- há 8 meses
Alterações físicas, hormonais e emocionais. Todas essas mudanças são enfrentadas por mulheres no período do pós-parto. Psicóloga explica as fragilidades do puerpério.
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NotíciasTranscrição
00:00Desde o comecinho do mês a gente está tratando de assuntos da maternidade,
00:03em maio, mês das mães, e a gente está falando sobre vários assuntos toda semana.
00:07E hoje a gente chega ao último dia do assunto para falar sobre puerpério.
00:11Rodrigo, agora ficou na dúvida, o que é isso?
00:13Eu falei, o que é puerpério? Eu não sei o que é puerpério.
00:15Pois é, e é sobre isso que a gente vai falar agora.
00:17A gente está recebendo a Aline Silva, que é psicóloga justamente focada nessa área da maternidade,
00:22da saúde mental da mãe, e a Lígia Moreira, que é mãe só há três meses.
00:25A gente até brincou, vamos dar um abraço nela, porque a gente sabe o que passou.
00:30O meu, que é o do meio aqui, o filho do meio, você tem três, o meu tem um ano e três,
00:35e o dela é o mais novinho.
00:36Eu ainda estou naquela fase hormonalmente estranha, imagina quem acabou de parir.
00:41Então puerpério é um termo que a gente tem usado mais hoje em dia,
00:45ainda é do desconhecimento de muita gente, então a gente precisa esclarecer esse momento
00:49que a Aline falou para mim, que é o mais delicado da vida de uma mulher.
00:52Por isso que a gente acha que vai morrer a qualquer momento.
00:55Bom dia, bem-vindas, viu?
00:57Bom dia, bem-vindas.
00:58Eu me contei, nem dei bom dia para vocês.
00:59Muito obrigada pelo convite, é muito bom estar aqui para falar sobre esse assunto.
01:04Estava falando com a Cíntia, né?
01:05O porpério, o pós-parto, é um período de maior fragilidade psíquica da mulher.
01:11Então quando a gente está ali em formação, na faculdade de psicologia,
01:14a gente aprende que tem alguns momentos que são determinantes, né?
01:18Para a gente avaliar a saúde mental.
01:20De modo geral, assim, em saúde mental, a gente fala que até os 21 anos
01:24é o período onde alguns surtos, algumas crises psíquicas podem acontecer.
01:29Passada essa idade, o outro momento sensível para nós, mulheres, é o pós-parto.
01:35Porque mexe muito com o corpo e com os aspectos emocionais.
01:40Então o porpério é esse período depois que o bebê nasce.
01:44Doutora, quando eu tive meu primeiro filho, 19 anos atrás, a gente falava em depressão pós-parto.
01:50Mudou?
01:51Outra coisa, o porpério, todas as mulheres, saudáveis ou não, passam.
01:57Que é esse período depois do parto.
02:00Então o porpério, ele começa quando a placenta nasce.
02:03E tem uma questão hormonal, né?
02:04Tem.
02:04Que também justifica isso.
02:06Exato.
02:07Antigamente, a gente entendia o porpério pensando numa lógica mais médica,
02:11que é quem olha só para esse corpo, como os primeiros 45, 60 dias pós-parto.
02:18Lembram que chamavam de resguardo?
02:19Sim.
02:20É isso.
02:21Só que aí a gente entendeu que o porpério, ele não é só hormônio
02:24e não é só esse retorno do corpo no pós-parto.
02:27Ele é emocional e ele é social.
02:30Então hoje a gente entende o porpério como dois anos depois do parto.
02:35Nossa, vou abraçar a minha mãe.
02:36Então você é a minha mãe.
02:37A gente todo dia, quando eu digo, escutem uma mãe.
02:39Mas o que muda, então?
02:42A mãe fica como nesses dois anos?
02:44Esse período todo, né?
02:46Quando a gente pensa emocionalmente, eu falo que o parto, ele é um portal de vida e morte.
02:52Nasce um bebê, nasce uma mãe, mas também morre em várias camadas de quem a gente era antes.
02:57Nossa, eu senti muito isso.
02:59Eu falei hoje para a Cíntia.
03:00Eu falei, a gente se desconstrói, a gente renasce assim, né?
03:03É uma outra mulher.
03:04Nada fica igual, né?
03:05Todas as áreas da vida da mulher são atravessadas pela maternidade.
03:09E esse período, eu falo que é como se a gente estivesse ali descendo uma serra.
03:14Com muita neblina em alguns momentos, com menos neblina em outros.
03:18Mas a gente vai descendo, porque no final tem sol, né, gente?
03:21Então a gente vai esperando chegar o sol, a praia.
03:23Vamos avisar as mamães.
03:24Aqui tem sol, tem sol.
03:25Tem sol no final da serra.
03:26Vai ficar bom, vai ficar bom demais.
03:28Lígia, ó, siga firme, né?
03:30Hoje falaram assim, a nossa entrevistada está com três meses de um recém-nascido.
03:35A gente está no olho do furacão.
03:36Calma, vai melhorando, tá?
03:38Já já eu quero saber como está sendo o seu puerpério, já que todas passam por isso.
03:42Mas a gente vai colocar dados aqui no telão que mostram, dados sobre a maternidade no Brasil,
03:47que nove em cada dez mães, mulheres, sofrem de burnout parental, que é justamente esse esgotamento em razão das demandas de casa com os filhos.
04:01Mas é mais ou menos isso, Aline?
04:03Sim, essa junção, né?
04:04Tem hormônios, obviamente.
04:06Então quando a gente fala do momento inicial, os primeiros quinze dias pós-parto,
04:11até tem outro nome dentro dessa classificação, que é o baby blues.
04:15É como se fosse uma...
04:16Aquela tristezinha, depressão, né?
04:18Isso, é um humor mais deprimido.
04:20Baby blues?
04:21Isso, baby blues.
04:23A TPM elevada à oitava potência.
04:25Isso não está junto do puerpério?
04:27Está dentro, mas assim, são os primeiros quinze dias e depois começa a melhorar.
04:32Porque a gente chora.
04:33Chora.
04:33Você olha para o bebê, você fala, nossa, mas eu...
04:35No meu caso, né?
04:36Eu planejei, eu queria tanto, mas eu não consigo parar de chorar.
04:39O que está acontecendo?
04:40Muito hormônio.
04:41O hormônio do parto, o hormônio da amamentação.
04:44Depois isso começa a regular.
04:45Só que ainda assim, esses primeiros meses, tem essa neblina, tem esse corpo estabilizando.
04:51Quanto tempo demora para a amamentação regular, né?
04:55O útero voltar.
04:56E tem tudo social também.
04:58Deixa eu introduzir a Lígia aqui, né?
05:00Porque a gente é amiga pessoal, né?
05:02Amiga que...
05:03A gente tem um grupo de onze mães, né?
05:05São onze bebês nesse momento e ela é a mãe caçula.
05:08Com o chará do meu filho, né?
05:10O meu é bem com N, o dela é bem com M.
05:12E a gente conversava recentemente, né?
05:14Sobre justamente essas negações que vocês falaram aqui, né?
05:16Sobre morrer.
05:17Você sabe que bem, em hebraico, é filho.
05:19É filho, exatamente.
05:21E o meu filho é Benjamin, é filho da felicidade.
05:23Olha que lindo.
05:24Todos com significado bonito.
05:26Todos aqui tem um bem em casa.
05:27Exatamente.
05:28E Lígia, né?
05:30Como a maioria das mulheres hoje, mulheres independentes, livres, financeiramente bem resolvidas,
05:34dona do próprio negócio, Lígia é advogada e de repente, caraca, quando que
05:38eu vou voltar para aquilo?
05:40Como é que tem sido esse momento seu de entender que aquela Lígia não volta, né?
05:44Tem muito choro, muito sofrimento aí nesse processo.
05:47Eu agradeço, Cíntia, por convite.
05:49A Cíntia sabe, né?
05:50Então, eu estou nesse momento ainda, na verdade.
05:54Eu acho que é um nascer e morrer, só voltando.
05:56Acho que no parto a gente nasce e morre, mas não tem o tempo suficiente de elaborar
06:00todo esse nascimento e esse luto, né?
06:02Então, eu me sinto numa montanha russa ainda.
06:04E eu também não sei quando ela vai descer, se vai acalmar, ou se vai ficar nesses altos
06:09e baixos da maternidade.
06:12Eu voltei a trabalhar com menos de dois meses do bem.
06:15Isso é algo muito delicado, né?
06:16Então, isso foi muito punk.
06:17Vem sendo muito punk porque você tem que gerenciar o seu corpo, as necessidades do seu
06:24filho, que é ele quem comanda nesses primeiros meses, e o seu trabalho, que é fonte de renda
06:29porque não tem como, né?
06:31Então, a Cíntia me fez uma pergunta, como é que está sendo o ser mãe?
06:35E eu falo, não sei.
06:37Tem horas que está tudo bem, tem horas que eu fico chorando ainda, por mais que os
06:4115 dias já tenham passado.
06:43Mas é uma experiência muito bonita.
06:45Vem sendo uma experiência muito bonita, com muito aprendizado e com muito apoio também.
06:49Eu acho que a gente, Cíntia, falou, a gente que somos 11 amigas.
06:51Onde você consegue encontrar conforto nesse puerpério, nessa oscilação?
06:57Eu lembro, na minha experiência, por exemplo, alguém que me dava muito...
07:01Eram as mulheres que estavam à minha volta, eu não sei.
07:03Eu vejo muito isso, de mulheres que estão passando...
07:05Mulher segura a outra, né?
07:06É, conseguirem apoio em outras mulheres.
07:08Eu lembro minha mãe, minha irmã, eram muito ali...
07:12O meu porto seguro.
07:14É interessante como as mulheres se apoiam.
07:17Pra você também é assim?
07:17Sim, minha mãe foi e vem sendo uma pessoa totalmente necessária e presente nesse momento.
07:23E eu acho que as amigas também, que a gente faz parte desse grupo.
07:26E a gente brinca com a ação no futuro, né?
07:28Então, como eu tenho um filho de três meses, eu tenho um ano, vai passar, vai ver que o sol vai chegar.
07:33Mas esse apoio, assim, virou outros sofrimentos, assim.
07:37Eu queria entender, retomando um pouquinho a sua fala anterior, dos três meses que são os mais difíceis, né?
07:42É nesse período que acontece, às vezes, em alguns casos, a rejeição ao filho.
07:46Eu queria entender também, por que que acontece essa rejeição?
07:49É, a gente tá terminando o mês de maio, até comentei isso com a Cintia,
07:53o mês de maio a gente chama de maio furta-cor, que é um mês pra pensar a saúde mental materna.
07:58Então, esse estado de instabilidade emocional no pós-parto, ele não pode ser considerado, de modo geral, como doença.
08:07Não é isso, é um período sensível.
08:09Mas, existem algumas condições de saúde que podem acometer as mulheres no pós-parto, que tem a depressão pós-parto, como você tinha dito.
08:19Existem os casos mais graves da psicose puerperal, né?
08:23E existem algumas pessoas que já têm condições pré-existentes que podem ser evidenciadas por esse monte de hormônio e tudo isso que tá acontecendo.
08:33Então, essa rejeição, ela é um sintoma muito característico das mulheres que estão sob o processo de depressão pós-parto, né?
08:41O que acontece no porpério geral, o saudável, o esperado, é esse estranhamento desse papel.
08:50Até ontem eu não era mãe de ninguém, agora eu sou mãe de uma pessoa, eu tenho que ter todas as respostas, eu preciso identificar esse choro.
08:57O mundo tá me vendo de uma outra maneira, eu vou voltar ao trabalho e as pessoas me dizem que eu tenho que fazer uma escolha entre o meu filho e a minha carreira.
09:05A gente não fala muito de conciliação, né? Socialmente.
09:09E tudo isso gera uma dor e uma inadequação muito grande pras mulheres.
09:13Esse grupo de vocês é um bálsamo, né?
09:17Assim, a gente precisa...
09:17Beijo, ganho de mães.
09:19A gente precisa da nossa matilha de mães, assim.
09:24E muitas não têm, né?
09:25Não têm.
09:25Infelizmente, precisam buscar.
09:27E a internet, né?
09:28Falando aqui de soluções, a internet tem sido um lugar de muito conforto pras mulheres, né?
09:35Eu tinha meu grupo de mães e aí era aquela coisa...
09:38Quando você fala internet, internet como?
09:39Grupo de WhatsApp?
09:41Grupo de WhatsApp, você segue uma página e aí tem os canais ali, você faz uma amizade com alguém que segue essa mesma pessoa.
09:48E aí você começa a entrar nos grupos, no Telegram e etc.
09:51Você vê que a dor não é só sua, que outros passam, outras já passaram por algo igual.
09:55Com o bebê plugado no peito e ali falando no grupo.
09:57Gente, a vacina de dois meses é o terror, né?
10:02Então a gente precisa desses espaços.
10:04E também, eu sempre falo aqui, né?
10:06Das mulheres que vieram antes de nós, das nossas mais velhas, as nossas mães, as nossas avós, as nossas tias,
10:13que falam também, né?
10:15Eu falo que parece que tem um código de segredos em algumas coisas.
10:17Você só descobre que algumas coisas aconteceram com aquelas mulheres que você viu enquanto você crescia, quando você vira mãe.
10:25Porque não se falava sobre isso antigamente, né?
10:27E até esse ponto que eu quero trazer antes da gente encerrar, de como a maternidade mudou.
10:31Se a gente tinha uma rede de apoio, famílias grandes, tias ajudando, vizinhos ajudando.
10:36Hoje, muitas famílias, a quantidade de mães solo que nós trouxemos aqui também.
10:40E famílias que estão só a mulher, o marido, ou duas mulheres, os dois homens, enfim, cuidando dos seus filhos,
10:47sem nenhuma rede de apoio, trancados num apartamento de 20 metros quadrados, né?
10:50Como que a maternidade mudou, que dê a percepção de ambas, né?
10:54E quanto hoje a mãe precisa muito desse apoio, que é algo que não se falava também, né?
10:58Eu acho que o acolhimento é necessário, assim, acho que a gente não pode ficar sempre nesse lugar de pré-julgamento.
11:04Porque cada família tem uma realidade, né?
11:07Então, quando a gente tá nessa estrutura, que você tem alguém pra te ajudar, isso é ótimo.
11:11Mas na grande maioria, não tem.
11:13E como que também a sociedade se prepara pra esse espaço, pra acolher essa mãe, né?
11:17Seja no ambiente de trabalho, seja num grupo de mãe, seja no ambiente familiar.
11:20Eu, no meu espaço, eu tenho a minha mãe, tenho meu companheiro, tenho vocês.
11:25Então, isso dá um acalanto pra toda essa tempestade que tá passando aí.
11:31Doutora Aline, só pra me colocar também nessa situação, porque o pai também tem muita função nisso.
11:38Cinco dias de licença paternidade no Brasil, né?
11:40Pois é, cinco dias, olha só, exatamente o que eu queria colocar.
11:43Em alguns países europeus, como a Alemanha, por exemplo, é igual.
11:47Pai e mãe têm a mesma obrigação de ficar em casa cuidando do bebê.
11:51Isso melhoraria a situação das mulheres no Brasil?
11:53Com certeza.
11:54Quando a gente fala que o porpério não é só hormônio, ele é social, essas questões, elas interferem totalmente na saúde mental dessa mulher.
12:01Você sabe que daqui cinco dias o seu parceiro vai embora, você mal consegue segurar aquele bebê, sem que a cabecinha dele cai pro lado.
12:07Só explicando, igual o seguinte, a mãe tem o tempo dela, depois o pai tem pra ele ficar e ela trabalhar.
12:13Exato.
12:13Então, se a gente tivesse uma divisão mais justa entre as parcerias, pais ou outra mãe, isso seria muito melhor.
12:24Se a gente tivesse um apoio pra esse retorno ao trabalho com calma, com construção, com o mundo do trabalho,
12:32olhando pra essa mulher como uma mulher que tá num momento sensível e que tem mais potencialidades depois de se tornar mãe.
12:39Porque é isso, às vezes a gente fica...
12:41Eu perdi coisas depois que eu me tornei mãe e, na verdade, eu ganhei tantas coisas.
12:45Eu sou mãe de três também.
12:46Eu falo que meu gerenciamento de crise agora é excelente.
12:50Curso nenhum me deu isso.
12:51Logística, né?
12:52Logística.
12:53Logística, logística.
12:54Mas o que o Rodrigo falou é interessante, porque quando você tira o homem ali, o parceiro, de casa,
12:59você joga toda a responsabilidade em cima da mulher no momento que ela tá ali.
13:02Ou de outras mulheres.
13:03A mãe da mãe, a mãe do pai.
13:06Então a gente tá falando de uma sobrecarga feminina, que às vezes não é só daquela mulher que acabou de parir,
13:11mas que são tantas outras mulheres que estão sob esse cuidado.
13:14O cuidado precisa ser de todo mundo.
13:16E isso vai ter impacto lá na frente também, na maneira como a mulher é vista na sociedade,
13:20o papel predominante do homem.
13:21Isso não muda se não mudar lá atrás.
13:23Senão a conta nunca vai fechar, exatamente por isso.
13:25Tem até um projeto de lei que faz com...
13:28A intenção é que aumente a licença paternidade.
13:30Sim.
13:31Porque a construção dos vínculos, como é que esse pai também constrói um vínculo com essa criança?
13:34Como ele conhece essa criança?
13:35Como é que ele conhece?
13:36Como é que ele fica ali, dá banho, tá no dia a dia, troca uma fralda?
13:39Sim.
13:40Então tudo isso é importante, né?
13:41Porque a gente possa tentar equilibrar também essa situação, né?
13:44Os papéis.
13:45Muito obrigada a vocês.
13:46Lígia Moreira, advogada, mãe do bem também.
13:50A Aline Silva, psicóloga e mãe de...
13:52Eu sou mãe do Big 3, Francisco, Vitória e Leandro.
13:55Lindo.
13:56Parabéns, hein?
13:57Bem-vindas.
13:58Obrigada demais por essa troca aqui com a gente e que o pessoal tenha gostado dessa
14:02nossa...
14:02Vamos chamar de série, né?
14:03De entrevistas sobre a maternidade aqui no Bora Brasil.
14:06É isso.
14:06Obrigada aqui pela ajuda, por compartilhar tantas experiências.
14:10Beleza.
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