00:00A inflação nos Estados Unidos fica estável em julho a 2,7% nos últimos 12 meses.
00:07Já o dólar comercial fechou hoje abaixo dos R$ 5,40, o valor menor, o valor mais baixo desde junho de 2024.
00:15Então, direto agora para Miami, conversar com o estrategista-chefe da Avenue, o economista Will Castro Alves.
00:21Sempre muito bem-vindo. Tudo bem, Will?
00:23Boa noite para você. Começo já perguntando sobre a inflação.
00:26Hoje tivemos dados da inflação também no Brasil, mas a leitura que é feita aí nos Estados Unidos e a interferência disso, no caso aqui no Brasil, no mercado de câmbio, não é isso?
00:35Boa noite.
00:37Boa noite, Thiago. É sempre um prazer estar falando contigo.
00:40De fato, a gente teve uma notícia que foi bem recebida pelo mercado financeiro aqui nos Estados Unidos.
00:45O índice de inflação não voltou para a meta estabelecida pelo FED.
00:51Agora, ele veio abaixo daquilo que o mercado estava esperando no seu índice cheio, como a gente fala.
00:58Já quando você olha o núcleo, que exclui preço de alimento e energia, que flutuam bastante, ele ficou um pouco acima.
01:05A verdade é que o que ajudou bastante nessa idade de inflação foi o preço da gasolina,
01:10que aqui quando o petróleo cai você sente logo na bomba.
01:13O galão de gasolina ficou mais baixo, ficou mais barato.
01:16E aí, consequentemente, ajudou a inflação.
01:21E esse dado mais brando de inflação, ou pelo menos aquém daquilo que o mercado estava esperando,
01:27reforçou as apostas de cortes de juros e aí, consequentemente, isso foi bem recebido pelo mercado financeiro.
01:34A gente viu a Bolsa Americana atingir nova máxima histórica.
01:38Então, ativos de risco performaram bem no mundo inteiro e isso ajudou, inclusive, o real, a moeda brasileira.
01:47E falando sobre o real aqui, a reação de hoje, você também trabalha nos Estados Unidos com os brasileiros que investem em dólar.
01:55Aqui, a gente pode falar que há alguma tendência para os próximos dias, meses,
01:59ou não tem como prever mercado de câmbio como sempre?
02:03Pelo seu sorriso, já sei a resposta, Will.
02:05Já quer me fazer passar vergonha aqui na frente de vocês.
02:09Mas é que é muito difícil, realmente, especialmente neste curto prazo.
02:13Agora, a gente tem tido dois vetores favoráveis, a meu ver, para o real.
02:19Primeiro, é esse humor do mercado favorável a ativos de risco.
02:23Bolsa Americana, novamente, que eu falei, batendo o máximo.
02:26Então, outras moedas emergentes estão performando também bem.
02:29E o segundo ponto é que, no Brasil, você tem uma taxa de juros que permanece bastante elevada.
02:36Essa taxa, a Selic, bastante alta, gera um diferencial de juros frente à taxa de juros americana,
02:43que se espera que venha a cair na próxima reunião em setembro.
02:47Esse diferencial é bastante elevado.
02:49E aí, isso acaba incentivando investidores estrangeiros a tomar o risco de investir no Brasil
02:56sobre todos os aspectos que a gente tem de risco na nossa economia.
03:00Então, e isso permanece, deve permanecer pelas próximas semanas e próximos meses.
03:05Se fala em algum corte de juros no Brasil, somente ano que vem.
03:09Se fala em corte de juros aqui nos Estados Unidos, já em setembro.
03:12Então, esse diferencial de juros tem aí e deve se manter ajudando a moeda brasileira nos próximos meses.
03:19Quero saber do radar do Talifácio.
03:22Você, brasileiro que mora nos Estados Unidos,
03:25de que forma as sanções do governo americano em relação ao Brasil,
03:29não só na economia, mas também as retaliações ao Supremo,
03:33de que forma isso chama atenção ou continua passando praticamente ileso,
03:39pelo menos da média da opinião pública nos Estados Unidos, viu?
03:42Pois é, a verdade é que, se tratando de Brasil,
03:47no Brasil foi um dos países mais tarifados em todo o mundo.
03:50Tem o mapa das tarifas, você vê como as tarifas contra o Brasil foram muito elevadas.
03:55Mas a verdade é que 1,3% das importações americanas vem do Brasil.
04:04E quando você expurga esses itens que foram retirados dessa pauta tarifária,
04:11a importância fica ainda menor.
04:14Então, teve até o episódio aí essa semana, né?
04:16O ministro Fernando Haddad falou que ia falar com o Scott Bass,
04:20sendo o secretário de Tesouro americano,
04:22e isso não acabou acontecendo, desmarcou, ficou um disse que me disse,
04:25porque isso mostra que, de fato, o Brasil, infelizmente,
04:29não é uma prioridade aqui para os Estados Unidos.
04:31Primeiro tem que negociar o trade deal com a China.
04:34Fala-se em postergação desse trade deal, dessa relação de tarifas para a China.
04:40Isso é bem mais relevante.
04:41Infelizmente, o Brasil tem menos relevância.
04:45E para o Brasil também, acaba que o impacto econômico das tarifas
04:48acabou sendo menor do que inicialmente previsto.
04:51A economia brasileira é bastante fechada, isso é um problema,
04:55atrasa o nosso crescimento a longo prazo.
04:56Mas agora, nesse curto prazo, acabou sendo positivo ser mais fechado,
05:01depender menos do comércio com o exterior,
05:03em especial, depender menos do comércio com os Estados Unidos.
05:06E eu falo isso em contexto geral, obviamente, que para setores,
05:10o impacto é diferenciado, ele é mais sentido em alguns setores da economia brasileira.
05:15É, o Tarifácio não entrou em vigor menos de uma semana?
05:18Imagino que aí ainda é muito cedo para se sentir ou se medir qualquer tipo de efeito
05:23de preço de produto do Brasil que talvez deixe de entrar aí
05:27ou que chegue mais caro por aí, não é isso?
05:31Não, sem dúvida.
05:32Você viu um leve impacto em alguns itens na inflação,
05:36que foram móveis, vestuário e beleza, produtos de beleza.
05:42Então, esses três vetores ali, você até viu um impacto na inflação,
05:46mas, obviamente, eles entram entre outros componentes da inflação
05:51e eles sozinhos acabaram não fazendo tanto o impacto
05:55de uma inflação muito forte aqui nos Estados Unidos.
05:58Ok, Will Castro Alves, que é estrategista-chefe da Avenue.
06:02Mais uma vez, obrigado pela sua gentileza, pela sua atenção.
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