00:00O regime iraniano fez uma crítica também a uma menção do primeiro-ministro alemão.
00:06Eu vou trazer aqui as informações com o Luca Bassani, que vai contar mais detalhes pra gente agora.
00:12Porque as autoridades alemãs falaram sobre a necessidade de se minar, sim, os investimentos em energia nuclear no Irã.
00:19E a resposta veio, né, Luca Bassani?
00:23É isso mesmo, Evandro.
00:24O chanceler Friedrich Merz, aqui da Alemanha, no G7, ele disse que Israel faz o trabalho sujo por todos nós.
00:31Dizendo que, de maneira alguma, o Ocidente, os países europeus podem admitir o Irã ter em suas mãos uma arma atômica.
00:39E isso foi muito mal recebido por Teheran, que inclusive convocou o embaixador alemão para fazer explicações depois dessa declaração do chefe de governo aqui da Alemanha.
00:50Nós vemos que, todavia, muitos analistas dentro da Europa acreditam que Merz foi o único que, de certa forma, externou o que muitos europeus pensam.
00:59Afinal, se a gente for comparar como que as lideranças europeias estavam se manifestando em relação à guerra na faixa de Gaza,
01:06ao impedimento israelense da chegada de ajuda humanitária aos palestinos,
01:10muitos deles chamando Israel de um estado de genocídio, o próprio presidente Emmanuel Macron,
01:17o primeiro-ministro Kirchner, criticando abertamente Israel, o primeiro-ministro Pedro Sanches da Espanha.
01:23Agora, nessa semana, ninguém mais fala nada.
01:25Não há essa mesma retórica muito agressiva perante as ações de Israel,
01:31porque muitos estão aliviados, de fato, com a inviabilização do programa nuclear iraniano,
01:36que, como o Piperno trouxe, nós sabemos, tem produzido mísseis balísticos que têm capacidades,
01:42muitas vezes, acima de 2 mil, 3 mil quilômetros e poderia também atingir alguma cidade europeia.
01:48Então, a gente vê que é, de fato, uma questão bastante complexa,
01:52que mostra questões históricas também que não foram resolvidas,
01:55mas que acabam demonstrando essa difícil tarefa de tentar desescalar um conflito
02:02que tem passado por um momento de muita tensão, principalmente com a possibilidade de entrada dos Estados Unidos
02:08durante os próximos dias, inclusive, talvez, durante as próximas horas,
02:11para inviabilizar de vez a usina nuclear em Fordow, que fica dentro de uma montanha.
02:16Nós sabemos que, para ser destruída, precisa de um armamento que só os americanos possuem no planeta nesse momento.
02:23Obrigado pelas informações, Luca Bassani.
02:25Gustavo Segre, o que a gente percebe é um aproveitamento da situação que começa com Israel
02:33para atingir um objetivo que acaba sendo de todo o Ocidente,
02:38que é diminuir ou exterminar os planos nucleares desenvolvidos ao longo dos anos no Irã.
02:45Mas aí também tem um risco.
02:48E vou tomar a frase desse conhecido que trabalha aqui com o enriquecimento do urânio
02:54na Comissão Nacional de Energia Atômica da Argentina.
02:58Ele mencionou que não tem nenhuma prova concreta de que o enriquecimento do urânio do Irã
03:04estaria sendo possível para a construção de uma bomba atômica.
03:09Mas aí a pergunta que vem é, será que vale a pena o risco?
03:12Porque nós sabemos que todo aquele regime totalitário pode levar a uma questão de risco de vidas,
03:22de muitas vidas, em função das suas crenças.
03:26Concordo com o Henrique quando ele menciona que todos os dias,
03:30grande parte dessa população tem como objetivo destruir Israel.
03:34Destruir não é ter um Estado palestino do lado.
03:38Não, não.
03:39É abolir Israel.
03:40Exterminar com Israel.
03:41E esse é um risco muito grande que, me parece, não vale a pena ser ocorrido.
03:46Quando, em algum momento, alguns anos atrás,
03:49teve essa negociação para que Irã abra a sua exploração,
03:56o enriquecimento do urânio, para ter certeza de que era para fins pacíficos,
04:00sempre tinha alguma dúvida nessa questão.
04:02E não devemos esquecer, e aí tem necessariamente que trazer aonde está jogando o Brasil dentro dessa posição.
04:11Que até agora, diplomaticamente está quieto, está obviamente medido nas suas declarações.
04:19Mas não podemos esquecer que, se não lembro mal, em fevereiro de 2023,
04:25dois navios da Força Marítima Iraniana estiveram no Rio de Janeiro.
04:32E isso é alguma coisa que ainda não fechou muito,
04:35sobretudo para essa nova administração americana,
04:37e, obviamente, para Israel.
04:40O melhor sempre, e eu lembro de um filme que se chama Jogos de Guerra,
04:45em que uma máquina entendia que estava jogando uma guerra
04:50e precisava ter as simulações possíveis.
04:54E ele conclui que a melhor forma de ganhar uma guerra é simplesmente evitando ela.
04:58Tomara que a diplomacia mundial, sobretudo, esteja trabalhando sobre essa hipótese.
05:02Você acredita, Zé Maria Trindade, que essa alternativa mencionada agora no final da fala do Segré
05:07seria adotada agora, com ânimos tão elevados?
05:12Pois é.
05:13Isso aí é o conceito de A Arte da Guerra, de Santos I,
05:17que é talvez o grande primeiro tratado sobre guerra,
05:22e que hoje é um livro adotado como autoajuda,
05:26como é sabedoria para executivos, enfim, para vários setores.
05:31E o principal é esse mesmo, de que o objetivo principal da guerra é a paz.
05:37Então, assim, a melhor maneira de ganhar uma guerra é não entrar na guerra.
05:40Ele coloca dificuldades, inclusive, para iniciar uma guerra.
05:43Ele fala que o soberano, quem vai decretar essa guerra, tem que pensar muito bem,
05:49porque quando começa é muito difícil acabar.
05:52A guerra, eu ouvi aqui, a gente transmitindo aqui algumas cenas de guerra,
05:58ouvindo aquele barulho da guerra, eu já passei por treinamento sobre isso,
06:03o treinamento já arrepia para se ter uma ideia.
06:06É algo pavoroso.
06:08Uma guerra desumaniza as pessoas e leva as pessoas a olharem outros
06:15como se fossem inimigos mortais e que nem se conhecem.
06:18Aquela história de que a guerra é o local onde jovens matam outros jovens
06:26que não se conhecem, amando de pessoas que se conhecem e que não matam,
06:30e que não morrem.
06:31Eles ficam atrás.
06:33Mas todo mundo sabe disso.
06:34Mas a guerra é inevitável.
06:36A guerra sempre existiu na história da humanidade e vai existir.
06:40O que eu tenho me assustado, Sine, nas conversas aqui,
06:44é admitir que a partir de agora as guerras vão ficar mais comuns,
06:50porque estão ficando mais baratas e diferentes, mais tecnológicas e tal.
06:56Veja aí, não tem aquela ideia do confronto,
06:59um manda um míssil de lá, outro manda outro míssil de cá,
07:03mas é preciso saber que se trata de uma guerra de pessoas,
07:07e é muito complicado, é muito complexo para evitar uma guerra.
07:12Os Estados Unidos têm uma cultura de guerra.
07:14Se visitar no Washington, você vê cultura de guerra,
07:16através das várias cenas e museus e monumentos,
07:24tudo nos leva a mostrar que os Estados Unidos louvam a guerra.
07:28É um país que tem essa cultura.
07:30Nós não temos essa cultura.
07:32Mas, enfim, cada nação tem uma ideia da guerra,
07:35mas a guerra sempre é terrível.
07:36O Piperno, vários países da Europa criticaram, ao longo dos anos,
07:41esse projeto nuclear do Irã.
07:45Mas muitos não se mexeram porque também entendem
07:47que não teriam a estrutura necessária para isso.
07:50Sempre dependeram de outros países ou de reforços,
07:53principalmente vindos dos Estados Unidos,
07:55para tocar qualquer ideia militar.
07:59Como é que você avalia essa oportunidade que eles encontram nesse momento?
08:03Veja, a Europa não se mobilizou militarmente,
08:07mas ela apoiou e sempre adotou sanções econômicas contra o Irã.
08:13Isso já há muito tempo.
08:16E não vamos esquecer que em 2009,
08:20houve aquela tentativa lá de Brasil, Turquia,
08:24enfim, mediarem um acordo com o aval da França.
08:28O presidente Sarkozy participou daquilo.
08:31Depois, aquilo caiu por veto americano.
08:34Enfim, todo mundo sabe a história.
08:36Recomendo um livro do ministro Celso Amorim sobre isso.
08:39Só que, mais tarde, foi feito um outro acordo.
08:42Já durante o governo Obama, o famoso acordo 6 mais 1,
08:49que reunia, então, os Estados Unidos,
08:52a União Europeia,
08:54entre esses seis, a Rússia, a ONU e tal.
08:58Então, naquele momento, houve, sim, o aval da Europa,
09:03a negociação fechada pelos Estados Unidos diretamente com o Irã.
09:09Então, havia, sim, um envolvimento europeu nisso.
09:13Só que tem uma coisa.
09:14As pessoas se enganam com o fato de que
09:17esse pode ser um conflito rápido,
09:19bastando para isso bombardear, por exemplo, Teherã.
09:23Não.
09:23Não vai haver, por exemplo, enfrentamentos em guerra no chão.
09:29Não vai haver choque entre ninguém.
09:31Porque, até onde se sabe, Israel também não tem a possibilidade
09:35desse tipo de guerra contra o Irã.
09:38Ele está longe.
09:39Não é como, por exemplo, o Líbano, que está vizinho,
09:42a Síria, a Palestina, enfim.
09:44Não vai haver deslocamento de tropas para isso.
09:48E o Irã sabe que ele, com 87 milhões de habitantes,
09:53ele pode...
09:55Enfim, é claro que na cabeça de um ditador,
09:58essa variável, ela é importante,
10:00mas ele sabe que pode perder lá
10:02centenas, centenas, milhares de vidas
10:05sem, por exemplo, se desmobilizar totalmente.
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