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  • há 1 dia
A emergência do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, uma das referências de alta complexidade do SUS no Rio Grande do Sul, enfrenta episódios frequentes de superlotação. Em um dos dias acompanhados pela reportagem, 132 pacientes eram atendidos em uma estrutura preparada para 56 leitos, levando ao uso de macas em corredores e à restrição de novos atendimentos. Pacientes, familiares e especialistas relatam os desafios da falta de leitos e apontam caminhos para reduzir a pressão sobre as emergências.

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Transcrição
00:16A emergência do Hospital de Clínicas é uma das três de alta complexidade do SUS em Porto Alegre que enfrenta
00:23a superlotação recorrente.
00:25O local tem adotado restrição máxima quando atinge o limite de estrutura de atendimento.
00:31Neste cenário, somente pacientes que chegam pelo SAMU são recebidos.
00:37A reportagem teve acesso ao local no começo de outubro, quando 132 pacientes estavam sendo atendidos em uma capacidade para
00:4656 leitos.
00:48É 90 pacientes com indicação de internação que estão aqui, como a gente diz, presos na emergência.
00:56O que acontece com esses 90 que estão aguardando aqui?
00:59Muitas vezes eles resolvem essas questões aqui, após alguns dias aqui dentro da emergência aguardando,
01:03e tem alta direto de emergência.
01:06E alguns acabam acessando o leito.
01:08Agora a gente tem um paciente aguardando aqui a 180 horas.
01:13Isso é algo normal, 180 horas?
01:17Normal não é, né? Não deveria, mas é um grupo pequeno de pacientes que chega a esse tempo.
01:22Com alta demanda de pacientes com doenças crônicas, oncológicas e com complicações,
01:28a alternativa é improvisar o atendimento em macas no corredor e cadeiras até chegar ao máximo da capacidade.
01:36Fiz um transplante de rim aqui faz dois meses.
01:39E agora tive uma complicação e tive que voltar a tacar.
01:42E como que está sendo, que dia que a senhora chegou, a senhora está aguardando há quanto tempo?
01:47Ah, eu estava aguardando a avaliação para ver o que ia ser feito, né?
01:51Agora eu já estou aguardando o leito.
01:53Estou desde o dia 30 aqui.
01:54Mesmo que tenha sido no corredor, muito bom, todo mundo muito atencioso.
01:59A higiene muito boa, a alimentação também, muito bom.
02:04E eles deram alguma perspectiva para a senhora de quando vai para o leito?
02:09Ela esquece que em breve, porque a prioridade é para os transplantados.
02:13A dificuldade de atendimento em outras cidades faz com que pacientes prefiram buscar a emergência em Porto Alegre,
02:20como o caso dessa moradora de Viamão que veio acompanhar o marido com complicações pela diabetes
02:26e que tem mais de 20 enfermidades.
02:29Dois dias aqui.
02:31Então vamos para a senhora de Viamão?
02:33Não, está bom, está bem.
02:35Elas, enfermeira, fazem o que pode.
02:37Tem lugares aí que não tem nem esparadrapo.
02:40Tem nada.
02:41Enviar a mão é um deles.
02:42Duas vezes que a gente tentou ir para a emergência, teve que sair, que ir embora porque não tivemos dinheiro.
02:48Fico aqui a noite toda.
02:49Estou sentada na noite toda.
02:51A noite toda.
02:52Não consigo dormir.
02:53Não.
02:54Não tem como dormir, não.
02:55Não tem condições de dormir na cadeia, né?
02:57E com dor, pior ainda.
02:59É frustrante, né?
03:01É complicado a gente passar a noite toda assim, mas pelo menos o atendimento a gente está conseguindo, né?
03:08No caso dessa paciente aqui que a gente conversou que ficou a noite toda sentada numa cadeira,
03:13para orientação seria preferível ela ter atendimento do que ser negada?
03:19Exatamente.
03:19Ela precisa de um atendimento.
03:20Ela precisa ser avaliada, vista e definida.
03:22Se ela precisa internar, se ela vai poder sair.
03:24Isso demanda um certo tempo, né?
03:25A gente, na imensa maioria dos pacientes, a gente resolve eles dentro das primeiras 24 horas, né?
03:31Mas a gente tem aumentado a demanda de pacientes que acabam permanecendo mais tempo dentro da emergência,
03:35com indicação e internação, que não saem da emergência.
03:37Isso é algo claro, inclusive, na literatura médica sobre lotação de emergência.
03:42É sempre dito isso.
03:44O problema não é o paciente de baixa complexidade.
03:46O problema são os pacientes que não saem da emergência com indicação e internação.
03:49Esse é o motivo da lotação das emergências.
03:52Os especialistas acreditam que é preciso ter um acompanhamento
03:56para que os pacientes com problemas crônicos não agudizem para chegar na porta da emergência,
04:02mas também defendem uma rede mais interligada para aumentar a rotatividade de leitos.
04:08Então, se a gente consegue ter um sistema de atenção primária comunicado e conversando com todos os hospitais,
04:15a gente pode abreviar situações de internação para terminar tratamentos,
04:21quando não precisa o tratamento endovenoso,
04:25mais de, acho que são três vezes que é o limite que a gente consegue fazer com o melhor em
04:31casa.
04:31A equipe consegue fazer esse acompanhamento em casa
04:36e várias vezes a própria equipe de atenção primária consegue dar a continuidade
04:41e terminar determinados tratamentos no domicílio.
04:45A equipe consegue fazer esse acompanhamento no domicílio.

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