00:00Será que vem? Eu só acredito vendo ali assinado depois, viu?
00:05Vamos dar um pouquinho de assunto, o sonho de se tornar uma jogadora de futebol?
00:10Muitas vezes se colide com o sonho de se tornar mãe.
00:15A intolerância e a falta dos direitos das mulheres segue sendo pauta no futebol feminino.
00:22A escolha de ser mãe ou não é algo muito pessoal para cada mulher.
00:27Mas quando a maternidade é um desejo, a vontade e a carreira ainda podem ser vistas como dois caminhos diferentes, principalmente no mundo da bola.
00:38Eu não conseguia enxergar as duas coisas juntas. Era meio impossível assim.
00:45Muitas jogadoras ou parte de comissão técnica deixaram, às vezes, de viver esse momento
00:53por viver o trabalho, né? Porque você tem que abrir mão.
01:07Um sonho visto como impossível para muitas atletas.
01:11Antes era difícil eu pensar que eu poderia parar de jogar, até porque a gente não tinha seguridade nenhuma, né?
01:19Não tinha contrato, não tinha nada. Então, se você ficasse grávida ou tivesse,
01:25que mesmo não você tendo sua companheira ou tivesse de uma forma, tivesse adotado, você não teria seguridade nenhuma.
01:31Jéssica sofreu esse dilema quando jogava e decidiu adiar o desejo.
01:35Já a jogadora islandesa Sara Bjork, ex-atleta da Juventus e do Lyon, e hoje no Al-Qaadziah, da Arábia Saudita,
01:45viveu toda essa insegurança na prática.
01:47Há quatro anos, a meia foi a primeira grávida do Lyon, clube com oito troféus da Liga dos Campeões Feminina.
01:53Mas quando Sara tirou a licença maternidade...
01:56Quando eu engravidei, eu jogava no Lyon.
02:02Eles disseram que estavam muito felizes por mim, fizeram um comunicado à imprensa,
02:06queriam me apoiar, me falaram pessoalmente que fariam isso.
02:10Mas, infelizmente, eu não vivi essa experiência.
02:13Eles não me pagaram durante a gravidez, não recebi meu salário e voltei para a Islândia.
02:18A jogadora precisou acionar a Federação Internacional de Atletas Profissionais de Futebol
02:25para conseguir receber os salários devidos.
02:29Fora de campo, ações para tentar mudar essa realidade.
02:34Em 2021, a FIFA estabeleceu regras trabalhistas que apoiam mulheres no futebol,
02:40como o direito à licença maternidade remunerada.
02:43Em 2024, a FIFA ampliou as medidas e as regras passaram a valer também
02:48para mães não biológicas, adotivas e treinadoras.
02:53No Brasil, a legislação já acompanha as regras trabalhistas das profissionais registradas.
02:59Hoje, todas as jogadoras de clubes da Série A do futebol feminino têm carteira assinada.
03:06Mas em outras divisões, a falta de profissionalização atrapalha a evolução dos direitos das jogadoras.
03:13Depois de viver essa realidade, acredito que foi tardia sim essa boa decisão
03:19que a FIFA entendeu que uma mulher que trabalha, como qualquer outro trabalho,
03:28mas no futebol, precisava desse reconhecimento.
03:33É absurdo a gente falar um negócio desse em 2025, né?
03:37Que alguém tem o direito de ter uma segurança por ter um filho, assim.
03:40Jéssica de Lima só realizou o sonho da maternidade depois de se aposentar como jogadora.
03:46Hoje é uma das quatro técnicas de clubes da elite feminina brasileira.
03:50Comanda a ferroviária há pouco mais de dois anos, logo depois da chegada da pequena Luísa.
03:56Ser mãe e ser treinadora são dois lugares muito similares.
04:00Porque você tem a obrigatoriedade de educar e nada mais é do que você tirar o seu ego ali do lugar
04:07por amor a uma equipe, a uma criança.
04:13A única diferença que tem é que a Luísa vai ficar pra mim pro resto da vida.
04:17E essa atleta vai embora pra casa ou vai pra outro clube.
04:20O cuidado dentro e fora de campo também é exercido por Emily Lima,
04:29ex-treinadora da seleção brasileira, agora no comando da seleção peruana e mãe da Valentina.
04:35Esse cuidado que eu tenho com a minha filha hoje
04:40é o cuidado que eu sempre busquei ter com as jogadoras.
04:44E isso hoje vem me fazendo entender ainda mais esse cuidado que eu sempre tive
04:53e os porquês eles vêm aparecendo.
04:58E o que o futebol pode ensinar para as filhas das mães treinadoras?
05:02O futebol ele me fez uma mulher tão forte que eu vou tentar trazer toda essa fortaleza
05:13que o futebol feminino gerou pra que eu pudesse ser essa mulher que eu sou hoje.
05:21Eu vou tentar trazer pra ela.
05:23Eu quero que ela veja em mim uma pessoa, uma mulher, uma mãe
05:28que corre atrás dos sonhos, que luta, que briga por um mundo melhor pras mulheres.
05:36Luísa e Valentina vão aprender com mulheres fortes que o futebol fez.
05:41Em Maceió, a filha de Dona Maria Cristina se inspirou na força da mãe, na vida,
05:47pra seguir o sonho de jogar bola.
05:48Lutar sozinha, como eu fui abadanada, a batalha, o trabalho do dia a dia,
05:56as dificuldades também que eu passei pra criar eles.
06:00E eles viram, né, tudo isso que eu passei.
06:02Ver minha mãe ali sozinha, tipo, tentando dar o máximo pra poder criar cinco filhos.
06:09Ela é uma guerreira, né, então pra mim, tipo, eu só queria dar,
06:16tipo, ter, ser alguma coisa na vida pra poder dar o melhor pra ela.
06:19E, tipo, hoje, através do futebol, eu consegui mudar um pouco a nossa história.
06:26Jayce, hoje atacante do Gotham FC dos Estados Unidos,
06:30foi campeã da Copa América com a seleção brasileira.
06:33Já levantou a taça da Liga dos Campeões pelo Barcelona.
06:36Mas não esquece as origens e carrega no braço a imagem da sua grande referência.
06:43Essa é minha mãe, porque, desde 2017, tô longe de casa, então,
06:48pra ficar mais perto da minha mãe,
06:52tá por ela no braço pra levar pra onde eu for.
06:55Apesar que todos os dias, quando eu acordo, quando eu vou dormir,
07:00quando eu tô no treino, eu ligo pra ela.
07:02Tipo, minha mãe é meu alicerce de todos os dias e é a pessoa que me motiva todos os dias
07:09pra poder estar aqui onde eu estou hoje.
07:13Então, essa tatuagem é uma homenagem a ela, é o rosto dela e, tipo, pra mim, minha mãe é tudo.
07:19Já que eu não posso estar perto dela, ela me carrega no braço dela.
07:23A maternidade, o futebol e a vontade de estar por perto.
07:30Semelhanças vividas tanto pela experiente mãe,
07:33que, por conta da filha, entrou no mundo da bola,
07:37e das mães de primeira viagem, que já viviam de futebol.
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