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  • há 3 horas
Entrevistando mulheres e meninas de diferentes origens, Eunice Gutman cria um espaço precioso para que expressem uma ambivalência radical em relação à maternidade. Marcados por realismo, eloquência simples e honestidade, seus depoimentos ecoam com pertinência onde o aborto ainda é de difícil acesso.

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00:27A CIDADE NO BRASIL
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01:28A CIDADE NO BRASIL
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07:28A CIDADE NO BRASIL
07:37A CIDADE NO BRASIL
07:54Eu sou socióloga, casada, 32 anos, duas filhas e no momento não quero mais ter filhos.
08:02Bom, eu sempre usei anticoncepcional, no começo pílula e agora diafragma.
08:07Agora se eu engravidasse, agora eu faria um aborto.
08:11Bom, a minha experiência em relação ao aborto foi de ter acompanhado duas pessoas amigas minhas
08:16e realmente eu acho que aí é uma situação complicada.
08:21Acho que pelo fato do aborto ser uma coisa não legalizada, a gente tem que fazer escondido
08:28e apesar de existirem clínicas ou lugares que façam, é sempre uma coisa que te deixa muito preocupada.
08:35As condições não são as ideais, eu acho que você corre um risco físico.
08:40Eu acho que é uma situação bastante humilhante pelo fato de ter que ser escondido.
08:58Tenho 52 anos de idade e sempre trabalhei como doméstica.
09:03Quando casada, engravidei 17 vezes.
09:06Tive 6 filhos, tendo que 11 abortos.
09:09Tenho 15 anos que fiz o último aborto e 11 que são separadas.
09:14O namoro começou, eu tinha 14 anos.
09:18Foi em Nova Iguaçu, numa festa de Santo Antônio.
09:22E correu tudo bem, com o sentimento de pai e mãe.
09:26Com dois anos e pouco de namoro e noivado, nós casamos.
09:31Até aí tudo bem, nasceu o primeiro filho.
09:33Bastante sofrimento porque eu estive em casa, né?
09:36Depois do nascimento da segunda filha, aí é que começamos a viver mal por causa de dificuldade da vida também.
09:45Ele não gostava que trabalhasse fora, mas quando eu vi que não dava, comecei a trabalhar fora.
09:50Escondido, eu lavava a roupa para fora, sabe?
09:54Em aquele tempo existia muito atraso.
09:56Ele achava que mulher que trabalhava fora, queria mandar em casa, assim.
10:02Queria ter a mesma autoridade, assim, que marido.
10:04Essas coisas, assim, não gostava, não.
10:06Depois de uns 3 anos de casada, ele começou a beber.
10:10Quer dizer que piorou mais ainda a situação financeira.
10:13E relacionamento mesmo nosso, sim, porque aí tinha filhos.
10:18Se eu tivesse mais filhos, era pior, né?
10:21Mesmo assim, eu tenho 6 filhos, né?
10:24Quer dizer que já foi muito difícil.
10:26Mas que tivesse, seria bem pior ainda, porque eu não tinha ajuda de ninguém.
10:31Era só eu mesma, né?
10:36É, quando eu engravidava, era difícil fazer aborto, porque eu não contava com uma colaboração dele.
10:42Ele não queria que fizesse aborto.
10:45Então, eu tinha que esperar 3 meses, 4, para juntar dinheiro.
10:50Porque era com lavagem de roupa que eu podia fazer o aborto.
10:57Onde fiz o último, que passei muito mal, porque era 3 gêmeos e eu não sabia, né?
11:03Fui numa curiosa, já tinha 5 meses de gravidez.
11:08E tomei uma injeção local.
11:10Fui para casa, com 24 horas eu tirei o tampão e nasceu um feto.
11:16Eu pensei que estava tudo terminado, mas não estava me sentindo bem.
11:20Eu tinha muita dor de cabeça.
11:22E quando foi a noite, eu tive muita febre.
11:24Aí eu tive que falar para minha mãe.
11:26E mais tarde, meu marido também soube, quando chegou do trabalho.
11:30Foi chamado médico em casa primeiro.
11:32Então, ele disse que não estava nada bem, que ainda restava muita coisa dentro de mim.
11:36Mas não disse que era outro feto, não.
11:39Mas no hospital Carne Chagas, então, foi retirado mais dois fetos.
11:44Então, eu lavando roupa, juntava dinheiro.
11:46Era muito barato, mas a gente ganhava muito pouco também, né?
11:50Então, nunca consegui fazer aborto antes de 3, 4, 5 meses mesmo.
11:55Mas só nesse foi que eu passei mal, assim.
11:59Então, antigamente, era muito difícil a gente evitar filho, porque remédio a gente só podia tomar com consentimento e o
12:06marido sabendo, né?
12:08Agora, hoje em dia, não.
12:09Hoje em dia, você pode evitar filho até sem o marido saber, né?
12:13Porque os métodos são mais práticos, é anticoncepcionais, é médico, é DIU e outras coisas, né?
12:19E eu usei leucocida, era um comprimido que até não me fez mal e eu passei, assim, uns 3 ou
12:264 anos.
12:27Porque meus filhos eram assim, todo ano, era uma loucura.
12:30É, eu fiquei casada há 24 anos.
12:38Meu nome é Elza Puri Sertinruti.
12:41Sou médica, chefe do setor de infertilidade, onde atendemos pacientes que não conseguem engravidar.
12:49No nosso ambulatório, atendemos um grande número de pacientes portadoras de obstruções tubárias,
12:56decorrentes de infecção pélvica, provocados por abortamentos mal realizados.
13:03Por isso, somos favoráveis que aquelas pacientes que desejarem fazer os abortos,
13:08o façam em ambientes hospitalares financiados pelo governo.
13:19Eu sou Romy Medeiros da Fonseca, advogada, presidente do Conselho Nacional de Mulheres do Brasil.
13:25Há muitos anos que nós, mulheres, estamos preocupadas com a solução desse grave problema do aborto clandestino no Brasil.
13:32E como advogada, eu devo lembrar que o nosso Código Penal é de 1940,
13:39uma legislação atualmente já ultrapassada.
13:42O Código Penal só admite o aborto legal em dois casos.
13:48Quando se tratar de salvar a saúde da gestante, da mãe, da futura mãe,
13:54ou então em casos de violência ou estupro.
13:57Vale a pena lembrar neste momento, e aí, como na minha condição de advogada,
14:02que o que nós estamos reivindicando não é nada de extraordinário.
14:04Basta lembrar que países como a Itália, e onde está situado o papado, o Vaticano,
14:11já admite a descriminalização do aborto.
14:13A França, sem falarmos na Inglaterra, nos Estados Unidos, nos países nórdicos,
14:18nos países socialistas, que desde 1920 já admitem.
14:22Quer dizer, o que nós estamos lutando por uma atualização da legislação brasileira
14:27é justamente o contrário do que existe na Europa em relação à Espanha e a Portugal
14:33e os países latino-americanos, que ainda não compreenderam a necessidade de atualizar
14:38a legislação em relação à descriminalização do aborto.
14:44Em resumo, o que nós mulheres brasileiras desejamos do Congresso Nacional
14:49é a descriminalização do aborto.
14:52Ou seja, que aqueles artigos que punem a mulher, que impedem a mulher de fazer um aborto,
14:59sejam retirados.
15:00E que todas as mulheres possam fazer este aborto como um ato cirúrgico normal,
15:05sob o patrocínio da Previdência Social também.
15:17Nós estamos aqui conversando com as mulheres sobre maternidade e aborto.
15:21Nós sabemos que ser mãe é uma função de grande responsabilidade.
15:27Por isso, não pode ser fruto do acaso, mas uma decisão, uma escolha da mulher.
15:32O problema é quando os métodos falham, o que fazer?
15:35Aí nos defrontamos com a questão do aborto.
15:37O aborto não é um prazer para nenhuma mulher.
15:41Muitas vezes nós fazemos o aborto para criar melhor, educar melhor os filhos que já temos.
15:47Porque aborto e maternidade faz parte da vida de toda mulher.
16:01Muitas vezes nós fazemos o aborto para criar melhor, educar melhor os filhos que já temos.
16:29O que é isso?
16:56O que é isso?
17:24O que é isso?
17:46O que é isso?
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