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No primeiro trimestre de 2025, o PIB cresceu 1,4% frente ao quarto trimestre de 2024, na série com ajuste sazonal. Pela ótica da produção, o destaque foi a Agropecuária (12,2%). Também houve alta nos Serviços (0,3%) enquanto a Indústria (-0,1%) não mostrou variação significativa. Para detalhar o assunto, a Jovem Pan News entrevista a economista Carla Beni.

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Transcrição
00:00Dados do IBGE, divulgados na última sexta-feira, mostram o crescimento de 1,4% do PIB brasileiro no primeiro trimestre de 2025,
00:11um avanço de 2,9% comparado com o mesmo período do ano passado.
00:17E sobre esse assunto, esse resultado positivo, que para a nossa economia conversamos ao vivo também,
00:22para contar sobre o desempenho dos setores, enfim, detalhar um pouco desse resultado com a economista e professora da Fundação Getúlio Vargas,
00:33Carla Beni, a quem eu agradeço já a disponibilidade e a entrevista. Bom dia, professora.
00:40Bom dia, Soraya, bom dia a todos. É um prazer estar aqui com vocês.
00:45Bom, Carla, queria abrir essa entrevista pedindo uma avaliação sua desse panorama que foi apresentado pelo IBGE.
00:51Então, esse resultado de 1,4% do PIB, principalmente puxado pelo agronegócio, pelos serviços.
00:59Ao mesmo tempo, a gente vê que o consumo das famílias voltou a crescer, o desempenho caiu 6,6%.
01:06Em que momento está a economia?
01:09Olha, a economia tem um resultado, por esse movimento do PIB, mais resiliente do que, digamos assim, o mercado financeiro esperava em alguma medida.
01:25O que é muito interessante, Soraya, porque a economia, ela caminha num certo ritmo.
01:31E esse ritmo, ele é lento, digamos assim, para você fazer uma mudança.
01:38Então, mesmo quando você tem uma elevação muito grande da taxa de juros, que é o nosso caso,
01:46não necessariamente isso surte um efeito até em seis meses, por exemplo,
01:53porque a gente já está muito mais de seis meses subindo a taxa de juros.
01:56Então, essa é a minha primeira consideração que eu faria.
02:00E a outra consideração interessante é que esse movimento do agro que nós tivemos,
02:05que é justamente a imagem que a gente está vendo aqui, são três grandes produtos que a gente teve.
02:12Foi a soja, o milho, o arroz e fumo, que nós tivemos esse movimento, mais ainda para a soja.
02:19Só que a agropecuária, ela representa 6% do PIB só.
02:24Então, o impacto que a gente tem maior é na área de serviços, que representa 70%.
02:32Professora, bom dia.
02:34O governo ressalta dados positivos do emprego, também da própria economia.
02:38Estamos abordando justamente esse bom crescimento nesse primeiro trimestre.
02:43Mas a questão fiscal é o ponto crucial.
02:46A gente observa agora essa questão do IOF, o governo precisa arrecadar mais.
02:50Então, a gente tem aquela velha história do copo cheio, meio cheio, meio vazio.
02:54Por que a gente não consegue também fazer um movimento para baixar os juros?
02:59Há uma reclamação, evidentemente, do setor produtivo.
03:02Então, permanece em passe justamente em razão da questão fiscal?
03:06Olha, Marcelo, essa sua questão, ela é maravilhosa.
03:11Porque nós temos o seguinte, para o Banco Central, a análise do Banco Central, ela fica na meta de inflação lá na frente.
03:21Ele olha para 18 meses agora.
03:23Antes ele olhava no ano-calendário, agora ele olha 18 meses para frente.
03:28Como a nossa meta de 3%, ela é muito baixa e tem vários materiais a esse respeito já,
03:35isso acaba forçando o movimento da taxa de juros antes.
03:40Então, ou seja, você acaba subindo a taxa de juros de uma certa maneira um pouco mais até do que precisaria.
03:46Esse é um ponto.
03:48A questão fiscal, como você falou, a questão fiscal é importantíssima em qualquer país, em qualquer situação.
03:55Mas nós não temos um estouro fiscal, nós não temos essa trajetória explosiva, isto não acontece.
04:05Nós terminamos o ano com uma dívida em relação ao PIB de 75%, 76%.
04:12O mercado financeiro até estava esperando 78%.
04:15Cumprimos a meta fiscal, fizemos um ajuste na correção do salário mínimo,
04:22que você pode incluir o PIB, mas não mais do que 2,5%, foi a alteração no ano passado.
04:29Então, assim, há um ajuste no meio do caminho.
04:33Temos também, por um outro lado, movimentos expansivos.
04:37Então, é o crédito com o FGTS, isso dá um estímulo na economia.
04:42E, como você falou, essa movimentação do IOF, extremamente confusa, digamos assim,
04:49esse vai e volta, isso daí é algo muito ruim também.
04:53Professora Carla, nossos comentaristas também participam dessa entrevista,
04:57começando pela pergunta da Maria.
04:59Oi, professora Carla, que bom vê-la por aqui hoje.
05:03Gosto muito de você.
05:04Já tivemos juntas em bancadas anteriores ali no Linha de Frente.
05:08Minha pergunta tem mais a ver com a questão da economia aquecida.
05:12A gente sabe que, quando a economia está aquecida,
05:14também há uma pressão inflacionária de aumento de preços
05:17e é o que vem ocorrendo também por outros fatores, a questão fiscal e tudo mais.
05:21Nesse sentido, professora, eu tenho uma questão.
05:24Será que teremos um efeito Biden aqui nas eleições de 2026?
05:29Que, por exemplo, os Estados Unidos também estavam com a economia relativamente crescente ali,
05:34estavam meio que se estabilizando a questão da inflação,
05:36porém os preços eles não baixaram e o custo de vida da população norte-americana aumentou.
05:42Aqui no Brasil a gente tem algo relativamente similar, né?
05:45Os dados aqui apresentados mostram isso, mas os preços estão aumentando.
05:49O custo de vida da população cresce, a gente sabe.
05:52É só ir na farmácia e também no supermercado.
05:55Você acredita que haverá mecanismos eficientes para redução desses preços?
06:01E se não, teremos um efeito Biden com esse governo Lula aqui?
06:04Maria querida, que pergunta maravilhosa.
06:10Essa questão, inclusive ontem, na minha sala de aula, eu usei uma frase que eu vou repetir aqui para vocês.
06:17A inflação derruba um governo.
06:19E temos vários exemplos para isso.
06:22Mas, especificamente na questão da Maria, nós tivemos, no ano passado, um IPCA de 4,8.
06:31Mas a inflação foi de 8% para os alimentos.
06:35Então, esse é um movimento muito importante porque há uma associação imediata,
06:42pegando a questão do Biden, da própria Maria,
06:44que se a inflação sobe, a culpa, entre aspas, é do presidente do momento.
06:52E eu vou dar um dado para vocês interessante.
06:55A inflação de alimentos em 2022, no ano que o Bolsonaro perdeu a eleição, foi de 14%.
07:03Então, essa construção, sim, Maria, ela é muito interessante, precisa ser observada.
07:09Esse descolamento entre o IPCA cheio e a inflação específica de alimentos
07:16dá essa sensação para a população, que é uma ressensação real,
07:21que sim, os produtos estão aumentando muito mais do que aquilo que é noticiado.
07:27Então, para todos os governantes, esse e futuros, pensar na inflação de alimentos,
07:33que não é resposta imediata por taxa Selic, vai ser o grande desafio político.
07:40Mano, a sua pergunta.
07:41Bom dia, professora.
07:43A minha pergunta é no sentido de lições para o crescimento econômico sustentado.
07:48O fato da gente ver o agro puxando o crescimento da economia brasileira
07:53tem relação com os ganhos de produtividade que esse setor conseguiu obter nas últimas décadas,
08:01o que não se verifica em outros setores da nossa economia, como a indústria, por exemplo.
08:06O que é que a gente poderia aprender nesses outros setores a partir da experiência do agro,
08:13para que a gente consiga ter um ganho de produtividade real que ajude a sustentar esse crescimento?
08:19Mano, bom dia, um prazer imenso.
08:23Obrigada pela sua pergunta, viu?
08:26O agro, ele tem dois grandes fatores.
08:29O primeiro é o Estado por trás, com a Embrapa.
08:33Então, a evolução tecnológica do agro, ela está dentro da Embrapa,
08:39que o grande poder do agro está ali, exatamente.
08:44E segundo, nos benefícios e nas reduções fiscais e tributárias.
08:50Então, o Estado que financia o agro e fornece, basicamente, essa produtividade.
08:59A questão da indústria, para a gente ter ideia,
09:03ela perdeu o peso dela no PIB na década de 80, era 40% do PIB.
09:10Agora, ela está em 20% do PIB.
09:13Então, nós nos desindustrializamos.
09:16E esse daí é o grande problema, porque o agro, ele, direcionado para o setor exportador,
09:24ele tem uma produtividade importante, mas ele não desenvolve o país, basicamente.
09:29Ele concentra também muita renda.
09:32E nenhum país desenvolvido chegou onde está sem a indústria.
09:38Então, sim, nós precisamos desenvolver a indústria,
09:42mas aí vem a pergunta que eu vou acabar fazendo para vocês.
09:46Como é que a gente consegue investir na indústria ou reinvestir na indústria
09:51com uma taxa real de juros de mais de 8%,
09:56ou seja, pegando a Selic e descontando a projeção da inflação?
10:00Então, esse é um grande dilema nosso.
10:02E esse daí é o grande X da questão, porque historicamente a gente tem o agro,
10:09para puxar, digamos assim, uma grande parte da economia,
10:14mas não necessariamente o desenvolvimento do país.
10:17Professora, curioso, porque essa era a minha próxima pergunta.
10:21Os dados do IBGE trazidos nesta sexta-feira mostram que teve um crescimento
10:25de 3,1% nos investimentos agora nesse primeiro trimestre de 2025,
10:32impulsionado por alguns setores, como construção, importação de bens de capital,
10:37desenvolvimento até de softwares.
10:39Como a senhora avalia a sustentabilidade desses investimentos apresentados agora
10:45nessa primeira parte do ano, agora para essa segunda metade?
10:48Duas questões importantes.
10:51Primeiro que nós tivemos um aumento dos investimentos numa conta específica,
10:56até anotei aqui, chamada Internet e Desenvolvimento de Sistemas,
11:00isso também foi bem interessante.
11:02Isso daí subiu mais de 38% desde a pandemia,
11:06ou seja, quem é que vive sem internet?
11:08Olha a nossa conversa aqui agora, né?
11:10Mas quando a gente pega a indústria, a gente tem uma indústria de transformação
11:17que tem um movimento, a parte direcionada para a construção civil também,
11:23ela deu uma queda por causa da taxa de juros,
11:27mas os investimentos foram robustos, que é esse ponto que você falou.
11:32Mesmo com relação a esses 3% de crescimento,
11:36uma parte também foi a importação de uma plataforma de petróleo da China.
11:43Então, isso daí que a gente precisa continuar observando,
11:46porque o grande ponto importante aqui,
11:49o investimento de hoje é o emprego de amanhã.
11:53É isso.
11:54Conversamos com a economista, professora também da Fundação Getúlio Vargas,
11:58Carla Bene.
11:59Professora, mais uma vez, obrigada pela sua participação aqui,
12:02todos esses esclarecimentos.
12:04Um bom dia para você.
12:05Bom dia, ótimo tubingo a todos.
12:08Obrigada.
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