00:00aqui no nosso estúdio que estamos com visitas.
00:03Ninguém vai ser preso hoje não, gente. Calma lá.
00:05Estamos muito bem seguros, inclusive, viu, Rodrigo?
00:07Pelo contrário.
00:08Afinal de contas, estamos recebendo aqui no estúdio um verdadeiro herói de quatro patas.
00:13É ele aí que você vê na imagem, o Coyote, que é o primeiro cachorro da Polícia Militar
00:17treinado para realizar saltos de paraquedas.
00:21Ele atua em ocorrências, resgates que exigem o uso de aeronaves.
00:25Estamos aqui com o Capitão Lemos e com o Cabo Albuquerque, que são responsáveis, então, pelo Coyote.
00:32Bem-vindos aqui ao Bora Brasil, viu?
00:33Bom dia, obrigada.
00:34Bom dia, muito obrigado pelo convite. É um prazer estarmos aqui.
00:37Conta um pouquinho, até é melhor explicar para a nossa audiência.
00:40Muita gente vê a imagem dele saltando, inclusive, com o Cabo Albuquerque e se pensa
00:46por que que colocam um cachorro como paraquedista da Polícia Militar?
00:51Qual que é a necessidade? Então, acho que é bom a gente explicar.
00:54Foi a primeira coisa que eu pensei.
00:56O Coyote, ele é um cão da raça Pastrobelga Malinois e ele foi selecionado e treinado
01:02para ser um cão de intervenção tática.
01:05Qual que é a finalidade desse trabalho?
01:07Nas ocorrências de gerenciamento de crises, ocorrências com refém, nós temos o GAT,
01:12o Grupo de Ações Táticas Especiais, que é a tropa que tem essa missão de atuar nessas ocorrências.
01:18E nessas ocorrências, eles possuem várias alternativas táticas para que solucionem aquela crise.
01:26E o cão, ele se torna uma das alternativas de acordo com o que a ocorrência exija e a decisão dos policiais,
01:34do gerente da crise que está naquele local.
01:36Então, ele já foi usado em alguma missão? Já fez alguma missão?
01:40Sim, o Coyote?
01:40Com o voo?
01:41Com o voo, não.
01:42As imagens que nós temos foi apenas treinamento.
01:45É de agora, é recente?
01:46Treina agora, sim.
01:46Mas ele já fez outras missões?
01:47Esse salto foi feito em abril, no começo de abril do mês passado.
01:52Foi o primeiro salto que ele fez.
01:54Foi ali em treinamento, não foi em uma operação real.
01:57É uma atuação, assim como os cães farejadores que a gente já conhece,
02:02ele já fazia esse tipo de trabalho e agora esse treinamento exclusivo para...
02:06Ele não é um cão farejador.
02:07Então, ele foi selecionado e treinado para, especificamente, essa atividade de intervenção tática.
02:14Nós temos outros cães, trabalham na detecção de drogas, explosivos, buscas de pessoas,
02:18mas cada cão nós temos uma função específica para ele.
02:21Entre tantos outros, por que ele foi escolhido para ser o paraquedista?
02:25Ele passou por algum exame e tal, até para entender até que nível ele suporta?
02:29Sim.
02:29Então, na evolução do treinamento dele, para essa intervenção tática, existem ocorrências em altura,
02:36para fazermos uma invasão tática num prédio.
02:40Áreas de mata.
02:41Exatamente.
02:42Então, nesse treinamento, fazendo o rapel, observamos essa capacidade dele,
02:47não alterou o comportamento, se chama-se um treinamento de habituação e de ambientação,
02:52naquela nova situação para ele.
02:55E ele foi muito bem.
02:57Então, inclusive, a última fase de treinamento para ele foi esse treino envolvendo o rapel
03:02e seguido com a parte de intervenção tática.
03:05E aí surgiu-se a necessidade e a ideia de fazer o salto.
03:09Então, dá um exemplo para a gente.
03:10O que acontece?
03:11Se vocês pularem um paraquedas com ele para uma situação de emergência,
03:15o que ele vai fazer nessa ação?
03:18Pode ser uma situação em que, para que a gente vilize o cão numa situação como essa,
03:22é um local de difícil acesso.
03:23Para que a gente chegue até com a aeronave, para que faça o salto.
03:28E aí ele vai ser utilizado para que ele foi treinado, para a parte de intervenção tática.
03:32Esse cão pode fazer a imobilização, a contenção, dispersão ou persuasão.
03:39Então, ele tem várias capacidades.
03:40Não é só morder.
03:41A mordida é uma das atividades, um dos objetivos desse cão.
03:45Com certeza.
03:46Mas quando um cão desse chega, a pessoa pode travar.
03:50Ele está dissuadindo a pessoa daquele intento dele.
03:52Agora, acabou o Albuquerque.
03:54Você quer falar, Paty?
03:54Não, pois não.
03:56Ele está aí do seu lado.
03:58Você é o tutor, né?
03:59Você, quando entra na Polícia Militar, já entra com esse objetivo de estar perto mesmo
04:03desses animais que são usados em várias operações.
04:06Claro que ele deve responder ao comando de outros agentes da polícia.
04:09Mas você é o responsável por dar os principais comandos para ele, além de cuidar também.
04:13Sim.
04:14Eu sou o condutor dele.
04:17O treinamento dele foi feito junto com o departamento de cães, né?
04:20Do Cânio Central, onde foi feita a obediência dele, que tem que ser uma obediência muito
04:26controlada, né?
04:26E extrema, porque ele não pode fazer barulho na ocorrência.
04:30Ele não pode latir.
04:31E como que ensina a não fazer barulho para um animal?
04:35Olha, tem diversas situações.
04:36Uma que eu posso citar.
04:38Eu entro no ambiente.
04:39Ele apresentou algum comportamento, ele rosa alguma coisa, eu volto.
04:44Então, ele vai entender, para ele ficar lá, ele tem que ficar em silêncio.
04:49A gente percebeu que toda vez, eu acho que é isso, que fala o nome dele, ele se mexe
04:52um pouquinho, é isso?
04:53Sim, ele, tipo, ele está aqui atento, né?
04:56Ele está batendo uma foto de cada pessoa aqui.
04:59Olha, olha isso.
04:59A fardamento, ele descarta, que isso foi treinado pela gente.
05:03Então, ele é um agente, é um cão agente?
05:04Sim, sim, sim, ele é um agente.
05:05Algum comando que você consiga dar para ele aqui, para a gente ter uma noção da disciplina
05:10que ele tem com você, da obediência?
05:12Claro.
05:12Essa máscara, só para entender, é algo que ele fica o dia inteiro?
05:16Não, não, não.
05:17Por segurança aqui, né?
05:18É, aqui é para a nossa segurança, né?
05:20E para a nossa também, no caso.
05:21Isso, isso.
05:22Porque ele pode entender o movimento que a senhora faça, ao abrivar alguma coisa, ele
05:26pode entender como uma ameaça, né?
05:29Então, mas eu estou segurando aqui, jamais isso iria acontecer.
05:32Agora, quando a gente, na produção, né?
05:36Nós soubemos que ele viria, perguntaram, ah, alguém tem medo dos cachorros.
05:39Eu falei, não, eu já quero ir lá fazer carinho.
05:41Aí, por exemplo, os cachorros de pessoas com deficiência, a gente não pode fazer carinho,
05:44porque eles estão ali a serviço das pessoas com deficiência.
05:47Com o coiote, é a mesma coisa?
05:48É a mesma coisa, por quê?
05:50É, ele é um cão de intervenção.
05:51Então, um exemplo, está ali o senhor, o causador.
05:54Imagina que a equipe tática está aqui com ele, eu dou o comando para ele, contê-lo
06:01ao senhor, e o senhor abaixa e faz, ah, eu vou fazer um carinho.
06:04Então, se todo mundo faz carinho nele, ele vai entender.
06:06Sim.
06:06Olha, ele vai fazer carinho em mim também, então eu não preciso morder, entendeu?
06:11Então, por isso que ele não tem interação.
06:12O senhor ia demonstrar, mostra para a gente o que ele pode fazer.
06:17E ele é um cão novo, né?
06:19Ele tem três anos e onze meses, da raça pastor belga Malinois.
06:22Ó, ele tem o obediência, né?
06:25O sento, o deito, permanece e o comando de ataque.
06:29Esse a gente não vai treinar.
06:30Não precisa treinar, não.
06:31Esse não, esse não.
06:33Tem alguma outra coisa que ele faça?
06:35Buscar algo, apontar se tem gente no lugar ou se não tem?
06:38Não, não, não.
06:39É só o combate, minha contenção mesmo.
06:41É realmente para combater.
06:42É, se eu tirar a focinheira aqui, no caso, se eu for atuar, eu tiro por aqui.
06:48Ai, meu Deus.
06:48Ele já liga, né?
06:49Ele fica...
06:50Ah, é bom que a gente vê o rosto dele.
06:51Ele é lindo.
06:52Que lindo.
06:53Não, ele parece tão bonzinho.
06:55O coiote, o nome, como que vocês escolhem?
06:58Ah, um nome forte, né?
06:59Tipo...
07:00Mas você que escolheu?
07:01Sim.
07:02Eu falei que ele parece bonzinho, tem um olharzinho de bobo.
07:05O capitão aqui falou, parece.
07:07Ele não é, não?
07:09Não é, né?
07:09Ele chegou para vocês agressivo quando era pequenininho, né?
07:12Bastante agressivo.
07:12Como que foi a sua chegada?
07:13Desculpa, Paty.
07:14A própria seleção dele, os cães, para serem cães policiais, ele passa por uma série de testes.
07:20E nós observamos que ele tinha esse ímpeto de morder.
07:24Ele tinha essa agressividade bastante aflorada.
07:26Que é um comportamento natural de todo cão.
07:29Só que aí, com os treinamentos, nós conseguimos conduzir nessa agressividade e esse ímpeto dele para o treino da intervenção tática.
07:37É que a gente domestica os animais.
07:38E aí é o mérito...
07:39Diferente, né?
07:40Dos nossos treinadores, nosso departamento de cães e também do Albuquerque, que foi um trabalho muito árduo para que nós tenhamos condições de trazer em qualquer ambiente, em qualquer lugar.
07:50E esse cão, ele tem uma...
07:52Também, um dos motivos dele ter sido selecionado, ele possui um hiperfoco.
07:56Então, vocês perceberam aqui, né?
07:57Poxa, ele fica quieto o tempo todo olhando e tal.
07:59Porque uma ocorrência, ela pode demorar três, quatro, cinco horas.
08:03Então, ele não pode se distrair.
08:05E ele é tendo movimentação de tropa, de pessoas, conversação, negociação, barulhos, armamento, explosões, pode acontecer.
08:13E ele tem que estar o tempo todo com esse foco.
08:15Por isso que é um cão muito difícil para ser treinado.
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