00:00Quem viu a criança nascer espalhou a notícia.
00:03A pele dela, de tão lisa e luminosa, brilhava como se recém-ilustrado.
00:08Reluzia igualzinha ao espelho.
00:10E caso alguém arregalasse as vistas, procurando ver o rosto vindo ao mundo,
00:16encontrava nele refletido apenas a própria imagem.
00:20Ser patrona é se tornar gigante.
00:22É ter uma orelha enorme para escutar um pouco sobre a produção editorial aqui em Porto Alegre.
00:33E mais especificamente, a produção literária voltada para as infâncias.
00:38E mais do que isso, é o recorte racial que a gente tem nessa produção.
00:45Ou seja, autorias negras são muito importantes.
00:48Elas representam, né?
00:50E ser patrona está dentro desse lasco todo.
00:58Eu também não sabia.
01:00Daí a Marta Medeiros me assessorou um pouco nisso.
01:05Porque eu já comecei questionando um pouco a coisa do patrono, né?
01:11Semanticamente.
01:12Para a coisa da mater, né?
01:16Matrona, né?
01:18Que é mulher.
01:19Mas a função...
01:21Eu acho que, além de ser uma...
01:27Quase que um amigo, né?
01:28Dessa produção literária, do livro.
01:31Amigo do livro.
01:33É pegar cada um desses elos.
01:36Então, o livreiro, os leitores e leitoras, a imprensa.
01:44Então, tem vários ângulos que formam a gente trazer uma vibração positiva para tudo isso, né?
01:53Porque é uma relação, é uma roda.
01:57Não só se tornar escritora, mas se tornar editora, se tornar ilustradora, se tornar jornalista, né?
02:06Com essa pauta.
02:08Então, é muito importante porque amplia o escopo de visão sobre...
02:16Que parte de um lugar chamado Feira, do livro de Porto Alegre.