00:00E eram 4h43 da tarde, quando esses quatro amigos estavam saindo de uma pescaria realizada
00:07aqui em Barra de Jangada, já ali perto do Paiva, e a gente vê nas imagens eles de bicicleta.
00:15Todos passam pelo local, mas depois as imagens não mostram, porém a gente consegue ouvir
00:21o momento em que um carro preto passa, aparentemente em alta velocidade,
00:26e a gente consegue escutar, na verdade, nesse momento, o momento em que o motorista freia de forma brusca.
00:33Foi exatamente aí, de acordo com as testemunhas, que o pedreiro, Nilson Severino Barreto, de 53 anos,
00:40foi atingido e não resistiu a essa pancada.
00:44A gente tem até imagens de drone que mostram do alto o momento em que a família chegou até o
00:49local,
00:50o desespero tomou conta de todo mundo, até porque o Nilson é muito querido,
00:54viu? Era muito querido aqui por todos.
00:56E eu vou conversar com quatro pessoas.
00:59Vou falar agora com o Edinaldo Jerônimo de Souza, que é amigo de trabalho,
01:03e compartilhava também esses momentos de pescaria com o Nilson, né?
01:08É, aí aconteceu, quando a gente estava vindo, aí eu vinha mais atrás, ele vinha na frente,
01:16aí quando ele subiu a rampa, o carro vinha na alta velocidade, aí pegou ele, bateu nele,
01:21na faixa de ciclista.
01:23Você sabe dizer se ele tentou ligar o carro para sair do local?
01:26Não, não, ele saiu do carro e já foi correndo para dentro dos matos.
01:30Aí eu fui atrás de socorro lá na marina, onde a gente trabalha, fui lá chamar o rapaz lá
01:34para atrás de socorro, mas não teve jeito não.
01:38Deixa eu ouvir agora a esposa do Nilson, que é a dona Vera Lúcia, Maria da Conceição,
01:43dona Vera Lúcia.
01:44A senhora conviveu por quanto tempo com o Nilson?
01:4738 anos.
01:4838 anos, casada com ele, uma vida inteira com ele, e recebeu a notícia que seu marido
01:53foi, morreu, depois de um momento de lazer, né?
01:57Foi, e eu só quero essa justiça.
02:02Ele era uma pessoa muito boa, não merecia morrer assim, dessa forma que ele foi morto.
02:07Ele costumava ir com os amigos, pescar, gostava dessa atividade?
02:12Ele gostava de pescar. Eu que não gostava, ela até me chamava, mas eu não gostava.
02:18E como foi para a senhora receber a notícia da morte dele?
02:21Olha, quem recebeu primeiro foi a minha filha, que ele ligou.
02:25Aí quando eu vim aqui na casa da minha irmã, quando eu vi ela, vem ela nas carreiras chorando.
02:30Aí eu voltei, momento nenhum eu pensei que tinha sido ele, eu só pensei no esposo dela,
02:34porque ele é motorista e ele, quando ele larga, ele vem de moto.
02:38Aí eu pensei, quando eu entrei, ela disse, mãe, o carro bateu nisso, mãe, o carro bateu nisso.
02:46Deixa eu falar agora também com a filha, o senhor Nilson, que está aqui ao meu lado,
02:51que é a Suelen Maria da Conceição.
02:54Suelen, você está emocionada, porque você acompanhou todos esses passos.
03:00Eu não sei se é você que aparece naquela imagem, vendo o corpo do seu pai.
03:04Depois vocês foram até a delegacia, porque esse homem permaneceu no local, foi conduzido até a delegacia.
03:09Mas lá ele foi liberado, né?
03:13Qual foi o seu sentimento e qual foi a resposta que a polícia deu a você para essa liberação?
03:18O sentimento é o pior possível, o sentimento de revolta, de impunidade, sabe?
03:24De saber que uma pessoa como meu pai morreu e a pessoa que fez isso não ser responsabilizada.
03:30É muito triste.
03:31O pai era um homem muito honesto, um homem íntegro.
03:35Ele não merecia passar pelo que ele passou, ser jogado daquela forma.
03:41A gente não teve suporte nenhum da polícia.
03:43A gente não teve, não houve um mínimo de humanidade no motorista.
03:49O motorista alegou que estava com medo de ser linchado.
03:53Se vocês verem as imagens de...
03:55Quando eu cheguei no local com minha mãe, você vai ver que não tem possibilidade de eu querer agredir aquele
04:01homem.
04:01Eu cheguei desorientada, desnorteada.
04:04Eu só queria salvar meu pai, eu só queria tirar ele dali, colocar ele no carro e levar para o
04:08hospital.
04:09Infelizmente, a gente não pôde mais fazer nada, porque foi uma... foi muito forte apontada.
04:15Eu vou falar agora com o cunhado, tá? Do Nilson, que está aqui ao meu lado, muito abalado também,
04:20que é o Wilton Araújo, que está revoltado. Por quê?
04:24Aqueles policiais que foi a ocorrência, ele não representa a polícia militar de Pernambuco.
04:29Eu tenho amigos policiais, comandantes da polícia militar, que trabalham de outra forma.
04:34São uma pessoa que tem compaixão, ele se compadece das pessoas.
04:39E eu acredito que ele não passou para aqueles policiais e saiu para fazer na rua.
04:42Então, aqueles policiais ali não representam a polícia militar.
04:45A gente pede muito por justiça, porque a gente só quer justiça.
04:48A gente quer que ele pague pelo que ele fez, só isso.
04:50Então, rapidamente, você descobriu qual é a profissão do homem que atingiu o Nilson?
04:57Ele faz filmagem, filmagem, fotografia, alguma coisa assim, né?
05:00Ele trabalha como filmmaker.
05:02O que? Positivo, o filme.
05:03E disse onde morava?
05:05Não, não.
05:07A nossa equipe de reportagem vai ficar de olho nesse caso.
05:12E qualquer novidade, a gente volta a trazer aqui na nossa programação.
05:15E aí, comua.