00:00Ô Segre, até fica aí porque eu quero falar contigo também sobre essa decisão do Milley para tentar restringir a imigração no país.
00:07Agora, exigindo então que as pessoas tenham seguro-saúde ou que elas paguem pelo tratamento de saúde na Argentina,
00:13também impedindo ou reprimindo aqueles com antecedentes criminais.
00:18Conte um pouquinho para mim sobre o que mobilizou Milley nesse sentido relacionado à imigração na Argentina.
00:25Bom, tem vários assuntos. Inclusive eu vou comentar como primeira medida e continuo depois com a análise.
00:34Tem uma movimentação do exército, dos militares argentinos, nas três fronteiras, com Uruguai, com Brasil e com Paraguai mais expressivo.
00:46Nesses últimos dias, inclusive, provocou até consultas se os outros países tinham conhecimento dessas atividades do exército
00:55para coibir contrabando, armas, narcotráfico. O ministro da Defesa do Paraguai indicou que sim, que sempre se trabalha em conjunto.
01:04Eu não vi nada do Brasil e do Uruguai, mas é ostentoso essa presença dos militares argentinos, do exército argentino na triple fronteira.
01:14Em relação à migração, isso vem de longe. E vem de longe porque, por exemplo, tem cidades que são cidades fronteiriças
01:23em que o aspecto da saúde pública é ocupado 90% por estrangeiros.
01:30Os bolivianos, para ser mais concretos, atravessam a fronteira e eles se atendem em hospitais públicos argentinos e esses atendimentos
01:40representam 90% de pessoas que não são argentinas e o custo termina sendo arcado pela Argentina.
01:47Então, o que quer se dar, o que o Millet está tentando, primeiro, venha desde que isso não gere um custo para a população argentina.
01:58Turistas, em questão sobre esse plano médico, é uma questão que vários países solicitam.
02:05Ou você tem que ter dinheiro para fazer isso.
02:08Te convido a você ter uma viagem para os Estados Unidos, quebrar o pé, ou gerar um problema de saúde para um americano e não ter plano de saúde.
02:17E aí você vai ver como a situação vai ser totalmente diferente. Não é uma viagem para a Disney, não.
02:24Então, me parece válido. A mesma coisa que a educação.
02:27Tinha muita gente, muitos brasileiros, inclusive, estudando medicina, sobretudo, porque a Universidade Argentina é gratuita.
02:36Então, se vem, que peça a cidadania, aí, como cidadão, não temos nenhuma restrição.
02:43Mas, como estrangeiro, se você quiser utilizar um serviço público, tem que pagar.
02:47Sinceramente, me parece até coerente.
02:50Para você, Piperno.
02:53Olha, eu acho o seguinte.
02:56Imagina, por exemplo...
02:57Por que você está bufando aqui?
02:58Não, eu, assim...
02:59Até respirou fundo agora.
03:00Eu conheço muitos estrangeiros que moram aqui no Brasil, que eles têm acesso a serviços públicos.
03:06É uma opção que o país fez.
03:09Eu, por exemplo, eu me lembro, na cobertura dos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres,
03:15dois integrantes da nossa equipe tiveram a necessidade de atendimento de saúde.
03:22Foram lá e, sem nenhum problema, conseguiram esse atendimento.
03:25Mas, por exemplo, eu também já viajei fazendo plano de saúde para alguma emergência, porque eu sabia que o país para onde eu iria não proporcionava esse tipo de gratuidade, por exemplo.
03:39O Segredo tem razão quando ele menciona os Estados Unidos.
03:42Na Europa também.
03:42Então, na Europa, vai depender muito o país.
03:47Sim.
03:48Onde você...
03:49Enfim, para onde você vai.
03:51Alguns cobram por esse atendimento e outros você...
03:53Por exemplo, eu viajei no ano passado para Espanha e Portugal e precisei fazer o seguro-saúde.
03:57Pois é.
03:58Eu fiz agora para a Itália.
04:00No caso, lá, por exemplo, de Londres, a gente teve esse atendimento.
04:03Agora, isso também já foi há algum tempo.
04:05Eu não tenho a exata informação se as regras mudaram desde então.
04:11Agora, eu acho o seguinte, que atravessar a fronteira para buscar um serviço de saúde, por mais que eu seja a favor de que a questão humanitária, enfim, prevaleça e tal, eu acho que numa situação emergencial isso tem que ser feito.
04:28Mas também é claro que eu acho que o país tem todo o direito de estabelecer as suas regras.
04:36Agora, para o estrangeiro que já mora lá, ou que mora aqui, aí eu acho, honestamente, um excesso.
04:45Você, Greg, quer fazer algum contraponto nesse sentido?
04:48Quero, se Evandro não muda.
04:50O estrangeiro que mora aqui, ele tem residência.
04:54O estrangeiro que mora no Brasil tem residência.
04:56Aquela pessoa que já tem a residência com o documento oficial, ele continua tendo todos os benefícios de quem mora aí, igual.
05:06Não muda isso.
05:07Isso não muda.
05:09Aquele que vem e que vem ilegal, por exemplo, não deveria ter.
05:13Aquele que vem de turista e tem uma questão, ele teria que ter um plano de saúde.
05:18Até porque, imagina um turista no Brasil que quebrou uma perna, tem um problema de saúde grave e vai no SUS.
05:26Não vai ter um atendimento prioritário.
05:29Vai.
05:30Vai.
05:31Não, não, peraí.
05:32Prioritário.
05:33Prioritário.
05:34Ah, olha só.
05:35Então, peraí.
05:36Então, um brasileiro que tem que fazer uma radiografia ou uma, sei lá, endoscopia, demora dois meses e um argentino que foi passeado em Florianópolis vai passar por frente dele.
05:46Não, mas aí seria o atendimento de urgência.
05:47Ele tá falando atendimento de urgência, emergencial, diferente.
05:51Dependendo de um lugar.
05:52Aí urgência acontecer, aí não tem problema.
05:54Não entrar numa fila por exame, não.
05:55Não tem a ver com isso, não é?
05:56Segredo.
05:57A pessoa vai vir pra cá e falar, você vai entrar na fila por uma cirurgia eletiva.
06:00Não.
06:01É pra, justamente, se acontecer uma urgência.
06:03Se ele buscar o atendimento, ele teria.
06:05Agora, não, de fato, furar a fila de brasileiros que estão há anos esperando por uma ressonância e outras questões, né?
06:12Fala, fala, Zé.
06:15Olha, é o seguinte, o SUS brasileiro, ele é universal.
06:19Qualquer pessoa que chegar lá na UPA ou no hospital, ele é atendido, tudo grátis, medicamentos e tudo, se ele conseguir ser internado.
06:28Isso aí depende do local.
06:29Tem local que funciona, tem local que não funciona.
06:31Existe, inclusive, essa discussão internamente.
06:34Por exemplo, o Distrito Federal tinha, tinha, agora não tem mais, um excelente sistema de saúde.
06:39E se dizia que Brasília, em termos de saúde, era nacional.
06:43Os prefeitos compravam de longe, daqui a uma ambulância, e traziam pra cá os doentes da cidade,
06:48o que era mais importante comprar uma ambulância do que construir um hospital e tal.
06:53Então, isso internamente.
06:54Agora, internacionalmente, qualquer estrangeiro, índio, não sei o quê, empregado, desempregado, que chegar é atendido.
07:01Aí a gente fala, ah, isso não tem muita importância.
07:03Vai lá na fronteira com a Venezuela, 80%, 80% dos partos nas maternidades lá de Rio Branco e Pacaraima são de venezuelanos.
07:13É, 80%.
07:16Muitos recebem Bolsa Família.
07:18Então, o Brasil tinha que tomar isso como exemplo e adotar que, ó, o SUS é lindo e maravilhoso, mas é nós.
07:25Não está funcionando porque é muito caro.
07:26Fala, Crigny.
07:29Ivandro?
07:29Acho que do...
07:30Peraí, Segre, peraí que eu já passo pra ti.
07:32Fala, Crigny.
07:32Do ponto de vista conceitual, eu estou super a favor.
07:36Eu acho que cada país precisa tomar as decisões e escolher muito bem qual vai ser a postura em relação a como gastar o dinheiro.
07:43São eles que estão fazendo o pagamento dos impostos.
07:45Agora, tem uma questão da prática também.
07:47Acho que esse cálculo que talvez não está sendo levado em consideração e que me parece que talvez não influencie tanto mesmo, mas que deve ser.
07:54Por exemplo, será que exigir um seguro saúde mais caro, se for comparado talvez com o plano de saúde aqui no Brasil hoje em dia, né?
08:02Exigir uma série de outras coisas.
08:04Isso torna o país mais ou menos atrativo para ser um destino turístico?
08:09Eu acho que nesse caso a gente precisa considerar também.
08:12Uma coisa é a questão de direito e tudo mais conceitual, estou super a favor.
08:16Agora, e na atratividade daquele país sendo um polo turístico?
08:20Você colocando mais empecilos, mais documentos, o quanto que isso atrapalha, né?
08:25O que foi, Zé?
08:28O problema é a fronteira, porque sobrecarrega aquelas cidades próximas ali na fronteira.
08:33E que muitas vezes são cidades que não têm estrutura para receber essa quantidade de gente, né?
08:37E as capitais muitas vezes ficam distantes, ou as cidades maiores e mais bem estruturadas.
08:41E para isso, acho que o conceito se aplica muito bem.
08:43Agora, eu penso só na questão do potencial turístico.
08:45O quanto que isso ajuda ou atrapalha o desafio aí.
08:50Se eu até puder colocar uma experiência própria, essa questão, a gente sempre fala, né?
08:54Que o SUS é universal, e é universal.
08:56Mas até a página 2, porque eu já tive duas situações,
09:00uma em São Paulo e outra no estado do Goiás,
09:03em que eu acompanhei uma pessoa não brasileira,
09:06que estava de passagem e precisou ter o atendimento emergencial.
09:10E a primeira coisa que pediram, qual foi?
09:13CPF.
09:13Sem CPF não tem atendimento.
09:16E aí, eu estava ali, eu falei, não, mas é universal isso aqui.
09:20A pessoa não tem CPF, é turista, está viajando.
09:23E aí teve toda uma briga, aí conseguiu fazer passar, né?
09:26Mas a gente percebe até a falta de entendimento,
09:30até de quem está operando ali no pronto atendimento, essa questão.
09:33Arremate, Segre.
09:34Não, tem a questão desse controle migratório que obedece.
09:39Por exemplo, falamos das universidades.
09:42Esse comunicado estabelece que as universidades públicas
09:46poderão colocar, se desejarem, aranceles para estudantes estrangeiros.
09:51Não aplica nenhum problema para aqueles que já têm o documento.
09:55Ele se restringe àquelas pessoas que entraram
09:58ou se mantêm no território nacional em forma ilegal.
10:01E uma coisa que se endurece, e sinceramente estou perfeito e totalmente de acordo,
10:06pessoas que têm crimes, antecedentes penais em outro país,
10:10não venham para aqui.
10:10Da mesma maneira que se eu tiver que tramitar uma residência,
10:14uma cidadania no Brasil,
10:16me é exigido antecedentes penais do meu país
10:18e antecedentes penais no Brasil.
10:21Então, é uma questão de lógica.
10:23Me parece muito salutável até para o país não gastar
10:25naquela pessoa que está irregular.
10:28Aquela que está regular, está tudo certo.
10:29Não muda nada.
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