O psiquiatra forense Guido Palomba fez um verdadeiro raio-X da saúde mental moderna: alertou sobre os efeitos devastadores das telas na sociedade, especialmente entre crianças e adolescentes, criticou a decadência da psiquiatria atual, falou do boom nos diagnósticos errados, como autismo, bipolaridade e burnout, e detonou o uso excessivo (e muitas vezes desnecessário) de medicação. Uma conversa afiada sobre como estamos medicalizando tudo… até tristeza de domingo à noite.
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00:00Homem chegou!
00:00Valeu, mano!
00:01Procambale hoje, o cara que manja tudo sobre distúrbios mentais.
00:07Tá quer me tirar com um maluco, é?
00:09Um dos maiores psiquiatras da atualidade.
00:13E hoje, depressão tem um diagnóstico extremamente alargado.
00:19Eu?
00:20Ó, super perito.
00:22Guido Palomba!
00:24Doutor, doutor, doutor Guido Palomba aqui, ó.
00:27Esse gênio da psiquiatria, ele tem um papo muito bom, sempre é um prazer recebê-lo aqui, doutor.
00:34Muito bem, vamos falar do que hoje?
00:36Saúde mental.
00:37Qualquer assunto com o nosso doutor.
00:40Saúde mental?
00:41Como é que está?
00:42Cadê o microfone?
00:43Tá sem microfone?
00:44Tá sem microfone?
00:44Não, tô com microfone.
00:45Já tem.
00:45Ah, tá com microfone aqui, olha que elegância.
00:48Microfonado.
00:49Saúde mental.
00:50Saúde mental.
00:51Dizem que o brasileiro é o povo mais ansioso do mundo.
00:58É isso mesmo?
00:59Não.
01:00Não é?
01:00Não.
01:00Tá bom.
01:01É diagnóstico mal dado.
01:04Entendi.
01:05Diagnóstico mal dado.
01:07Claro que não.
01:08Eu acho que o brasileiro até é bem tranquilo.
01:13O problema são os diagnósticos mal dados, Emílio.
01:16Esse é o grande problema da psiquiatria, eu não diria nem da psiquiatria brasileira,
01:21mas da psiquiatria ocidental.
01:24Então hoje, por exemplo, é tudo, se você briga com a namorada, se você tá sem dinheiro
01:30pra pagar conta, se morreu o cachorro na sua casa e você tá triste, você tá arriscado
01:37a levar um diagnóstico de bipolar, depressão e tome remédio, tome remédio.
01:42Então, mas existe...
01:43Então isso não existe, isso não é...
01:45Mas romantizaram também, né?
01:47Desculpa falar sobre isso.
01:48Não tem, porque ficou também, existe o sintoma, existe a doença, existe também todo mundo
01:55quando começou a ter burnout, por exemplo.
01:58Não existe.
01:58Não existe.
01:59Não.
01:59Burnout não existe?
02:01Burnout não existe.
02:03Aí você fala, opa, peraí, como burnout não existe?
02:07Primeiro que é um nome, é uma gíria do bafão dos Estados Unidos, que é...
02:13queimado, né?
02:16Então, por exemplo, um palito queimado, um foguete...
02:21É um bizil.
02:22Bizil.
02:23Será que é um bizil?
02:23Exatamente.
02:24Esse cara tá de um bizil.
02:25É tilt.
02:25Na época, a chamada estafa, ele tá estafado, não é isso?
02:29Que vem lá do bafão dos Estados Unidos, daqueles viciados em droga.
02:35Então, usou muito, tá?
02:37Burnout.
02:37Bom, o que que aconteceu?
02:40Pegaram um famoso protocolo, ou seja, perguntas e respostas, perguntas e respostas que você
02:48mesmo faz e chega à conclusão.
02:52Você soma os pontos, bate com o gabarito e vê se você tem burnout.
02:57Todos nós aqui, todos, sem exceção, se nós respondermos aquele diagnóstico, aquele
03:04protocolo de burnout, vai ter ou leve, ou moderado, ou grave.
03:09Certo.
03:10Agora eu pergunto, pelo menos um aqui não tem, que sou eu.
03:15Vocês também não.
03:16Eu também.
03:17Com absoluta certeza.
03:18Então, que negócio esse diagnóstico de burnout pra tudo?
03:21E outra coisa, é um nome ridículo, não é?
03:24É o nome da gíria, levar pra uma parte científica, isso não pode.
03:29E você pergunta, existe a canseira, o esgotamento nervoso, a estafa?
03:36Sim, existe.
03:37Mas já descrita desde 1777 e bem descrita.
03:43Então, não precisava dessa inovação.
03:45Então, mas isso aí qualifica o ser humano.
03:47Você fala, olha, eu tive um burnout, tive um burnout, estou...
03:51Estava no trabalho com burnout.
03:52Ah, eu trabalho, eu trabalho muito, eu tive um burnout.
03:54Qualifica a pessoa.
03:56Mesmo esse negócio de TDAH...
03:57Não, TDAH qualifica, Alzheimer qualifica, autismo qualifica.
04:03Autismo agora.
04:04As pessoas têm autismo e ficam contentes que estão com autismo.
04:08Mas será que não tá...
04:09Então, mas por que isso, doutor?
04:11Por quê?
04:12É banalização dos diagnósticos.
04:15Então, mas doutor, o diagnóstico, ele não é exato.
04:20E aí, vocês têm um ser humano, pra essas doenças, até onde eu sei, que faz avaliação.
04:25E o ser humano erra, o ser humano faz isso.
04:28Sam, posso já discordar de plano?
04:30Claro, por favor.
04:31O diagnóstico é exato.
04:33Se você souber fazer, ele é exato.
04:35E como eu como paciente sei?
04:35Você vai num cardiologista, você vai num cardiologista, ele vai saber se seu coração tá bom ou não.
04:41É exato.
04:42Sim, mas são...
04:44O cardiologista, você faz o exame no coração e na cabeça, você vai lá pro...
04:47Você vai pro neurologista.
04:48Verbalizar o que você tá sentindo.
04:50Veja.
04:51Ah, mas ele é profissional.
04:52Não, não tô falando do profissional.
04:54Tem vários profissionais que podem dar um diagnóstico errado.
04:57Claro, mas aí é erro.
04:59Aí não é...
05:01Aí é uma medicina mal feita.
05:04Sim, mas você como paciente, como sabe?
05:06Porque quando eu vou...
05:07Você como paciente, você não sabe.
05:09Quem tem que saber é o médico, claro.
05:10Então, mas como que você como paciente vai escolher um médico que você tem certeza que é um bom médico diagnóstico?
05:18Enquanto a medicina não tiver essa sinalização, você...
05:22Você tá perdido.
05:23Você tá perdido.
05:24É, essa é a verdade.
05:25Mas então, é o que nós vivemos.
05:27Diferente de outros exames.
05:29Você quebra a perna, você vê o...
05:30Você quebra a perna, o cardiologista não vai ser quebrado.
05:32Quantas pessoas não tomam antidepressivo sem precisar?
05:36Anxiolítico, né?
05:37Anxiolítico, remédio pra acordar, remédio pra dormir.
05:40Aquele tal do TDAH.
05:42Às vezes é criança mal educada.
05:45Vai num psiquiatra da geração perdida, que eu chamo de geração perdida, e tá arriscada a tomar ritalina e não sei o quê.
05:54Agora, eu também preciso falar uma coisa importante.
05:58A nova geração dos estudantes que estão chegando, que estão se formando, tá tudo de antena ligada.
06:06Tá vendo que o negócio tá errado.
06:08Ah, a geração nova.
06:09A nova.
06:11Eles tão vendo que o excesso de remédios...
06:14Você vai num psiquiatra hoje, ele não olha no seu olho.
06:17Ele fica, quantas vezes você ficou, não quis pentear o cabelo.
06:22Quantas vezes você não quis tomar banho, etc.
06:25Bate com protocolo...
06:27Remedinho.
06:28E remedinho.
06:29Aperta o botão do computador...
06:32Não existe...
06:34Tete a tete.
06:35Acabou o tete a tete.
06:36O olho no olho.
06:37Então, os psiquiatras, eles precisam voltar a ser psicólogos.
06:42Você quer ver uma coisa terrível?
06:44O suicídio de crianças e de adolescentes aumentou terrivelmente.
06:53Mas por quê?
06:55O jovem não quer se matar.
06:58Eu vou repetir porque isso é importante.
07:01O jovem não quer se matar.
07:03Então, você pergunta pra mim, o Emílio me pergunta...
07:06Mas como se ele não quer se matar, se aumentou o número de suicídios?
07:13O que ele quer, o que o jovem não suporta, é aquela situação...
07:19Por exemplo, o bullying, brigou com a namorada, ou está usando um tóxico, ou foi cancelado...
07:25Como sair da situação.
07:27Ele quer matar aquela situação.
07:29Mas ele não consegue, ele não tem perspectivas.
07:34O horizonte dele está fechado, então ele se mata.
07:37Mas se você conseguir passar por aqui, ele não se mata mais.
07:40Agora, o que precisa o psiquiatra?
07:42É dar remédio?
07:44É dar antidepressivo?
07:45Camisa de força química?
07:47Ou tem que abrir os horizontes dele pra...
07:49Opa, peraí, você brigou com a namorada?
07:51Arruma 10.
07:52Você foi cancelado?
07:55Calma.
07:55Mas isso não faz parte mais das amizades que a gente tem?
07:59E a amizade não tem mais paciência?
08:01E fala, ó, você está mal, procura um médico.
08:03Concordo.
08:03Vai lá, procura um médico, ele vai dar um remedinho pra você e vai resolver o seu problema.
08:07Se você tiver um bom amigo, um bom amigo pra você trocar figurinha com ele...
08:11Tomar um negócio, tá na fossa...
08:14É, você não precisa de psiquiatra.
08:17Então, no fundo, no fundo, no fundo, seria um amigo pago, vai, entre aspas.
08:21Eu concordo com você.
08:23As pessoas estão mais solitárias, né?
08:24Eu acho que sim.
08:25Ninguém está se dispondo mais a trocar uma ideia...
08:28Plenamente, plenamente de acordo.
08:29Mas é o fenômeno das telas, o fenômeno que a gente vive dopaminérgico, que a gente
08:35está viciado num celular e a gente não troca mais ideia com ninguém, a gente está muito
08:39solo.
08:40É uma geração que está mais solo ou não?
08:42Absolutamente de acordo.
08:43É isso.
08:44Claro.
08:44Mas aí vem também, é um pacotão.
08:49A saúde mental, o celular, o mundo digital.
08:53O mundo digital, por exemplo, pra criança, eu sou radical.
08:57Radical.
08:58Criança e adolescente.
08:59Até os 15, 16 anos, rede social, jamais.
09:04O celular.
09:04Mas, veja, se você tem um celular sem rede digital, você não consegue.
09:10Então, claro, você vai conseguir?
09:12Não.
09:13Mas faz mal?
09:14Faz muito mal.
09:15Quem disser o contrário não entende do que está falando.
09:19Com toda honestidade.
09:20Por que, por que, você tem o celular, é aquela telinha minúscula, você fica ali o tempo
09:29todo, o conteúdo, o conteúdo é um conteúdo rápido de, você não tem profundidade.
09:40Outra coisa, o ser humano, ele tem sentimento, ele tem senso percepção, ele tem intuição,
09:47ele tem emoção, e aquela telinha, ela não deixa você desenvolver tudo aquilo.
09:54Você fica ligado naquilo e só naquilo, enfim, não é bom, faz mal.
10:00É meio que uma pseudo zona de conforto ali, você cria uma bolha ou entra numa bolha e
10:05vive naquilo.
10:06E você substitui uma das maiores criações, ou talvez a maior criação da humanidade.
10:13Uma assombrosa criação da humanidade, sabe qual?
10:16O livro.
10:18Sim, o livrinho é bom.
10:19O livro físico.
10:21É, o livrinho é bom.
10:23Enfim, o resto, as outras criações, elas no fundo são extensões do ser humano.
10:30Por exemplo, o arco e flecha, é a extensão do braço.
10:34A espada, é a extensão do braço.
10:38O próprio telefone, extensão da voz.
10:42Opa.
10:43Do cérebro.
10:46Está saindo.
10:47Pois é.
10:47Pois é.
10:48O tempo inteiro, a gente está ficando mais burro.
10:50Está ficando mais burro.
10:51Está.
10:51Está, claro.
10:53Porque você tem menos estímulos.
10:56E do que o cérebro vive, os neurônios vivem?
10:59Eles vivem de estímulos.
11:00Eles fazem as redes.
11:02E que rede que você está fazendo com aquela telinha desse tamanho?
11:05E outra coisa, você fala, não, mas estão lendo livro no...
11:11No Kindle.
11:11No Kindle.
11:13Ouvindo livro.
11:14Não é a mesma coisa.
11:17Absolutamente não.
11:18É a mesma coisa você tomar um...
11:21Guardando as devidas proporções.
11:23Você tomar um vinho saído de uma mesma garrafa, num copo de plástico e num cálice de caixão.
11:28Dá uma gola lendo um jornal.
11:30Tem coisa mais maravilhosa que o senhor morre.
11:34Sentar, você senta ali, abre o jornal.
11:37Se você falar isso para esses jovens que só estão com o celular na mão, eles não vão te entender.
11:43Não vão.
11:43Agora, deixa eu perguntar uma coisa para o senhor.
11:45O grande problema é quando os nossos pensamentos estão zoados.
11:51Sim.
11:52É aí que está o problema de tudo, né?
11:54Quando a gente está com a cabeça desordenada.
11:56E eu vejo muito, hoje em dia, as pessoas meio desordenadas.
12:01Elas não sabem direito qual caminho tomar, o que fazer para conquistar as coisas.
12:08A gente é muito cruel consigo mesmo, né, doutor?
12:13O ser humano, o ser vivo, né?
12:16A gente sempre precisa ser poderoso.
12:20Sempre precisa ganhar o jogo, né?
12:22Para sobreviver.
12:23E, Emílio, eu tenho a certeza que o mundo digital, ele potencializou tudo isso.
12:34É, porque a gente fica vendo...
12:35Você tem que estar sempre no máximo, sempre se comparando, sempre isso e sempre aquilo.
12:40Então, claro que a autocrítica e a cobrança, elas aumentam também.
12:45Porque aí, se você não conquista aquilo, você pensa que você é um bosta.
12:49Exatamente.
12:50E aí que a gente entra nesse...
12:53Não, porque na rede social você tem muita comparação.
12:56E sempre é melhor o que você está fazendo.
12:58É, o Neymar está no Iate, o teu amigo está em uma viagem internacional.
13:02Mas a nossa cabeça, o nosso pensamento, ele não consegue identificar isso.
13:07Para a nossa cabeça, a gente tem que ser muito bom.
13:10Senão a gente morre.
13:11Sim.
13:11O ser humano morre se não for melhor.
13:13E como você só tem estímulos dessa natureza, você acaba entrando nessa neura, nesse círculo vicioso e acaba se auto-flagelando até.
13:25E como sair disso, doutor?
13:27Ai, Emílio, é uma excelente pergunta.
13:30Eu acho que a gente tem que viver mais naturalmente.
13:33Por um pé na grama, dar uma arrastada, né?
13:36Eu vejo também um grande problema na tal da inteligência artificial.
13:42Que, aliás, você falou bem hoje, eu estava te escutando hoje.
13:44Ah, o Slam é o...
13:46O Slam é o...
13:47Primeiro que não é nem inteligência nem artificial.
13:50É o mais lindo golpe de marketing que existiu na humanidade.
13:57Todo mundo fala, em todas as línguas, e não é nem inteligência e nem artificial.
14:03Isso também é um grande problema.
14:05Porque existe aquele comportamento de achar que o que vem da inteligência artificial é lindo, maravilhoso.
14:12Quando, na verdade, não é coisa nenhuma.
14:15Seria diferente você chamar a inteligência artificial de papagaio.
14:20Porque ela é um papagaio estocástico.
14:23Ou seja, é um papagaio que vai...
14:25Os algoritmos pegam aquilo que já existe e produzem alguma coisa.
14:30Mas está papagaio...
14:31Ela não cria autoral.
14:33Não é autoral.
14:34Não.
14:34É um Google sem citar a fonte.
14:37É.
14:37Boa.
14:38Mas é difícil também, porque se é inteligência artificial...
14:41Não é nem inteligência artificial e não vale.
14:44Os médicos, a maioria, diagnóstico ruim.
14:48Estamos lascados.
14:49Não, fora você, tem alguém que a gente possa contratar.
14:52Tem muito médico bom em todas as especialidades.
14:55Qual a porcentagem?
14:56Mas os médicos...
14:58A inteligência artificial, a dita inteligência artificial, que é um papagaio estocástico, é um papagaio.
15:05Ela serve para algumas especialidades médicas.
15:08Por exemplo, radiologia...
15:10Um diagnóstico...
15:13Um diagnóstico...
15:14Exame...
15:15Exame...
15:15Uma imagem...
15:16Você tem duas inteligências.
15:17O ser humano tem duas inteligências.
15:19A inteligência prática, 2 mais 2 igual a 4, que a inteligência artificial é ótima para fazer isso.
15:26E a inteligência abstrativa, que jamais a inteligência, a dita inteligência artificial vai ter.
15:36Porque ela sempre parte de alguma coisa.
15:38Ela é igual você tem massa, você tem farinha, ovo e água.
15:45Farinha, ovo e água.
15:46Aí você tem o algoritmo que faz o pão.
15:49Mas ela parte de farinha, ovo e água.
15:52Não parte do nada.
15:54Ela não parte da noite do nada, onde tem tudo para aquele que abstrai.
16:00Então, para a inteligência prática, a inteligência artificial é ótima.
16:03Para a inteligência abstrativa é zero.
16:05Não existe.
16:07Professor Lido, o que você falou assim, a maior parte...
16:11Posso ter entendido errado, me corriça.
16:13A maior parte dos diagnósticos de autismo, de burnout, estão errados, pelo que eu entendi.
16:21Então, ainda que tenhamos médicos bons, é a minoria.
16:25Senão não estava todo mundo diagnosticado errado.
16:29Aí tudo bem.
16:30Eu não consigo selecionar o médico, porque eu como paciente não sei se o cara é bom de diagnóstico.
16:36O diploma, pelo visto, não garante.
16:39Porque ele é formado, não garante esse processo.
16:41A inteligência artificial, que é um recurso que poderia usar também, não serve.
16:47Você usaria inteligência artificial para fazer uma análise?
16:50Tem gente que usa.
16:51Faz terapia.
16:52Faz terapia, bicho.
16:53O cara faz terapia num telefone.
16:55Esse cara tem que internar no Juqueri.
16:57Muita gente faz.
16:58Mas você prefere.
16:59O Juqueri, para quem não conhece o Juqueri, os velhos sabem o que é o Juqueri.
17:04Você levava o cara com o endereço pendurado.
17:08Mas você está falando bem.
17:10Porque o cara vai e fala...
17:11Tudo bem?
17:12Como é que você está?
17:12Você não...
17:13Você está louco.
17:14O cara é maluco.
17:15O cara é maluco.
17:16Para a psiquiatria, quem usa inteligência artificial, fuja.
17:20Porque deve ser...
17:22Está vendo, Sam?
17:22Aquilo que a gente costuma chamar, com todo respeito, de imbecil.
17:27Com todo respeito, por quê?
17:29Vem de in, que é negação, e bacilum, que é bastão.
17:33E imbacilum é o que não tem o bastão, que não tem o apoio do bom senso.
17:38Então, é um psiquiatra imbecil.
17:40Os bons psiquiatras...
17:41O Dr. Guido, o Dr. Guido, um ótimo...
17:44O Isaac Efraim, grande psiquiatra também.
17:48Nós temos excelentes psiquiatras, caras bons, bons e bom papo, e cara que entende o ser humano,
17:55entende os problemas.
17:56Tem conhecimento.
17:57O senhor tem quanto tempo de...
18:00Nossa, eu já estou com...
18:02Eu costumo falar que eu tenho 150 anos de especialidade.
18:07De especialidade.
18:07Eu estou formado há 50 anos.
18:10Mas é de manhã, de tarde, de noite, ininterrupto, então são 150 anos de...
18:16Mas enfim...
18:17Mas tem muito psiquiatra bom, psiquiatras novos e bons.
18:21Que estudam a mente, né?
18:23Agora, aquele comportamento de manada, de gado marcado, que é...
18:28Tudo segue, é tudo...
18:31Está o diagnóstico, burnout, isso e aquilo.
18:34Põe a inteligência artificial.
18:36Quem usa inteligência artificial em psiquiatria é imbecil.
18:40Não há outra forma.
18:42Mas não é do profissional que a gente está falando apenas, né?
18:45Existem grandes profissionais na psiquiatria.
18:48Não, sim, sem dúvida.
18:49Mas a nossa cabeça leva a gente para lugares inimagináveis, né?
18:53Graças a Deus.
18:54Não, isso que é bom, né?
18:55Mas ao mesmo tempo a gente tem um pensamento, às vezes, que repete pelo pessimismo, pela tristeza.
19:01Existe você conversar com a sua própria cabeça, a autoanálise?
19:05Mas quem não tem...
19:07A tristeza, a ansiedade...
19:09Se você não tiver ansiedade, você está perdido.
19:13Porque a ansiedade é uma defesa.
19:15Lógico.
19:15Se você não tiver receio, por exemplo...
19:19Se você não tiver medo de altura, você é capaz de chegar na ponte e cair.
19:24Ele te protege.
19:25Protege.
19:26Faz parte dos mecanismos do ser humano.
19:29Do psiquismo humano normal, natural.
19:32Você ter um relacionamento afetivo que não deu certo e você ficar triste, deprimido, é absolutamente normal.
19:41Não, doutor, não é frustração.
19:43Você tem que lidar com...
19:44É normal, mas...
19:45É normal, mas...
19:46Você pode ficar feliz se você brigar com a sua namorada ou com a sua esposa?
19:50Claro que não.
19:51Óbvio.
19:52Agora, calma.
19:53Isso faz parte da natureza humana.
19:56É, e precisa ter o equilíbrio, né?
19:58Então não é ir...
19:58Vai no psiquiatra e quantas vezes você ficou triste e tal.
20:01Aí aperta o botão, te sai antidepressivo para você ficar tomando por resto da sua vida.
20:05Sem dúvida, mas tem coisa que é química.
20:08Mas enfim, é uma longa jornada.
20:09O remédio funciona e é ótimo para quem precisa, para doentes mentais verdadeiros.
20:19Essas ditas perturbações da saúde mental, que são apenas perturbações normais e naturais, às vezes reativas a determinadas vivências, aí não.
20:30Porque, veja, se você tem uma depressão endógena, que vem da noite do nada, aí você precisa de remédio.
20:37Agora, depressão reativa, não.
20:39Com gatilho, você está falando.
20:40Com gatilho.
20:42Reativa a isso, aquilo, a uma vivência dolorosa, calma.
20:46É, mas aí a pessoa precisa aceitar, né, doutor?
20:49Isso.
20:50A pessoa precisa aceitar, porque não volta para trás.
20:52Se eu for num psiquiatra e conversar olho no olho, olho no olho, ele certamente vai te abrir perspectivas para você lidar com aquilo.
21:01E uma hora você sai.
21:02É, porque o psiquiatra, ele chega para você e fala, isso aí não tem como, porque já foi.
21:07O que já foi...
21:08Pois é, pode ser que seja essa a resposta ideal para aquela sua vivência dolorosa, por exemplo.
21:14Claro, claro.
21:15Porque as pessoas não querem mais ter nada doloroso.
21:18É verdade.
21:19Só querem ter...
21:19Entenda a preocupação.
21:20Então, o cara não quer entrar em contato com a dor, né?
21:23É um remedinho.
21:23A pessoa não quer ter enfrentamento, que vocês estão falando.
21:25Não quer ter enfrentamento.
21:26É isso aí.
21:27E ao mesmo tempo, corta um caminho.
21:29Se corta um caminho.
21:30Então, muita gente que corta o caminho.
21:31Mas a vida não está nem aí para nós.
21:33Você acha que a vida é boazinha para você?
21:35Não, você acha que você está na caneta.
21:36É só lá na Disney.
21:37Só.
21:38Nessa romantização da...
21:39Zuzu.
21:40Zuzu gosta.
21:41E o meu pai é psiquiatra, né?
21:42Aliás, hoje é aniversário do Samuca.
21:44Ah, é, seu pai é psiquiatra?
21:45Doutor Samuca?
21:46Samuel Gendler.
21:47Doutor Samuca, minha mãe é psicóloga, por isso eu tenho essa...
21:50Esse traço da psicopatia.
21:53Por isso você vê que ele é um cara bem da cabeça.
21:55Você vê, mas aqui não tem o normal, né, doutor?
21:57Se a gente der uma analisada, aí para a esquerda...
21:58Você sabe que hoje eu acredito muito nos psicólogos.
22:02Você acredita?
22:02Ah, sim.
22:03Porque os psicólogos, eles ainda analisam o psiquismo.
22:09Perfeito.
22:09A psiquiatria está muito medicamentada.
22:11Claro que tem grandes psiquiatras, entre eles o seu pai.
22:14Tem grandes psiquiatras.
22:16Tem, óbvio.
22:17Mas a gente tem uma proliferação imensa de faculdades de medicina.
22:22Uma abrindo em cada esquina.
22:25A ausência de residência médica.
22:30Então é complicado.
22:31É, mas eu...
22:32Falando sobre medicamento...
22:32É que o psiquiatra tem que ser meio loucão.
22:37Tem que gostar da loucura.
22:39O psiquiatra, o psiquiatra, o psiquiatra bom...
22:42Dá um beijo na loucura.
22:43Não é, é porque o cara, porque o cara, ele trabalha com a mente.
22:47E a nossa mente, ela é complicada.
22:50Não é, doutor?
22:51Ela é complicada.
22:52A primeira vez que eu me deparei com a loucura, eu pensei que eu pudesse ficar louco.
23:01É uma coisa...
23:02Para mim era incompreensível tudo aquilo.
23:05A loucura.
23:06Depois é que eu fui para o hospital de Juquiri.
23:08Sim.
23:09Trabalhou.
23:09Fiquei lá 15 anos para aprender o que era loucura.
23:13E aprendi, sabe com quem?
23:14Com os loucos.
23:15Eles que me ensinaram.
23:17Existe a coisa.
23:17Olha, é um prazer receber aqui o doutor.
23:21Vou passar o Instagram do doutor Guido Palomba.
23:23Ele sempre vem aqui.
23:24Sempre é um papo muito gostoso com o doutor Guido.
23:27Conhece tudo e mais um pouco.
23:29Você pode entrar no Instagram aí do doutor Guido Palomba e seguir.
23:32Obrigado, doutor Guido Palomba.
23:34Muito obrigado.
23:34Sempre é muito bom esse papo aqui.
23:36Muito obrigado.
23:36É um ótimo prazer estar com vocês.
23:38Muito prazer.
23:39Depois fala com o Samy.
23:39Vamos fazer...
23:40Vai falar com o Samy, que agora o Samy quer fazer análise no GPT.
23:44Uma lobotomia.
23:45É.
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