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João Clemente de Souza Neto, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, destacou que o Papa Francisco será lembrado como o homem da misericórdia e da compaixão. Seu legado uniu fé, justiça social e ecologia integral, deixando marcas profundas na política, cultura e no olhar da Igreja para os mais pobres.

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Transcrição
00:00Eu vou conversar agora com o João Clemente de Souza Neto, que é professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
00:05Professor, boa noite. Seja bem-vindo ao Jornal Times Brasil.
00:10Boa noite. Tudo bem?
00:12Tudo bem.
00:13Professor, a figura do Papa Francisco, ela transcende muito a Igreja Católica.
00:18Eu queria saber, na sua opinião, como é que o mundo vai se lembrar do Papa daqui a 30 anos?
00:23O mundo vai lembrar do Papa, nos próximos anos, como o homem da misericórdia e da compaixão.
00:33Ele produziu um novo aspecto teológico na linha da compaixão e da misericórdia,
00:39que afetou a economia, a política e a cultura.
00:43Como ele dizia, a construção de uma nova mentalidade.
00:47Bom, ele está deixando, então, esse legado em defesa dos pobres,
00:50mas também em defesa do meio ambiente, que é uma causa que não é tão antiga na Igreja Católica.
00:57É um debate relativamente novo aí, né?
00:59É, eu acho que é uma coisa nova na Igreja Católica e também no mundo.
01:05Veja, nós, economistas, sociólogos, nós compreendíamos o mundo a partir da luta de classe e das relações sociais.
01:12Veja, o Papa trouxe que não se reduz a compreensão do mundo somente a partir da economia,
01:19mas que a gente tenha uma compreensão do mundo a partir da ecologia,
01:24daquilo que ele chama de ecologia integral,
01:28que cria as perspectivas para uma nova teologia.
01:33E isso demonstrou o seu amor aos mais pobres e também à própria natureza.
01:39Ao momento em que você tem o questionamento da natureza,
01:43você tem o seu afetamento com os mais pobres.
01:46O mundo, ele vive um grande momento de polarização política,
01:49que de uma maneira muito grosseira, muito simples,
01:52a gente pode definir entre uma divisão entre conservadores e progressistas.
01:57A gente espera ver a repetição desse paradigma dentro do Vaticano durante o conclave?
02:01É mesmo, essa polarização que está na sociedade também, de uma forma ou de outra, interfere dentro da igreja.
02:13Mas o Papa, nesse sentido, ele trabalhou bastante,
02:18sobretudo na encíclica dele, Fratelli Tutti,
02:22no sentido de se plantar uma amizade social para superar essa dicotomia.
02:27Como é que o senhor está esperando que seja encaminhado o conclave?
02:31A gente sabe que, tradicionalmente, na igreja,
02:33a gente tem um padre ligado um pouco mais na doutrina da fé,
02:36um padre um pouco mais intelectual na questão da teologia,
02:40seguido de outro que tem mais preocupações sociais.
02:43Isso não é uma regra fixa, mas é algo que tem acontecido na igreja.
02:47Será o caminho, mais uma vez?
02:48É, eu acredito que a igreja tem duas chaves de leitura.
02:54E essas duas chaves de leitura, o Papa que for eleito tem que trabalhar.
02:59Uma é ficar mais de um lado ou do outro,
03:01que é os aspectos da teologia moral e dogmática
03:06e a doutrina social da Igreja Católica.
03:09O Papa Francisco foi um homem que olhava a partir da doutrina social e do Evangelho.
03:17Eu acredito que o próximo Papa também,
03:20mesmo que ele seja um pouco mais próximo à questão de uma teologia mais conservadora,
03:27mas ele não vai poder abrir mão de um olhar para a doutrina social da Igreja Católica.
03:33Eu acredito que as coisas vão com equilíbrio,
03:36com bom senso que a Igreja Católica sempre teve.
03:40A gente ouviu hoje o Dom Odilo Scherer falando para as pessoas não esperarem o Francisco II,
03:44que o próximo Papa terá a sua própria linha de atuação.
03:48Mas o senhor imagina que haja espaço dentro da Igreja para reverter, por exemplo,
03:52algumas políticas, algumas práticas que foram aprovadas pelo Papa Francisco
03:56e que foram, de certa forma, modernizadoras dentro da Igreja?
03:59Beleza, toda vez que a gente tem uma experiência profunda e inovadora,
04:06mesmo que um outro tenta mudar, não é muito simples assim.
04:09Porque quando você tem experiências profundas,
04:13como a que o Papa Francisco deixou entre a humanidade inteira,
04:17não só os católicos, mas em toda a humanidade,
04:20dificilmente as pessoas vão conseguir alterar.
04:23Agora, a gente sabe, quando teve o Papa João XXIII,
04:28veio o Papa Paulo VI.
04:30Cada um tem sua personalidade e sua identidade.
04:33Não teve um repeteco do João XXIII,
04:36mas teve uma pessoa que levou o Conselho Vaticano para frente.
04:40Depois tivemos também o Papa João Paulo II,
04:43que teve a sua própria marca.
04:45Depois João Paulo I, antes de João Paulo II,
04:48e depois o Papa Bento também teve sua marca.
04:51Cada Papa na história da Igreja, ele tem uma marca própria,
04:56não se repete.
04:57Como é que o senhor vê o futuro da Igreja Católica aqui no Brasil?
05:01Olha, eu vejo que todo momento de crise, de tensões,
05:07como a que tem vivido a Igreja Católica,
05:11a redução do número dos católicos,
05:14são momentos de crises, mas também são momentos
05:17de uma fertilidade para o novo crescimento.
05:21Eu acredito que a Igreja Católica deve reagir
05:25e reverter um pouco esse quadro
05:27para a construção daquilo que o Papa Francisco tanto defendeu,
05:32que é uma fraternidade, uma amizade social
05:36e uma cultura da paz.
05:37Acredito que a CNBB ainda tem força e gás
05:41para poder buscar uma Igreja mais humanizadora,
05:45uma Igreja comprometida com a ecologia integral.
05:49Veja, as próprias campanhas da fraternidade e a Igreja do Brasil
05:53têm vindo e têm proposto e têm influenciado
05:58na construção de uma nova mentalidade em busca da paz.
06:02A gente vê que essa Igreja dos Pobres,
06:04que o Papa Francisco pregou, muitas vezes hoje,
06:06em algumas comunidades brasileiras,
06:08em muitas comunidades brasileiras,
06:10é algo que tem sido feito pela Igreja protestante,
06:13pela Igreja evangélica.
06:14O senhor acha que tem uma orientação da Igreja Católica
06:18de se aproximar mais das comunidades,
06:20principalmente nas favelas,
06:21nas áreas mais pobres do Brasil?
06:24Veja, a Igreja Católica sempre esteve próxima dos pobres,
06:28mesmo agora.
06:29Veja, desde o século XII,
06:31quem foi Francisco de Assis?
06:32Foi um homem comprometido com os pobres.
06:35E o Papa Francisco reeditou essa perspectiva franciscana.
06:39Veja, os documentos das conferências latino-americanas
06:44e próprio da CNBB sempre se expressam a sua opção pelos pobres.
06:51E também as campanhas da fraternidade.
06:55Por isso que a campanha da fraternidade tem sido muito criticada,
07:00profundamente criticada,
07:02porque a Igreja renova a sua opção preferencial pelos pobres.
07:06Ela sempre esteve com os pobres e mesmo agora,
07:09se nós olharmos as obras sociais da Igreja Católica,
07:13elas têm uma grande influência
07:16na construção das políticas públicas brasileiras.
07:20E essa questão dos evangélicos,
07:23dos protestantes estarem com os pobres,
07:25à medida que eles vão se desenvolvendo,
07:28isso vai se configurar numa nova perspectiva
07:31nos próximos cinco a dez anos.
07:34Está certo.
07:34João Clemente de Souza Neto,
07:35professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie,
07:38muito obrigado pela sua participação no Jornal Times Brasil
07:41e boa noite.
07:42Boa noite a vocês todos,
07:43aqueles que também estão nos ouvindo,
07:45e que a paz seja a nossa luta.
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