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  • há 7 meses
Em carta enviada à Unesco, Lula defendeu um esforço global na regulação das redes sociais, por ocasião da primeira Conferência Global da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura -- cujo o tema é "Por uma internet confiável".
A regulação das mídias é uma obsessão de Lula e do PT e ganhou força após o 8 de janeiro. A discussão em torno da restrição do conteúdo, porém, resvala na liberdade de expressão. Leia mais em reportagem da Crusoé.

Veja a carta na íntegra:

À Sua Excelência a Senhora
Audrey Azoulay
Diretora-Geral da UNESCO

Senhora Diretora-Geral,

Gostaria de agradecê-la pelo convite para participar da Conferência Global da UNESCO que será realizada em Paris entre os dias 22 e 23 de fevereiro de 2023.

As plataformas digitais, em suas diferentes modalidades, são parte fundamental de nosso dia-a-dia. Elas definem a maneira como nos comunicamos, como nos relacionamos e como consumimos produtos e serviços. O desenvolvimento da internet trouxe resultados extraordinários para a economia global e para nossas sociedades. As plataformas ajudam a promover e difundir o conhecimento. Facilitam o comércio. Aumentam a produtividade. Ampliam a oferta de serviços e a circulação de informações.

Esses benefícios, no entanto, estão distribuídos de maneira desproporcional entre as pessoas de diferentes níveis de renda, ampliando a desigualdade social. O ambiente digital acarretou a concentração de mercado e de poder nas mãos de poucas empresas e países. Trouxe, também, riscos à democracia. Riscos à convivência civilizada entre as pessoas. Riscos à saúde pública. A disseminação de desinformação durante a pandemia contribuiu para milhares de mortes. Os discursos de ódio fazem vítimas todos os dias. E os mais atingidos são os setores mais vulneráveis de nossas sociedades.

O mundo todo testemunhou o ataque de extremistas às sedes dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário do Brasil no último 8 de janeiro. Ao fim do dia, a democracia brasileira venceu e saiu ainda mais forte. Mas nunca deixaremos de nos indignar com as cenas de barbárie daquele domingo.

O que ocorreu naquele dia foi o ápice de uma campanha, iniciada muito antes, que usava, como munição, a mentira e a desinformação. E tinha, como alvos, a democracia e a credibilidade das instituições brasileiras. Em grande medida, essa campanha foi gestada, organizada e difundida por meio das diversas plataformas digitais e aplicativos de mensagens. Repetiu o mesmo método que já tinha gerado atos de violência em outros lugares do mundo. Isso tem que parar.

A comunidade internacional precisa, desde já, trabalhar para dar respostas efetivas a essa questão desafiadora de nosso tempo. Precisamos de equilíbrio. De um lado, é necessário garantir o exercício da liberdade de expressão individual, que é um direito humano fundamental. De outro lado, precisamos assegurar um direito coletivo: o direito de a sociedade receber informações confiáveis, e não a mentira e a desinformação.

Também não podemos permitir que a integridade de nossas democracias seja afetada pelas decisões de alguns poucos atores que hoje controlam as plataformas. A regulação deverá garantir o exercício de direitos individuais e coletivos. Deverá corrigir as distorções de um modelo de negócios que gera lucros explorando os dados pessoais dos usuários. Para ser eficiente, a regulação das plataformas deve ser elaborada com transparência e muita participação social. E no plano internacional deve ser coordenada multilateralmente. O processo lançado na UNESCO, tenho certeza, servirá para construção de um diálogo plural e transparente. Um processo que envolva governos, especialistas e sociedade civil.

Ao mesmo tempo, devemos trabalhar para reduzir o fosso digital e promover a autonomia dos países em desenvolvimento nessa área. Precisamos garantir o acesso à internet para todos, fomentar a educação e as habilidades necessárias para uma inserção ativa e consciente de nossos cidadãos no mundo digital. Países em desenvolvimento devem ser capazes de atuar de forma soberana na moderna economia de dados, como agentes e não apenas como exportadores de dados ou consumidores passivos dos conteúdos.

Esta conferência na UNESCO é o início de nosso debate, e não seu ponto final. Estou certo de que o Brasil poderá contribuir de forma significativa para a construção de um ambiente digital mais justo e equilibrado, baseado em estruturas de governança transparentes e democráticas.

Aproveito a oportunidade para aprese

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Transcrição
00:00Vamos agora para a política
00:01e eu vou aqui com uma notícia,
00:04com uma nota aqui que nós demos,
00:05uma matériazinha,
00:06falando então sobre
00:07Lula defende regulação das redes sociais
00:10em carta para o Unesco
00:12e eu vou provocar aqui
00:13o pessoal que está acompanhando a gente.
00:16Regulação das redes sociais.
00:19É censura ou não?
00:21O que você acha, Duda?
00:24Eu acho que o PT e o Lula,
00:28o que eles querem, na verdade,
00:29é realmente censurar
00:31ou induzir os jornalistas
00:34à autocensura.
00:37Essa questão aí da cartinha
00:39que ele mandou para a Unesco
00:40fala ali, acho que uns três momentos
00:44de regulação das redes sociais.
00:48A Unesco não vai fazer nada
00:50em relação a isso, tá?
00:51Não vai decidir uma norma mundial.
00:56A cartinha fala uma coisa dessa, né?
00:58de um esforço internacional para...
01:02Não tem nada disso.
01:04Agora, o Lula, sim,
01:05está numa guerra interna
01:08em que o governo dele
01:10adotou várias medidas
01:12e criou procuradorias
01:15e grupos diversos
01:17com esse objetivo final
01:19de controlar as redes sociais.
01:22E o Lula quer ter o carimbo da Unesco.
01:25Só de mandar a cartinha
01:27e a cartinha ser lida
01:29lá nessa reunião que vai ter na Unesco,
01:32ele já consegue esse carimbo.
01:35Mas, no fim, é só para dar
01:36um vernizinho aí de internacional
01:39para um desejo antigo dele aí,
01:42que é realmente controlar
01:44a imprensa, né?
01:46E evitar críticas.
01:50Duda, deixa eu aqui.
01:51Agora, eu vou fazer uma provocação
01:52aqui com você.
01:52A questão da regulação
01:53das redes sociais,
01:55Lula diz, né?
01:56Que seria, então,
01:57uma medida aí
01:58para a gente combater
01:59as fake news,
02:00a desinformação.
02:02De que forma você acha
02:03que a gente conseguiria, então,
02:05combater a desinformação
02:07nas redes sociais?
02:08Tão nociva.
02:09A gente vê isso acontecendo
02:10desde 2016.
02:12A gente tem ali,
02:13no auge lá das eleições
02:15nos Estados Unidos.
02:16Nós tivemos aí
02:17o que foi
02:18ou como operaram
02:19as fake news
02:21e a desinformação.
02:23Como é que a gente, então,
02:24trata disso
02:26sem que seja necessária
02:28a regulação da mídia?
02:30Então,
02:31eu acho que o primeiro passo,
02:32Vanessa,
02:33é entender que
02:34a desinformação
02:36vai acontecer.
02:37Ela é uma realidade.
02:41É impossível você controlar
02:42o que está todo mundo
02:44colocando nas redes sociais,
02:46no YouTube
02:47e verificar
02:48a autenticidade
02:51de cada uma dessas coisas.
02:54E se você cria
02:55um organismo
02:57dentro do governo
02:59para dizer
02:59o que é verdadeiro,
03:01o que é falso,
03:02aí, na verdade,
03:02você cria um outro problema
03:04que é a censura
03:05e a perseguição
03:07e tudo mais.
03:08Então,
03:08acho que seria
03:09mais interessante,
03:11Vanessa,
03:11entender que
03:13a desinformação
03:14existe,
03:16esses conteúdos
03:17estão aí.
03:18O que o governo
03:19pode fazer?
03:20Primeiro é
03:21ajudar as pessoas
03:22a entenderem,
03:25a prevenirem,
03:27a buscar
03:28a fonte
03:29das informações.
03:31É uma questão
03:32que passa um pouco
03:32pela educação
03:33e que já é
03:37muito eficiente.
03:38se você calcular
03:40a quantidade
03:41de desinformação
03:42que teve
03:42na última eleição
03:43presidencial
03:44foi gigantesca.
03:46Mas muitas pessoas
03:47não foram contaminadas
03:49por isso
03:49e nem mudaram
03:50a opinião.
03:51Acho que a gente
03:52teve um episódio
03:53entre os evangélicos
03:56que o Bolsonaro
03:58conseguiu cativar
03:59com aquela história
04:00de que o Lula
04:00ia fechar a igreja
04:01e tudo mais.
04:02esse, por exemplo,
04:03pode ser um público
04:04que pode ser objeto
04:07de campanhas
04:08de informação.
04:11Aí também
04:11vai das pessoas
04:12quererem participar disso,
04:14mas o que o governo
04:16pode fazer
04:16é mais nessa linha
04:17de educar as pessoas
04:19para identificar
04:20essas informações falsas
04:21em vez de querer
04:23controlar
04:23tudo que é publicado
04:25porque isso é inviável,
04:27é impossível
04:28e ainda pode dar margem
04:30a um organismo
04:31de censura
04:33governamental.
04:35A gente teve hoje
04:36o ministro do STF
04:37Luiz Roberto Barroso
04:39afirmando que é
04:40relativamente fácil
04:42distinguir o que é
04:43uma opinião
04:44de um crime.
04:44Falando justamente
04:45sobre essas opiniões
04:46que circulam
04:47essas publicações
04:48nas redes sociais,
04:50está aí olhando a tela,
04:52é relativamente fácil
04:53distinguir o que é
04:54uma opinião
04:54do que é um crime.
04:55O magistrado
04:56afirmou que não há problemas
04:58em fazer queixas políticas,
05:00mas destacou
05:01que ameaçar ministros
05:02por exemplo
05:02é crime
05:03e ele fala também
05:04na questão da desinformação.
05:06Ele fala logo
05:07aqui embaixo
05:08o magistrado
05:09também falou
05:10sobre o combate
05:11à desinformação
05:11na internet
05:12e citou exemplos
05:13relacionados
05:14à pandemia
05:15e às eleições.
05:16Se alguém
05:17disser na internet
05:18que querosene
05:19é bom
05:20para curar
05:20a Covid
05:21essa não é
05:22uma desinformação
05:24neutra ou ingênua.
05:25Ela pode matar
05:26pessoas.
05:27Eu entendo
05:28que em situações
05:28concretas
05:29pode haver
05:30dificuldade
05:30de determinar
05:31o certo
05:32ou não,
05:33mas para isso
05:34existe o poder
05:35judiciário
05:36para fazer uma
05:37ponderação
05:37das circunstâncias
05:38em jogo.
05:39Você não pode,
05:40por exemplo,
05:40dizer
05:41eu tenho prova
05:42de que houve fraude
05:43nas eleições
05:43se não tiver.
05:45A naturalização
05:45da mentira
05:46não é algo
05:47aceitável
05:48em uma sociedade
05:48civilizada
05:49e não pode ser
05:50uma estratégia
05:51política,
05:52afirmou Barroso.
05:53Então aí
05:54a gente entra
05:54nessa discussão
05:55da questão
05:56da educação
05:57e das pessoas
05:58entenderem
06:00que a desinformação
06:01não é uma
06:02mera mentira.
06:04A desinformação
06:05é milimetricamente
06:07calculada
06:07para atingir
06:08um objetivo.
06:09Ela não é
06:10liberdade de expressão.
06:13A desinformação
06:14é toda montada
06:16utilizando elementos
06:18que são verdadeiros.
06:20ela é distorcida
06:21e ela tem sempre
06:22um objetivo.
06:22O objetivo
06:23nunca é muito
06:24bom, né?
06:26Mas eu queria saber
06:27do Wilson
06:27a opinião dele
06:29sobre essa questão
06:29da regulação
06:30das mídias.
06:31O Wilson,
06:31o que você acha?
06:34Então, Vanessa,
06:35eu concordo contigo,
06:37mas assim,
06:38como a gente
06:39sempre aqui faz um...
06:41A gente sempre
06:41conversa aqui
06:42nos bastidores,
06:43eu gosto
06:43de sempre fazer
06:43uma...
06:46Queria fazer aqui
06:47só um parêntese
06:49e colocar
06:49uma vírgula.
06:51Eu tenho um pouco
06:52de dificuldade
06:53sobre essa história
06:53de regulação,
06:56de fake news,
06:57o que não é
06:57fake news e tal,
06:58porque tem uma questão
07:00que é o dolo, né?
07:02E, assim,
07:03eu preciso ter elementos
07:04que me comprovem
07:05o dolo, né?
07:08Parafraseando
07:08Milor Fernandes, né?
07:11Errar é humano
07:13e ser apanhado
07:14em flagrante
07:14é burrice, sabe?
07:15Então, assim,
07:17às vezes tem algumas...
07:18algumas peças
07:20de desinformação
07:21que não necessariamente
07:22tem um dolo,
07:23mas é simplesmente
07:24fruto da ignorância, né?
07:25O chat aqui,
07:26inclusive,
07:26alguém falou
07:27sobre educação.
07:29Então,
07:30tem um pouco disso,
07:31sabe, Vanessa?
07:31Eu tenho um pouco
07:32de dificuldade
07:32porque entra um pouco
07:33também na questão do dolo.
07:34Quando você...
07:35Acho que você precisa...
07:36Para você punir
07:37e entrar com uma ação estatal,
07:39você precisa necessariamente
07:41configurar um dolo.
07:42Aí, beleza,
07:42você tem um crime
07:43e aí realmente
07:43é ponto pacífico.
07:44Acho que a gente
07:45não tem nem o que
07:45se discutir nesse aspecto.
07:46Só que tem muito caso
07:48que tem muita burrice
07:50na internet, sabe?
07:52Tem gente que fala
07:53umas groselhas, assim,
07:55que são...
07:57Sabe?
07:57E aí eu fico pensando
07:59e aí realmente
07:59eu estou colocando aqui
08:00para todo mundo pensar
08:01um pouco, né?
08:02Colocar o papo aqui
08:04para a reflexão geral.
08:07Eu vou criminalizar burrice?
08:09Burrice é crime?
08:10Sabe?
08:11Tem muita gente burra
08:12por aí, entendeu?
08:13Só que com a internet
08:14qualquer boboca, né?
08:17Você acha no direito
08:18de abrir o microfone
08:20e falar bobagem, sabe?
08:22Aí eu lembro da história...
08:24Inclusive,
08:24eu estava tendo uma discussão
08:25outro dia com os colegas
08:26sobre o episódio do Monarque, né?
08:28Aquele clássico
08:29episódio do Monarque
08:31dele falando,
08:32defendendo a existência
08:33do partido nazista
08:34e blá, blá, blá.
08:37Aquilo ali teve dolo?
08:39Dolo porque ele foi burro.
08:40Ele foi burro ali.
08:43Ele foi um menino
08:44que imaginava uma teoria
08:46de que a liberdade
08:48ela é um bem essencial
08:52e ilimitado
08:52e logo,
08:54pelo fato de você
08:55associar a liberdade
08:56a um bem ilimitado,
08:58você tem direito
08:59de fazer qualquer coisa.
09:00Não!
09:02Com certeza,
09:02um menino desse
09:03nunca leu nada
09:04sobre contrato social.
09:05Ele nunca leu o Durkheim,
09:06ele nunca leu
09:07o Thomas Hobbes,
09:09ele nunca leu
09:10um livro de sociologia moderna.
09:12Ele nunca leu,
09:13por exemplo,
09:13que existe uma coisa
09:14chamada tecido social.
09:15Ele nunca leu
09:16alguma coisa,
09:17algum princípio filosófico
09:18para você estabelecer
09:19que numa sociedade
09:20a convivência
09:21ela se estabelece
09:22a partir de limites
09:23que são consensualmente
09:24aceitos pelos demais humanos.
09:27Então, assim,
09:28aí eu me pergunto,
09:29aí lógico,
09:30colocando aqui na roda,
09:31eu vou botar
09:32um moleque desse
09:33na cadeia
09:33pelo fato de ele
09:34ser burro o suficiente
09:35de ele não ter lido
09:35alguns clássicos
09:36da literatura,
09:37de ele não entender
09:38o que ele está falando?
09:39Não sei.
09:40Eu tenho essa dúvida,
09:42sabe?
09:43Então,
09:44eu fico realmente...
09:46Oi, Duda.
09:47Uma boa dúvida.
09:49Eu lembrei aqui
09:49essa questão do dolo,
09:51tem muitas pessoas
09:52que acham
09:53que a vacina
09:54não previne
09:55contra a COVID
09:56ou contra
09:58outras doenças,
09:59tá?
10:00Então,
10:00se essa pessoa
10:00pega e coloca
10:01na internet
10:02dizendo isso,
10:03olha,
10:04as vacinas
10:04não funcionam,
10:06ela está cometendo
10:07um crime,
10:09né?
10:09Dolo,
10:10eu acho que não tem,
10:11acho que é a opinião
10:12sincera daquela pessoa,
10:14mas é um crime
10:14de desinformação?
10:16Não existe um crime
10:17de desinformação.
10:19E aí,
10:19naquela frase
10:21do Barroso,
10:23eu acho que tem
10:23muitos crimes
10:24que são cometidos
10:25na internet
10:26que já tem
10:27um enquadramento
10:28no código penal
10:29porque são cometidos
10:30também fora da internet.
10:32então,
10:33você ameaça
10:34alguém de morte,
10:35que é um exemplo
10:35que ele dá,
10:36o racismo,
10:37então,
10:38já existe um crime,
10:39você pode denunciar
10:40a pessoa
10:41e ela vai ter
10:41que responder
10:42por isso,
10:42né?
10:43Agora,
10:43criar
10:44uma coisa
10:46que seja
10:47um crime
10:47de desinformação
10:49e começar
10:49a punir as pessoas
10:50por desinformação,
10:52aí eu já acho
10:52que é uma outra
10:53seara
10:53e é bem mais
10:55difícil
10:55de definir
10:57o que é crime
10:58e o que não é.
11:00Mas você consegue
11:01entender, Duda,
11:02o mecanismo
11:04da desinformação?
11:06O dolo
11:06está na origem
11:08da desinformação,
11:10que ela vai sendo
11:11replicada
11:12por essas pessoas
11:13que o Wilson
11:13está falando.
11:14Você falou,
11:15a pessoa foi ali
11:16e escreveu
11:16que a vacina
11:18não funciona.
11:20Provavelmente,
11:21ela recebeu
11:22essa informação
11:22ali no Zap,
11:23da rede do Zap,
11:24que aquilo ali
11:25se alastra,
11:26o dolo
11:27está em quem
11:28criou
11:29essa informação.
11:31Você consegue entender
11:32o mecanismo
11:33da desinformação?
11:34É isso.
11:35Não quando ela
11:35se alastra
11:36pelas pessoas comuns,
11:38porque o objetivo
11:38é justamente esse,
11:40quando a desinformação
11:41é criada.
11:42O objetivo
11:43é que ela
11:44se espalhe
11:45o mais rápido possível.
11:47Sempre de maneira,
11:48ela é muito
11:49bem escrita,
11:50com muitas
11:51citações,
11:52estudos apontam
11:54que cientista
11:55da Noruega
11:55diz não sei o quê.
11:57O texto,
11:57ele é muito bem
11:58construído
11:58para que ele
11:59aparente
12:01veracidade,
12:02quando ele
12:03é construído
12:04dessa forma,
12:05ele tem um
12:06objetivo
12:06e ali tem
12:07o dolo.
12:08O dolo
12:09não está
12:10justamente
12:10na pessoa
12:11que,
12:13por não
12:13buscar
12:14informação,
12:15por não
12:15checar
12:16aquela informação,
12:17ela acaba
12:18passando isso
12:19adiante.
12:19E aí,
12:19eu vou concordar
12:20com você
12:21no começo.
12:22É uma questão
12:23de educação.
12:24É uma questão
12:25de começar
12:26a educar
12:26as pessoas
12:27para um outro
12:28tipo de comportamento
12:29das redes,
12:30para que elas
12:30passem
12:31a checar
12:32as informações,
12:33buscar fontes,
12:35jornalistas,
12:37profissionais,
12:38são pessoas
12:38dedicadas
12:39àquilo,
12:39a gente passa
12:40o dia inteiro
12:42checando informação,
12:43não é,
12:43Duda e Wilson?
12:43O tempo inteiro.
12:45A gente recebe
12:46aqui dicas
12:47de coisas
12:47e a gente fica
12:48ao telefone
12:49checando
12:49com fontes.
12:51Então,
12:51aí eu concordo
12:52plenamente com você,
12:53Duda,
12:53aí entra a questão
12:55da educação.
12:56mas a gente
12:57sabe também
12:58que a desinformação,
13:00a gente viu
13:00na pandemia
13:01o quanto
13:02ela contribuiu
13:03para mortes.
13:05Hoje em dia
13:05não cabe mais
13:06você falar
13:07a vacina
13:07não funciona,
13:08veja como a gente
13:09está hoje,
13:10né,
13:10e como a gente
13:11estava há um ano
13:12e meio atrás.
13:13Então,
13:14a gente sabe
13:15dos prejuízos
13:16que a desinformação
13:18trouxe.
13:20E sim,
13:20é muito difícil
13:21você identificar
13:22a origem
13:23da desinformação.
13:24e o dolo
13:25está na origem,
13:27não naquela
13:28pessoa comum
13:28que ali vai
13:29no Twitter
13:29e fica
13:30compartilhando,
13:31enfim.
13:33É,
13:33eu tenho dificuldade
13:33de imaginar
13:35quem que é
13:35essa pessoa
13:36lá no começo,
13:37sabe,
13:37que pega
13:38e eu também
13:39acho que seria
13:40difícil,
13:41eu acho que também
13:42seria difícil,
13:43eu concordo com isso,
13:44de que é difícil
13:44você identificar
13:45o dolo.
13:46Fez isso
13:47com a intenção
13:48de,
13:49eu acho que...
13:50É,
13:50deixa eu só
13:51contribuir
13:51para um ponto
13:52que acho que é um ponto,
13:53esse é um assunto
13:53super sensível
13:54e é curioso,
13:55né,
13:55porque toda vez
13:55que a gente toca
13:56nesse tipo de assunto,
13:57o debate
13:59acaba se estendendo,
14:00eu lembro que eu fiz
14:01um programa,
14:01eu e o Graeb,
14:02basicamente o tempo
14:03todo sobre liberdade
14:03de expressão,
14:04fake news,
14:04etc, etc, etc,
14:05etc, né.
14:06É o momento
14:07em que o Duda
14:09e o Vanessa,
14:10você no chat,
14:11eu acho que
14:11são uma peculiaridade,
14:13né,
14:14a gente fala que
14:14na faculdade de jornalismo,
14:16o jornalista,
14:17ele é o único profissional
14:18dentro do meio acadêmico
14:19que tem que saber
14:20de tudo,
14:20mas não sabe de nada,
14:21né,
14:22então,
14:22mas pelo menos
14:22de jornalismo,
14:23a gente entende
14:23a apuração
14:24de construção
14:24de notícia
14:25e construção
14:26de notícia
14:26é construção
14:27de realidade,
14:28é uma ciência social,
14:29tá,
14:30então não dá
14:30pra gente descrever isso
14:32e,
14:34enfim,
14:34eu tô fazendo
14:35todo esse preâmbulo
14:35pra chegar
14:36no seguinte ponto,
14:37é,
14:38Duda e Vanessa,
14:39quando você
14:40tenta estabelecer
14:42um dolo
14:42e quando a gente fala
14:43de dolo
14:43sobre desinformação,
14:46eu concordo
14:47com a Vanessa,
14:47de fato,
14:48se você for pegar
14:48alguns elementos,
14:50tem muito picareta
14:50por aí,
14:51tem muita gente
14:52ruim na internet,
14:53tem gente
14:54que pega
14:54uma realidade
14:56distorcida,
14:57fragmentada
14:58e transforma
14:58isso numa realidade,
14:59consegue ampliar
15:00essa realidade,
15:01né,
15:02eu tô falando
15:03inclusive
15:03de deputado federal,
15:05sabe,
15:05eu já vi deputado federal
15:06falando barbaridades
15:09no plenário
15:09da Câmara,
15:11entende,
15:11só que,
15:12aí é que é o grande,
15:14é o grande ponto,
15:14eu acho que é o grande dilema,
15:15sabe,
15:16quando a gente,
15:17eu não sei quem foi
15:18que me lembra,
15:18me falou isso,
15:19mas acho que foi
15:19uma análise política
15:20há um tempo atrás,
15:22quando não tínhamos
15:23a internet,
15:24quando não tínhamos
15:25essa coisa
15:26da informação instantânea
15:27que você recebe
15:28no zap,
15:28eu publico uma coisa
15:29agora e já chego
15:30no seu zap
15:30daqui a dois,
15:31três minutos,
15:32esses boatos,
15:34essas mentiras
15:35eram mais fáceis
15:36de você conseguir
15:38dissuadir,
15:39né,
15:39eram muito mais fáceis,
15:41porque,
15:42assim,
15:42tinha toda uma
15:43correia de transmissão,
15:44sabe,
15:45lembra na época
15:45do jornal impresso,
15:46com calma,
15:47sabe,
15:47a notícia
15:48passa por um
15:49palteiro,
15:50que passa por um
15:51repórter,
15:51que passa por um
15:52editor,
15:53aí a testa é publicada,
15:55sabe,
15:56é uma matéria
15:56simplicidade,
15:57eu lembro no início
15:58de carreira,
15:59há quase 20 anos,
16:01uma matéria
16:01simplicidade,
16:02de buraco,
16:03a gente ia lá
16:04em loco,
16:05ver o buraco,
16:05para a gente poder
16:06conseguir checar
16:07se aquela informação
16:07era verdade,
16:08né,
16:09então,
16:09só que a gente tem
16:11muito picareta,
16:12que pega uma foto
16:12de um buraco,
16:13atribui a uma
16:14outra região
16:14e você não consegue
16:15checar,
16:16isso aí sim,
16:17você tem o dolo,
16:18né,
16:18você tem,
16:19mas aí que é o grande
16:20ponto,
16:22você vai pegar,
16:23aí eu vou entrar
16:23no outro exemplo
16:24que a Vanessa trouxe,
16:25que também eu fico
16:25imaginando como é que você,
16:27qual é o marco temporal,
16:29né,
16:30no início da pandemia
16:30de Covid,
16:32fazia até algum sentido,
16:34e aí eu estou dando,
16:35fazendo uma expressão,
16:37até libertária demais,
16:39uma interpretação até
16:40um pouco mais difusa
16:41sobre o tema,
16:42fazia até algum sentido
16:43ali no início da pandemia,
16:44março de 2021,
16:48você,
16:48ah,
16:48vou defender a cloroquina
16:49como um medicamento
16:50eficaz,
16:51né,
16:51porque você não tinha
16:51nenhum estudo
16:52que comprovasse
16:53a sua ineficácia,
16:54então,
16:54na falta de um estudo,
16:55ok,
16:56vai no senso comum,
16:57né,
16:57vai no que o povo diz,
16:59né,
16:59mas e aí,
17:01depois que você comprovou
17:03que a cloroquina
17:03já não funciona,
17:05aí sim,
17:05no momento em que uma pessoa,
17:07né,
17:08estabelece aquilo
17:09como verdade,
17:10a partir de um passado
17:10que já foi desconstruído,
17:12aí sim,
17:13esse camarada,
17:13desculpa,
17:14aí deixa de ter,
17:15deixa de ser a burrice
17:16pura e simples
17:17para virar a má fé,
17:19então,
17:19assim,
17:19são elementos muito complexos,
17:21né,
17:22para a gente conseguir estabelecer,
17:23né,
17:23gente,
17:23assim,
17:24são elementos muito,
17:25muito tênis,
17:27e tendo a coisa que em ciência
17:29e até em informação
17:30de conhecimento,
17:30que é uma coisa muito sadia,
17:34mas que é outro elemento
17:36que me preocupa muito,
17:38que é a questão da dualidade
17:40da informação,
17:41sabe,
17:42às vezes um discurso,
17:44ele não necessariamente
17:45ele é falso,
17:46mas ele tem um viés específico,
17:49eu vou classificar isso
17:50como desinformação,
17:51não sei,
17:52eu trago aqui
17:52para reflexão coletiva,
17:54né,
17:54eu acho perigoso,
17:55sabe,
17:56é engraçado,
17:58só dando um exemplo prático,
18:00que não é só um dilema
18:01das ciências humanas,
18:02é um dilema,
18:02inclusive,
18:03das ciências naturais,
18:04outro dia eu estava conversando
18:05com o professor da UNB,
18:07que ele é biólogo,
18:08e aí a gente fez um papo
18:09de cafezinho,
18:10falando aqui
18:11num shopping de Brasília,
18:12e aí a gente estava falando
18:13sobre dieta,
18:14né,
18:15e aí no meio da dieta
18:16eu falei,
18:17não,
18:17mas a minha nutricionista
18:19me disse que é para eu tomar
18:20um shot de limão
18:22com gengibre,
18:25pimenta do reino,
18:26e enfim,
18:27cúrcuma,
18:28exatamente,
18:29cúrcuma,
18:30é o professor de biologia
18:31da UNB,
18:32com doutorado,
18:32ele falou,
18:33cara,
18:33isso eu estou tomando,
18:34isso é modinho de nutricionista,
18:36isso eu não serve para nada,
18:38assim,
18:38vai queimar ali o teu,
18:40vai te dar um efeito ali
18:41de 10 segundos
18:42e morreu,
18:43não vai fazer mais efeito nenhum,
18:45vai te dar um efeito psicológico,
18:46né,
18:46que você vai parar de 10 segundos,
18:48vai dar um efeito psicológico,
18:49e aí,
18:51como é que a gente vai lidar com isso?
18:52Eu tenho uma nutricionista
18:53que é formada,
18:54que me recomenda uma coisa,
18:55e você tem um biólogo
18:56que entende,
18:57que teoricamente entende
18:59da anatomia humana,
19:00que tem uma opinião divergente
19:01sobre aquele mesmo assunto.
19:03Qual dos dois?
19:04O que eu vou fazer com esses dois?
19:06Imaginem os dois
19:06num podcast,
19:08né,
19:09o que eu vou fazer?
19:10Eu vou classificar a informação
19:11da nutricionista
19:12como desinformação?
19:13Eu vou classificar
19:14a informação do biólogo
19:17como desinformação?
19:18Eu vou criminalizar isso?
19:21Entende?
19:21Então, assim,
19:22é um assunto muito delicado
19:23Mas você vê que a nutricionista,
19:25ela não estava criando aquilo
19:28para poder atingir um objetivo.
19:31Entendeu?
19:32Exato.
19:32É essa sutileza,
19:34é essa sutileza
19:35que caracteriza a desinformação.
19:51E aí
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