- há 8 meses
- #jovempan
Victor Santos, secretário de segurança pública do Rio de Janeiro, e Maurílio Nunes, subsecretário da pasta, analisam a situação da criminalidade no estado e como a legislação penal dificulta o combate ao crime em todo o país.
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NotíciasTranscrição
00:00O que está acontecendo na segurança pública do Rio de Janeiro nesse momento?
00:05Obrigado pela oportunidade, Mota.
00:06A segurança pública vive um momento de mudança da sua estrutura.
00:12Isso é muito importante, porque durante muito tempo
00:15tratou-se a segurança pública como uma analgésica.
00:18Era uma dor que se sentia e dava um analgésico,
00:22acabando que não tratava a causa daquela dor.
00:27E hoje a gente tem um diagnóstico do que acontece no Rio de Janeiro
00:30e temos soluções, claro, que a médio e longo prazo,
00:34para colocar definitivamente uma solução para a questão de segurança.
00:40Coronel.
00:41Primeiro, é um prazer estar aqui, Roberto.
00:43Nós já nos encontramos muitas vezes, nossa amizade.
00:47E falar de segurança pública, para mim, que estou há 28 anos
00:50trabalhando na Polícia Militar e hoje na Secretaria de Segurança,
00:54a evolução desse desafio.
00:57Eu vi a segurança pública somente como uma guerra bélica,
00:59porque eu estava na ponta da linha,
01:01e principalmente no batalhão de operações especiais.
01:03E achei que fosse resolver tudo de uma forma da guerra.
01:08Ir lá combater os traficantes, combater os problemas do Rio de Janeiro.
01:14E vi que é muito maior que isso.
01:16O combate à segurança pública hoje é feito por uma situação de guerra bélica,
01:21temos que continuar as operações policiais,
01:24mas passa também por uma conexão jurídica,
01:28nossa legislação, e a gente vem avançando muito nessa discussão,
01:31não somente no Rio de Janeiro como no Brasil,
01:33e uma guerra informacional, que é a comunicação.
01:37E quando a gente consegue olhar esses três entes,
01:39entende que não adianta ganhar só um aspecto dessa guerra,
01:42precisamos ter um olhar sistêmico de todo esse complexo que é a segurança pública,
01:47principalmente no Rio de Janeiro, meu amigo.
01:51Um chefe de facção, não vou dizer o nome dele aqui,
01:54para não fazer propaganda do mal,
01:55mas muito conhecido no Rio de Janeiro,
01:57foi preso há poucos dias.
02:00E, se não me engano, ele já foi preso inúmeras vezes.
02:03Algumas vezes ele fugiu,
02:05outras vezes, pelo menos uma vez, ele foi solto por um magistrado.
02:10Secretário, por que o Brasil não consegue manter elementos como esse presos?
02:15Mota, esse é um fator primordial.
02:18A gente tem que entender que no sistema penal, sistema criminal,
02:24a pena tem alguns efeitos.
02:28Um dos efeitos é a retribuição para o criminoso,
02:31pelo mal que ele proporcionou à sociedade.
02:34E, obviamente, a pena privativa de liberdade
02:36é que vai fazer com que ele reflita sobre o mal que ele causou.
02:40Mas, hoje, a gente vê no Brasil, em crimes graves,
02:44a média de permanência de prisão desses criminosos
02:47é de, no máximo, dois anos.
02:50E, quando a gente fala do Rio de Janeiro,
02:51que a gente tem, digamos, um plus,
02:55que é a quantidade de fuzis na mão de criminosos.
02:59E o fuzil virou um brinde para o traficante.
03:02Por quê?
03:03Por conta da legislação, a gente não consegue,
03:07e o judiciário não consegue aplicar os dois crimes.
03:10Ou seja, ele é traficante,
03:12participa de uma organização criminosa para o tráfico
03:15e porta uma arma de fogo,
03:18que é uma arma de guerra, que é um fuzil.
03:20Na realidade, pelo princípio da construção,
03:23ele é absorvido.
03:24E, na realidade, o fuzil vira uma causa de aumento de pena.
03:28E, se ele é pego só com o fuzil,
03:30ele fica preso, no máximo, seis meses.
03:32Então, qual o recado que se dá para o criminoso?
03:36Que vale a pena entrar na fila do crime.
03:38E isso é muito ruim,
03:40porque é a impunidade que gera essa reincidência
03:44e essa habitualidade criminosa,
03:47principalmente em grandes cidades como o Rio de Janeiro e São Paulo.
03:50Então, um criminoso que consegue um fuzil contrabandeado,
03:55um fuzil que é uma arma de guerra,
03:58ele está andando com esse fuzil,
04:00ele, obviamente, a intenção dele é matar alguém,
04:02provavelmente a polícia,
04:04ele é preso,
04:05e ele, depois de condenado,
04:07ele só fica seis meses na cadeia, é isso?
04:09Olha, quando não é solto na audiência de custódia,
04:13que é uma realidade.
04:14Nós tivemos um caso recente,
04:16uns seis meses atrás,
04:17um criminoso preso com uma pistola 9mm,
04:20ou seja, um calibre restrito,
04:22foi preso na sexta,
04:24saiu no sábado,
04:24num domingo postou na rede social um vídeo
04:27propagando o ódio pelo batalhão que o prendeu,
04:30que foi o 16º batalhão.
04:32Então, como é que você consegue motivar o policial
04:34para a atividade dele,
04:37quando ele vê que aquele criminoso,
04:38que para prendê-lo,
04:40foi uma operação de guerra montada,
04:42com todos os riscos que hoje existem,
04:44seja por conta de uma decisão judicial do STF,
04:48seja pelo próprio cenário de guerra que ele enfrenta,
04:51depois de superar tudo isso,
04:53ainda vê o criminoso ser solto
04:54numa audiência de custódia.
04:56Então, realmente, é um grande desafio
04:58você fazer segurança pública
04:59com essa realidade que a gente vive,
05:02e não é só do Rio de Janeiro,
05:03mas do Brasil inteiro.
05:04Monta, é a teoria econômica do crime.
05:07Ele está vendo vantagem em cometer crime
05:09no Brasil e no Rio de Janeiro.
05:11A gente tem um grande problema na nossa legislação
05:13que a gente não consegue evoluir
05:15junto da sociedade as nossas legislações.
05:18O fuzil em si só foi captulado como um agravante,
05:24não somente como arma de fogo,
05:25há pouco tempo.
05:26E o fuzil já está desde a década de 80 no Rio de Janeiro.
05:29Olha quanto tempo a legislação demorou
05:31para acompanhar isso.
05:33Só que a sociedade não espera.
05:34O criminoso não espera.
05:36Eu tive uma situação
05:37que eu estava comandando o BOP.
05:38Olha que ponto chegamos.
05:40A equipe conseguiu fazer uma abordagem
05:44numa comunidade do Rio de Janeiro,
05:45cercou os traficantes,
05:48eles correram,
05:50se esconderam numa casa,
05:51a casa estava vazia,
05:53a equipe fez uma abordagem técnica,
05:55prendeu dois marginais
05:57na posse de um fuzil,
05:59conduziu para a delegacia
06:00e chegou ao ponto de ser questionado.
06:04Vocês pediram para entrar na casa?
06:07Mas a gente estava perseguindo ele.
06:10Ele entrou na casa, nós fomos.
06:11Não, não.
06:12Mas é o dono da casa,
06:13vocês pediram para entrar?
06:15Não.
06:16Então, não tem flagrante
06:17porque vocês quebraram a carinha de custódia,
06:19porque vocês não tiveram a percepção
06:21de pedir a entrada no domicílio,
06:24porque na época estava uma discussão jurídica
06:26que teria até que gravar pedindo autorização.
06:28Imagina a velocidade
06:29de uma operação numa comunidade
06:31trocando tiro com marginais
06:32e para tudo.
06:34Vamos pedir uma autorização por escrito
06:36ou gravar um vídeo ao dono da casa.
06:37Porque lá, eu entendo que é um fato
06:40de um flagrante que está em flagrância.
06:42mas chegou ao entendimento,
06:43nós tivemos que fazer uma gestão
06:46junto às autoridades
06:48para aquele marginal ficar preso com o fuzil,
06:51senão ele ia ser solto
06:52por questões jurídicas.
06:54Entende que a guerra
06:55não é somente uma guerra bélica,
06:57é uma guerra jurídica
06:58e uma guerra informacional,
06:59que a gente precisa comunicar melhor isso.
07:02É uma realidade que a gente vive
07:03que é difícil para o policial
07:06que está na ponta
07:07e entender como é que isso funciona.
07:09Eu vou dar dois casos emblemáticos
07:12que aconteceram.
07:13Uma tentativa de roubo
07:14de um veículo na linha amarela.
07:16Um policial militar de folga reage,
07:19conseguiu balear
07:19e neutralizar o criminoso.
07:23Ele tinha 182 passagens,
07:26182 anotações
07:27e continuava solto.
07:29A segurança pública,
07:31o patamar que o Brasil
07:33hoje está atingindo
07:34de criminalidade,
07:35já ultrapassou a questão
07:37de segurança pública.
07:39E a gente tem que fazer
07:39essa reflexão
07:40e cobrar, obviamente,
07:42de todas as autoridades.
07:44São vários atores
07:45que têm responsabilidade,
07:47mas, infelizmente,
07:48a responsabilidade
07:49é tão somente cobrada
07:50da polícia.
07:52E ela não pode ser responsabilidade
07:53por tudo.
07:54A gente fala o seguinte,
07:55se a segurança
07:56não é boa,
07:58cobram da polícia.
08:00Se a educação não é boa,
08:02ninguém cobra do professor.
08:03Se a saúde não é boa,
08:05ninguém cobra do médico.
08:06Porque não tem que cobrar
08:06desses profissionais.
08:08Existe uma política,
08:09existe uma estrutura,
08:11existe todo um contexto
08:12que tem que ser analisado
08:13de forma holística
08:14e não pontualmente
08:16aquele efeito.
08:17Porque é o que a gente trabalha.
08:19A segurança pública
08:19trabalha com o efeito.
08:21E o crime contra o patrimônio
08:22é o crime que mais afeta
08:24a população.
08:25Não adianta a gente ter
08:26um dado estatístico
08:27de apreendemos mil fuzis
08:28esse mês.
08:30Se o cidadão
08:31continua saindo de casa
08:32e tendo o seu telefone,
08:33celular roubado
08:34num ponto de ônibus.
08:35Isso é que afeta a população.
08:37É a maioria desses crimes
08:38que são cometidos
08:39contra o patrimônio
08:39que pode ter um resultado
08:41morte
08:42e aí se tornar um latrocínio.
08:43Esses criminosos,
08:45na grande maioria
08:45das vezes,
08:46são colocados em liberdade
08:47na audiência de custódia.
08:49Bom,
08:51esse é um panorama
08:52que mostra que
08:54aparentemente existe
08:55uma distância muito grande
08:56entre as leis,
08:59os procedimentos judiciais
09:01e a realidade das ruas.
09:03Mas,
09:04eu pergunto ao senhor,
09:05vou falar nisso
09:06em política,
09:07em contexto,
09:08em legislação,
09:10o senhor podia explicar
09:11o que foi,
09:12o que é
09:13a DPF 635
09:14e quais foram
09:15as consequências
09:16que ela produziu
09:17para o Rio de Janeiro?
09:18Claro,
09:19quando nós assumimos
09:20a secretaria
09:20no final de 2003,
09:22a primeira missão
09:23que o governador
09:23Cláudio Castro nos deu
09:25foi defender
09:26a segurança pública
09:26na DPF 635.
09:28Então,
09:29a gente procurou consolidar
09:30todas as informações
09:31produzidas em quatro anos
09:33e a gente vê
09:34que não avançava
09:34e essa ação,
09:36ela foi proposta
09:37por um partido político
09:38que perdeu as eleições
09:39no Rio de Janeiro.
09:42Então,
09:42o que é uma DPF?
09:43é, na realidade,
09:45a justificativa,
09:47a motivação
09:47é que o Estado do Rio de Janeiro
09:48vivia um estado
09:50de coisas inconstitucionais.
09:51E o que seria isso?
09:53Seria a lesão
09:54ou o desrespeito
09:55a direitos
09:55e garantias individuais
09:57de forma coletiva,
09:59genérica e sistêmica.
10:02Esse é o resumo.
10:04E aí a gente vai olhar
10:05e a discussão
10:07que nós tivemos
10:07é o seguinte,
10:08eu concordo
10:09que o Rio de Janeiro
10:10vive um estado
10:11de coisas inconstitucionais
10:12onde direitos e garantias
10:13são desrespeitados
10:15de formas genéricas
10:16e sistêmicas.
10:17Só não é feito
10:18pelas forças
10:18de segurança pública,
10:19mas sim
10:20pelas organizações criminosas.
10:22O direito de deslivir
10:23é um dos direitos.
10:24Você ter uma cancela,
10:26ter uma barricada
10:27impedindo o direito de deslivir,
10:28isso não é um
10:29direito fundamental
10:31que é desrespeitado
10:32pelas organizações criminosas.
10:35A polícia
10:35não fecha escola
10:36em operação,
10:37a polícia não fecha
10:38unidade hospitalar.
10:39Quem fecha
10:40é o crime organizado.
10:41O tribunal do tráfico
10:44que julga,
10:45condena
10:46e executa a pena
10:47não poder
10:49comungar
10:50a sua religião.
10:51Tem regiões
10:52do Rio de Janeiro
10:53em que
10:54religiões
10:55de matriz africana
10:57não podem
10:58simplesmente existir
10:59porque o traficante,
11:00o dono,
11:01se diz dono do território,
11:02manda quebrar
11:03o centro espírita
11:04e manda matar
11:05essas pessoas.
11:06Isso não é um desrespeito
11:07e quem provoca isso?
11:09E é fácil,
11:10aquela população
11:11que está
11:11na comunidade
11:13é subjugada
11:14ao criminoso.
11:16Então, na realidade,
11:17esse poder
11:18de subjugar
11:19a população
11:20é um poder
11:22que é exercido
11:23pelas organizações
11:24criminosas.
11:26A ADPF
11:26só veio incrementar
11:28isso,
11:28porque no momento
11:28que você cria
11:29restrições
11:30para a polícia
11:32operar,
11:32para o Estado
11:32se fazer presente,
11:34obviamente,
11:35não há vácuo
11:35de poder.
11:36E eles cresceram
11:37significativamente
11:38nesses últimos
11:39cinco anos.
11:41Principalmente
11:41por quê?
11:42Porque hoje
11:43a gente já enxergou
11:45e, obviamente,
11:46toda força
11:47policial já enxergou
11:49que o crime
11:50é um negócio.
11:51Um negócio
11:52que ele só é explorado
11:53por quem domina
11:54o território.
11:56Então,
11:56foi isso que nós passamos
11:58para a ADPF,
11:59no STF,
12:00em relação
12:01à ADPF 635.
12:03Outra
12:03motivação,
12:05outra justificativa
12:05seria que a letalidade
12:07policial.
12:09Então,
12:09nós mostramos
12:10pelos dados
12:11do ISP,
12:12que é o Instituto
12:12de Segurança Pública
12:13do Rio de Janeiro,
12:14que isso não é verdade.
12:17Por quê?
12:18O partido político,
12:19o autor da ação,
12:20ele, na realidade,
12:20escolheu operações
12:21pontuais,
12:23ou seja,
12:23ele foi seletivo
12:24em operações
12:25onde houve
12:26um número
12:27de criminosos
12:29neutralizados
12:29e fez uma média
12:31aritmética.
12:31Eu falei,
12:32não,
12:32a conta não tem que ser essa.
12:33Nós temos que fazer a conta
12:34de quantas operações
12:35nós realizamos
12:35durante um ano.
12:37Veram números
12:38de criminosos
12:38neutralizados
12:39e a gente vai ter
12:40um grau de letalidade.
12:42E mesmo essa letalidade,
12:43a gente tem que entender
12:44que,
12:45na grande maioria
12:47das vezes,
12:48o policial agiu
12:49por uma excludente
12:51ilicitude
12:51que é a legítima defesa.
12:52Ou seja,
12:53a ação foi legítima.
12:55Então,
12:55a gente mostrou
12:56que realmente
12:56essa ação
12:57não poderia prosperar
12:58e a gente teve
12:59o resultado positivo
13:01em relação
13:02a essa decisão.
13:04E os ministros,
13:05por unanimidade,
13:07tocaram exatamente
13:07nos pontos
13:08que nós falamos.
13:10A questão
13:10da territorialidade,
13:12a necessidade
13:13de retomada
13:14de território,
13:15a não restrição
13:16de operações,
13:18a polícia
13:18que tem que ter
13:19autonomia
13:19para dizer
13:20qual o efetivo
13:21e qual o tipo
13:23de armamento
13:23que eu vou precisar
13:24para combater
13:25aquela organização criminosa
13:27que domina
13:27aquela região.
13:28Eu vi a DPF
13:31crescer na prática
13:32porque eu estava
13:33comandando o BOP
13:34nessa época
13:35e tudo que é novo
13:37sofre aquelas
13:39expectativas
13:40da corporação
13:40e da tropa.
13:41A gente estava
13:41durante uma pandemia,
13:43uma das justificativas
13:44também era
13:45restringir por conta
13:46de pandemia,
13:47mas nós não podíamos
13:47parar de trabalhar.
13:49O que na prática
13:49eu vi foi um crescimento
13:51crescente
13:52do domínio territorial.
13:54Então,
13:54eu via
13:54o que era uma comunidade
13:56que era restrita
13:58determinadas as ruas
13:58e a gente tinha
14:00essa impossibilidade
14:00ou dificuldade
14:01porque estava entendendo
14:02o que era a DPF
14:03porque tudo era restrito,
14:04tudo tinha que ser
14:05excepcional
14:05e o conceito de excepcional
14:06era vago.
14:08Então,
14:09mas o que é excepcional?
14:09Só para esclarecer,
14:11o que a DPF
14:12em linguagem de leigo,
14:13o que a DPF
14:14disse foi
14:15para a polícia
14:17fazer operação
14:18nesses territórios
14:19de agora em diante
14:20só em situação excepcional.
14:21É isso?
14:21É isso.
14:23O princípio
14:24da ostensividade
14:24do Estado
14:25passou para ser
14:26o princípio
14:27da excepcionalidade.
14:28E aí, Mota,
14:29a gente tem que perguntar
14:29o que é excepcional
14:30no Rio de Janeiro?
14:33A meu ver,
14:33tudo é.
14:34O Rio de Janeiro
14:35vive em um estado
14:35de excepcionalidade.
14:37Uma barricada
14:38não é excepcional?
14:40Uma senhora
14:40que liga
14:40de um telefone
14:41de dentro
14:42de uma comunidade
14:42dizendo,
14:43existem homens armados
14:44na minha porta
14:45e eu tenho que montar
14:45uma operação de guerra
14:46para atender
14:47esse chamado de 90.
14:49Ao contrário,
14:49se ela morar
14:50no Leblon,
14:51esse atendimento
14:52é feito em cinco minutos,
14:53o policial chega rápido.
14:54Isso não é excepcional?
14:55Eu não poder escolher
14:56a minha religião?
14:58Isso não é excepcional?
14:59Então,
15:00qual o grande problema disso?
15:02Essa excepcionalidade
15:03freou a força policial.
15:05Você imagina exigir
15:06do policial
15:06que está na ponta
15:07dizer para ele,
15:08definem o que é
15:09excepcionalidade.
15:11E, obviamente,
15:12dependendo da interpretação dele,
15:14ele vai estar
15:14infringindo
15:15ou descumprindo
15:16uma determinação
15:18do STF.
15:18e aí o policial
15:20que está na ponta
15:21vê ministros,
15:22ex-ministros
15:23sendo presos
15:24pelo STF.
15:25Imagina,
15:25eu,
15:26soldado,
15:27descumprir?
15:28Não,
15:28não vou fazer isso.
15:30Então,
15:30isso freou
15:31muito as ações policiais,
15:33como o Nunes está falando.
15:33Obviamente,
15:34a tropa sentiu isso,
15:35essa impossibilidade
15:36de atuar no cenário
15:37e, obviamente,
15:39quando há esse freio,
15:41o outro lado avança
15:42e foi o que aconteceu.
15:43Eles foram ganhando
15:43rua a rua.
15:45Eu vi as comunidades,
15:46as barricadas,
15:47que é um grande símbolo
15:48que hoje a gente
15:49tanto combate
15:49e o secretário
15:50fala muito isso, né?
15:51A gente tem que quebrar
15:52esse simbolismo
15:53e isso é um símbolo
15:54de tomada de território
15:55que a gente tem que atacar
15:56que ficou na decisão
15:57da DPF.
15:59E eles vão avançando
16:00e avançam uma rua.
16:01A polícia não vai.
16:02Eles avançam mais uma rua
16:03e eles já estavam
16:04pegando bairros,
16:05dominando bairros.
16:07E quando eles vêm
16:07domínio pelo bairro,
16:09eles começam a entender
16:10que eles podem lucrar
16:11com esse bairro.
16:13E não é somente...
16:14Só para esclarecer,
16:14você não está falando
16:15de comunidade,
16:16de favela.
16:17Você está falando
16:17de bairros...
16:18Não, eles começam
16:19a entrar nos bairros.
16:20Não é que ele vai
16:20num bairro longe da favela,
16:22mas ao entorno da favela
16:24ele expande
16:25seu domínio territorial.
16:26Avançando para o asfalto.
16:27Avançando para o asfalto.
16:28E esse avançar para o asfalto
16:30ele entende
16:31que a população
16:31que mora naquela região
16:33ela consome gás,
16:36consome luz,
16:38consome direitos e deveres
16:39de uma sociedade
16:40que ele começou a explorar.
16:43E aí vem a teoria econômica.
16:44Opa!
16:45Vender drogas
16:46eu tenho um custo alto,
16:48eu tenho que trazer,
16:49eu tenho que embalar,
16:50eu tenho uma atividade
16:51específica,
16:53porque não é todo mundo
16:53que consome droga.
16:55E lá fora
16:56eu tenho todo mundo
16:57que consome
16:57internet,
16:58gás,
17:00luz,
17:01opa!
17:02Se eu vender para eles
17:03eu tenho uma verba recorrente.
17:04E aí
17:05criou-se um grande novo mercado
17:08para a exploração
17:09desses grupos
17:10que a gente vem combatendo.
17:11A gente chama de combate sistêmico
17:13ao seu crime organizado,
17:14que não é tão simples
17:15porque a própria legislação
17:16não assim deixa,
17:17mas que a gente vem avançando
17:18ao longo dos anos.
17:20E quando a gente olha
17:21esse avanço
17:23é que eu
17:24falo para os meus policiais,
17:26falo para a tropa
17:27e a gente entende
17:28como uma política pública
17:29que a guerra
17:30não é mais só bélica.
17:32A guerra é bélica,
17:33a guerra é jurídica
17:34e é informacional.
17:35Quando a gente pode
17:36vir aqui no seu programa
17:37e poder falar
17:38sobre sistema
17:39de segurança pública
17:40com o seu público
17:43que é
17:43alta capacidade
17:45de interpretação,
17:46eles começam a entender
17:47da complexidade que é
17:48fazer segurança pública
17:50no Rio de Janeiro
17:51e como eu empodero
17:52esses policiais
17:53para continuar avançando.
17:54É um grande desafio
17:55que nós temos hoje.
17:56E por que
17:56teve esse impacto
17:57muito grande
17:58no Rio de Janeiro?
17:59Porque no Rio de Janeiro
18:00há desordem
18:01e há regra.
18:03Se imaginar
18:04que no Rio de Janeiro
18:05nós temos
18:061.900 comunidades
18:08ou favelas,
18:09é inadmissível.
18:11Só no município
18:12do Rio de Janeiro
18:12são 813.
18:14Mota,
18:15isso é...
18:16e algumas
18:17ou muitas delas
18:19situadas
18:20no coração
18:21da cidade, né?
18:22Principalmente.
18:23Principalmente.
18:24Até pelo histórico
18:26de construção
18:27da cidade,
18:28aqueles operários
18:29que tinham
18:31que morar
18:33perto das obras
18:34e assim foi
18:34Providência
18:36e tantas outras
18:37políticas
18:38habitacionais
18:39equivocadas.
18:40Ou seja,
18:41esse é um histórico
18:42de pelo menos
18:4250 anos,
18:43Mota.
18:44Isso potencializa.
18:4543.
18:4744.
18:4845.
18:4945.
18:4946.
18:4946.
18:50ALEXISL
18:5547.
18:5647.
18:5848.
18:5928.
19:0048.
19:0049.
19:0050.
19:0258.
19:0250.
19:0388.
19:0458.
19:0558.
19:0560.
19:0550.
19:0560.
19:0650.
19:0629.
19:0650.
19:0650.
19:0761.
19:0761.
19:0861.
19:0852.
19:0962.
19:1062.
19:1162.
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