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  • há 7 meses
Amazon invests in biofuel production
One of the main purposes of the 30th United Nations Climate Change Conference (COP 30), to be held in November in Belém, is to discuss the reduction of greenhouse gas emissions and thus curb global warming. More than 80% of these emissions come from the burning of fossil fuels, especially oil. This is why, the entire world is investing in energy transition initiatives, replacing fossil sources with renewable and clean ones. In the Amazon, such an important region for combating climate change, researchers are dedicated to studying the production of biofuels, one type of clean energy source, by experimenting with various regional raw materials, such as açaí.


LIBERAL AMAZON

Amazônia investe na produção de biocombustíveis
Um dos principais objetivos da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), que acontecerá em novembro, em Belém, é discutir a redução das emissões dos gases do efeito estufa e, assim, conter o aquecimento global. Mais de 80% dessas emissões provêm da queima de combustíveis fósseis, sobretudo o petróleo. Por isso, o mundo inteiro investe em iniciativas de transição energética, substituindo as fontes fósseis por aquelas renováveis e limpas. Na Amazônia, região tão importante para o combate às mudanças climáticas, pesquisadores se dedicam a estudar a produção de biocombustíveis, um dos tipos de fonte de energia limpa, a partir de experimentos com várias matérias-primas regionais, como o açaí.

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Transcrição
00:00Então, quando se trata de biocombustíveis, aqui no laboratório nós temos duas linhas principais.
00:06A primeira, que é mais consolidada, que já é uma realidade, é trabalhando para a produção do biodiesel.
00:12Então nós temos, por exemplo, um óleo vegetal, que nós vamos fazer as reações químicas e transformá-lo em biodiesel.
00:20Então nós temos aqui o antes e o depois, a matéria-prima e o biocombustível que foi gerado.
00:27E nós fazemos isso utilizando espécies aqui da Amazônia, mas principalmente os resíduos que são gerados no refino dos óleos,
00:36como, por exemplo, óleo de palma, óleo de andiroba, óleo de buriti, óleo de castanha do Pará,
00:42ou ainda manteigas, como manteiga de bacuri, manteiga de pucuaçu, que são retirados de materiais que não seriam mais aproveitados.
00:50Então a gente pode dizer que seriam lixos.
00:54Então a gente transforma esse lixo, esse resíduo, em biocombustível.
00:59Além da produção utilizando os vegetais, utilizando as plantas que nós temos aqui na Amazônia,
01:06uma linha de pesquisa que é muito forte, muito promissora e com muito potencial para gerar biocombustíveis
01:12é a linha biotecnológica que nós temos no laboratório, utilizando micro-organismos, que são esses aqui,
01:19como sendo bactérias, micro-algas, que são capazes de produzir óleos também, óleos e gorduras.
01:26Então com esses materiais, com esses micro-organismos, nós conseguimos obter tanto material para gerar o biodiesel
01:34e agora nós estamos investigando a possibilidade de utilizar esses micro-organismos como matéria-prima
01:42para gerar combustível sustentável de aviação.
01:45Isso é uma tendência muito forte no mundo em que nós estamos acompanhando e com um diferencial,
01:51utilizando esses micro-organismos que são utilizados, são encontrados, esses micro-organismos que são encontrados aqui na Amazônia.
02:00Esse é o nosso diferencial.
02:01Então é pensar que, futuramente, nós poderemos ter um combustível sustentável de aviação
02:08e também o biodiesel gerados com micro-organismos na Amazônia.
02:14A segunda vertente que nós trabalhamos, e estamos iniciando as pesquisas agora,
02:19é voltada para a produção de combustível sustentável de aviação,
02:23que é uma tendência mundial.
02:25O mundo todo está procurando alternativas ao biocerosene de aviação,
02:30que é o produto que vem do petróleo.
02:32Então nós também pretendemos usar esses materiais para gerar, além do biodiesel,
02:38combustível sustentável de aviação.
02:41Esse é um dos caminhos que nós estamos trabalhando aqui.
02:44Quando nós falamos de biocombustível a partir de resíduos amazônicos,
02:48é muito importante destacar que há um grande ganho ambiental aí.
02:53O primeiro ganho é quando você está retirando resíduos, materiais que teriam de ser descartados
02:59e que poderiam gerar um problema ambiental, você está evitando essa contaminação,
03:04você está evitando esse descarte.
03:07Além disso, você está agregando valor econômico a esses resíduos.
03:11Mas o segundo momento que você ganha, de forma ambientalmente falando,
03:16que você ganha ambientalmente falando, é quando esse combustível é utilizado.
03:23Por quê?
03:24Porque agora você está utilizando um combustível que não é mais de origem fóssil,
03:28não é mais um combustível que veio do petróleo,
03:31é um combustível que veio de uma matéria renovável,
03:34veio de uma planta, de um vegetal, que faz fotossíntese.
03:38Ou seja, aquela planta, aquela árvore, seja um bacuri, seja um cupuaçu,
03:45ela está ali fazendo fotossíntese, ela está capturando o gás carbônico da atmosfera.
03:51Com isso, você está reduzindo um pouco mais o efeito estufa
03:56que seria ocasionado pelo gás carbônico,
03:59que é liberado quando você queima qualquer combustível.
04:02Então, essa é a grande diferença.
04:04O momento, o foco agora vai ser a gente produzir o combustível sustentável de aviação,
04:10que é o foco, né?
04:11Aí a gente vai usar aqui esse resíduo, que é o resíduo da extração do óleo de palma,
04:19e também usar um desses suportes que a gente vai fazer para a catálise,
04:24que ou é um resíduo de castanha ou casca de uaçu, a gente ainda está analisando.
04:30O que é que é esse processo de catálise?
04:32Essa, por exemplo, a gente vai usar um resíduo, que é esse aqui,
04:39e a gente vai fazer um processo químico, né, para achar esse combustível.
04:43Aí a catálise entra para acelerar esse processo.
04:47Então, por exemplo, a gente tem uma reação para a forma combustível de 24 horas.
04:52Usando um catalisador, a gente pode diminuir o tempo, por exemplo, metade, 12 horas.
04:59Diminuir a temperatura, diminuir a quantidade de reagentes que a gente usa.
05:04Tudo isso é uma economia, né?
05:05Os materiais?
05:06Aqui, esses materiais são as cascas, que é o que a gente tem usado, né, para fazer os suportes catalíticos.
05:13As cascas de castanha do Pará, que é o que a gente tem muito aqui, né,
05:17a gente produz bastante lixo, e esse lixo não é usado, é descartado na natureza.
05:22Tem também o caroço do açaí, a casca do cupuaçu, do bacuri.
05:26Então, tudo isso a gente está fazendo, esses testes, para ver qual deles seria uma volta adjetiva para fazer esse suporte catalítico.
05:32Pela Machado, sou professor titular da Faculdade de Engenharia Sanitária e Ambiental do Instituto de Tecnologia da UFPA.
05:41Sou coordenador do projeto Sustênio Bioenergie, que é uma iniciativa que tem como objeto a transformação e a valorização
05:52dos resíduos gerados na cadeia da indústria do açaí, para a produção de biocombustíveis,
06:00incluindo gasolina verde, querosene verde e diesel verde, biogigante asfáltico para a produção de asfalto verde,
06:09bioóleo com características e potencial antioxidante e farmacológico,
06:17que é objeto de estudos na Faculdade de Farmácia pela professora doutora Marta Chagas Monteiro,
06:21que é vice-coordenadora do projeto.
06:23Esse projeto, na realidade, foi concebido por mim e pela professora Marta Chagas Monteiro,
06:30com auxílio também do nosso querido professor Lucas Bernardo,
06:35e tem como objeto essas diversas vertentes de valorização em produtos de elevado valor agregado,
06:46incluindo, como eu falei, biogás, biogigante asfáltico, biocombustíveis,
06:52um carvão ativado com capacidade de biodissorvente,
06:58que pode ser usado na produção de biofiltros em comunidades isoladas.
07:04O objetivo desse projeto também é utilizar esses biocombustíveis em comunidades isoladas,
07:11seja para geração de energia direta, ou em barcos, ou em ravetas, entre outras aplicações,
07:19ou em geradores estacionados para produzir energia.
07:22E a outra vertente tem uma vertente na área da biotecnologia e farmacologia,
07:29que tem como objetivo avaliar o potencial antioxidante e farmacológico desse bióleo
07:36contra agentes infecciosos, incluindo bactérias, fungos, entre outros.
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