00:00 Meu nome é Joana Oliveira, eu sou diretora do longa-metragem Kevin, que é um filme
00:18 sobre a relação de duas mulheres.
00:21 Uma mulher do Brasil, que sou eu, e uma mulher da Uganda, que é a Kevin, uma amiga.
00:27 O filme é sobre a primeira vez que a Joana vai visitar a Kevin na Uganda.
00:31 Toda a relação que elas tiveram aí de 20 anos sempre passou pela Alemanha, que não
00:36 é um país nem de uma nem de outra.
00:38 Os filmes são encontros, assim.
00:40 E aí, então, a história do filme é a Joana tá com muitos problemas no Brasil e ela
00:45 resolve ir pra Uganda pra ter um alívio dos problemas dela no Brasil, reencontrar essa
00:50 amiga juventude, né?
00:51 A gente tem essa ilusão de que, reencontrando amigos de juventude, a gente vai ter a leveza
00:56 da juventude.
00:57 E o nome Kevin do filme vem como um refúgio mesmo, né?
01:01 Um refúgio na amizade, refúgio no amor.
01:04 Wer heult denn?
01:07 Man, das musste a selva sort...
01:12 I really went close the door.
01:16 Shall we?
01:18 Shall we?
01:20 Ok, so...
01:22 Philip Morris!
01:24 You've seen it!
01:29 É um documentário sobre a vida das duas com uma chave de ficção grande, porque a
01:35 gente se trata como personagens, é como se fosse uma autoficção de nós duas, em que
01:41 essas conversas muito íntimas, elas são feitas como se tivesse uma quarta parede mesmo.
01:49 Às vezes a pessoa pensa que o documentário é uma opção mais barata de fazer um projeto,
01:54 eu acho que é uma opção estética, uma vontade muito mais próxima da gente tentar, sei lá,
02:01 entender o que tá acontecendo no mundo, entender o que tá acontecendo com a gente, né?
02:06 Nesse cenário pandêmico, que importante ver esse filme no momento que a gente tá, né?
02:11 É um filme que valoriza a amizade de duas mulheres, que conseguiram se relacionar tanto
02:16 tempo à distância.
02:17 Num momento em que tá todo mundo tão fragilizado, né?
02:21 Que as relações tão fragilizadas, que as pessoas tão olhando muito pra suas próprias
02:25 relações e pra tentar fortalecer relações, talvez a distância também, né?
02:31 Todo mundo sentindo falta de amigas e amigos e proximidade.
02:35 Eu acho que o afeto é o caminho, né?
02:39 Pra 2021, assim.
02:41 Ainda mais no momento do Brasil e do mundo em que as relações estão tão acirradas,
02:48 existe um discurso de ódio aí permeando a sociedade, um discurso muito fácil, se você
02:54 for pensar, né?
02:55 De quase que simplifica a vida, como se não tivéssemos um monstro de complexidades.
03:01 A gente tá no mundo é pra isso mesmo, é pra aceitar a diferença, pra abraçar as
03:05 dificuldades.
03:06 Se não, acho que, não sei se o caminho vale a pena.
03:10 Ai meu Deus, nós éramos tão jovens.
03:19 Eu amo essa foto.
03:20 Você mostrando seu peito.
03:26 Se alguém mostrasse meu peito agora, eu morreria, eu morreria de vergonha.
03:29 Provavelmente havia alguma música na televisão, naquela velha televisão, e nós estávamos
03:34 dançando pra ela.
03:35 Ok, de novo.
03:36 Essa foi aquela música que eu sempre me lembro.
03:40 Não, não, não.
03:41 Não, não, não.
03:42 Era algo diferente.
03:43 Ah.
03:44 Não, não lembro.
03:45 Não vá procurando pássaros, ouvir os rios e...
03:51 Essa foi provavelmente você.
03:54 Pretendendo que você estava no mar, igual as garotas.
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