- há 4 meses
Guitarrista do Ira!, Edgard Scandurra fala ao Grupo Liberal sobre como vai ser o show da banda em Belém, cena atual do rock e novos projetos sonoros, entre outros assuntos.
Repórter: Eduardo Rocha
Op. de corte/Edição: Bia Rodrigues (supervisão: Tarso Sarraf)
Foto da capa: Ana Karina Zaratin
Repórter: Eduardo Rocha
Op. de corte/Edição: Bia Rodrigues (supervisão: Tarso Sarraf)
Foto da capa: Ana Karina Zaratin
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NotíciasTranscrição
00:00Olá, eu sou Eduardo Rocha, do Grupo Liberal, estamos aqui no estúdio para conversar com o Edgar Scanduja,
00:06super guitarrista do IRA, que faz show nesta sexta-feira em Belém, na Assembleia Paraense.
00:11Edgar, muito obrigado pela sua atenção. Como é que vai ser este show aqui em Belém nesta sexta-feira?
00:18É a comemoração dos 20 anos do nosso projeto acústico.
00:23Na época o Acústico MTV, que virou um DVD e foi um show de muito sucesso na nossa carreira.
00:32Então a gente está comemorando 20 anos deste projeto, então é um show acústico.
00:38Deixamos guitarras, baixo elétrico, órgão de lado e vamos para o violão, para o violoncelo,
00:49para o baixo acústico, para o baixolão, para a percussão, um projeto com uma banda maior do que o nosso quarteto convencional.
01:00Celebramos aí nosso repertório desse grande sucesso da nossa carreira, que foi o acústico, o ir acústico.
01:08Estamos aí em plena atividade na turnê deste projeto e muito ansiosos para tocar em Belém,
01:16que é uma cidade onde nós temos um histórico de shows fantástico desde lá dos anos 80.
01:24Certo. Por que, Edgar, esse disco Acústico MTV é tão marcante, com 20 anos de sucesso,
01:31que vocês estão celebrando agora? Então como é que você avalia esse resultado do disco?
01:36Olha, a avaliação que eu faço é a mesma que eu fazia na época, lá 20 anos atrás.
01:43Eu acho que um projeto desse, que pega um artista e pega as suas músicas,
01:50somente no nosso estilo do rock, e transforma em uma coisa acústica,
01:55no modo acústico de apresentar,
01:59para uma banda fazer sucesso com um projeto desse, tem que ter história, tem que ter bagagem,
02:05tem que ter um repertório rico,
02:07rico, onde você consiga, através dos violões, da forma mais suave,
02:13evidenciar a poesia, evidenciar os refrões, evidenciar as melodias.
02:20E isso é uma coisa que o Ira sempre primou muito nas suas composições.
02:25Eu, como compositor principal da banda,
02:27eu sempre pensei muito nas questões das vocalizações, dos arranjos.
02:31Então são músicas de melodias marcantes, né?
02:35Então acho que esse é um grande segredo para um acústico dar certo,
02:39a forma com que as pessoas vão cantar as músicas a partir dos arranjos novos que são feitos.
02:47Então acho que esse é um grande segredo, assim, do sucesso do acústico do Ira,
02:53foi o capricho que nós tivemos nos arranjos das músicas,
02:56na escolha do nosso repertório e o quanto o formato do violão
03:02transformou, vamos dizer, uma possível agressividade do som
03:07numa suavidade que foi aceita por um público maior até do que o público roqueiro, vamos dizer assim, né?
03:14Então é uma coisa que atinge uma popularidade muito grande.
03:18Então acho que esse é um grande segredo desse formato,
03:22eu acho que é os arranjos e a bagagem que a banda tem.
03:26Não adianta uma banda surgir do nada, de repente,
03:28daí faz um projeto acústico baseado em um disco ou dois discos de uma carreira.
03:33Nós fizemos um acústico baseado já em quase mais de 20 anos de banda, né?
03:38Então isso nos dá uma bagagem grande de uma escolha muito boa de repertório.
03:43E, Edgar, como é que surgem as composições, as canções de você?
03:48Você é o principal compositor, como é que é essa química aí para sair tanta música legal?
03:55Cara, eu acho que assim, é prestar muita atenção nas coisas que acontecem no dia a dia das nossas vidas, né?
04:02Da vida da gente, as coisas marcantes, as alegrias, as decepções, os inconformismos, as revoltas,
04:11as histórias, o que acontece, o mundo, as inspirações, né?
04:18Tudo isso e o exercício de você ter a caneta na mão e trabalhar isso com a sua mente, né?
04:30Trabalhar essa inspiração não é só simplesmente ficar sentado esperando que isso venha como uma dádiva do céu, né?
04:37É um trabalho de exercício também, aproveitar esse caminho que você sente, essa chamada por algum motivo,
04:44alguma inspiração, alguma coisa que aconteceu com a vida da gente e tal, e botar isso num papel,
04:50que isso com certeza vai, vão rolar versos, vão rolar linhas escritas e isso vai acabar gerando uma canção.
04:57E você não para de compor, então? Permanece sendo observador e compondo?
05:03Sim, sim, eu tenho muitas músicas aí, eu tô com projetos aí, eu tenho mais dezoito músicas inéditas aí,
05:09aguardando um momento bacana pra acontecer alguma coisa com ela.
05:12Isso que eu ia te perguntar, algum projeto novo da banda, do Ira, que possa conseguir...
05:16No mesmo momento a gente tá muito envolvido com esse projeto do acústico, né?
05:24Porque é uma... o paraíso é grande como é, né?
05:29A gente pega um final de semana e viaja o país, a gente volta pra nossa casa exausto, né?
05:36Não sou mais aquele moleque adolescente, aquele jovem, né?
05:40Que ficava em casa e ia correr, andar de bicicleta pro parque, né?
05:45Então, pra descansar, recuperar as forças e tal, mas o projeto dos futuros,
05:51eu acho que vão ser bem interessantes pro Ira, que eu acho que depois dessa passeada pelo acústico,
05:58por esse repertório bacana que tem esse disco, pela afinidade nossa com a plateia,
06:05através desse repertório, dessa história bonita, assim,
06:07a gente vai estar bem livre pra poder trabalhar um disco mais conceitual.
06:12As coisas que o Ira sempre gostou de fazer, né?
06:15Discos que tivessem caras diferentes, que mudassem um pouco da expectativa,
06:19que surpreendesse mais as pessoas, né?
06:22Tanto isso com o Ira, mas também com os projetos solos também, né?
06:25Acho que os meus projetos solos, o Nasi também tem os projetos deles, né?
06:30Os músicos que tocam com a gente, todos tocam, são muito requisitados,
06:35então, provavelmente vão surgir outros projetos, né?
06:39Então, acho que vem coisas muito bacanas aí pela frente,
06:42e o acústico é bacana pra pavimentar esse ano de 2025, né?
06:48Com essa agenda linda que a gente tá tendo de shows inesquecíveis, né?
06:54Dessa reação do público cantando as canções com a gente, tudo.
06:58Então, dá pra gente pensar com muita calma sobre os próximos passos, né?
07:02Porque o que a gente tem agora é uma coisa muito legal, que é essa turnê.
07:07Edgar, pode dizer uma música que marcou,
07:10que você gosta muito de tocar em shows, que vai tocar aqui em Belém,
07:14e que pode ser, assim, uma síntese do som do Ira,
07:17uma música que é símbolo.
07:19Tem várias músicas, mas uma sim que você gosta muito de tocar
07:21e que marcou essa trajetória.
07:24Olha, eu acho que o Ira tem uma música muito importante na nossa carreira,
07:28que eu acho que representa muito o que o Ira se foi...
07:33o que o Ira se transformou de quando começou lá em 81,
07:37com uma banda punk que queria agredir, que queria provocar,
07:41e tudo até um momento de conscientização do Ira,
07:46da vida mais madura e adulta.
07:49Eu acho que Dias de Luta é uma música muito importante na nossa carreira,
07:53sabe?
07:54Que tem reflexões sobre o que é a vida de uma pessoa
07:59quando ainda não é pai,
08:02e depois o que acontece quando ela vira uma pessoa mais responsável,
08:07tem versos...
08:09quando se sabe ouvir não precisam muitas palavras,
08:17então tem um pouco de filosofia,
08:18tem uma experiência de vida muito bonita nessa música Dias de Luta, né?
08:23Se for eu ainda jovem, tem uma visão do que pode acontecer no futuro,
08:28questionamentos importantes na vida de qualquer pessoa, né?
08:33Dias de Luta eu acho uma música muito importante na nossa carreira,
08:35eu gosto muito de tocar,
08:36gosto muito de ver as pessoas cantando de volta com a gente, sabe?
08:40São versos que eu acho que mexem com todo mundo.
08:43Eu gosto muito do estilo de vocês,
08:46porque é uma linguagem direta, mas também muito poética,
08:49não se fala...
08:49Sim, que legal.
08:51E casa, casa musicalmente,
08:54sensacional,
08:55e assim, se fala assim,
08:57a melhor banda de rock paulista,
08:59mas não é só paulista,
09:00é uma banda universal,
09:02que é um casamento de letra muito legal,
09:05é aquilo que o cara queria dizer e vocês estão dizendo,
09:08isso é muito bom.
09:09Deixa eu te perguntar.
09:10É bacana, obrigado.
09:11Como você é um cara que sempre está observando,
09:13um poeta observador do mundo,
09:15como é que tu vês hoje a cena do rock nacional,
09:18o rock no mundo,
09:19o mundo no rock,
09:20como é que tu vês vendo o mundo,
09:22a cena atual do mundo e no Brasil o rock?
09:24Olha, eu percebo que o rock perdeu o protagonismo,
09:30aquele protagonismo que ele manteve nos anos 60,
09:36nos anos 70, nos anos 80,
09:39e boa parte dos anos 90 também.
09:42Então, sei lá, quase 40 anos do protagonismo total do rock,
09:46com certeza, com avanços tecnológicos,
09:49com buscas mais regionais,
09:52talvez das novas gerações,
09:56buscando mais influências das suas próprias linguagens naturais, regionais.
10:02Eu acho que a voz periférica ganhou muito relevo também,
10:08então acho que veio o rap, veio com muita força,
10:11eu acho que a música,
10:13se for falar da música popular,
10:15a música pop,
10:16a música sertanejo,
10:19a música eletrônica,
10:23e outras,
10:24tantas,
10:25a própria MPB mesmo,
10:27aqui para nós brasileiros,
10:28o trap,
10:31tantas outras,
10:32o funk,
10:33muitas linguagens que atingem diretamente o jovem,
10:36que era um espaço que pertencia praticamente,
10:38que quase somente para o rock,
10:40então acho que agora o rock perde um pouco esse protagonismo,
10:44divide esse espaço com muitas outras cenas musicais,
10:49mas eu acho que é interessante isso para o rock,
10:51essas setas entre safras que aparecem,
10:54justamente para dar um espaço,
10:56para surgirem novos nomes,
10:58porque o rock, no momento, eu percebo,
11:01ele é muito ligado aos seus clássicos,
11:04por isso que eu vejo o Ira,
11:06uma banda que as pessoas gostam muito hoje,
11:09talvez mais hoje,
11:10do que até quando a gente estava no nosso momento de jovem,
11:14lançando os discos,
11:16essa relação com a nostalgia,
11:19com a saudade,
11:21com tempos melhores do que esses que a gente está vivendo,
11:23eu acho que isso tudo faz o rock ser uma música
11:27que tem um fator nostálgico na sua plateia,
11:31eu acho que isso aí é uma questão de um tempo
11:35para surgirem novos elementos,
11:38novos nomes,
11:39ligados talvez com essa nova tecnologia,
11:42com esses novos métodos de divulgação,
11:44através de internet,
11:46através de redes sociais,
11:48outras linguagens,
11:49que talvez o rock ainda tenha que chegar lá,
11:53que eu acho que essas linguagens modernas,
11:55tecnológicas,
11:56vieram juntas com esses novos tipos de som também,
12:00de produções,
12:01as pessoas gravam suas músicas sozinhas nas suas casas,
12:05tem um computador e conseguem trabalhar sozinhos,
12:08o rock geralmente é uma música de equipe,
12:10é uma música de grupo,
12:11é um conjunto,
12:13pessoas que se reúnem,
12:14vão na casa tocar,
12:16tem modos operantes do rock
12:21que eu acho que são um pouco mais antigos,
12:25no bom sentido,
12:26do que os dias de hoje,
12:29o rock não é muito home office,
12:33vamos dizer assim,
12:34o rock você tem que ir na empresa
12:37para fazer o seu trabalho,
12:39e hoje está muito home office as coisas,
12:41então as pessoas fazem seus traps,
12:43seus reps,
12:44sozinhos, em duas pessoas e tal,
12:46então eu acho que o rock é uma opção,
12:51é uma vocação,
12:52é uma entrega assim,
12:54sabe,
12:54que eu acho que vai chegar um momento
12:56que ele vai retomar essa posição,
12:59porque é uma música forte,
13:01é uma música de contexto forte,
13:03é uma música que tem volume,
13:06tem distorção,
13:07tem peso,
13:08tem uma agressividade
13:08que a juventude carrega dentro de si,
13:11então eu acho que é uma questão de tempo
13:13para isso voltar com muita força.
13:15Só falando aqui da parte que me toca,
13:19eu acho que o rock,
13:21o rock é a essência de todas essas outras formas,
13:26que vem na frente,
13:27vem com base de todas as outras questionamentos,
13:30sonoridades,
13:31mas passa o tom questionador do rock,
13:34norteia também essa turma toda nova,
13:36mais nova,
13:37que está pintando.
13:39Só para a gente terminar,
13:41para terminar,
13:41o que é que o público vai conferir
13:43nesse show acústico do Ira,
13:46aqui em Belém,
13:47ou seja,
13:48algumas músicas,
13:49roupagens,
13:51terminando.
13:52Olha,
13:53é uma coisa muito interessante,
13:54a gente vai fazer nesse show,
13:56basicamente,
13:57ou melhor,
13:58exatamente,
13:59o repertório do acústico MTV de 2004,
14:08as músicas na ordem exatas como estão,
14:13talvez alguma surpresa num bis,
14:16assim que a gente faça,
14:17o que tem de legal nessa nova roupagem,
14:23são integrantes novos na banda,
14:26o Daniel Scandor,
14:28meu filho,
14:29o Dani,
14:29está no baixo,
14:30tocando muito bem,
14:31o Dani,
14:32ele toca muito bem,
14:34ele é um destroy,
14:35eu sou meio babão,
14:36pai,
14:37mas é verdade,
14:38ele toca muito bem.
14:38A galera,
14:40não,
14:40e,
14:41e,
14:41e,
14:42e,
14:42assim,
14:43o,
14:43o,
14:43temos o Johnny Boy,
14:46um do teclado,
14:47né,
14:47que é um cara que acompanha a gente desde essa nova formação do Ira,
14:51de 2014 pra cá,
14:53né,
14:54é um maestro,
14:55né,
14:55tocou com o Raul Seixas,
14:56tocou com um monte de gente do rock,
14:58assim,
14:59é um cara experiente demais,
15:01o Evaristo Pado,
15:02é o nosso baterista agora,
15:03já também,
15:04desde essa formação,
15:05desde 2012,
15:0713,
15:07mais ou menos,
15:09então tem pegadas diferentes,
15:10modos diferentes de tocar,
15:12a percussionista,
15:13que toca com a gente,
15:14que é a Juba Carvalho,
15:16é uma,
15:16é um show à parte,
15:17vocês vão assistir,
15:18vocês vão entender,
15:20ela,
15:20realmente,
15:21ela dá um sangue violento,
15:23no,
15:23no,
15:24ruim,
15:25um swing maravilhoso na percussão que ela toca,
15:28né,
15:29e,
15:31Jonas Muntari,
15:31um violoncelo,
15:32né,
15:33que é uma coisa muito legal também,
15:34o violoncelo dá uma cara,
15:36é,
15:37clássica pra esse projeto,
15:38é uma coisa,
15:39uma assinatura marcante,
15:40porque isso vem lá,
15:41desde a gravação do original,
15:44né,
15:44e o Mazi,
15:45né,
15:47nós dois aí,
15:48já,
15:48quase,
15:4940 e tantos anos,
15:51marca registrada,
15:52os dois,
15:52essa marca registrada,
15:54é a banda,
15:55né,
15:55estamos aí afiados,
15:56quem tá no cello,
15:58que você acha?
15:59Desculpa,
15:59o Jonas Moncaio,
16:00o Jonas Moncaio,
16:01que gravou com a gente,
16:02do original,
16:03ele vem desde o acústico,
16:05lá de 2004,
16:06né,
16:06essa roupagem das músicas,
16:09é uma coisa muito especial,
16:10sabe,
16:11transformou as músicas,
16:13em,
16:13em,
16:14em,
16:14em peças,
16:16que o público adora cantar,
16:18assim,
16:18é,
16:19é uma sensação,
16:21exatamente,
16:22elas fizeram,
16:24deram destaque,
16:25para as melodias,
16:26para as harmonias,
16:27né,
16:27para os arranjos,
16:28assim,
16:29foi um povo muito bonito,
16:30cara,
16:30muito legal.
16:32Então,
16:32poeta,
16:32seja bem-vindo,
16:34vamos aguardar vocês aqui,
16:35tá,
16:36um abração.
16:37Um grande abraço,
16:38é um prazer estar aí,
16:39meu amigo Rui,
16:42grande abraço a todos.
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