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NotíciasTranscrição
00:00Wilson, o 7 de setembro foi uma data bastante movimentada, em alguns anos, até mesmo tensa, ao longo do governo Bolsonaro.
00:12Esse clima de expectativa, ele se repete agora no 7 de setembro deste 2023?
00:21Greve, a gente precisa fazer uma separação sobre o 7 de setembro durante os quatro anos de governo Jair Bolsonaro e desse primeiro ano do governo Lula.
00:33Mais uma vez, boa noite para você, boa noite para o chat.
00:38Há um clima de apreensão em relação a tudo que pode acontecer no 7 de setembro, mas não é aquele clima abélico dos anos anteriores, sabe, Greve?
00:47Porque há uma concepção, principalmente dentro das Forças Armadas, de que agora é o momento da caserna submergir, é o momento de os militares deixarem de ser protagonistas.
01:03Então, esse sentimento que foi instituído a partir da posse do general Tomás Paiva, ele tem tomado corpo ali nas Forças Armadas.
01:13Hoje, inclusive, eu estava conversando com alguns integrantes do Exército e eles me falavam justamente isso.
01:19A pergunta que se faz nesse momento é, vai ser um 7 de setembro tranquilo?
01:25Pelo menos é o que se espera.
01:27Há, óbvio, que há um alerta em relação a ABIN.
01:31A ABIN já disparou alertas para identificar eventuais movimentos golpistas, eventuais protestos.
01:38Há um alerta dentro da Polícia Federal também para identificar eventuais protestos, manifestações que possam ser ocasionadas ali por integrantes do bolsonarismo, por militantes ligados ao ex-presidente da República.
01:55Agora, só que há também um sentimento de que não dá para você comparar o 7 de setembro de 2022 com, por exemplo, o 8 de janeiro mínimo.
02:05O 7 de setembro de 2023 com o 8 de janeiro de 2023.
02:11É uma situação completamente diferente.
02:14O que se tem é vários alertas, temos aí vários alertas, vários pedidos de monitoramento por parte das polícias militares, por parte da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal,
02:28para que não ocorra justamente o que aconteceu em 8 de janeiro.
02:32E mesmo que se imagine ali numa situação muito extrema de que ocorra algum ato parecido com o do 8 de janeiro, com depredações, protestos,
02:47o que se fala hoje, Graebi, é que nada, nada chega nem perto.
02:52Lógico que existe uma animosidade, mas não chega nem perto do que a gente viu no final do ano passado ou no início do ano.
03:00Foi, Graebi, acho que você estava falando.
03:03Existe, e a gente tem observado isso, até mesmo uma certa irritação do grupo que era mais exaltado no bolsonarismo com os militares.
03:17O desejo seria até o de demonstrar uma certa frustração, um certo desapontamento com o fato de os militares não terem embarcado numa aventura em 8 de janeiro.
03:35Você disse que conversou com os militares, esse tipo de manifestação de bolsonaristas frustrados, vamos dizer assim,
03:46reclamando porque os militares não agiram, seriam melancias, verdes por fora, vermelhos por dentro,
03:53a gíria que se viu bastante utilizada.
03:57Isso aí está incomodando as Forças Armadas em Brasília?
04:02Ainda incomoda, Graebi.
04:07Ali na caserna, alguns generais e coronéis falam basicamente o seguinte,
04:12que nesse momento é hora de falar com o público interno.
04:16O que ele chamou de público interno?
04:18O Exército tem ali quatro linhas de atuação, de quatro públicos distintos que eles identificaram,
04:24que seriam alguns grupos em que eles precisariam conversar um pouco mais.
04:29Só que desses quatro grupos, dois são considerados inéditos.
04:34Então, vamos lá, vou citar aqui os grupos.
04:36Um são os militantes de esquerda.
04:39Eu estou falando que é o pessoal um pouco mais exaltado.
04:42O segundo grupo é a população como um todo.
04:47Então, o que o Exército achou?
04:49Acho que é uma questão que para o Exército está um pouco mais contornada.
04:52No caso dos militantes de esquerda, a Força também tem um sentimento de que não.
04:59Eles já conseguem conversar com esse militante de esquerda,
05:02porque de fato é uma força, de fato é uma categoria que nunca teve muito apreço pelos militares.
05:12E aí sobram duas forças, dois públicos, que são os integrantes da extrema-direita.
05:19Isso eu achei interessante, Graeb, porque conversando com alguns coronéis da ativa,
05:26eles utilizaram esta expressão, militantes de extrema-direita.
05:31Isso me chamou muita atenção, sabe?
05:33Porque até no passado não se utilizava essa expressão nos quartéis.
05:37Você falava de militantes ligados ao ex-presidente da República,
05:40mas não se utilizava a expressão extrema-direita para fazer essa alusão a esse integrante, a esse militante.
05:48Então, é um público e o outro público é o público dos generais, dos integrantes da reserva do Exército,
05:57que ainda demonstram ali nos corredores das Forças Armadas um descontentamento em relação à posse do presidente Lula.
06:06Só que aí que vem um ponto, né, Graeb?
06:08Há um sentimento interno ali nas Forças Armadas de que o Exército, ele é uma força de apoio, de sustentação da democracia.
06:18Ele não é um poder moderador.
06:20Essa foi outra questão que também me chamou a atenção, sabe?
06:23Porque eles não incorporaram o discurso de que os exércicos, as Forças Armadas, né,
06:29são poder moderador de acordo com aquele artigo 142 da Constituição.
06:33Eles partem da premissa de que eles são uma força auxiliar do poder executivo, né,
06:39e que como força auxiliar do poder executivo, eles têm a função de preservar os princípios democráticos.
06:45Então, é esse o clima de tentar trazer, de tentar mostrar para esse militante que é apoiador do ex-presidente da República,
06:55que o Brasil vive um outro momento.
06:58Não é um momento de golpismo, de que, olha, você pode até ter sua insatisfação com a eleição do Lula,
07:03mas não cabe ao Exército puxar uma espada e chegar na porta do Palácio do Planalto e fazer um movimento golpista.
07:11Isso, né, isso, na verdade, não tem o menor cabimento.
07:15E esse 7 de setembro, Grebe, em termos de símbolos, o que a gente conseguiu identificar é que
07:22as Forças Armadas vão partir desses símbolos, né, junto com o governo federal,
07:27de que você tem um momento de que as Forças Armadas, que o Exército, são forças auxiliares
07:33e que é preciso você trabalhar para a preservação da democracia.
07:37Não é um momento de luta, não é um momento de briga, não cabe ao Exército entrar na disputa política,
07:43não cabe aos militares entrarem em disputas políticas, né.
07:47Então, essa é a mensagem que, no geral, as Forças Armadas querem passar no 7 de setembro
07:53e essa preocupação com eventuais protestos ou manifestações fazem parte desse contexto, né,
08:00um contexto de que é preciso ter paz nesse momento, né.
08:04Seria um 7 de setembro da pacificação, então, pelo menos aí nos desejos,
08:10e ter um forte monitoramento para ver se nada que esteja fora do radar
08:15acaba surpreendendo militares e o país, né, no próprio feriado.
08:24Marcelo?
08:24Tem esse caráter mais didático, né, o 7 de setembro realmente em busca da pacificação,
08:31eu acho que mais do que pacificação, Greb, eu acho que é um 7 de setembro
08:33que busca posicionar as Forças Armadas para o local de onde elas nunca deveriam ter saído, né,
08:41que são forças auxiliares do Poder Executivo, Legislativo e Judiciário.
08:45Então, eu senti muito essa preocupação, sabe, Greb, de você tentar ao máximo mostrar para o público,
08:52em geral, que as Forças Armadas estão aqui, não estão aqui para fazer política, né,
08:59estão aqui para manter a ordem, né, só que manter a ordem é uma coisa,
09:02fazer política é outra coisa completamente diferente.
09:05Perfeito.
09:06Marcelo, você está aí no Rio de Janeiro, que foi palco aí de algumas das maiores manifestações
09:15do ex-presidente Bolsonaro, né, teve realmente alguns momentos em que o Rio,
09:24que foi o palco principal, está sentindo alguma coisa no ar aí para esse 7 de setembro?
09:31Olha, fora o calor senegalesco e extemporâneo que estamos vivendo aqui,
09:37é uma coisa inacreditável, eu não estou sentindo nenhum ambiente propício
09:42para esse tipo de manifestação, Greb.
09:44Eu acho, inclusive, estamos completando o docentésimo primeiro aniversário
09:50da fundação do nosso país, da nossa nação.
09:54Então, será que não é chegada a hora de se despolitizar e desmilitarizar
10:00a data em que se comemora a fundação do Brasil?
10:06O Brasil que não é dos militares, que não é dos paisanos, que não é da esquerda,
10:10que não é da direita, dos bolsonaristas, dos lulistas,
10:14o Brasil que é de todos, todas, essa imensa nação brasileira,
10:20que, inclusive, ano passado, não teve o direito de celebrar uma data redonda,
10:26200 anos da nossa independência, do nascimento da nação brasileira.
10:34Então, é uma coisa que já acontece por século seculorum,
10:38que é essa politização dessa celebração e a militarização,
10:46com sempre aquela parada militar, essa coisa toda.
10:51Tudo bem, não vamos proibir também chegar a esse ponto de proibir os militares
10:59de comemorar, da sua maneira, essa data tão importante.
11:03Mas não vamos fazer disso o centro das comemorações.
11:09Eu acho que o que a gente tem de mais rico, o Graeb, para celebrar é a nossa cultura.
11:14E jamais, ano passado, então, nem se pensou em celebrar 200 anos de Brasil,
11:22agora vamos celebrar 201 anos de Brasil, com festa, com alegria,
11:30indo para as ruas, não para brigar, para fazer discurso um contra o outro,
11:35ou exibição de força e de violência.
11:39Então, eu acho que vamos para a rua, vamos fazer bailes nas ruas,
11:43vamos celebrar a nossa cultura tão rica, na música, no cinema,
11:47nas artes plásticas, no teatro, vamos comemorar.
11:50Ninguém não passa pela cabeça das nossas lideranças em um momento
11:55que essa data não pertence, não pertence aos militares,
12:00ela pertence a todos os brasileiros.
12:03Para mim, é uma coisa absolutamente estranha,
12:06é pertinente o que vocês estão colocando, é o fato, é a realidade,
12:11mas isso é tão longe, é tão longe do que deveria ser uma celebração,
12:18é como se você fosse comemorar o aniversário com uma briga em família.
12:23Vamos reunir a família amanhã.
12:27Perdão.
12:28Em vez de bater palmas para o Uraerbe,
12:33vamos todos sair na porrada.
12:36Nossa cultura não sai da porrada.
12:39Não faz o menor sentido.
12:58Não faz o menor sentido.
12:59Não faz o menor sentido.
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13:00Não faz o menor sentido.
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