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  • 7 months ago
European Commissioner Maria L Albuquerque advocates for investing in savings with risk

In an interview with Euronews, Maria Luís Albuquerque, the European Commissioner for Financial Services and the Union of Savings and Investments, argued that consumers should invest in medium- and long-term financial products and advocates for the advantages of mergers in European banking.

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Transcript
00:00Our guest this week is the European Commission for Estabilidad Finance and Mercados Capitais
00:12Maria Luisa Albuquerque.
00:14She admits that the European citizens are going to lose money with deposits a long time
00:18in banks because of the inflation, and therefore defends that there will be a lot of financial
00:23finance to medium and long time, even with some risk.
00:26He also defends that there will be a movement of consolidation of the bank and explains
00:31the Plan of Unions for Poupance and Investments.
00:36Sra. Comissária Europea, Maria Luisa Albuquerque, thank you very much for accepting our invitation.
00:40Let's start with the Plan of Unions for Poupance and Investments, S.I.U., Savings and Investment
00:47Union, which is presented by us, and I will say, as a initiative-chave to give more power
00:52to the citizens and businesses for a future more prosperous.
00:55Em termos práticos, para o cidadão comum, de que forma é que esta ideia e este plano
01:02de Bruxelas deve ser mais do que uma boa ideia?
01:05É uma ideia que tenta partir do cidadão, do interesse do cidadão, criar oportunidades
01:13para que as pessoas que poupam, para que tenham oportunidades, para que essas poupanças
01:18sejam aplicadas com um retorno mais elevado. Sobretudo quando pensamos em poupanças de
01:23longo prazo, quando pensamos em poupanças para a reforma, para que esse retorno seja
01:27mais elevado. Ao mesmo tempo, ao canalizar essas poupanças para aplicações de maior
01:33retorno no mercado de capitais, estamos a favorecer o financiamento das nossas empresas e, portanto,
01:39a ajudar a nossa economia a crescer. Na verdade, é um projeto que traz benefícios para todos
01:44os agentes, desde os cidadãos às empresas.
01:47Mas em termos muito práticos, vamos imaginar que eu estou a poupar para a reforma e, portanto,
01:54já pensar também em termos pensionistas e eu sou um dos 450 milhões de consumidores
01:58europeus e tenho poupanças no banco. Como é que eu, dentro dos próximos meses, como é
02:04que eu posso aderir, digamos assim, a este plano? Como é que ele se vai materializar?
02:07O que nós vamos fazer é emitir uma recomendação aos Estados-membros para que criem uma coisa
02:13que se chama uma conta de poupanças e investimentos, através da qual sejam disponibilizados um conjunto
02:20de opções de investimento que sejam simples, de custo baixo e que possam satisfazer os interesses
02:27de investimento da maior parte dos cidadãos que, normalmente, não sabem muito dos mercados
02:31financeiros, nem precisam de saber. E, portanto, nós queremos que estas contas sejam criadas
02:36nos Estados-membros com incentivos fiscais para que as pessoas se sintam mais atraídas a este
02:42tipo de investimento e possamos começar a mudar a cultura e a forma como as pessoas
02:47veem este tipo de oportunidades. E vamos inspirar-nos naquilo que já são as melhores práticas existentes
02:54na Europa e que resultaram muito bem nos países onde foram introduzidas. Vamos também recomendar
02:59aos Estados-membros que trabalhem para a construção do pilar 2 e do pilar 3 das pensões para que
03:07aquilo que são os desafios do envelhecimento possam ser cautelados com o tempo e garantir
03:12que as gerações atuais e futuras têm níveis de pensão que lhes permitam manter uma vida
03:17confortável na reforma.
03:19Vamos tirar dinheiro dos depósitos e vamos aplicar em produtos mais atrativos, mas que
03:23têm risco. E as pessoas, como sabem, têm aversão ao risco. Como é que eu posso ter alguma garantia
03:29de que não vou perder dinheiro?
03:31Eu não assumiria à partida que as pessoas têm aversão ao risco, na medida em que as
03:36pessoas jogam, compram criptoativos e, portanto, eu acho que há muita evidência de que a aversão
03:41ao risco não é como se diz. Nós vamos recomendar aos Estados-membros que criem estas contas
03:47em que os produtos que são oferecidos são, obviamente, adequados ao perfil do investidor
03:52de retalho. Mas, sim, de facto, o investimento no mercado de capitais tem risco, não tem garantia
03:58de capital. Mas quando falamos de investimentos a longo prazo, por exemplo, para a reforma
04:03ou para qualquer outro objetivo que se tenha daqui a 20, 30 anos, na verdade, aquilo que
04:09acontece nos mercados de capitais é que nós vemos muitas vezes flutuações. As potações
04:14sobem, as potações descem. Mas se olharmos no longo prazo, se forem produtos adequados
04:18com o nível adequado de diversificação, a tendência é sempre de valorização no longo
04:25prazo. E também é verdade que, deixando o dinheiro em depósito, neste momento as pessoas,
04:29na verdade, estão a perder dinheiro por causa da inflação. Estão, numa forma que não
04:33se apercebem, provavelmente, porque se nós pusermos mil euros num depósito, no final do
04:39período vamos receber esses mil euros mais os euros dos juros. A verdade é que com esses
04:43mil euros compramos menos coisas. E é isso que nós queremos dizer quando se diz que se
04:48perde dinheiro nos depósitos. Não é perder em número de euros, mas aquilo que nós conseguimos
04:54comprar com eles. É, portanto, uma perda. E isso é, de facto, um desperdício do esforço
04:59de poupança dos europeus.
05:00E a propósito de economia saudável, se houvesse uma crise semelhante à de 2008, 2008, 2009,
05:07o setor financeiro europeu está hoje melhor preparado?
05:11O setor bancário, em particular, que foi o que foi atingido pela crise de 2008, está
05:15claramente melhor preparado. Aliás, nós tivemos um stress test da vida real em 2023, com
05:23a falência do Silicon Valley Bank nos Estados Unidos, com o problema do crédito suíço
05:27na Europa. E a verdade é que os nossos bancos passaram muito bem por essa fase de turbulência,
05:32o que mostra que toda a nova regulação financeira, o enquadramento que foi criado na sequência
05:39da grande crise de 2008, funciona e temos um sistema bancário francamente mais robusto.
05:47Mas no caso dos bancos, enfim, conhece bem esta crítica, eles têm tido melhores resultados
05:53também, porque há uma baixa remuneração dos depósitos e porque têm carregado no valor
05:57das comissões. Isto é que é um sistema saudável?
06:00O sistema saudável. Enfim, a pergunta que me colocou foi como é que nós reagiríamos
06:04a uma crise. A questão que me está a colocar é de natureza diferente. Porquê é que a remuneração
06:09dos depósitos é baixa? Porque, na verdade, os bancos não precisam de captar mais depósitos
06:15para intermediar para a economia. Mais uma vez, as empresas têm muita dívida, precisam
06:21de capital. E, portanto, se os bancos não precisam de captar mais recursos para emprestar
06:27à economia, têm mais do que aquilo que é necessário, porquê é que é onde estar
06:31a pagar mais por um recurso do qual não necessitam?
06:33Ainda, olhando para a banca, naturalmente que defende a liberdade de circulação de
06:38capitais na União, mas ela é compatível com posições proteccionistas de alguns governos
06:44e da própria banca. Isto me lembra naturalmente de um caso mais recente, no país que conhece
06:50bem, e eu também, de Portugal, em que o governo português e o Ministro das Finanças, por
06:55causa de uma intenção de um banco espanhol em avançar e poder ficar com mais, os bancos
07:01espanhóis com mais de 50% da cota de mercado, o governo português já fez saber que não
07:07está muito confortável com essa ideia. Isto é uma atitude proteccionista ou não?
07:11As razões pelas quais nós temos liberdade de circulação de capitais nos tratados, e
07:16portanto é algo que todos os países que integram a União Europeia concordaram. A liberdade
07:22de circulação de capitais que está nos tratados depois enfrenta, de facto, dificuldades na
07:27prática. Persistência de barreiras que são desde regimes legais diferentes, regimes de
07:34insolvência distintos, regimes fiscais diferentes, atitudes diferentes da parte dos supervisores,
07:42enfim, as barreiras são múltiplas e faz parte do projeto da União da Poupança e dos
07:46Investimentos trabalhar para retirar essas barreiras. E também há, sim, de facto, atitudes
07:51proteccionistas muito focadas naquilo que é uma perspectiva nacional. Eu tenho vindo
07:56a dizer que nós temos de mudar a forma de pensar e temos que perceber que doméstico
08:01é ser europeu, não é necessariamente dentro das fronteiras dos países. A Comissão, como
08:07sabe, nunca comenta casos particulares, mas naquilo que diz respeito à questão da banca,
08:13nós temos em vigor uma União Bancária que envolve já todos os países da área do euro
08:18e na qual estão definidas as regras que devem ser seguidas para que haja fusões, aquisições
08:26de instituições bancárias. E, portanto, essas regras são definidas no âmbito da União
08:31Bancária, são o Banco Central Europeu, o supervisor relevante e as autoridades da concorrência
08:37que têm de se pronunciar sobre qualquer operação em concreto. E não há mais poderes previstos
08:42para ninguém relativamente a essa maneira.
08:43Mas a Sra. Comissária, em termos gerais e, obviamente, para o mercado europeu, defende
08:48a importância estratégica, digamos assim, da consolidação. Isto porquê? Por causa
08:53de termos mais músculo, maior capacidade para enfrentar, por exemplo, a concorrência
08:57do mercado norte-americano?
08:59Para nós percebermos qual é a dimensão adequada, temos de pensar qual é o nível de concorrência
09:05que estamos a enfrentar, qual é que é o mercado relevante. E eu vejo a Europa como competindo
09:10no seu conjunto relativamente a outros blocos internacionais. E para nós competirmos com
09:16os Estados Unidos, com a China, com os grandes blocos internacionais, nós precisamos de
09:21um músculo que representa a Europa no seu conjunto, a União no seu conjunto e não cada
09:26um dos Estados-membros de PERSI. Porque nenhum de nós é suficientemente grande, mesmo os
09:31maiores, ou suficientemente poderoso para fazer face a esse nível de concorrência. E, portanto,
09:36nesse sentido, nós precisamos de empresas, e bancos também, que sejam capazes de competir
09:41nesse espaço, que sejam capazes de competir com as grandes instituições financeiras globais
09:46para oferecer melhores serviços, mais serviços, a preços mais competitivos e ser capazes
09:53de servir melhor àqueles que são os interesses da economia europeia.
09:56Como sabe, tivemos aqui uma data simbólica, porque 12 de junho de 1985, Portugal e Espanha
10:03assinaram o Tratado de Adesão à então CE, portanto à União Europeia. Será que é tempo
10:09de os portugueses e outros países se prepararem para uma redução dos fundos?
10:15Desculpe a expressão, é inevitável o desmano?
10:18Bom, eu lembro-me desse dia 12 de junho de 1985, tinha acabado de chegar à maioridade
10:25e, portanto, é um dia que está marcado também na minha memória pessoal e não
10:29só na memória coletiva. Hoje é um dia muito importante. A União Europeia constitui
10:34para Portugal um passo extraordinário em todas as dimensões, na consolidação da
10:40democracia, na forma como nós nos integramos no espaço europeu, naquilo que foi ao mesmo
10:46tempo o benefício para Portugal por pertencer à União e o benefício para a União por
10:51passar a ter Portugal entre os seus membros. A questão que me coloca dos fundos, nós temos
10:55de perceber quais são as prioridades, onde é que temos as prioridades para fazer a afetação
11:02dos recursos que são sempre escassos, por definição, e também perceber que, por exemplo,
11:07os fundos destinados à convergência têm a ver com a distância a que cada um de nós
11:13está da média. À medida que entram novos países que vêm de patamares mais baixos,
11:19essa média desloca-se e a nossa posição relativa também. Mas, de facto, todos os países
11:24que recebem esses apoios retribuem com a sua capacidade de desenvolvimento e de crescimento
11:32e eu diria que a ambição de qualquer país deve ser deixar de ser um beneficiário líquido
11:38e passar a ser um contribuinte líquido. Porque o que isso significa, na verdade, é que somos
11:42mais ricos, que é, julgo eu, aquilo que todos nós queremos e aquilo que a Europa nos tem
11:46ajudado a construir.
11:48Sra. Comissária Maria Luísa Albuquerque, foi realmente um gosto estar a conversar consigo
11:52aqui na União.
11:53Muito obrigada e um bom dia.
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