00:01Esse com uniforme militar é Bruno de Paulo Carvalho, de 29 anos, capixaba de Barra de São Francisco, noroeste do
00:10estado.
00:11Há alguns anos vivia em Minas Gerais com a esposa, a enteada de 6 anos e o filho de 5.
00:17A mãe de Bruno contou que ele foi recrutado para trabalhar como técnico de enfermagem, cuidando de soldados feridos na
00:25guerra da Ucrânia.
00:26A proposta chamou a atenção do rapaz, mas a família disse que foi contra a ideia desde o início.
00:33Porém, há cerca de quatro meses, a mãe de Bruno soube que ele já estava no país.
00:39Ele comentou comigo, falou, mãe, o salário é bom e tal.
00:41Eu falei, meu filho, o salário é bom, mas tem o risco da vida.
00:44Ele falou, mãe, mas eu vou trabalhar como técnico lá.
00:48Eu não vou para a linha de frente porque lá tem muito soldado machucado que precisa de ajuda.
00:52Segundo a família, Bruno começou a trabalhar na linha de frente.
00:57A mãe disse que ele já havia sido baleado na mão, mas voltou ao combate.
01:02Nessa segunda-feira, a esposa recebeu uma mensagem do tradutor do batalhão,
01:07informando que Bruno havia falecido durante uma missão de combate ao cair em uma emboscada.
01:13Betânia soube da morte do filho somente depois.
01:16A única coisa que a gente recebe é uma mensagem pelo WhatsApp.
01:22Chegou para a minha nora e nós estamos tentando contato desde ontem.
01:28A única coisa que é passada para nós é que eles vão mandar um documento falando, né?
01:36Um documento, como ele foi morto.
01:38Bruno fazia parte da Legião Internacional de Defesa da Ucrânia,
01:42um grupo formado por voluntários de vários países para lutar contra a invasão russa.
01:48Mandar alguém sem um treinamento próprio, específico para a guerra,
01:53não é só um risco que dificulta atingir os objetivos militares,
01:57mas é praticamente sentenciar a pessoa à morte no campo de batalha.
02:00Se você não consegue falar a mesma língua que os soldados que estão ao seu lado da trincheira,
02:05você sequer consegue pedir socorro, caso precise.
02:07O conflito entre Rússia e Ucrânia já dura mais de três anos.
02:11Estudos indicam que a Ucrânia já perdeu 11% do território desde o início da invasão.
02:18A mãe de Bruno se emociona ao lembrar do filho e luta para conseguir respostas sobre o corpo do rapaz.
02:25Eu estou aqui, não sei o que fazer, não tem como eu saber o corpo do meu filho,
02:33eu não vou poder trazer, eu sei que eles não vão me devolver.
02:46Procuramos o Itamaraty, mas não tivemos retorno.