00:00E aí
00:06Gente, olha só, a gente teve uma boa notícia ontem, né?
00:09Que o Brasil saiu do mapa da fome da ONU, né?
00:12Mas ainda não dá pra comemorar muito.
00:14É que 2,5% da população ainda segue em risco de desnutrição.
00:20A equipe do Balanço Geral, gente, conversou com uma família
00:23que já chegou a ficar três dias sem comer.
00:25Imagina que absurdo, balança.
00:29O Carlos já sentiu na pele o que é passar fome
00:32e ver faltar o básico para a própria família.
00:35Ele já chegou a ficar três dias sem ter o que comer.
00:38O dinheiro que tem vem do trabalho como vendedor ambulante de quebra-queixo
00:42pelas ruas de Vila Velha.
00:45O dinheiro que ganha varia muito de um dia pro outro.
00:49Por vezes é insuficiente para sustentar os seis filhos que tem com a esposa, Débora.
00:53É cansativo subir no pé de coco, que eu não tenho ferramenta para subir no pé de coco.
00:59Eu vou e quebro meus cocos, vou trabalhando, ralando, os braços já estão cansados, a coluna já dói.
01:06Já tem quase nove anos que a gente está nessa caminhada vendendo doce.
01:10E a gente pega, sai, às vezes cedo, vai pra longe.
01:15Às vezes a gente anda, anda, anda.
01:16É difícil vender um doce porque as pessoas não preferem tanto doce.
01:19Uns falam, ah, eu tenho diabetes.
01:21Uns falam, ah, não quero agora.
01:24A gente vai lutando.
01:26Às vezes eu ando bastante, eu canso, paro, descanso.
01:29Minha cabeça começa a queimar, né?
01:31Que a caixinha, né?
01:32Eu tenho que trazê-la num peso bom para o vento não derrubar, não carregar.
01:36E às vezes eu faço uns 70 reais, às vezes eu faço uns 40, às vezes eu faço uns 150.
01:43E é depois dessa rotina, desse dia puxado, que o Carlos volta para a casa onde ele está vivendo, tá?
01:50Hoje, uma casa que, como vocês podem ver, é feita ali de madeirite, né?
01:56De uma forma, digamos assim, improvisada.
01:59E o dinheiro que ele consegue juntar vendendo os doces não tem sido suficiente para que ele consiga reformá-la,
02:07né?
02:07Dar um pouco mais de segurança, um pouco mais de conforto para a família dele.
02:12E é justamente esse o sonho que ele tem atualmente.
02:15Conseguir juntar dinheiro o bastante para trazer uma situação, uma condição melhor para a família dele, para a esposa e
02:24também para os filhos.
02:25Eu gostaria tanto de melhorar aqui, né? Poder fazer o piso, poder fazer as paredes mais firmes, poder estar organizando
02:34melhor,
02:34que fica complicado a gente chegar ao ter um material de construção e fazer essa compra.
02:38A casa fica em Vila Esperança, nas proximidades de Jabaité.
02:42Carlos conta que, além de trabalhar duro, convive com dificuldades físicas e trata um transtorno psicológico que ainda não foi
02:49diagnosticado.
02:50Eu venho tentando saber o que eu tenho. Eu faço tratamento médico, faço acompanhamento médico, mas eu ainda não consegui
02:57meu laudo.
02:58O Brasil saiu recentemente do mapa da fome, mas 2,5% da população segue em risco de desnutrição.
03:05Como o trabalho, por vezes, é insuficiente, Carlos pede ajuda.
03:10Temos o meu Pix, né? Que eu uso para trabalho, porque às vezes eu deixo até de vender, que se
03:14eu não tiver meu Pix, né?
03:15Que as pessoas só têm um Pix. Aí eles pegam qual Pix, aí eu digo. Digo o número do Pix,
03:20eles vão e me ajudam.