Skip to playerSkip to main content
  • 3 years ago
Documentário que apresenta diálogos com entregadores e motoristas de aplicativos sobre o cotidiano, a saúde e a segur | dG1fQUtoU2NiczFYUHc
Transcript
00:00 [Música]
00:17 O entregador, ele é visto pela sociedade como prestador de serviço, mas ele não é valorizado.
00:23 As pessoas não percebem a importância do trabalho e o risco que a gente está passando.
00:30 É um serviço importantíssimo e não tem o reconhecimento necessário.
00:35 A cidade é o espaço de trabalho do entregador, né, de ser o veículo de trabalho,
00:39 mas ela não é equipada para o seu trabalho, né, na realidade.
00:42 Porque não é um trabalho que as pessoas, assim, estão recebendo alguma coisa digna para estar fazendo, sabe?
00:48 É um trabalho que a gente realmente explorava todos os dias pela nossa plataforma.
00:52 A gente não recebe um mil para a gente conseguir se sustentar e se manter.
00:56 Quando os aplicativos começaram, tinha aplicativo pagando 4,75 por quilômetro rodado.
01:01 Hoje em dia tem aplicativo pagando aí 60 centavos, 50 centavos por quilômetro rodado.
01:06 Não existe hoje um entregador ou aplicativo que esteja ganhando dinheiro, ele paga para trabalhar.
01:14 O segundo BREC nacional, eles tentaram jogar para o cliente, transformar a gente em culpado.
01:20 Para parecer que a gente está parando à toa, que a gente está chorando de barriga cheia.
01:25 Todo mundo acha que é advogado ainda e está rodando pelo aplicativo há cinco anos.
01:29 Quando você se dedica 12 horas a um determinado trabalho, sete dias por semana ou seis dias por semana,
01:35 ele não é o complemento, ele é a atividade principal.
01:37 O valor da corrida, ele influencia muito na forma que você conduz a moto, né?
01:41 Que você fica tentando correr para produzir e ainda o aplicativo induz ele a correr, colocando bônus.
01:46 Aí começam as infrações, quando as multas chegam na casa dele, ele não ganhou nada.
01:50 Ele fez as entregas do aplicativo, o aplicativo lucrou, o aplicativo ficou com bônus, mas não ficou com ônibus.
01:56 E você fica no estresse psicológico em tentar oferir a sua meta diária,
02:02 você fica vidrado ali no celular, às vezes prestando serviço para um, dois, três ou mais aplicativos.
02:08 Eu nessa pandemia, eu trabalhava geralmente antes 10 horas por dia,
02:12 agora eu estou trabalhando cerca de 14 horas por dia para poder compensar o que eu ganhava antes.
02:17 Aperfeiçoou muito, assim, minha saúde mental, física, tudo.
02:22 Você nunca sabe quem está entregando o seu carro, independente do que mais você use,
02:26 e a pessoa use mais, você ainda corre o risco grande de se contaminar e contaminar os seus também,
02:33 que seria levar o risco além de casa.
02:35 Não tem como você fazer algumas horinhas por dia e ganhar algum dinheiro.
02:40 Se você quer comprar o pão de manhã cedo, você precisa rodar, e rodar cada vez mais,
02:46 e rodar, fazer jornadas que são extenuantes, jornadas que são degradantes, o seu corpo dói todo.
02:53 Se a gente fizesse um movimento, se a gente tivesse um grupo maior,
02:57 se a gente tivesse uma voz mais ativa na sociedade e mais coletiva,
03:01 a gente conseguiria resultados com certeza mais interessantes.
03:04 Eu acredito que os próprios entregadores, se unindo, criando coletivos,
03:10 podem desenvolver o seu próprio aplicativo de entrega com valores mais justos.
03:15 Essa precarização que a categoria está sofrendo não é exclusivo da categoria, né?
03:21 É um processo sistêmico de redução de direitos trabalhistas.
03:26 No geral, as pessoas esquecem da nossa existência.
03:29 Então, é muito importante que a gente ressalte isso.
03:34 Eu acho super pertinente mostrar que os invisíveis têm voz, têm sentimento.
03:40 [Música]
03:56 [SILÊNCIO]
Comments