00:00Era mais ou menos 17 horas e 30 minutos, 5 e meia da tarde, quando recebo a ligação do meu
00:04líder religioso
00:05dizendo que um membro da igreja estava correndo risco de morte.
00:10Imediatamente eu entrei em contato com esse membro da igreja e fiquei aterrorizado.
00:15Por quê? Havia provas cabais de um plano sórdido de morte deste membro da igreja e de uma mulher.
00:22Você conhece alguém que tem vendido um revolver?
00:24Vai lá, conta pra eles que você vai junto com eles.
00:32E o pior, já havia uma decisão judicial decretando a prisão deste criminoso
00:41que estava colocando em risco o membro da nossa igreja.
00:45O que nós fizemos? Fomos imediatamente conversar com as pessoas que poderiam ser vítimas de um criminoso.
00:52Porque depois, delegada Tatiana, não adianta chorar o leite derramado.
00:55Falando dessas vítimas, nós tínhamos duas em especial.
01:00A vítima mulher, uma advogada.
01:03Inclusive eu falei com ela em videochamada.
01:06Ela estava chorando, desesperada, temerosa pela sua morte.
01:12Ela me relatou que teria sido horas antes, poucas horas antes,
01:17vítima de ameaça de morte, vítima de stalking e vítima de descumprimento de medida protetiva.
01:24Bem como ela e seu advogado teriam sido vítima de um plano de morte que já teria iniciado a execução.
01:33Inclusive me mostraram, me apresentaram diversas provas contundentes entre elas.
01:40Áudios, uma declaração fortíssima da pessoa que foi paga para executá-los.
01:47Ou seja, nós estaríamos aí diante de um plano de feminicídio de uma mulher
01:51e também um homicídio do advogado dela justamente por ela ser mulher.
01:59Essa mesma mulher informou que teria medo de morrer naquela noite,
02:05uma vez que o matador já estava contratado.
02:09Analisando rapidamente as provas, nos deparamos com a situação de que
02:13contra esse autor, contra esse criminoso, havia um mandado de prisão expedido
02:19pela justiça de violência doméstica e cuja decisão foi baseada desse mandado de prisão
02:28justamente nesses planos de morte.
02:30Então, o que aconteceu?
02:32Eu fui até o local apurar os fatos, porque eu sou fiscal da lei,
02:36eu sou deputado estadual eleito pela sociedade.
02:39Eu não sou covarde, eu não sou omisso, eu não vou num bar beber, eu não vou passear,
02:45eu vou defender a sociedade.
02:47E foi isso que eu fiz, delegada Tatiana, fomos até o local apurar e evitar um feminicídio,
02:53evitar um crime mais grave contra este advogado, porque havia provas cabais disso.
02:58Então, fomos ao local, sim, e exercemos a nossa função nos termos do artigo 301 do Código de Processo Penal.
03:06Para vocês entenderem, para quem não é do direito, o Código de Processo Penal estabelece no artigo 301
03:11que qualquer do povo, você mesmo, pode prender em flagrante quem estiver cometendo um crime.
03:18É isso mesmo.
03:19E nós, policiais, somos obrigados, obrigados a agir sob pena de nós, policiais,
03:24cometermos um crime que é de prevaricação.
03:27Então, em virtude da emergência, fomos sim, fomos ao local, fomos apurar o fato,
03:33fizemos diligências em frente à residência, cujo endereço foi passado pela vítima que estava chorando,
03:39desesperada e com medo.
03:41E como a delegada Tatiana já disse, o mandado de prisão era pela Lei Maria da Penha,
03:46por descumprimento de medida protetiva.
03:48Mas o que levou a essa decisão judicial, e nós vimos o material trazido pela vítima homem,
03:55era um plano sórdido de homicídio e de feminicídio.
03:58Aqui, não!
04:03Aqui, não!