuição
00:10:46para atender essa necessidade.
00:10:47E você, eu imagino uma agilidade impressionante do seu time, né?
00:10:53Porque para identificar como é que é, aliás, a operação diária de vocês.
00:10:58Porque vocês vão identificando, nas regiões brasileiras, as demandas.
00:11:03Você está citando um exemplo, que é o chinelo encardido.
00:11:08Posso chamar assim, Jorge?
00:11:09Exato.
00:11:09O consumidor chama assim.
00:11:10Já chama assim.
00:11:12Chinelo encardido.
00:11:13Como é que vocês acompanham?
00:11:14Porque também eu imagino a diferença dos gostos entre as regiões brasileiras, né?
00:11:20Tem muito isso.
00:11:21Tem.
00:11:21Tem alguma diferença de gosto, mas é muito mais de cores, de preferência de cores.
00:11:26E essa já é uma característica das regiões, e a gente já incorporou isso nas nossas coleções.
00:11:32Então, a gente lança as coleções já sabendo que tem que ter algumas cores que vão fazer mais sucesso
00:11:37numa determinada região, ou às vezes num determinado canal.
00:11:41Tem algumas cores que fazem sucesso nas lojas, nos shopping centers,
00:11:46porque os jovens estão acostumados a comprar nessas lojas mais do que nos supermercados e atacarejos.
00:11:52Então, essa alocação de cor, tamanho e modelo também segue essas tendências do consumidor.
00:11:58A gente está falando muito da participação da companhia no Brasil,
00:12:03mas um dos grandes desafios de vocês é expandir aí a presença tanto nos Estados Unidos quanto na Europa.
00:12:13Como fazer crescer a venda mesmo de vocês nessas regiões, Estados Unidos e Europa?
00:12:22Bom, acho que a primeira que a Havaianas já fez.
00:12:26A gente é uma das poucas marcas brasileiras que é reconhecida mundialmente.
00:12:31Então, na Europa, na época do verão, você vai encontrar a Havaianas pelas ruas,
00:12:36você vai encontrar a Havaianas nas cidades litorâneas, e isso passou a ser parte do hábito do consumidor europeu.
00:12:42Nos Estados Unidos, em algumas regiões, principalmente Flórida, Califórnia,
00:12:46a Havaianas passou também a ser uniforme do consumidor.
00:12:50E a gente também tem uma boa presença na Ásia, no sul, sudeste da Ásia, Austrália, Filipinas, Indonésia.
00:12:57Então, a Havaianas já é um produto, uma marca internacional presente em muitos países.
00:13:02Eu estou citando aí os 15 países mais importantes.
00:13:07O que foi feito?
00:13:08No passado, como parte da internacionalização, se posicionou a marca como uma marca de moda.
00:13:16Então, a gente está presente nas Fashion Weeks, na semana de moda das principais cidades.
00:13:22Acabou de ter agora a semana de moda de Copenhagen.
00:13:25E a gente estava presente lá com uma Havaianas que é, você compra, ela é impressa em 3D.
00:13:31Então, esse é o tipo da inovação que a gente faz para se manter relevante para esse consumidor europeu,
00:13:36americano, que está mais interessado naquilo que está na moda,
00:13:40seja as cores, seja os modelos, até uma Havaianas em 3D.
00:13:44Então, essa é uma primeira coisa que já foi feita.
00:13:46Mas isso tem só lá?
00:13:47Tem só na versão da Europa?
00:13:49Está disponibilizado para o mundo inteiro.
00:13:51É um site que vende, é uma parceria que a gente fez,
00:13:55que se você entrar no site, você vai poder comprar.
00:13:57Está disponível para qualquer lugar do mundo.
00:13:59Mas, obviamente, a gente focou na Europa, porque é o verão,
00:14:02porque é o momento da Havaianas na Europa.
00:14:05Então, esse é o que já foi construído ao longo desses anos.
00:14:08Só para você ter uma ideia, a gente tem mil lojas havaianas no mundo,
00:14:12600 no Brasil, 400 estão nos mercados internacionais.
00:14:18Então, a Havaianas já é uma marca internacional, já existe,
00:14:21já faz parte do hábito do consumidor americano e europeu.
00:14:26Qual é a oportunidade que a gente tem?
00:14:28A gente ainda tem uma participação pequena de mercado.
00:14:31Quando eu falo que a gente vende um par de Havaianas por ano para cada brasileiro,
00:14:35a gente está longe disso na Europa e nos Estados Unidos.
00:14:39Então, é menos desafio e mais uma oportunidade.
00:14:42A gente continuar crescendo com essa marca que já é conhecida,
00:14:47fazer ela ser cada vez mais conhecida e cada vez mais disponível
00:14:50para o consumidor comprar na Europa e nos Estados Unidos,
00:14:52como compramos aqui no Brasil.
00:14:54Agora, nos Estados Unidos, vocês têm uma grande novidade,
00:14:57porque vocês anunciaram há pouco uma parceria com uma distribuidora americana,
00:15:04a Eastman, o que isso vai ser até decisivo para o aumento nas vendas nos Estados Unidos?
00:15:14Ela vai quebrar um dilema que as pequenas marcas têm.
00:15:18Você é pequeno porque você não é bem distribuído,
00:15:21e você não é bem distribuído porque você é pequeno.
00:15:24E a gente estava nesse dilema nos Estados Unidos.
00:15:27Com uma distribuição massificada através desse parceiro,
00:15:31que é um distribuidor já presente há mais de 80 anos nos Estados Unidos,
00:15:36presente no país inteiro.
00:15:38É um parceiro que vai ser capaz de levar Havaianas para mais pontos de venda,
00:15:42para mais outros estados.
00:15:44E atende Estados Unidos e Canadá?
00:15:46Estados Unidos e Canadá.
00:15:47Canadá também.
00:15:47Exato.
00:15:48Então, esse é o grande diferencial.
00:15:51Esse distribuidor vai aumentar a nossa presença no mercado americano.
00:15:56E é aquela história, quando o consumidor vê o produto, ele compra.
00:15:59Se ele não vê, ele não compra.
00:16:00Se a gente vai estar distribuído, vai ser visto, vai ser comprado.
00:16:04A gente está com uma expectativa de crescimento nos Estados Unidos por causa disso.
00:16:08Até então, até entrar essa parceria com esse distribuidor americano,
00:16:11como é que era feito?
00:16:12A gente tinha um time que fazia distribuição.
00:16:16Ah, um time nos Estados Unidos.
00:16:17É, da Alpargatas.
00:16:18Mas era um time interno.
00:16:19Time interno.
00:16:20E essa é a dificuldade.
00:16:21Complexo, hein?
00:16:22Complexo e caro, né?
00:16:23E caríssimo.
00:16:23Porque quando você tem uma marca que não vende tanto,
00:16:26você tem pouco volume para diluir os custos.
00:16:30E custa a mesma coisa, visitar um cliente para distribuir um pouco volume ou muito volume.
00:16:35Então, a gente eliminou esses dois problemas.
00:16:37Agora, o distribuidor faz a venda e a comercialização e a entrega.
00:16:42E a gente vai penetrar em muito mais pontos de venda.
00:16:44E nos Estados Unidos, todos os estados ou são específicos?
00:16:48Eu imagino que na Flórida...
00:16:50É.
00:16:50Eu mesmo já vi lojas, várias lojas lá.
00:16:53É.
00:16:53Nós estávamos presentes só na Flórida, Califórnia e Nova York.
00:16:57Ah, tá.
00:16:57Com esse distribuidor, com essa parceria com a Istima, a gente vai entrar em mais estados.
00:17:03Então, essa vai ser uma distribuição nacional.
00:17:05Bom, deixa eu chamar a atenção para a nossa audiência,
00:17:10porque eu falei que a companhia é uma companhia listada,
00:17:14é uma companhia listada na B3, a Bolsa Brasileira,
00:17:17e é controlada pela Itaúsa, que controla, entre outras empresas, o Banco Itaú,
00:17:23a Motiva, o Miguel Setas já esteve aqui em nosso programa,
00:17:28e o Cambuí.
00:17:30Juntas, elas têm aí cerca de 80% do capital social.
00:17:34Como é que é a relação com as duas, por exemplo, com a Itaúsa?
00:17:38Bom, acho que primeiro uma curiosidade.
00:17:40A Alpargatas é a empresa mais antiga listada na Bolsa Brasileira.
00:17:45É a mais antiga?
00:17:46De todas as...
00:17:47Nem o Banco do Brasil é a primeira, não é?
00:17:49Mas o Banco do Brasil não era listado na Bolsa até enquanto a Alpargatas já era.
00:17:54Então, de todas as empresas que estão listadas hoje,
00:17:57a Alpargatas é a que sobreviveu a todos esses anos.
00:18:00Nós temos 116 anos de existência da empresa
00:18:03e quase isso de estar listado na Bolsa Brasileira.
00:18:08Então, essa é uma curiosidade da Alpargatas.
00:18:11Super curiosidade, aliás.
00:18:13Ícone do capitalismo brasileiro.
00:18:15Exatamente.
00:18:15Não, acho que a relação com os acionistas
00:18:19é uma relação de total transparência.
00:18:21O Alpargatas, por ter tantos anos como uma empresa de capital aberto,
00:18:25é uma empresa que tem uma governança muito sólida com os maiores acionistas,
00:18:30mas também com os minoritários.
00:18:32E a gente é considerado, inclusive, pela Bolsa e pelos analistas e mercados
00:18:38como uma das empresas referentes em termos de governança.
00:18:41Então, é uma relação com todos os acionistas de absoluta transparência e de alinhamento.
00:18:47Porque acho que isso é que é importante.
00:18:48Todo mundo está querendo a mesma coisa para a empresa,
00:18:52que é crescimento de longo prazo, que é construção de valor,
00:18:56mas principalmente que é garantir que essa empresa vai ter perenidade
00:19:00e que tudo o que a gente está fazendo agora é para as próximas gerações de gestores e de clientes.
00:19:07Olha só, você comanda há pouco mais de um ano a dona da Havaianas,
00:19:13desse ícone nacional.
00:19:15Mas o Liel, ele trouxe a experiência dele de uma outra grande companhia,
00:19:23que é a dona de outras duas marcas poderosas, que é a Lacta e a Trident.
00:19:29Porque você era presidente da Mondelez aqui no Brasil.
00:19:32O que a Lacta, a Trident ajudaram quando você assumiu essa posição atual de CEO da Havaianas?
00:19:42Eu acho que a gente começou a conversa falando de distribuição,
00:19:46o desafio da distribuição e produto de consumo de massa,
00:19:50como chocolate, chicletes, biscoitos.
00:19:53Esse é o grande desafio.
00:19:54É você estar presente em tantos mil pontos de vendas no Brasil inteiro.
00:19:58E eu trouxe a experiência de distribuição.
00:20:02Como é que você organiza a distribuição em tantos canais, em tantas geografias.
00:20:07Acho que essa é uma coisa que me qualificou para essa posição.
00:20:11A outra coisa é a importância da marca.
00:20:13Os produtos de consumo de chocolate, biscoitos, eles dependem muito da força da marca.
00:20:21E você construir essa relação afetiva entre a marca e o consumidor é muito importante.
00:20:25E a Havaianas é isso.
00:20:27A Havaianas é uma marca que vive dessa relação afetiva com o brasileiro.
00:20:31É o uniforme do brasileiro.
00:20:33Então, acho que essas são duas coisas que me ajudaram quando eu vim para cá.
00:20:37O que é melhor, trabalhar com chocolate ou com chinelo?
00:20:40Eu acho que não tem nada melhor do que trabalhar com Havaianas.
00:20:44Eu imaginava essa resposta.
00:20:46Eu imaginava essa resposta.
00:20:47Liel, você falou de relação afetiva mesmo, né?
00:20:53Da pessoa, porque você está lidando com uma companhia que tem uma relação mesmo, né?
00:20:58Você tem apresentado números aí poderosíssimos.
00:21:0295% de presença nacional, praticamente um brasileiro com um produto seu dentro do lar.
00:21:12É uma coisa muito poderosa que você tem nas mãos.
00:21:18Como é que se constrói grandes marcas?
00:21:21É, eu acho que a história da Havaianas é simbólica.
00:21:24Ela, ao longo dos anos, ela foi evoluindo com o Brasil.
00:21:29Até os anos 2000, ela era um produto funcional.
00:21:34Não soltam as tiras, não deformam.
00:21:36Ela falava uma linguagem funcional.
00:21:39Com a mudança, com os consumidores satisfeitos com a questão funcional.
00:21:44Tá bom, outros produtos podem me entregar essa solução funcional.
00:21:48Eu quero uma marca que fale mais da emoção.
00:21:51Ela evoluiu e começou a falar da emoção.
00:21:53E aí foram todas as campanhas maravilhosas de Havaianas que traziam humor,
00:21:58que trouxeram essa coisa de que todo brasileiro, todo mundo ama, todo mundo usa.
00:22:03Isso passou a ser um símbolo mesmo do Brasil.
00:22:07Tanto é que uma das marcas, um dos modelos mais vendidos fora do Brasil
00:22:13é aquela Havaianas com a bandeira do Brasil.
00:22:16Então, aqui no Brasil, a gente tem vários tipos.
00:22:20Na Europa e nos Estados Unidos, aquela que tem a bandeira é a mais vendida.
00:22:24Porque o consumidor americano e europeu, ele quer comprar um pouco de brasilidade,
00:22:29ele quer comprar um pouco da ginga, ele quer comprar um pouco dessa coisa do brasileiro
00:22:35que tem um estilo de...
00:22:36É um conhecimento mesmo, de você morar na Europa, de você morar nos Estados Unidos,
00:22:40mas você está ali mostrando.
00:22:43Uma forma de mostrar também.
00:22:44Eu acho que a gente passou do funcional para o emocional,
00:22:48e hoje a gente está tentando se conectar com via digital um pouco mais personalizado,
00:22:55porque é isso que o consumidor quer agora.
00:22:57Então, você falando do digital, você tem um produto em mãos que não é difícil lidar com o digital?
00:23:05Porque o consumidor, o seu consumidor, ele não gosta de ir na loja e até provar por conta do tamanho.
00:23:13Porque você, inclusive, falou do desafio de você calçar 36 e chegar em uma loja e não ter 36 naquele...
00:23:20da Havaianas encardida, né?
00:23:23Depende, depende do lugar.
00:23:25Aqui no Brasil, a nossa venda de e-commerce é baixa, porque tem 300 mil pontos de renda.
00:23:32Quanto é?
00:23:32É menos de 5%.
00:23:34Menos de 5%.
00:23:35Então, corrobora o que eu acabei de falar.
00:23:37O consumidor gosta de ir na loja provar o seu produto.
00:23:40E talvez porque ele encontra Havaianas em todos os lugares onde ele vá.
00:23:43Se você resolver agora, pô, eu preciso comprar uma Havaianas nova, você, na ida para casa,
00:23:50se você parar no posto de gasolina, ou no supermercado, ou na farmácia, você vai encontrar Havaianas.
00:23:55Ou se você passar no shopping, você vai encontrar vários lugares vendendo Havaianas.
00:23:59Então, essa disponibilidade faz com que o e-commerce seja menos relevante.
00:24:03Mas, por exemplo, nos Estados Unidos, 30% do nosso volume é via e-commerce.
00:24:08Porque a gente não tem a distribuição que a gente tem aqui.
00:24:11Então, o consumidor lá, ao invés de ele ter que procurar, ele vai no e-commerce e compra.
00:24:17Na Ásia, que é um mercado onde a gente tem uma boa presença, é mais de 10% no e-commerce também.
00:24:24Então, ele depende da disponibilidade do produto no ponto de venda, o consumidor vai preferir mais ou menos.
00:24:31Até porque o número é fácil, né?
00:24:33Depois que você comprou a primeira, você sempre sabe qual é o seu número.
00:24:36O seu número, exatamente.
00:24:37Deixa eu chamar a atenção para uma notícia que teve grande repercussão.
00:24:42Eu mesmo repercuti aqui nos meus programas aqui na Jovem Pô.
00:24:46Porque a Alpargatas comprou 49% da Routes.
00:24:51Uma marca americana, uma marca muito conhecida, americana, de calçados sustentáveis.
00:24:58Inclusive, eu quero que você explique para a nossa audiência, para quem não conhece a marca, o que é esse calçado sustentável.
00:25:05Essa operação foi em 2023, antes da chegada do Liel.
00:25:12Mas o Liel, ele vai comentar aqui qual que foi o objetivo dessa compra.
00:25:16Então, primeiro falando o que é a Routes, é um calçado feito de garrafa PET.
00:25:20Então, é uma empresa que coleta garrafas PET que foram descartadas em qualquer lugar, na natureza, e recicla esse produto e transforma em calçado.
00:25:32E o calçado é confortável, é lavável, então ele dura muito, você pode lavar várias vezes.
00:25:38Então, por todas essas características, ele é muito mais sustentável do que um calçado feito de plástico, ou de couro, ou de qualquer outro material.
00:25:46Então, sustentabilidade no material utilizado e sustentabilidade na durabilidade, porque como você pode lavar, você pode usar esse sapato por muitos anos.
00:25:58Essa empresa é uma empresa americana, ela basicamente vende nos Estados Unidos, 99% da venda dela está nos Estados Unidos.
00:26:07E ela vende no e-commerce, nesse caso, 75% do volume é via e-commerce, e 25% são as lojas próprias que nós temos lá, 30 lojas da Routes nos Estados Unidos.
00:26:21Então, é um outro modelo de negócio, completamente diferente de Havaianas, que é um produto de consumo, de massa, que está disponível em muitos pontos de venda.
00:26:31Esse é um produto que é vendido principalmente digital, e é um produto que o consumidor tem uma relação muito mais forte pela questão da sustentabilidade.
00:26:43A marca está indo muito bem, a gente cresce todos os anos, os últimos dois anos, e esse ano, a gente já tem os dois primeiros trimestres,
00:26:54a gente tem crescido quase 7% de crescimento de faturamento, e é uma marca rentável.
00:27:00E como é uma marca basicamente americana, ela nos dá para Alpargatas uma presença no mercado onde a gente não tem uma presença ainda tão relevante com Havaianas,
00:27:11ela ajuda a gente a estar presente no mercado americano.
00:27:15Em relação à temperatura, seja no Brasil, seja na Europa, seja na Ásia, o quanto isso impacta na decisão de compra do seu produto?
00:27:27Bom, é tudo?
00:27:29Não.
00:27:29Não é tudo, não é tudo.
00:27:30Impacta, depende de onde.
00:27:32No Brasil e na Ásia, que a temperatura oscila menos, aqui quando está 20 graus, a gente acha que está um inverno infernal.
00:27:41Mas em São Paulo, nos últimos dias, tem estado...
00:27:43Então, no verão brasileiro e no verão asiático, o volume cresce por volta de 20%.
00:27:52Então, você tem uma média de venda ao longo do ano, quando chega o verão, final do ano aqui no Brasil, aumenta 20%.
00:27:59Na Europa, que o verão é restrito a 4 meses, é quase que 80%. 80% da venda acontece naqueles 4 meses de abril, maio até julho, agosto.
00:28:14Quer dizer, cai muito depois.
00:28:16Cai muito depois.
00:28:16Antes, porque no inverno europeu, quando você está com menos 5 ou até com 0, é muito pouco provável que as pessoas vão comprar vaenas.
00:28:25Então, é muito concentrada no verão na Europa.
00:28:28Na Ásia e aqui no Brasil, ela é diluída ao longo do ano.
00:28:31É, mas a gente citou aqui, por exemplo, uma cidade como São Paulo, que as temperaturas nos últimos dias, as últimas semanas, chegaram a 10, 9, 8 graus.
00:28:43Vocês venderam menos havaianas por isso?
00:28:45Vende, vende.
00:28:45Vende menos.
00:28:46Vende menos.
00:28:47Mas, em compensação, em novembro, fevereiro, a gente vende muito mais.
00:28:52Então, no ano, as 200 milhões de...
00:28:55200, 200 milhões.
00:28:55Agora, falando de ano, qual é a expectativa para esse segundo semestre?
00:29:02Olha, a gente acredita que a performance que a gente vem tendo vai continuar, porque não tem nenhuma variável que possa, hoje, que a gente conheça hoje, que possa mudar essa trajetória.
00:29:14Então, a gente acredita que vai ser um bom ano para o Pargatas, principalmente se a gente comparar que o ano passado a gente ainda teve todos aqueles problemas anteriores para resolver.
00:29:22Estoque excessivo.
00:29:23Estoque, a questão do abastecimento, a questão até do portfólio, que a gente teve que simplificar muito.
00:29:30Esse ano, tudo isso já está em funcionamento.
00:29:33Então, a gente espera um bom ano, muito alinhado com o que a gente vem tendo até agora.
00:29:38Você falou uma palavra que a nossa audiência gosta de ouvir e gosta de ouvir, sobretudo, na boca de líderes que passam por este programa, que é inovação.
00:29:50Você falou logo na sua primeira resposta, segunda resposta, você falou de inovação.
00:29:56E quando a gente pega um produto que é um produto extremamente simples, como é o seu caso,
00:30:04talvez outras companhias tivessem dificuldade de inovar num produto que é simples, básico, está no pé das pessoas.
00:30:12Como, Liel, inovar num produto que é simples e que já é consagrado?
00:30:21É, eu acho que essa é a beleza do que a Alpargatas fez com a Havaianas ao longo dos anos.
00:30:27Ela nunca parou no produto.
00:30:30Ela sempre trouxe a conexão emocional.
00:30:32Então, esse ano, por exemplo, a gente lançou umas colaborações com outras marcas.
00:30:38A gente lançou uma com uma marca de luxo que estourou a internet.
00:30:42A gente teve aí milhares de pessoas falando disso.
00:30:46Isso é inovação.
00:30:47O volume que a gente vendeu daquela colaboração foi pequeno, comparado com os 200 milhões.
00:30:52Mas o tamanho do diálogo, o tamanho da conversa que aquilo criou foi enorme.
00:30:58Para você ter uma ideia, tem um shopping center aqui em São Paulo que a gente colocou uma loja para vender
00:31:03e teve fila de mais de duas horas das pessoas fazendo fila para comprar aquele modelo específico.
00:31:09Então, mesmo quando você não inova o produto, você inova a marca, você inova a comunicação da marca,
00:31:19você inova os acessórios que você coloca.
00:31:22Então, esse produto, por exemplo, essa coleção com essa colaboração, as correias não eram de borracha.
00:31:28A correia, aquela que fica sobre o pé, não era de borracha.
00:31:31Elas eram de pelúcia ou elas eram de tecido.
00:31:35Isso dá uma outra utilização para o produto.
00:31:38Ao invés de ir para a praia, as pessoas passaram a utilizar para ir no shopping, para ir na casa dos amigos, para andar na cidade.
00:31:45Essa, por exemplo, custava quanto?
00:31:47Essa que chegou, o modelo custava 400 reais.
00:31:50400 reais.
00:31:51E uma Havaiana normal...
00:31:52E uma simples, é, está quanto hoje?
00:31:5430 reais.
00:31:5430 reais.
00:31:55Então, custava 15 vezes mais.
00:31:57E as pessoas compravam?
00:31:58Ah, não.
00:31:59Esgotou?
00:31:59Esgotou em um dia.
00:32:00A gente lançou essa colaboração, esgotou em um dia.
00:32:03E aí, outros exemplos de inovação.
00:32:06Durante a Paralimpíada, a gente lançou um modelo que foi desenvolvido junto com os atletas para pessoas com deficiência.
00:32:14Então, a gente, já que todo mundo ama e todo mundo usa, e já que a Havaianas é o uniforme do brasileiro,
00:32:20a gente queria ter certeza que os atletas olímpicos puderam entrar no desfile calçando Havaianas.
00:32:26E a gente queria que os atletas para olímpicos também fizessem a mesma coisa.
00:32:30Então, a gente lançou um produto para pessoas com deficiência, que foi um gesto, mas mais do que isso, foi uma inovação do que é o produto Havaianas.
00:32:38Então, são dois exemplos, eu acho, de como você continua inovando com o produto.
00:32:42O Liel, qual que é a sua missão como CEO da companhia?
00:32:46Bom, acho que, como todo CEO, a sua grande missão é garantir que você tenha um time que está alinhado com os objetivos de crescimento,
00:32:56com os objetivos do negócio.
00:32:58Então, a nossa visão é inspirar o mundo com uma pegada mais leve.
00:33:04Então, tem várias coisas nessa frase.
00:33:05A primeira é que a gente...
00:33:06Uma pegada mais leve é ótima.
00:33:07Uma pegada mais leve.
00:33:08Então, a gente é uma empresa de calçados leves, porque ou eles são sustentáveis, como o da Roffes,
00:33:15ou eles são para uso, que a gente chama de um momento de relaxamento, como é o caso da Havaianas.
00:33:22Então, uma pegada mais leve, esse é o nosso negócio,
00:33:25e inspirar o mundo, porque inspirar tem a ver com inovar, estar sempre entendendo o que o consumidor quer,
00:33:32e o mundo, porque a gente é uma marca internacional.
00:33:34Então, garantir que a organização inteira entende isso e a organização inteira trabalha para isso.
00:33:40Como eu falei, a gente tem quatro fábricas, tem escritórios pelo mundo inteiro.
00:33:45Se todo mundo entender o que a gente está fazendo, a organização anda com muita rapidez.
00:33:49Você falou, citou as quatro fábricas, mas eu gostaria que você até falasse mais do tamanho da operação da Alpargatas.
00:33:58Bom, a gente tem...
00:33:59Aqui no Brasil, a gente tem 10 mil funcionários...
00:34:0210 mil funcionários.
00:34:02...distribuídos nessas quatro fábricas.
00:34:05A maior parte trabalha em qual área?
00:34:07A maior parte trabalha nas fábricas.
00:34:08Nas fábricas.
00:34:09Nas quatro fábricas.
00:34:10Então, 10 mil funcionários.
00:34:12A gente tem uma produção de quase 250 milhões de pares de Havaianas por ano para Brasil e internacional.
00:34:20A gente teve uma receita agora, você falou, de 1 bilhão e 100 milhões de reais no segundo trimestre.
00:34:26Então, é uma operação com uma escala nacional.
00:34:3010 mil funcionários.
00:34:33Na Mondelez eram quantos?
00:34:34Na Mondelez eram 6 mil funcionários.
00:34:366 mil funcionários.
00:34:37Quer dizer, você está acostumado a lidar com um exército aí de talentos, de profissionais.
00:34:45E aí eu te pergunto, o que você valoriza no profissional de hoje, Liel?
00:34:50Eu acho que tem uma coisa principal, que é a adaptabilidade, ou capacidade de aprender o novo.
00:34:56Porque o mundo está mudando muito rápido.
00:34:58Eu aprendo todos os dias.
00:35:00O que eu sabia quando eu estava na Mondelez há um ano e meio atrás, é diferente do que eu preciso hoje.
00:35:07Por exemplo, há um ano e meio atrás, a gente falava de inteligência artificial como uma coisa quase ficção científica.
00:35:14Hoje em dia, ele está na agenda de todos os executivos do país.
00:35:19Então, essa capacidade de continuar aprendendo, essa curiosidade de continuar aprendendo e se adaptando para a realidade,
00:35:27eu acho que é super importante para qualquer profissional.
00:35:30Eu acho que uma outra coisa fundamental é que o profissional saiba trabalhar colaborativamente.
00:35:36porque, no final das contas, as empresas deixaram de ser funções.
00:35:42A área industrial, a área de marketing, a área de vendas.
00:35:46Isso não existe mais.
00:35:47Hoje em dia, as empresas trabalham por projetos e por processos.
00:35:51Então, a gente quer lançar uma Havaianas inovadora na Olimpíadas.
00:35:55Isso tem que passar por todas as áreas e todo mundo tem que trabalhar.
00:35:58É uma corrida de revezamento.
00:36:00Não dá para cada um fazer o seu e esperar que vai dar certo.
00:36:03Então, eu acho que adaptabilidade e colaboração são duas características super importantes.
00:36:08E qual é aquela característica que faz você demitir uma pessoa ou mesmo não ser aprovada num processo seletivo?
00:36:19É difícil dizer qual, porque eu acredito muito em a pessoa certa no lugar certo, na hora certa.
00:36:26Às vezes, uma pessoa de super sucesso numa determinada posição, você acha que você vai...
00:36:34Pô, vou promover essa pessoa, vou dar uma nova posição para ela.
00:36:37E é um fracasso.
00:36:39Porque ela era muito boa naquilo que ela fazia, não necessariamente ela vai ser boa.
00:36:43Então, eu acho que o grande segredo dos líderes, de todos os líderes, é saber entender as pessoas.
00:36:49Quem é esse profissional?
00:36:50No que ele é bom para escolher em que posição eu vou colocar, eu vou contratar para essa posição.
00:36:57Às vezes, eu encontro talentos que são muito bons e eu não contrato.
00:37:01Porque eu acho que ele vai ser infeliz na posição.
00:37:03Naquela posição.
00:37:04Naquela posição.
00:37:05Às vezes, ele quer.
00:37:06Porque ele admira a empresa ou porque ele está interessado na posição, no cargo que a gente está oferecendo.
00:37:14Mas, quando você entrevista, você sabe que aquela pessoa pode até ficar animada por alguns meses.
00:37:19Mas, no médio prazo, não vai estar feliz.
00:37:22Eu acho que você tem que ter essa sensibilidade.
00:37:25E aí, você escolhe as pessoas certas para as posições certas, para o momento, para aquilo que você precisa.
00:37:30A gente está falando da trajetória aí do Liel Miranda.
00:37:35Você está pouco tempo, pouco mais de um ano na liderança da Alpargatas.
00:37:40Você tem quantos anos de Mondelez?
00:37:42Três anos foram?
00:37:43Eu fiquei quatro anos na Mondelez.
00:37:44Quatro anos.
00:37:45Quatro anos na Mondelez.
00:37:47Mas, ele não é aquele tipo de profissional que vai passando rapidamente, né?
00:37:52Como costuma ser com a geração mais jovem.
00:37:56Porque, na trajetória do Liel, são 27 anos na Souza Cruz.
00:38:03E, na Souza Cruz, ele começou lá como trainee.
00:38:07Atuou em várias áreas ali.
00:38:09Ocupou funções importantes na China, no Canadá, na Inglaterra, até chegar à presidência da companhia no Brasil.
00:38:21O que você acha, acredita, que foi determinante para a sua ascensão, já que você começou como trainee da companhia?
00:38:30É, eu acho que é difícil dizer o quê, exatamente.
00:38:34Mas, eu diria que as características que eu falei antes foram importantes.
00:38:39Adaptabilidade.
00:38:40Você imagina que eu sou do Mato Grosso do Sul.
00:38:43Eu cresci em Mato Grosso do Sul e fiz faculdade em Mato Grosso do Sul, que é um ambiente agropecuário.
00:38:50Qual que é a sua formação?
00:38:51É administração.
00:38:52Administração.
00:38:52Então, quando eu entrei na Souza Cruz, eu saí desse ambiente mais agro e passei a conviver com o ambiente industrial, comercial, varejo.
00:39:02Foi uma adaptação.
00:39:03Eu fiz faculdade num ambiente muito mais voltado para a agropecuária, para a gestão de empresas de commodity.
00:39:11E eu tive que crescer e me desenvolver numa empresa de produto de consumo de massa.
00:39:16Depois, quando eu mudei, saí do Brasil, eu morei 15 anos fora, como você falou.
00:39:21Você imagina um executivo chegar na China, eu morei lá por três anos, e ter que operar naquele ambiente, que é uma cultura muito diferente.
00:39:30Não é nem a língua só, mas a cultura é muito diferente.
00:39:33Então, adaptabilidade, que eu falei que é importante, foi crítica, eu acho, para as minhas movimentações de carreira.
00:39:41E a outra foi essa necessidade de aprender, a curiosidade de aprender, continuar aprendendo.
00:39:49Não, mas eu chamo a atenção porque são quase três décadas em uma mesma companhia, embora esses últimos anos aí você teve quatro anos em uma companhia e você está pouco mais de um ano em outra.
00:40:01Como é que foi essa sua passagem longeva e viver quase três décadas em uma mesma companhia?
00:40:09Porque o seu perfil de executivo é um perfil similar a outros executivos que passam aqui no show business, que são executivos que ficam muito tempo em companhias.
00:40:21Mas a gente tem uma audiência jovem, Daniel, que muitas vezes se chocam aí quando vêem um perfil como o seu, ou o perfil dos pais deles.
00:40:31Nossa, meu pai ficou quatro décadas, cinco décadas, se aposentou na mesma companhia, porque a realidade do mercado de trabalho para os mais jovens é diferente.
00:40:40Muitos, a maior parte, inclusive, não costuma, não pensa, inclusive, em ficar tanto tempo na mesma companhia.
00:40:51Como é que foi, esses quase três décadas?
00:40:54Eu tenho que confessar que eu também não pensava.
00:40:56Quando eu era jovem e entrei como trainee, eu não imaginava que eu ia ficar três décadas.
00:41:01Mas eu acho que uma parte disso é o que você falou.
00:41:04A gente estava num ambiente da economia brasileira, do mercado de trabalho, mais estável.
00:41:11E essa realidade mudou.
00:41:13As empresas hoje estão muito mais dinâmicas nas estruturas, na forma de trabalhar.
00:41:18E as pessoas acabam mudando mais de empresas.
00:41:21A outra variável que eu acho que é importante é que na Souza Cruz, na minha carreira de 27 anos, eu mudei muito.
00:41:29Então, eu morei na China, morei no Canadá, na Inglaterra, no Brasil, eu trabalhei dez anos antes de mudar e depois voltei e trabalhei mais quatro anos.
00:41:39Deixa mais dinâmico.
00:41:41É a mesma empresa, mas não foi a mesma realidade de trabalho.
00:41:46Eu acho que isso contribuiu muito também.
00:41:47Eu falei da turma que está chegando ao mercado de trabalho e tem uma realidade, inclusive um comportamento muito distinto à de gerações passadas.
00:41:58Para você, o que mais se destaca ou o que mais, de certa forma, o aflige?
00:42:07Porque eu já recebi executivos aqui no Show Business que, inclusive, falam de determinados problemas que você encontra na nova geração.
00:42:15Por exemplo, de você manter talentos.
00:42:19Às vezes você, inclusive, gosta de determinados profissionais e eles...
00:42:23Às vezes não é nem salário.
00:42:24Não é você pagar um salário a mais.
00:42:26É por outras razões, outros propósitos que você perde talentos.
00:42:30O que você mais destaca nessa geração mais nova, essa geração que chega ao mercado de trabalho?
00:42:36Eu acho que o desafio de reter, desenvolver, motivar sempre existiu.
00:42:40Talvez agora as opções são mais disponíveis, mas sempre existiu.
00:42:46Eu acho que esse é um desafio.
00:42:47O que eu mais destaco nessa nova geração e que eu acho muito positiva é a capacidade de desafiar.
00:42:54Porque a gente, quando eu entrei no mercado de trabalho, há 35 anos atrás, você imaginava que quem estava lá sabia muito mais que você.
00:43:04E o seu objetivo era aprender com eles para reproduzir o que eles faziam.
00:43:09Hoje em dia, quando você está no mercado como a gente está, se você pegar um trainee, ele sabe mais de inteligência artificial do que eu.
00:43:16Se você pegar um executivo júnior, ele sabe mais de tendências de moda do que eu.
00:43:22E por aí vai.
00:43:23Se você pegar alguém da área industrial, ele sabe mais de indústria 4.0, automação, do que os executivos mais antigos da empresa.
00:43:33Então, acho que mudou muito a dinâmica.
00:43:34Hoje em dia, as pessoas que entram, elas entram com mais liberdade para aprender, desafiar, contribuir do que a gente fazia.
00:43:42Isso faz com que as empresas fiquem mais dinâmicas e inovadoras.
00:43:45Mas isso não o aflige?
00:43:47Não, eu acho pelo contrário.
00:43:48Saber que um estagiário, um trainee sabe talvez mais do que você mesmo.
00:43:53Eu acho que pelo contrário.
00:43:54Eu acho que isso é uma dádiva.
00:43:56É uma coisa que faz com que as empresas fiquem mais competitivas.
00:44:00Eu acho que as empresas que não se apropriam desse aprendizado de baixo para cima, elas correm mais risco do que aquelas que estão mais...
00:44:09É só ver o que está acontecendo no mundo digital.
00:44:11Quem está ganhando o jogo não é necessariamente quem já estava lá há muitos anos.
00:44:17É quem tem uma capacidade de atender a demanda mais rápido.
00:44:22Muito bem, nós estamos conversando nesta edição do Show Business com Liel Miranda, o comandante, o CEO da Alpargatas, a dona das Havaianas.
00:44:35O Show Business vai dar uma breve pausa e volta em instantes.
00:44:38E nós voltamos com o Show Business nesta edição com Liel Miranda, CEO da Alpargatas, a dona das Havaianas.
00:44:53Liel, qual que é o tamanho?
00:44:55A gente tem visto uma crescente do seu produto nas prateleiras e supermercados, atacarejos, né?
00:45:04Qual que é o tamanho da venda nesses canais se comparado com as lojas físicas?
00:45:13Bom, a gente tem vários canais no Brasil.
00:45:16Como a gente está presente em 300 mil pontos de venda, a gente tem os atacarejos e grandes supermercados, que representam mais ou menos 25% do volume.
00:45:25Depois você tem as lojas, as franquias, que nós temos 600 lojas no Brasil, que representam aproximadamente 15% do volume.
00:45:35Depois você tem lojas de departamento, calçadistas, que representam mais 30%.
00:45:41E por último você tem o pequeno varejo, as mercearias, a banca de jornal, outros 30%.
00:45:47Então a gente está presente em todos esses canais e quase que de forma uniforme, né?
00:45:5330, 30, 25 e 15.
00:45:55E como é que é a relação, por exemplo, com o pequeno comerciante?
00:46:01Porque uma coisa é você falar, a gente recebeu edições atrás, o Belmiro Gomes, CEO do Açaí, um atacarejo gigantesco aqui no Brasil.
00:46:10Outra é você falar com o cara que tem uma loja minúscula, né? De variados produtos.
00:46:18Como é que é a relação?
00:46:19Bom, são relações muito diferentes, né?
00:46:21Muito, né?
00:46:22Obviamente com os supermercados, com os atacarejos.
00:46:25Como o volume é muito grande por loja, a grande preocupação é que a gente tem uma logística para abastecer aquelas lojas adequadamente.
00:46:34Quando você fala com as franquias, que são essas 600 lojas que a gente tem no Brasil, a grande preocupação é que a gente tem a representação da marca.
00:46:44Então tem que ter modelos exclusivos, tem que ter aqueles modelos mais sofisticados.
00:46:49Eu falei antes de uma colaboração com uma marca de luxo, tem que ter lá para vender.
00:46:53Então, numa é preocupação de volume, atacarejos, supermercados.
00:46:57Na outra é uma preocupação de valor, de qualidade do produto, da marca, de representatividade para o consumidor.
00:47:05E o pequeno varejo, as mercearias, bancas e lojas de conveniência, essa a gente faz através de uma rede de distribuidores.
00:47:14Nós temos mais de 60 distribuidores no Brasil, parceiros, e eles atendem essas pequenas lojas.
00:47:21E essa é mais uma questão de serviço, porque eles não têm espaço para estoque, eles não têm muito capital de giro para comprar um estoque muito grande.
00:47:30Então ele precisa que o distribuidor preste um bom serviço.
00:47:33Vá lá com uma frequência boa para entregar o pedido dele.
00:47:36Deixa eu chamar atenção para um número que você falou, são mais de 600 lojas franqueadas no Brasil.
00:47:43Esse tema de franquia a gente gosta muito, inclusive nas últimas edições aqui do Show Business, a gente recebeu o Leandro Silva, que é dono da Lavateria, que abre aí uma loja a cada 40 horas.
00:47:58É um outro negócio de lavanderia no país, é impressionante.
00:48:02Agora, falando do seu negócio, 600 lojas franqueadas.
00:48:06Como é que é o processo para ter uma franquia da Havaianas?
00:48:11Em primeiro lugar, quanto custa ter uma franquia da Havaianas?
00:48:15Olha, o investimento não é muito alto e ele consegue se pagar em dois anos, dois anos e meio.
00:48:22Então é uma franquia acessível, porque a maioria das pessoas que vão investir em franquia estão preocupados em ter o retorno do capital.
00:48:30Então é uma das franquias, a gente sempre faz essa medição com outras franquias, é uma franquia que se paga com muita rapidez, dois anos e meio, o investidor já consegue ter a empresa rentável.
00:48:43Mas está mais para 100 mil, está mais para 50, está mais para 200 mil?
00:48:48Está mais para 200 mil.
00:48:49Está mais para 200 mil reais.
00:48:51Então a forma de virar um franqueado é através do nosso site, aplicar ou falar com alguém que seja da Alpargatas, com algumas das nossas lojas, com alguns dos franqueados.
00:49:05E aí tem um processo de seleção.
00:49:06Tem um processo.
00:49:07Processo de seleção.
00:49:08É complexo esse processo?
00:49:10Não, não é complexo.
00:49:12O que a gente tenta fazer é priorizar os parceiros que já têm lojas.
00:49:17Então a gente tenta fazer com que as novas lojas sejam dos parceiros que já têm, porque eles têm o know-how, eles conhecem a marca, eles sabem operar.
00:49:26Essa é a nossa prioridade.
00:49:28Mas também tem áreas onde a gente não tem nenhum parceiro que já tem uma loja e a gente busca novos parceiros.
00:49:34No primeiro bloco a gente falou sobre a expansão internacional da companhia.
00:49:39Você inclusive falou dos países, você falou dos Estados Unidos, você falou da Europa, você falou inclusive da Ásia.
00:49:51Agora, quais são os mercados hoje para vocês que vocês mais desejam?
00:49:58Bom, é impossível deixar de falar dos Estados Unidos, que é um dos maiores mercados consumidores no mundo.
00:50:03300 milhões de habitantes e com um potencial de crescimento muito grande.
00:50:09Foi por isso que a gente mudou o modelo de negócio nos Estados Unidos para ter melhor distribuição.
00:50:15Então essa eu diria que é uma das grandes prioridades.
00:50:19Depois, quando a gente pensa na Europa, principalmente no sul da Europa, Itália, França, Espanha, Portugal,
00:50:27Esses países que têm praia na Europa, no verão europeu, eles carregam um número de turistas e têm um poder aquisitivo concentrado gigante.
00:50:39Então a gente também tem uma grande prioridade nessa região.
00:50:43E aí tem outros países, mas um outro que a gente destaca é a mesma realidade na Ásia.
00:50:48Indonésia, Filipinas, Austrália, Tailândia, são países com muito fluxo de turistas e turistas com poder aquisitivo.
00:50:59Então a gente também tem uma grande prioridade.
00:51:01Eu diria que esses três blocos são as grandes prioridades que a gente tem fora do Brasil.
00:51:06E está na China?
00:51:08A gente está presente.
00:51:09Você que morou três anos na China?
00:51:12A gente está presente na China, mas hoje a China não é um dos mercados prioritários.
00:51:17E não é porque não é grande, não é porque não é importante.
00:51:20É porque a China é um país, é um mercado muito difícil.
00:51:23E a gente prefere hoje focar nesses mercados onde a gente já tem escala.
00:51:28A marca já é conhecida, a gente já tem distribuição, tem boa capacidade de crescimento.
00:51:33Focar nesses mercados, Europa, Sul da Ásia e Estados Unidos, crescer aí.
00:51:39E aí sim se preparar para potencialmente fazer a expansão na China.
00:51:43A China não é para principiantes e eu morei lá, sei a dificuldade.
00:51:47É por isso que eu ia perguntar.
00:51:49Foram três anos trabalhando numa companhia na China, lidando diariamente com os chineses.
00:51:56O que é difícil na China?
00:51:59Muitas coisas.
00:52:00A primeira delas é...
00:52:02Tirando a língua.
00:52:02Tirando a língua.
00:52:03Muitas coisas.
00:52:04A primeira delas é a escala.
00:52:05Porque quando você pensa que uma cidade...
00:52:09O Brasil tem uma cidade de 30 milhões de habitantes como São Paulo.
00:52:13A China tem 100 cidades com mais de 30 milhões de habitantes.
00:52:16Então a escala é gigantesca.
00:52:19E para você entrar com essa escala, você tem que ser muito focado.
00:52:23Você tem que escolher exatamente onde você vai entrar.
00:52:26Então essa é a primeira grande dificuldade.
00:52:28A segunda é que é um mercado muito competitivo.
00:52:30As marcas locais e os fabricantes locais têm produtos de qualidade internacional, com distribuição muito grande.
00:52:40Então você vai jogar no campo do inimigo.
00:52:43Você não está jogando no campo do adversário.
00:52:46Você tem que estar preparado para jogar no campo do adversário.
00:52:49Então a China e a Índia são dois países, obviamente, muito tentadores para a maioria das empresas.
00:52:55Mas a gente preferiu focar nesses outros países onde a gente já tem escala
00:52:59e deixar para uma segunda fase entrar nesses mercados mais desafiadores.
00:53:04E tem uma característica que separa o consumidor brasileiro dos outros países?
00:53:11Eu não diria que tenha uma característica específica.
00:53:13Todos os consumidores têm as suas pequenas sutilezas.
00:53:17Mas nas categorias que eu trabalhei, morando fora do Brasil, na Mondelez, na Alpargatas,
00:53:23eu acho que o mais importante é que você tenha um produto que seja muito relevante,
00:53:30seja um chocolate, seja um biscoito, seja uma sandália.
00:53:34Qualquer que seja o produto, o seu produto tem que ter muita relevância.
00:53:38Tem que ser um produto bom, porque o consumidor queira comprar.
00:53:41Você tem que ter uma marca muito forte.
00:53:43Essas duas coisas são mandatórias para qualquer mercado.
00:53:46A partir daí, você tem que construir, distribuição, comercialização.
00:53:51Mas sem um bom produto e sem uma marca muito forte,
00:53:54para todo consumidor vai ser difícil.
00:53:56Você falou de relaxamento, que o seu produto, de alguma forma,
00:54:02traz um relaxamento para quem usa.
00:54:07Isso é um estilo de vida?
00:54:09Vocês buscam um estilo de vida?
00:54:11Qual é o estilo de vida que vocês querem propagar com o produto de vocês?
00:54:17Não é estilo de vida, é mais um momento.
00:54:21Sabe aquela hora que você chega em casa, depois de tantas horas de trabalho,
00:54:25e tira o sapato e bota a Havaianas?
00:54:27É essa sensação de liberdade.
00:54:30Quando você está indo para a praia, ou está indo para a piscina,
00:54:34e você tira a roupa de trabalho e bota uma roupa de banho,
00:54:37é esse momento que a Havaianas traz.
00:54:40Ou, às vezes, até mais sutil, quando você está arrumando a mala para viajar,
00:54:44e você lembra que tem que botar a Havaianas,
00:54:46porque é esse momento que traz na cabeça do consumidor
00:54:51essa lembrança de bem-estar, de relaxamento.
00:54:55Isso que a Havaianas quer representar na vida das pessoas.
00:54:59Você tem quantas em casa?
00:55:01Muitas.
00:55:02Eu diria que mais de 10.
00:55:03Mais de 10?
00:55:04Mais de 10.
00:55:05Caramba, e você é aquele mais do clássico?
00:55:09Você é o mais ousado?
00:55:11Totalmente.
00:55:11Você é aquele que tem a bandeira do Brasil?
00:55:14Você é aquele que tem a encardida?
00:55:16Qual que é o seu estilo?
00:55:18Totalmente clássico.
00:55:19Sabe aquela azul e branca, ou preta e branca?
00:55:22Eu tenho coleção, tenho todas, tenho para sair na rua, tenho para ficar em casa.
00:55:27Adoro.
00:55:27Mas no trabalho nunca foi com ela?
00:55:28Não, trabalho não.
00:55:29Trabalho é trabalho.
00:55:30Mas pode ir, as pessoas vão trabalhar.
00:55:31Pode ir?
00:55:31As Havaianas vão trabalhar.
00:55:32Pode ir?
00:55:33Pode, claro.
00:55:34Afinal de contas, a gente quer inspirar o mundo com uma pegada mais leve, inclusive
00:55:38no nosso escritório.
00:55:39Muito bom.
00:55:40O Liel Miranda é um bom vendedor, aliás.
00:55:42Eu já vi vários momentos aqui do show business que você vendeu bem o seu produto.
00:55:48O que é uma boa venda do seu produto, Liel?
00:55:52Já que você tem aí 300 mil pontos de vendas no país.
00:55:55Eu acho que a boa venda começa, como eu falei antes, com um produto muito bom.
00:56:00Então, a gente tem que ser capaz de entregar o produto que o consumidor quer.
00:56:04E você falou bem, tem o consumidor que quer a clássica.
00:56:08Então, a gente tem que ter a clássica preservada.
00:56:11Mas ainda querer inovar na tradicional, na clássica, que eu, por exemplo, não gostaria.
00:56:16Eu quero a minha tradicional.
00:56:17Mas tem o consumidor que quer a tira de tecido ou de outros materiais.
00:56:24Então, entregar o produto certo para o consumidor é a primeira coisa.
00:56:28A segunda é estar sempre relevante como marca.
00:56:31Você quer chamar de encardida na mídia social?
00:56:34A gente chama de encardida também.
00:56:36Teve um outro evento que foi muito engraçado, um clube de futebol.
00:56:40O dirigente falou que as pessoas não deviam entrar no clube de Havaianas.
00:56:44Porque, afinal de contas, aqui é um clube de nível.
00:56:48E a gente fez um...
00:56:49A gente não.
00:56:50As pessoas fizeram uma manifestação na porta do clube.
00:56:53Todo mundo calçando Havaianas.
00:56:54E a gente colocou...
00:56:55Então, a marca tem que estar muito conectada com o consumidor o tempo todo.
00:56:59Acho que é produto, marca e aí você faz uma boa venda.
00:57:04Vêm investimentos nos próximos tempos?
00:57:07Sempre.
00:57:07Havaianas é uma...
00:57:08O Pargatas e a Havaianas é uma empresa que faz investimentos consistentes.
00:57:14A gente tem hoje um parque fabril que está preparado para o nosso crescimento para os próximos anos.
00:57:19Mas a gente está sempre olhando que novas tecnologias a gente tem que trazer para atender esse consumidor que quer um produto diferente.
00:57:28Então, sim, a gente vai continuar investindo em novas tecnologias.
00:57:31E pergunta clássica aqui do show business, Léo Miranda.
00:57:35Quem são as suas referências no mundo dos negócios e também na vida?
00:57:42Bom, acho que começar na vida, que talvez seja mais fácil.
00:57:45Uma grande referência é minha mãe e uma das grandes características da minha mãe é sempre me perguntar ao longo da minha vida e carreira o que pior pode acontecer.
00:57:55Então, quando eu tive que escolher eu quero trabalhar aqui em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, onde eu cresci, ou eu vou entrar na Souza Cruz e ir para São Paulo?
00:58:04O que pior pode acontecer?
00:58:06Toma o risco que o que pior é que se não der certo você volta para cá.
00:58:09Quando eu fui para o exterior e várias vezes na minha vida, essa pergunta, o que de pior pode acontecer?
00:58:15Muitas vezes você descobre que o risco é muito menor do que o potencial benefício.
00:58:21Então, você vai tomando.
00:58:22Então, esse incentivo ao risco calculado foi muito importante na minha vida.
00:58:29Eu acho que a referência de negócio, eu admiro muito os empreendedores.
00:58:34Porque eu fui um executivo a vida inteira.
00:58:36Então, eu acho que as pessoas que montaram as grandes empresas que a gente tem no Brasil hoje, não só no Brasil, mas fora do Brasil, que elas começaram uma empresa,
00:58:45porque você tem que ter uma resiliência, uma crença muito forte para dizer, essa ideia de entregar produto, compra online e depois eu vou entregar na casa,
00:58:56o banco online, qualquer que seja a grande ideia, você tem que ter muita convicção para perseverar.
00:59:02Eu admiro muito essa convicção dos empreendedores.
00:59:05Mas o que eu mais gostei foi a frase da sua mãe, hein?
00:59:09Poderosa, hein?
00:59:09É.
00:59:10O que de pior pode acontecer?
00:59:12E isso que jogou você muitas vezes lá para frente, né?
00:59:14E continua jogando, né?
00:59:15E continua jogando.
00:59:17Bom, nós recebemos nesta edição do Show Business, o CEO da Alpargatas, o executivo Liel Miranda,
00:59:27a quem eu agradeço muito a presença em nosso estúdio.
00:59:31Obrigado.
00:59:32Grande prazer.
00:59:34E eu agradeço muito a sua companhia, a sua confiança.
00:59:38O Show Business vai ficando por aqui.
00:59:40Muito obrigado e até semana que vem.
00:59:42Tchau.
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