00:00O Carlos já sentiu na pele o que é passar fome e ver faltar o básico para a própria família.
00:06Ele já chegou a ficar três dias sem ter o que comer.
00:09O dinheiro que tem vem do trabalho como vendedor ambulante de quebra-queixo pelas ruas de Vila Velha.
00:17O dinheiro que ganha varia muito de um dia para o outro.
00:20Por vezes é insuficiente para sustentar os seis filhos que tem com a esposa, Débora.
00:25É cansativo subir no pé de coco, que eu não tenho ferramenta para subir no pé de coco.
00:31Eu vou e quebro meus cocos, vou trabalhando, ralando, os braços já estão cansados, a coluna já dói.
00:38Já tem quase nove anos que a gente está nessa caminhada vendendo doce.
00:42E a gente pega, sai, às vezes cedo, vai para longe.
00:46Às vezes a gente anda, anda, anda.
00:48É difícil vender um doce porque as pessoas não preferem tanto doce.
00:51Alguns falam, ah, eu tenho diabetes.
00:53Alguns falam, ah, não quero agora.
00:56A gente vai lutando, às vezes eu ando bastante, eu canso, paro, descanso, minha cabeça começa a queimar, né?
01:03Que a caixinha, né?
01:04Eu tenho que trazê-la num peso bom para o vento não derrubar, não carregar.
01:08E às vezes eu faço uns 70 reais, às vezes eu faço uns 40, às vezes eu faço uns 150.
01:14E é depois dessa rotina, desse dia puxado que o Carlos volta para a casa onde ele está vivendo, tá?
01:21Hoje, uma casa que, como vocês podem ver, é feita ali de madeirite, né?
01:28De uma forma, digamos assim, improvisada.
01:31E o dinheiro que ele consegue juntar vendendo os doces não tem sido suficiente para que ele consiga reformá-la,
01:38né?
01:38Dar um pouco mais de segurança, um pouco mais de conforto para a família dele.
01:43E é justamente esse o sonho que ele tem atualmente.
01:46Conseguir juntar dinheiro o bastante para trazer uma situação, uma condição melhor para a família dele, para a esposa e
01:55também para os filhos.
01:56Eu gostaria tanto de melhorar aqui, né? Poder fazer o piso, poder fazer as paredes mais firmes, poder estar organizando
02:05melhor,
02:06que fica complicado a gente chegar até o material de construção e fazer essa compra.
02:09A casa fica em Vila Esperança, nas proximidades de Jabaité.
02:14Carlos conta que, além de trabalhar duro, convive com dificuldades físicas e trata um transtorno psicológico que ainda não foi
02:21diagnosticado.
02:21Eu venho tentando saber o que eu tenho. Eu faço tratamento médico, faço acompanhamento médico, mas eu ainda não consegui
02:28meu laudo.
02:29O Brasil saiu recentemente do mapa da fome, mas 2,5% da população segue em risco de desnutrição.
02:37Como o trabalho, por vezes, é insuficiente, Carlos pede ajuda.
02:41Temos o meu Pix, né? Que eu uso para trabalho, porque às vezes eu deixo até de vender, que se
02:45eu não tiver meu Pix, né?
02:46Porque as pessoas só têm um Pix. Aí eles pegam qual Pix, aí eu digo, digo o número do Pix,
02:52eles vão e me ajudam.