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  • há 1 ano

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Transcrição
00:00Me conta uma coisa, quando bate aquela fome assim, você prefere um sanduíche, uma coxinha ou uma pizza?
00:08Olha se você tá no Recife e bateu aquela fome à noite, de madrugada, todo mundo já sabe pra onde ir.
00:15Gil do Lanches, o dono dos lanches mais famosos da capital pernambucana.
00:20Tanto é que ele se transformou numa figura do povo. Vamos saber por quê? Vem comigo!
00:30Gildo Lanches, que prazer enorme conhecer o senhor, viu?
00:45Tá bem.
00:46Gildo, você é uma grande figura do povo.
00:50Quem não lhe conhece pessoalmente, mas já ouviu falar de você.
00:53Então como é que você se sente sendo essa figuraça do povo?
00:56Eu me sinto realizado, né?
01:02De tudo que eu comecei, de bicicleta, coisa acontecendo.
01:06E eu, Deus me dando a inteligência e foquei, né?
01:10Fidelizei o cliente, que é o mais importante.
01:13Agora no seu primeiro dia, vendendo lanche, quanto o senhor vendeu?
01:17Foi um desastre, só vendeu uma coxinha.
01:19Parei na frente internacional.
01:22Aí eu vigia, ei, é lanche? Eu digo, é.
01:25Aí parei, aí vendi uma coxinha a ele, só que uma coxinha, ele deu cem reais, eu não tinha troco.
01:30Eita, Danice.
01:31E eu disse, depois o senhor dá, eu tô começando agora, comecei sem troco.
01:36E depois o senhor dá.
01:37Romildo, ele é cliente até hoje mesmo.
01:39É, ele foi parte da minha história.
01:41A história começou com o seu Gildo Lanches, na bicicleta, rodando esse finteiro como a gente tá acompanhando aqui.
01:48E de lá pra cá, já se passaram mais de vinte anos com ele, vendendo os lanches.
01:54Nesses vinte anos, claro que ele fez muitos amigos, conhece muita gente, conhece muito lugar.
01:59De cabeça, não precisa de GPS pra nada, né?
02:01Não, não, não.
02:02Agora, tem uns baldões também, né?
02:06Ah, tem uns baldões.
02:07Vamos saber como é que surgiu, né?
02:08Por exemplo, ele sempre fala assim, um comido, um bebido.
02:13E o fecha, né?
02:13E o fecha.
02:14O que é um comido, um bebido e um fecha?
02:16É porque no início eram dois lanches, o bebido que era o suco, o refrigerante, e a sobremesa, fechava dez.
02:25Eu não ganhava na sobremesa, mas ganhava no lanche de sobremesa, porque evitava troco.
02:29Muita gente, eu sozinho comecei, e a moeda era fundo de caixa, aí não tinha troco.
02:34Aí você dava, por exemplo, oito reais, eu já fechava com a natinha, entendeu?
02:39Aí fechava dez.
02:40Então, foi uma forma que eu procurei, de atuar o cliente.
02:44E esse é um lanche vendido a toda categoria, toda classe, né?
02:48A B e C.
02:49Então, todos lançavam comigo, frandelinha, vendedor de fruta.
02:53Então, foi uma forma de ser mais rápido.
02:55Dois comidos, um bebido, eu fecho.
02:56E o fecha, dez reais, pronto, matou.
02:58Hoje a gente viu uma variedade, assim, pizza, né?
03:01Tem bolo também, muitos doces.
03:03E tem temac.
03:05Temac é uma comida oriental, mas o senhor inventou a nossa versão.
03:09Foi sim, tem alguma coisa diferente, né?
03:11E o senhor, a vegana, chegava aqui, tudo.
03:15Aí eu, de repente, eu digo, não, vou botar uma comida, alguma coisa oriental.
03:19E a gente botou o temac.
03:21Temac de quê?
03:22Temac, aí começou com o temac de frango e o de salmão.
03:25Aí depois veio o de chá, depois veio carne, né?
03:28E veio outros.
03:29Essa versão aqui do temac de frango, do Gil do Lanches, temac de frango, parabéns.
03:43Muito bom.
03:44Muito bom.
03:45Agora, gente, seu Gil do Lanches, ele começou sozinho na bicicleta, mas o negócio foi crescendo
03:52tanto que o senhor começou a contratar pessoas também em bicicleta.
03:56O PSL foi sargento Garcia, né?
04:00Era muita gente ao redor, tem uma hora quando eu estava dentro mais da conta.
04:04E o tio dele, que era meu fornecedor, é lá daqui do Beraldo, disse, eu tenho um sobrinho
04:12que está desempregado.
04:14Você vai chamar ele de sargento Garcia, para me ajudar pelo menos dando um suco, né?
04:18Como é que foi o início?
04:19O início foi difícil.
04:21A pegar, acostumar, a bicicleta, eu e ele.
04:24A gente tinha um suco, depois eu ia te enviar ele, ele tinha despaixão, aí continuou.
04:30Mas e hoje, como está?
04:31Hoje melhorou.
04:32Antes era mais ralado, agora melhorou, sustenturado.
04:35Era na praça ali, agora tinha lugar para sentar, por exemplo.
04:39A pandemia também foi uma virada de chave para Gil do Lanches.
04:44Por quê?
04:44Porque ele estava na bicicleta, a gente viveu um período de isolamento, a gente não podia
04:49sair na rua.
04:49e o senhor conseguiu alugar esse espaço que hoje fica aqui no Défilo.
04:55Consegui, é uma coisa sendo de Deus, uma coisa que eu vendia lanche ali, né?
04:59Dando as fichas, vendendo.
05:01E eu lembro dessa casa, que essa casa era uma clínica, do Dr. Jabas, um dos bom médicos
05:07de Recife, e ele se aposentou.
05:10E meu filho, a esposa dele, até hoje, trabalha nessa clínica.
05:15Então, eu tive contato com eles e, de repente, surgiu de me alugar.
05:20E ele sabia também, via a história também, né?
05:22E eu na praça.
05:23E engraçado que eu na praça olhava para essa casa.
05:26Seu Júlio, o que o senhor pode dizer para quem está nos vendo?
05:28Porque a gente sabe que o trabalho é muito, não é fácil empreender, né?
05:33Mas o senhor está mostrando aqui, com muito trabalho e dedicação, dá para conseguir.
05:37Então, o que o senhor pode dizer para as pessoas?
05:38Exatamente, gente.
05:40Tem que começar devagarzinho, certo?
05:42Conquistando, ser humilde, compreender, ser compreendido.
05:48Procurar compreender o cliente, né?
05:52Manter sempre qualidade, né?
05:54E tem que gostar.
05:56Se não gostar, dá errado.
05:57E não abraçar de uma vez.
06:00Tem que ser devagarzinho, aos poucos.
06:02Entendeu?
06:03É isso.
06:04E não desista, certo?
06:05Um abraço para todos.
06:07E arrasta para cima.
06:10Seu Júlio, obrigada.
06:11Eu vi um prazer ele conhecer.
06:13Bem, esse é seu Júlio do Lanches, nossa figura do povo de hoje.
06:17Tchau.
06:18Tchau.
06:19Tchau.
06:20Tchau.
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