00:00Imagine você viver como um prisioneiro dentro da própria casa.
00:05Minha vida tá um inferno, minha vida tá um terror.
00:08Eu não saio mais, eu não tenho mais como sair de casa.
00:11Eu não tenho mais como trabalhar.
00:13Eu não tenho mais como fazer nada, gente.
00:16Um, dois, três cadeados, correntes nos portões, grades na entrada de casa.
00:23Tudo isso pra se proteger do próprio filho.
00:26Essa situação deplorável é encarada por uma senhora de 60 anos que mora aqui em Balneário de Carapibus, na Serra.
00:34E por questões de segurança, nós não vamos identificar a casa e nem a rua onde essa vítima mora.
00:41Há anos, ela sofre com a dor de ver o filho no mundo das drogas.
00:46E com ele, gente, ela sofre as consequências de quem escolhe trilhar, caminhar nesse mundo.
00:51E na tarde dessa terça-feira, ela viu a casa dela ser invadida mais uma vez.
00:57O filho entrando na residência em busca de algo, de algum item, algum eletrodoméstico que ele pudesse levar pra rua
01:06e trocar por drogas.
01:08Nessa situação toda, ela não teve nenhuma outra alternativa, né?
01:13A não ser buscar ajuda.
01:15Isso porque nem os cadeados e nem as correntes foram suficientes pra conter o agressor,
01:20que conseguiu entrar após quebrar o telhado da residência.
01:25Ele falou assim que hoje eu vou beber seu sangue.
01:28E são essas coisas, muita, muita, muita, muita agressividade, muito xingamento.
01:34Eu vivo de baixo xingamento. Eu não posso falar nada.
01:38Minha casa, eu não sei mais o que fazer. Eu não sei mais o que fazer.
01:42Mas desta vez, o agressor não conseguiu levar nada.
01:45A vítima acionou a polícia militar que rapidamente chegou ao local.
01:49Eu que chamei as polícias porque eu fiquei com muito medo dele ontem.
01:53Porque ele ontem estava muito transtornado, muito agressivo.
01:57Aí eu chamei as polícias e ele estava dentro de casa e eu estava lá fora.
02:01Aí eu fiquei esperando a polícia chegar.
02:04Mas nem sempre ela teve a mesma sorte.
02:06É que por várias vezes o filho entrou e saiu da residência sem que ela ao menos tivesse tempo de
02:11pedir ajuda.
02:12E a falta de móveis pela casa comprova a situação.
02:16Na cozinha já não tem mais fogão, botija de gás.
02:20Nos armários não tem mais panelas.
02:22A vítima diz que o filho furtou tudo e trocou por drogas.
02:37A idosa disse que por várias vezes já tentou internar o filho, mas sempre sem sucesso.
02:44Porque ele conseguia, inclusive, fugir dos locais.
02:47Só que como ela estava sendo ameaçada e agredida verbalmente, ela passou a buscar a ajuda da polícia.
02:55Ela, inclusive, já tinha medida protetiva contra o próprio filho.
02:59Desta vez, ele foi detido.
03:01Foi levado para o plantão especializado da mulher em Vitória e autuado em flagrante por injúria, ameaça, violação de domicílio
03:10e dano ao patrimônio.
03:12Ambos na lei Maria da Penha e encaminhado para o presídio.
03:16Apesar de se sentir segura ao saber que o agressor está preso, essa está longe de ser a vida que
03:22a mãe desejou para o próprio filho.
03:24E por isso, ela pede ajuda.
03:27Era o que eu mais precisava da vida, que alguém me ajudasse a internar ele.
03:32Porque eu já entendi ele várias vezes, mas é clínica aberta, ele sai, ele não fica.
03:37Ele tem que tomar medicamentos, ele não toma.
03:40Então, para ele fazer esse processo, ele tem que estar internado numa clínica fechada para poder fazer esse tratamento dele.