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SYANNE NENO E RODOLFO SOUZA CONVERSARAM COM EMERSON CONCEIÇÃO, TREINADOR DE GOLEIROS DO PAYSANDU.
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NotíciasTranscrição
00:06Olá pessoal, tudo bom?
00:07Nosso entrevistado da semana é o preparador de goleiros do Paissandu.
00:11Nessa semana decisiva, antes do jogo, que pode dar o acesso, o tão sonhado acesso,
00:18missão dificílima lá em Santa Catarina, desculpa, e a gente está aqui para conversar
00:26com ele sobre a preparação dos goleiros do Paissandu, como é que foi essa vinda dele
00:31para cá, afinal o Emerson defendeu a camisa 1 bicolor muito bem entre 2015 e 2017, foi
00:39o último, digamos, ídolo bicolor com a camisa 1, Rodolfo, o último jogador que caiu nas
00:46graças, o último goleiro que caiu nas graças da torcida realmente, Rodolfo, obrigado por
00:51ter você aqui mais uma vez, Emerson, muito obrigada pela sua presença.
00:55Obrigado, obrigado pelo convite, para mim é uma honra poder estar participando com
00:59vocês.
01:00Emerson, como é que surgiu esse convite?
01:03Você conseguiu acesso ano passado pelo Londrina como preparador de goleiros e de repente surgiu
01:10esse convite para voltar aqui para o Norte, como é que você recebeu esse convite?
01:16Olha, eu posso dizer com toda clareza, foi com muita alegria, foi com muita alegria, porque
01:22eu saí daqui fisicamente, mas a cabeça sempre aqui, sempre pensando, acompanhando e quando
01:32eu resolvi aposentar e resolvi tomar conta de voltar ao futebol de uma forma diferente,
01:40preparando os goleiros, estando participando, entre aspas, eu decidi que um dia eu poderia
01:48ter uma oportunidade de voltar ao Paissandu, porque é um clube gigantesco, uma torcida apaixonada
01:54que realmente vive um clube e eu comecei a tomar essa carreira em Londrina.
02:02Tive a oportunidade de começar no Sub-20 e acabei chegando no profissional rapidamente
02:07e nós tivemos o acesso em 2025.
02:12Quando tivemos o acesso em 2025, infelizmente o Paissandu estava caindo para a Série C.
02:18Um ano tenebroso para a Série Cicolor.
02:21Tenebroso, foi um ano assim que literalmente para esquecer, né?
02:24E nesse modo, nesse dia, eu estava de férias com a família, eu recebi uma ligação.
02:30De quem?
02:31Essa ligação, assim, que nem eu costumo falar com uma esposa, tem algumas pessoas que
02:34você não pode recusar.
02:36E foi o Dr. Maia, né?
02:38O presidente Maia, eu sempre trato ele como presidente porque foi meu presidente, né?
02:43E ele realmente, ele foi categórico comigo.
02:48Emerson, eu vou falar com as palavras dele.
02:51Emerson, eu preciso de um treinador de goleiro aqui, como você, o mesmo pensamento, comprometimento,
02:57personalidade.
02:58Eu falei, ah, presidente, eu confesso para você que eu não vou encontrar, não, né?
03:02O único que pode ser sou eu mesmo.
03:05E ali começou uma conversa a respeito, né?
03:09O meu diretor que me deu uma oportunidade foi o Dado Cavalcante, que trabalhou comigo,
03:14que foi o meu treinador aqui.
03:16Quando eu falei da situação, já pronto, ele já falou, meu, você está liberado, pode
03:20ir, né?
03:21O Maia ligou, pode ficar tranquilo.
03:23E foi onde que a gente, eu não pensei duas vezes em vir para cá.
03:28Emerson, eu queria que tu me falasse, até pelo fato de ter sido um excelente, né?
03:34O goleiro brilhou no Guarani, no País Sandu então.
03:39Então, no Londrina, conseguindo fazer bons papéis na Série B no Londrina, na tua visão
03:46de experiência, qual é a maior dificuldade?
03:51Eu deixava em ano que vem, em 2027, tu vai continuar no País Sandu.
03:55Dez anos, essa maior dificuldade que o País Sandu tem na posição de goleiro.
04:01Porque é uma pressão muito grande.
04:04Eu sempre uso o exemplo que, no momento que tu entras, eu vou colocar de 2015 para cá.
04:12Não houve um outro goleiro que se destacasse.
04:14Não, e eu não sei se tem a questão de comparação, entendeu, amiga?
04:17Porque, por exemplo, o Remo teve, em 2015, o Fabiano, que já vinha de 2014.
04:22Eu vou pegar de 2013, Fabiano, Fernando Henrique, aí teve, sempre eu me esqueço o nome, que
04:29foi antes do Vinícius, que ficou seis meses, três.
04:34Vinícius, quatro.
04:35O Thiago Coelho?
04:36Não, não, foi o que veio antes, veio junto com o Vinícius em 2017.
04:41Aí o Vinícius, quatro.
04:44Aí ficou todo o tempo do Vinícius, Marcelo Rangel.
04:47Foram cinco goleiros só.
04:49Em 12, ano que vem, em 14 anos.
04:53É muito pouco.
04:54Qual é a maior dificuldade, Emerson, que tu já está enxergando, decifrando?
05:00Porque eu acho que tu tem que trabalhar.
05:01A parte da preparação e o mental dos jogadores, os goleiros do País Sandu.
05:05Eu queria que tu falasse sobre isso.
05:06Tu já conseguiu decifrar essa dificuldade, essa cobrança forte?
05:11Porque em 14 anos o Remo tem cinco goleiros e tu saiu, já vão fazer dez anos, tu é muito
05:18querido e lembrado como esse último goleiro que deu certo, vou usar o termo do pai desse
05:24rapaz aí, que é um grande narrador, no ar, Cubicolor.
05:28Olha, realmente, é um assunto, assim, muito delicado, porque quando você fala, às vezes
05:34soa de uma forma prepotente, soberba, e não é.
05:40É, eu tenho acompanhado o País Sandu desde quando eu saí daqui, eu fiquei muito triste
05:43com a minha saída, não era o que eu gostaria que fosse, infelizmente aconteceu e, assim,
05:50de lá pra cá a gente tem visto, assim, que os atletas têm tido dificuldade, os goleiros
05:53de permanecer, de dar uma sequência, de realmente cravar, né, e isso eu entendo mesmo que, assim,
06:02é uma responsabilidade muito grande.
06:03Eu costumo dizer que, assim, no gol do País Sandu, como eu fiquei três anos e eu cheguei
06:12aqui praticamente desconhecido, eu consegui a minha titularidade trabalhando, quieto, fazendo
06:19o meu trabalho.
06:20Aqui há uma pressão gigantesca, é um time de massa, é um escudo pesado, uma camisa
06:25pesada e o atleta quando vem pra cá, ele precisa ter esse discernimento, que é uma responsabilidade
06:32gigantesca aqui.
06:33E quando ele não tem e chega que ele se depara, às vezes ele se assusta, se assusta
06:40porque, assim, é 8,80.
06:43A torcida aqui, quando tá bem, ela te carrega.
06:46E quando você, quando as coisas não estão bem, a cobrança é gigantesca também.
06:50Você precisa ter essa dimensão, esse entendimento.
06:55Então, assim, eu falo por mim, assim, que desde quando eu passei aqui, pode ter outros
07:01tecnicamente melhor, mas psicologicamente comprometido com a função, eu acho que não
07:11vai ter outro igual eu, igual a mim.
07:13Legal.
07:13Tu conversa com os meninos?
07:15Conversa.
07:15Com eles, tu fala.
07:18Porque o Gabriel Mesquita vem passando por uma avalanche de críticas, é muito complicado.
07:26Você trabalha também a parte psicológica?
07:28Você tem essa autonomia, essa liberdade de também trabalhar a parte psicológica, além
07:32da própria psicóloga do clube?
07:34Tem.
07:34Você conversa muito com eles?
07:36Sim, sim.
07:37A gente conversa bastante.
07:39Então, assim, tudo que a gente passou, a gente consegue transmitir isso pra eles.
07:45As vezes, não sei qual o entendimento, que varia muito de pessoa pra pessoa.
07:52Então, assim, que nem eu disse, estava terminando no caso, não vai ter igual.
07:58Só que as personalidades de cada um vai se adaptar, vai absorver de uma forma diferente.
08:04Então, assim, pra isso, o atleta em si, eu até, essas duas semanas, eu estava lendo
08:10sobre um artigo a respeito de que um atleta, principalmente aqui, um atleta, ele treina
08:1790% é o físico e 10% é o mental.
08:21Quando chega no jogo, é o inverso.
08:25É 10% o automático dos treinamentos e 90% é o mental.
08:30Se o mental não estiver preparado, ele vai ter dificuldade.
08:34A minha pergunta, assim, era até em relação a isso, né?
08:38A gente vai focar no Emerson, mas eu fico imaginando o trabalho deles, porque eles escutam
08:46e assistem os programas, eles lêem os programas de TV, lêem os comentários e tudo mais,
08:52porque eles estão sendo treinados pelo Emerson, que é um goleiro que é muito querido, né?
08:58E é muito querido aqui em Belém do Pará.
09:00Fico imaginando como é que é a cabeça, né?
09:02Essa parte mental é muito forte.
09:05E nesse ano, o Emerson teve um desafio por essas oscilações, porque a gente...
09:11Eu estava conversando com o Jean, o Jean foi muito bem, o Jean brigou com o Rangel
09:16como o melhor goleiro da Série C de 2024, quando volta a redonda, bate campeão da Série C.
09:23E aí o Jean tem uma contusão no jogo lá em Augusto Correia, tem a questão dos 7x0,
09:28lá em Contra Nacional, agora o Gabriel...
09:31Você já estava, né?
09:31Já, né?
09:31Na preparação dos 7x0.
09:33Essas conversas, assim, que eu foco...
09:36Eu acho que tu deve conversar muito com eles, né, Emerson?
09:39Por causa de toda essa dificuldade na parte resiliente que esses goleiros estão tendo
09:45que demonstrar nessa temporada.
09:47Exatamente.
09:48Eu testemunhei com eles um fato que aconteceu comigo aqui, quando cheguei.
09:51Eu já vinha jogando num time de tradição, um time grande, que é o Guarani.
09:56A gente conhece muito bem como funciona a rivalidade, o derby, o clássico, né?
10:02Eu já vinha acostumado.
10:04Mas, assim, com a proximidade da torcida, a paixão da torcida, a do Paissandu é maior.
10:09Que é diferente.
10:10É mais próxima, é mais vibrante, né?
10:13E a gente consegue absorver isso.
10:16E a gente sabe que, assim, a torcida, ela vai até um certo ponto.
10:20Dali pra dentro, a gente tem que resolver.
10:23Então, assim, e antes de começar a pré-temporada, antes de começar jogos, a gente conversa a respeito.
10:28Porque nós precisamos o quê?
10:30Entrar dentro de uma redonda, eu ouço, mas não escuto.
10:34Eu tô ouvindo, mas eu não tô prestando atenção no que tá falando.
10:37Por quê?
10:38Eu preciso focar.
10:39E focar onde?
10:40No meu trabalho.
10:41Só que isso, às vezes, nem todos conseguem fazer.
10:44Nem todos conseguem fazer.
10:46E em cima dos goleiros hoje que trabalham com a gente, tantos profissionais, vamos
10:51se dizer assim, o Jean, o Gabriel, o Marcão, aí tem o Levi, tem o Sandro, tem mais o
10:57Theo que tá com a gente.
10:58São garotos que, assim, hoje não, né?
11:02A gente fala e eles ouvem.
11:03Só que, assim, você falar e eles ouvir é uma coisa.
11:07Outra coisa é você na prática.
11:09O goleiro, ele erra como um atleta de linha também erra.
11:12Só que, assim, a nossa margem de erro, ela precisa ser baixíssima.
11:16Por quê?
11:17Não tem mais ninguém pra ajudar.
11:18Às vezes, um atleta é um passo e o outro vai lá e recupera pra ele.
11:22Nós não temos jeito.
11:22O goleiro tá lá salvo, faz o milagre, né?
11:24Não tem como.
11:25Então, assim, a nossa margem de erro é baixíssima.
11:27Mas nós sabemos, e isso é conversado, a gente sempre conversa que, assim, nós somos passivos
11:32de erro.
11:33Ah, mas eu errei, o que eu faço?
11:34Meu, pega a bola o mais rápido possível e vamos começar o jogo de novo.
11:37Ou, quer que troca o goleiro?
11:39Não tem como.
11:40Então, assim, você tem que ter resiliência, pegar a bola, meu, eu errei, acabou.
11:44Vamos pegar e vamos jogar de novo.
11:45Ou, não pode acabar o jogo ali, né?
11:47Então, assim, nós conversamos bastante, de uma forma bem tranquila, explicando por
11:53que, às vezes, acontece o erro.
11:56Às vezes, o erro acontece por falta de tomada de decisões, as tomadas de decisões, né?
12:00Que fica, o mental nos bloqueia.
12:04Por que o mental nos bloqueia?
12:05Eu falo, eu até expliquei pra eles uma vez.
12:07Quando você faz um trabalho, um treinamento, isso foi cientificamente comprovado.
12:12Faz um trabalho de treinamento pra 42 quilômetros de maratona, você prepara o mental.
12:20Eu estava chegando aqui, o presidente estava saindo ali, o ex-presidente.
12:24O ex-presidente de Ricardo.
12:25O ex-presidente de Ricardo estava falando pra mim.
12:26Poxa, você ficava muito focado, muito focado.
12:29Porque a minha mentalidade era, enquanto não vier o apito final, eu não vou relaxar.
12:34Por quê?
12:35Tem 11 caras famintos querendo fazer gol.
12:37E eu tô ali com os meus 10, mas só que, tipo, praticamente sozinho.
12:41Eu preciso fazer o máximo pra que essa bola não entra.
12:45Tá, é concentração.
12:46Então, em cima dessa prova de 42 quilômetros, o atleta, ele tá preparado a correr 42 quilômetros.
12:53Se no meio da prova ela é modificada, vocês vão ter que correr 43 quilômetros.
12:59O atleta não consegue.
13:02Porque, psicologicamente, ele se programou pra aquilo ali.
13:04Então, o mental dele, se ele não pensar, deixar ele correr, tirar a linha de chegada, ele vai correr.
13:10Só que, psicologicamente, ele bloqueia quando chega a 42.
13:14Agora eu não consigo mais.
13:15É dar dor no estômago, dar dor na cabeça, dar dor na panturrilha.
13:19Ele bloqueia.
13:20Então, o mental, muitas vezes, atrapalha.
13:22E atrapalha o quê?
13:23Essas tomadas de decisões.
13:24Que é onde que eu sempre converso.
13:26Nós precisamos estar livre, leve, pra poder tomar as decisões.
13:30E o goleiro, ele precisa ser o termostático.
13:34Não o termômetro.
13:35O termostático quer dizer o quê?
13:36Ele precisa mudar o ambiente.
13:38Ele não pode ser envolvido com o ambiente.
13:40O ambiente está acelerado?
13:41Ei, acalma.
13:42O ambiente está pra baixo?
13:44Ei, traz os caras de volta.
13:46Então, essa é a nossa função.
13:48Só que, assim, não é fácil.
13:50Realmente, o goleiro, ele é um líder.
13:52Ele precisa ser um líder.
13:53Precisa ter essas atmosferas que o cara olhar pra trás e falar assim, ó.
13:57Não, eu confio no Emerson.
13:59Ali, pode deixar que ele resolve.
14:00Só que tudo isso, eu tô falando aqui tranquilo,
14:03mas dentro do campo é fração de segundos que você tem que tomar decisões.
14:06E depois que você toma, meu, a gente vai ver se foi assertivo ou não.
14:11É o que eu sempre falo pra eles.
14:12Nós vamos treinar.
14:13Vocês não vão ser robotizados.
14:15Vocês ficam à vontade pra tomar as decisões.
14:17Depois a gente vai ver se foi certo ou não.
14:20Mas sempre tendo tranquilidade pra raciocinar, mandar oxigênio,
14:24pra raciocinar, ter as melhores decisões.
14:26Emerson, desde a sua chegada aqui ao Paissandro, no início do ano,
14:29o que você apontaria como sendo a maior evolução na preparação dos goleiros do Paissandro?
14:36Você apontaria algum destaque, algum fundamento ou algum detalhe da preparação
14:42que você acha que acrescentou decisivamente?
14:45Eu vejo assim, no todo, é fundamental.
14:51Vou separar um menino do Gabriel e do Jean, que é o Levi.
14:57Que é assim, disparadamente, todos eles, quando a gente fala, eles ficam olhando, sedentos, ouvir.
15:03Porque assim, eu falo, eles fazem.
15:07E às vezes, daqui a pouco eles falam assim, poxa, você falou que queria acontecer e aconteceu mesmo.
15:11Meu, são 23 anos fazendo.
15:13A experiência, né?
15:14A sua experiência que acrescentou.
15:17Exatamente. Acrescenta.
15:18Então, assim, eu falo pra eles assim, meu, são 23 anos e por onde eu passei,
15:21os 23 anos eu joguei titular.
15:23Eu não fiquei no banco.
15:25Aliás, um lugar que eu não joguei do jeito que eu gostaria
15:28foi no Londrina, o último time no Brasil.
15:31Mas no restante, todos os lugares que eu passei, eu joguei como titular.
15:35Então, assim, o que a gente tá falando, a gente já passou.
15:38E eu não tive empresário.
15:40Eu não tive um professor de base pra me ensinar os fundamentos.
15:44Era eu observando, repetindo, errando e fazendo de novo.
15:48Que legal, autodidata.
15:49Entendeu?
15:50Então, assim, o que eu falo pra eles, eu falo pra eles.
15:52Deixo bem claro.
15:53O que eu falar pra vocês, eu assumo a responsabilidade.
15:57Agora, se vocês fizerem o contrário, eu não posso assumir.
15:59Então, assim, faz que eu assuma a responsabilidade.
16:03E eu tenho visto os meninos fazendo, sabendo por que está fazendo.
16:07Não é simplesmente eu replicando aquilo que eu tenho visto em Instagram, em televisão.
16:11Não.
16:12Eles estão sabendo por que tá fazendo.
16:13Ó, por que eu tenho que sair na bola?
16:15Tenho que sair na bola por causa disso.
16:16Ó, tenho que sair na bola por esse motivo.
16:18Ó, adianta nessa bola.
16:20Nessa bola você precisa ficar.
16:21Eu explico pra eles por quê.
16:22Então, isso é legal, porque você vê num coletivo, eles desenvolvendo e os caras vendo as dificuldades pra poder fazer
16:30o gol.
16:31Hoje, nosso time, se você for ver, a maioria dos gols que nós tomamos, eu puxei um levantamento, são dentro
16:39da área.
16:40São os gols complicados, próximos, que não envolvem somente o goleiro.
16:44E gols de fora da área, baixíssimo.
16:47Então, assim, é dificultoso fazer o gol na gente.
16:50Faz por um vacilo e outro que a gente acaba vacilando, né?
16:54Mas, assim, eles conseguem entender.
16:55E essa evolução eu tenho visto bastante, mas ainda o que acontece é no Levi, que é o menino da
17:00base no 20, que tá com a gente.
17:02A evolução do trabalho, o entendimento, o fazendo.
17:05Então, assim, a gente fica contente, porque eles entendem e conseguem replicar e a gente vê os resultados, assim, uma
17:12evolução grande.
17:13E uma dos que eu vejo, assim, uma preocupação que eu tenho muito no futebol brasileiro, para os goleiros brasileiros,
17:23é a saída de gol.
17:25É a saída de gol.
17:27Isso é em geral.
17:28Isso é em geral.
17:29E isso eu tenho tentado explicar pra eles, porque, assim, eu não tive uma estatura boa.
17:35Por exemplo, assim, um pote igual o do Jean, do Gabriel, né?
17:39Só que eu tinha que sobressair.
17:41Qual que era o meu ponto forte?
17:42Meu, era um confronto, um pra um, era a saída de gol, eu tinha que sair.
17:46Ué, não tem como eu ficar debaixo do gol, eu tinha que ser rápido.
17:49Então, assim, e como que eu saio rápido no gol?
17:53Tem as formas pra eu poder sair.
17:55E com isso eu fui aprender aos 27 anos, com um treinador no Guarani que me explicava,
18:01você precisa sair com essa perna, você precisa sair assim, você precisa se posicionar aqui,
18:04porque se ficar aqui, você fica muito longe.
18:06E eu comecei a entender.
18:07E no decorrer do tempo, eu não vi, assim, tanta evolução.
18:15Mas hoje eu consigo ver os meus vídeos e falo, cara, não é possível que eu saia naquele lugar.
18:19Por quê?
18:19Por causa do entendimento.
18:20E hoje eu tento passar pra eles, e assim, a gente tem tido.
18:24Só que pra isso, o atleta precisa ter coragem pra fazer.
18:27Coragem.
18:28E nem todos têm.
18:29Emerson, tu falou, né, que tu não queria ter deixado o Paysandu
18:35quando acaba a temporada de 2017.
18:38O que foi que aconteceu há quase 10 anos pra tu deixar o Paysandu
18:43e ir pra outro bicolor que foi o Londrina?
18:45É, realmente.
18:46Tu gostou das cores, né?
18:47É, as cores, essa cor...
18:48Estão nas tuas cores na tua vida, na verdade.
18:51Até o acesso do ano passado foi pelo leque.
18:53Foi, exatamente.
18:54Parecido nas cores do estado, né?
18:57Olha, foi bem...
18:57É Paraná, Pará, é verdade.
18:59É tudo bem similar.
19:00E foi bem interessante, tipo assim, a minha saída...
19:04Eu fiquei muito triste, né, pela saída.
19:06Eu não sei se é do conhecimento de todos que eu joguei praticamente
19:10o segundo turno daquele ano machucado.
19:13Eu confesso que foi uma situação muito bem isolada,
19:17que a imprensa não descobriu que eu estava machucado.
19:21Vamos supor aí que a partir do terceiro, quarto jogo, se eu não me engano,
19:27o quinto, eu não vou lembrar precisamente,
19:30do segundo turno, eu me lesionei no jogo contra o América Mineiro lá.
19:36Eu senti uma dor no adutor, sempre faço uma borrachinha pra dar uma ativação,
19:41e dali começou aquela dorzinha.
19:42E como assim, eu tenho uma perna mais torta que a outra, e lesionou.
19:48Então, assim, com o tempo eu vou treinando, treinando, treinando,
19:51ela foi aumentando essa dor.
19:52Porque houve a lesão, ali, micro lesão, e como uma perna é maior que a outra,
19:58então há essa diferença.
20:00Então eu sempre lesionava, não tratava, não cicatrizava.
20:04E foi aumentando, foi aumentando a um ponto que,
20:07chegou um ponto que eu não conseguia mais bater na bola,
20:10não conseguia correr.
20:12Só que assim, o pai se do vivia numa situação muito difícil.
20:16E era o treinador Marquinho.
20:19E aí eu peguei e falei assim, Marquinho, não aguento mais.
20:20Eu comecei a tomar uma injeção, uma injeção por semana,
20:25aí daqui a pouco já era uma injeção, duas injeções por semana,
20:29daqui a pouco era, não treinava, tomava injeção pra jogar,
20:34daqui a pouco tomava injeção pra chegar,
20:35depois no meio de semana tomava outra, depois antes do jogo outro.
20:38Daqui a pouco, eu falei assim, cara, eu não consigo mais treinar.
20:42Falei, eu vou ter que sair.
20:44Simplesmente, o treinador falou pra mim assim, ó, eu preciso de você.
20:48Eu falei assim, tá, mas eu não consigo treinar.
20:50Não, você não precisa treinar.
20:53Tô falando com as palavras dele, eu e ele conversando.
20:56Eu falei assim, meu, eu não consigo fazer isso.
20:59Eu não consigo fazer isso.
21:01Jogar sem treinar.
21:02Ele falou assim, eu tô pedindo.
21:05Nós precisamos de você.
21:06Eu tô pedindo, você não precisa treinar.
21:08Você só vai pro jogo.
21:10Eu falei assim, cara, eu não consigo.
21:12E o pai se do vivia numa situação ruim.
21:13Eu peguei e falei assim, dali, cravou pra mim a importância de um líder.
21:18Eu era o capitão.
21:20E quer ou não, não era só os atletas do Pai Sandu, com toda a humildade.
21:24Não era só os atletas do Pai Sandu que me respeitavam.
21:27Os times adversários também respeitam.
21:30Porque você tem uma história.
21:31Então, eles sabem.
21:33E eu falei assim, meu, há uma importância grande minha no clube.
21:36Para os atletas.
21:37Eu cheguei no Marcão e falei pra ele, Marcão, a situação é assim.
21:41Eu tô sem machucar.
21:42A responsabilidade foi dessas as palavras que eu falei com o Marcão.
21:46O time, cara, tá numa situação complicada.
21:50Eu não vou sair.
21:52Porque se eu sair, pode acontecer, não por sua culpa, mas pode acontecer de nosso time cair.
21:57Vai ficar uma responsabilidade desnecessária em cima de você, em cima dos atletas.
22:02Eu vou permanecer.
22:03Eu não vou conseguir jogar.
22:04E se cair, eu assumo a responsabilidade.
22:08Ele, não, beleza.
22:09E ficou.
22:10Então, eu não treinava.
22:12Eu apareci de vez em quando no campo só pra dizer que eu tava no campo.
22:15Mas eu não conseguia andar.
22:17Era recuperação.
22:18E a imprensa não vazou.
22:19Não vazou.
22:20Não vazou.
22:21Não vazou.
22:22Foi impressionante que não vazou.
22:24E eu falava, não podia vazar.
22:25Porque assim, os times adversários sabiam, cara, os caras iam chutar.
22:29Só que assim, automaticamente, o seu rendimento de treino vai caindo.
22:33De jogo, também vai cair.
22:36Não tem jeito.
22:36E você teve falhas nessa época?
22:39Começou a cair bastante.
22:40Eu tomei um gol do Pio contra o Ceará.
22:44De longe.
22:45Eu não conseguia deslocar.
22:47Ele mandou uma bola no ângulo.
22:48Foi um golaço.
22:49Mas assim, eu, bem fisicamente, não tomo um gol daquele.
22:53Eu tomei.
22:54Foi onde eu vi.
22:55Falei assim, meu, eu tô arrastando.
22:56Mas eu fiquei.
22:59No último jogo que eu fiz pelo Pai Sandu foi contra o Náutico.
23:03Lá.
23:04Nós fomos pra lá.
23:05Ganhamos o jogo de 1 a 0.
23:07Aí o Marquinhos falou pra mim.
23:09Eu preciso que nós conseguimos 45 pontos.
23:13Fazer 45 pontos o mais rápido possível, você pode ir tratar.
23:18Falei, ah, beleza.
23:20E eu peguei e falei assim, beleza, e a gente foi.
23:22E nesse jogo contra o Náutico, nós ganhamos o jogo de 1 a 0.
23:27E nós fizemos, se eu não me engano, foi...
23:29Foi, sei se foi, 44 ou 43.
23:32Acho que foi 44 pontos.
23:3444 pontos.
23:35Aí voltou e faltava quatro jogos pra terminar.
23:38Eu peguei e falei com o Marquinhos.
23:39Falei assim, professor, é...
23:41Cara, falta quatro jogos, cara.
23:43Um ponto e eu não consigo mais fazer nada, cara.
23:46Acho que seria melhor pra sair pra tratar.
23:47E falou, é, mas eu preciso de você ainda, cara.
23:48Falei, cara, mas falta um ponto.
23:50Ele, cara, eu preciso da sua ajuda.
23:52E só que nisso, nós teríamos um jogo no sábado.
23:55Nós íamos fazer um jogo contra o Figueirense no sábado.
23:59Só que a Luverdense...
23:59Quem era o seu reserva?
24:01O Marcão.
24:01Ah, sim, o Marcão.
24:02O Marcão.
24:02E aí nós faríamos o jogo no sábado.
24:05E na sexta-feira, o nosso concorrente, que estava brigando no rebaixamento,
24:09era a Luverdense.
24:10O treinador era o Júnior Rocha.
24:11Era a Luverdense.
24:13Se a Luverdense perdesse o jogo na sexta, eu estava concentrado.
24:18Se a Luverdense perdesse na sexta, a gente, matematicamente, a gente se safava.
24:22Não caía mais.
24:23Eu estava concentrado.
24:25Nós assistimos o jogo.
24:26A Luverdense perdeu.
24:28Nós, matematicamente, nós não caíamos mais.
24:30O Marquinhos chegou pra mim e falou assim, cara, se você quiser parar, descansar,
24:34pra tratar, você para, agora que a gente não tem mais chance.
24:36E eu peguei e saí.
24:38Aí na imprensa deu que eu abandonei, porque eu percebi que eu não ia jogar.
24:42Eu peguei e falei assim, não foi isso, combinado com o Marquinhos foi assim, tal, tal.
24:45E eu fui embora.
24:46O Marcão jogou.
24:47O jogo foi contra o Figueirense, se eu não me engano.
24:50Caramba, muita coragem dele, né?
24:52Assumiu.
24:53E foi desse jeito.
24:54E eu peguei e fiquei embora.
24:56E eu tinha um contrato pra renovar.
24:59Já tinha estipulado o contrato com o Toninho Cosseiro.
25:02Na época, ó, vão ser um contrato de mais dois anos, tal, tal.
25:05Beleza, assim, assim.
25:06Vai ser dessa forma o contrato.
25:07Beleza, Ernesto?
25:07Beleza.
25:08Quando chegou, eu fui conversar com o Executivo.
25:11Aí o Executivo falou pra mim, ó, falou pra mim,
25:14Emerson, sabe como funciona o futebol.
25:17Essas foram as palavras dele.
25:18Quando ele falou isso aí, eu entendi que os números que nós tínhamos combinado
25:21já não seriam mais os mesmos.
25:24A partir daí eu falei assim, eu não tenho credibilidade em permanecer aqui.
25:29Dessa forma eu não tenho.
25:30Então melhor eu sair, porque nós tivemos um combinado.
25:34O meu erro foi o quê?
25:35Eu não ter assinado o papel.
25:37Mas, tipo assim, palavras de homem, nós precisamos honrar.
25:41Eu fiz isso na gestão do Maia, eu fiz, confiei nele, ele confiou em mim.
25:45Nós renovamos um contrato lá atrás, sem assinar.
25:50Eu confiei na palavra dele, ele confiou.
25:51Eu achei que eu poderia confiar nesses caras nesse dia.
25:55Infelizmente, quando foi o papel, não foi o que nós combinamos.
26:00Então, pra mim, ficou o quê?
26:02Eu vou permanecer aqui o ano que vem.
26:04Com essa credibilidade que eles estão me passando, eu não vou ter confiança pra poder dar sequência no trabalho.
26:11Seria melhor eu retirar.
26:12Porque poderia, vou ser bem sincero, na minha humilde opinião, pode acontecer de cair, onde que fica a responsabilidade?
26:22No atleta, né?
26:24Não é...
26:25Até em cima disso, Emerson, a gente tá vivendo uma situação parecida, né?
26:30No País Sandu, que foi o Marcinho, que ele jogou com uma entrega muito grande no duelo que vocês venceram.
26:40Eu fico imaginando como é que é a conversa, porque ele é importante.
26:45Sim.
26:46Dentro e fora do campo, com as ações que ele vem desenvolvendo, né?
26:51Aqui no País Sandu.
26:52Como é que funciona a conversa, assim, com um atleta que fala,
26:56Mano, eu não tenho...
26:58Mas é mais macinho que eu tenho que jogar, porque é...
27:01Mano, eu já passei por isso.
27:02Ou é, ou é.
27:03Meu, é...
27:04Tu chegou a conversar com ele, Emerson, porque tu viveu isso.
27:07Passando essa experiência.
27:08Com a tua realidade, agora falando pra gente, né?
27:10Cheguei.
27:10Tu conversou com ele antes do jogo.
27:11Conversei, acabou o treino, né?
27:13Acabou o treino, ele tava sentado no vestiário.
27:16Porque o Marcinho...
27:17Meu, eu não gosto de falar isso, mas, assim...
27:19O Marcinho, eu joguei com ele.
27:21Eu joguei com ele no Londrina.
27:23E quando eu fiquei sabendo que os caras estavam...
27:26Olha, que legal, olha.
27:27Eu acho que ele seria melhor pra poder falar isso.
27:30Quando eu cheguei aqui...
27:31Mas você como treinador de goleiro.
27:32Não, como goleiro.
27:34Companheiro em 2018, né?
27:35Companheiro, exatamente.
27:36Em 2018.
27:37E, então, assim...
27:38Mas ele era meninão ainda, né?
27:39Não, meninão.
27:40Até dava uns cascudos nele, né?
27:43E era interessante, porque, assim...
27:46Quando eu cheguei pra cá, eu vi um conversão.
27:48Ah, o Marcinho e tal, tal.
27:49O Marcinho que tava passando no Cruzeiro.
27:50Eu falei assim, opa, isso eu conheço.
27:52Mas tava tendo uma dificuldade na Chapecoense.
27:54De ele vir pra cá.
27:55Porque tinha outros times pra ele vir pra cá.
27:57E o Paísson não viu uma situação meio complicada.
27:59Salários atrasados e tal.
28:01Aí eu perguntei pro Marcelo Santana.
28:03Falei, Marcelo, quem que é o Marcinho?
28:05Ah, o Marcinho é assim assado.
28:05Eu falei assim, cara...
28:07Eu trabalhei com ele, eu conheço.
28:08Eu posso falar com ele, ligar pra ele?
28:10Não, pode falar.
28:12Eu liguei pra ele e convenci ele de vir.
28:14Ele não ia vir.
28:15Eu convenci ele de vir.
28:17Seria melhor ele falar essa situação, né?
28:19Falei, cara, eu tô dando a minha palavra pra você.
28:22Porque quem me trouxe, quem me contratou,
28:24é um pessoal sério, a comissão séria, a direção séria.
28:27E ele comprou a ideia e veio pra cá.
28:29E graças a Deus deu certo.
28:30É um cara que a gente conhece, sabe da personalidade,
28:32sabe do trabalho.
28:34E falando da lesão, quando ele machucou,
28:37acabou o treino e desceu.
28:39Falei assim, pro Marcinho, sair do treino
28:40é uma situação que não é fácil.
28:42Porque ele não perde treino.
28:44Ele chega antes, chega cedo, faz os seus pré-treinos.
28:47É um cara que se dedica.
28:49E aí ele saiu, ele tava no vestiário,
28:51eu peguei e sentei.
28:52Perto dele, ele falou, guerreiro, eu não sei.
28:55Pelo jeito que eu me conheço, eu não consigo jogar.
28:57Abriu, né?
28:58Eu peguei e falei assim, cara,
29:00você sabe da importância que tem.
29:02Quando foi isso?
29:04Agora foi na...
29:05O jogo nosso foi sábado?
29:06Foi sábado, acho que a lesão foi na sexta-feira.
29:08Sexta-feira.
29:08À tarde, né?
29:09No último treino, o negócio assim,
29:11de leve, treino bobo.
29:13Aí ele falou assim,
29:14acho que eu não consigo,
29:15me conhecendo eu não consigo.
29:16Eu falei assim, meu,
29:18eu preciso ser claro contigo.
29:19Eu e ele,
29:20depois encostou o auxiliar técnico.
29:23Eu falei pra ele assim,
29:24você é importante pra gente.
29:26Só que 100%.
29:29A gente entra lá arrastando,
29:30entrou 10 minutos e faz a substituição.
29:32Você atrapalha o nosso time.
29:35Atrabalha porque você perde uma substituição.
29:38E ficamos conversando ali.
29:40É difícil e tal,
29:41é um jogo decisivo.
29:42É um jogo literalmente decisivo pra nós.
29:45E aí, assim,
29:47você não bombardeia a cabeça do atleta,
29:50você conhecendo o atleta,
29:51se você bombardeia,
29:52ele se sente na obrigação de ir.
29:54O cara não pode se sentir na obrigação,
29:56ninguém é obrigado a ir.
29:57Ninguém é obrigado a fazer nada.
29:59Até vai complicar o rendimento do cérebro,
30:01ele pode terminar de abrir mesmo no jogo.
30:04Exatamente.
30:05Então, assim,
30:05eu vejo que o atleta,
30:06ele não é obrigado a fazer.
30:08Ele precisa fazer.
30:10Obrigado,
30:10ninguém é obrigado a fazer nada.
30:12Precisa.
30:13Se não puder,
30:14o outro vai fazer.
30:15Às vezes,
30:16não com a mesma eficiência,
30:17mas o outro vai fazer.
30:19Só que assim,
30:20isso é importante,
30:21mas 100% pra nós.
30:22Agora,
30:23nesses 100%,
30:24em quanto você acha que você pode render?
30:27Então, assim,
30:28deixa à vontade,
30:29o cara pensar,
30:30e o tempo acaba de machucar,
30:32a cabeça do cara vira um turbilhão.
30:34Vem cá,
30:34se eu for não ajudar,
30:35e eu não conseguir chutar,
30:36se eu não conseguir correr,
30:37se eu não...
30:38Fica esse turbilhão na cabeça do atleta.
30:42Então, assim,
30:42esse turbilhão
30:43atrapalha até o desenvolvimento dele.
30:46Então, o que acontece?
30:47Eu conversei com ele,
30:48deixei ele à vontade,
30:50e ele ficou mais tranquilo.
30:52Nisso,
30:52ele foi pra casa,
30:53fez o tratamento pós-treino,
30:55à noite um trabalho,
30:58um tratamento, assim,
30:59intensivo,
30:59no outro dia também,
31:00de manhã fez,
31:01à tarde foi feito,
31:02e foi pro jogo,
31:03e graças a Deus,
31:04no tempo que ele conseguiu ali,
31:06ele conseguiu nos ajudar.
31:07Então, assim,
31:08é uma dedicação
31:10que nem todos...
31:11Foi o prédio da partida, né?
31:12É, pra mim foi ele o...
31:13Você botou nele.
31:14Eu votei nele,
31:15mas o Pablo também jogou muito bem,
31:18ele deu a assistência
31:20na falta que o Pablo sofreu
31:22e o Caio fez o goleiro.
31:22Que o Caio fez.
31:23Então, assim,
31:25é uma situação
31:26que a pessoa em si,
31:28ela conhece o limiar de dor.
31:30Entendeu?
31:30Então, assim,
31:31eu mesmo,
31:32quando eu me lesionava,
31:33que não tinha,
31:34por exemplo,
31:34não tinha condições de jogar,
31:35de treinar,
31:36eu falei assim,
31:37ó,
31:37alguma coisa deu.
31:38Porque a gente conhece
31:39o limiar de dor.
31:40Então,
31:41quando realmente para,
31:42meu,
31:43limitei,
31:43não dá mesmo.
31:44E por ele parar,
31:45não sei se fez exame ou não,
31:47mas é um cara, assim,
31:47que não vai deixar de treinar,
31:49não vai querer deixar de jogar.
31:51Conhece e vai se doar ao máximo.
31:53Emerson,
31:53você como membro
31:54da comissão técnica do Paissandu,
31:56essa mudança de treinador,
31:59o que o Mazola trouxe
32:01de tão decisivo
32:03para ter conseguido
32:05dar essa chacoalhada
32:06no elenco
32:07em relação ao que estava sendo feito
32:09pelo Júnior Rocha?
32:11Esqueça,
32:13as pessoas,
32:15eu estou falando de trabalho,
32:16o que que fez
32:20a equipe bicolor
32:21acordar
32:22com a chegada
32:23do Mazola?
32:24Olha,
32:25eu não digo assim
32:25acordar, né?
32:26Porque, assim,
32:27cada um tem uma forma
32:28de jogar,
32:29um estilo de jogar.
32:29Uma metodologia.
32:30Uma metodologia
32:31completamente diferente
32:32do Mazola do Júnior, né?
32:34Às vezes,
32:35precisava,
32:36sei lá,
32:37de uma pessoa diferente
32:38para vir dar um choque,
32:40né?
32:40Para motivar
32:41quem estava de fora,
32:42quem estava dentro
32:43da alma motivada.
32:44Eu vejo, assim,
32:46o Mazola é um cara, assim,
32:48mais,
32:49como que eu posso dizer,
32:50assim,
32:51mais tete a tete,
32:53com cada um,
32:53passe em cada um, né?
32:56O Júnior,
32:57ele é mais, assim,
32:59meu,
33:00todo dia ele está
33:00conversando ali com a gente.
33:02Ele é mais direto, né?
33:03Ele é mais direto,
33:04mais direto.
33:04O Júnior também,
33:05ele é direto,
33:06só que o Júnior é mais reservado, né?
33:07Mais reservado.
33:08É um cara, assim,
33:10mais na dele,
33:12tranquilo,
33:12e o Mazola já é mais
33:14introvertido, né?
33:15Introvertido,
33:16conversa com todo mundo.
33:17É extrovertido.
33:17É extrovertido, né?
33:19O Júnior é mais introvertido,
33:21no caso, assim,
33:22pelo que eu percebo,
33:23e o Mazola já é mais próximo,
33:24né?
33:25Dos jogadores.
33:26E isso,
33:27jogadores que,
33:28acaba se identificando também
33:30um pouco mais, né?
33:32Mais brincalhão,
33:33tá mais próximo,
33:36brincando,
33:37bagunçando,
33:38né?
33:38E eu vejo, assim,
33:39eu sou meio do estilo do Júnior,
33:41mas, meu,
33:42eu deixo os caras mais à vontade,
33:44deixo eles à vontade,
33:45mas tem liberdade
33:46para se aproximar,
33:47para vir conversar, né?
33:49O Mazola já é mais próximo,
33:50já é mais brincalhão, né?
33:52E isso pode ser que
33:53dê uma mudança na chave,
33:56e eles conseguiram, assim,
33:59extravasar um pouco mais, né?
34:01Ter um pouco mais de liberdade.
34:03Eu acredito que possa ter sido isso.
34:05É pouco tempo para poder falar,
34:06mas são personalidades
34:09completamente diferentes,
34:10que acabam, assim,
34:11dando chacoalhão
34:12e despertam, né?
34:14Emerson, rapidinho,
34:15Rodolfo, vai.
34:17Não, vai, amiga, não, não.
34:18Que a minha é para encerrar.
34:20Tá.
34:22Emerson, é...
34:23País, você não vai para um jogo decisivo?
34:25É isso que eu ia perguntar.
34:26Então,
34:27vou fazer uma pergunta.
34:28A minha pergunta é estilo Mazola.
34:31Do Emerson, sim.
34:32A sua pergunta é estilo Júnior Rocha,
34:34a minha estilo Mazola.
34:36O que fez tu ficar três anos
34:40em Belém, né?
34:41Num outro momento da cidade?
34:42A cidade, ela recebeu melhorias,
34:45não sei se você observou,
34:49melhorias significativas, né?
34:50Na parte de turismo, paisagismo.
34:52A nossa gastronomia,
34:53que sempre foi forte,
34:54mas ela teve um up,
34:56da máscara,
34:56com a questão da COP, né?
34:58Que é um evento da ONU,
35:00então a gente não precisa falar
35:01a importância, né?
35:02De um evento como esse.
35:04O que foi que fez
35:05há 11 anos atrás
35:08tu vir para Belém,
35:09permanecer em Belém?
35:10Qual é a tua relação
35:12com a cidade,
35:14com o País Sanduí?
35:15Não só a tua,
35:15da tua família também,
35:17com a cidade de Belém do Pará.
35:20Olha,
35:20é muito interessante
35:21e é uma pergunta
35:22muito pertinente
35:23porque, assim,
35:24por toda a minha carreira,
35:27uma boa parte dela,
35:28eu passei em clubes
35:30inferiores,
35:31clubes que, assim,
35:33deixa eu tentar fazer
35:34com que vocês entendam,
35:36clubes inferiores
35:37que você vai disputar
35:38uma competição com eles,
35:40eles chegam e falam assim,
35:41nós vamos ser campeões,
35:44mas na realidade
35:46o ideal era isso,
35:48mas o real
35:49não é isso,
35:51nós vamos ser campeões,
35:52mas quando você
35:53começa a trabalhar,
35:54você consegue ver
35:55que não é isso
35:56que eles querem,
35:57eles querem apenas
35:58permanecer.
36:00Então, assim,
36:01eu senti isso
36:03na pele
36:03trabalhando
36:04por vários clubes
36:05e isso me incomodou,
36:07me incomodou
36:08porque,
36:09meu,
36:09minha vida toda
36:11foi vencendo,
36:13ralando,
36:14passando por cima
36:15e conquistando
36:16os meus objetivos.
36:17Não é sendo limitado,
36:19não é sendo limitado.
36:20Poxa,
36:21eu perdi a mãe
36:22com oito anos,
36:23comecei a trabalhar
36:24com os onze
36:24e com os onze
36:26eu já tinha que fazer
36:27as coisas acontecer.
36:28Aí você começa
36:29a jogar futebol,
36:30você começa a trabalhar,
36:31você vai para os lugares,
36:31vamos ser campeões,
36:32você começa a se preparar,
36:33daqui a pouco
36:34você começa a ver
36:34que não é aquilo,
36:36daqui a pouco
36:36eles começam a tirar o pé
36:38que não tem condições,
36:39que não pode.
36:40Meu,
36:41eu falei assim,
36:41não dá.
36:42Aí você passa
36:43por clubes de tradições,
36:44Guarani é um clube vencedor,
36:46Pai Sandu,
36:47meu,
36:48não tem nem o que falar,
36:49né?
36:49Então assim,
36:51são clubes,
36:52o Pai Sandu
36:53é um clube
36:53que tudo que disputa
36:55tem que vencer.
36:58Então assim,
36:58a minha vida é vencer.
37:00Então eu estou
37:01num lugar que realmente
37:02o foco é vencer.
37:04Então,
37:04nada me tira
37:06a certeza
37:07que eu chego
37:07que qualquer coisa
37:08que eu for disputar
37:09pelo Pai Sandu
37:10é vitória,
37:11é título.
37:12É título.
37:13Então nós não vamos
37:14chegar na reta final,
37:15ah não,
37:15não venceu,
37:16mas foi...
37:16Não,
37:17não,
37:17não,
37:17não.
37:18A gente não vai jogar toalha
37:19enquanto não resolver o problema.
37:21Qual que é o problema?
37:22É vencer,
37:23é o título.
37:24Não tem como.
37:25Então assim,
37:26é o DNA
37:27e esse é o meu.
37:28Com toda humildade,
37:29eu entendo,
37:30eu não vou entrar
37:31em qualquer situação
37:33para empatar.
37:35O que é meu,
37:36é meu,
37:37o que é dividido,
37:38é meu,
37:38o que é dos outros,
37:39eu vou lá conferir.
37:40Esse é o meu lema.
37:42Tá,
37:43e agora juntando
37:44esse seu lema
37:45de guerreiro,
37:46de vitorioso,
37:48de resiliente,
37:49juntando com a mística bicolor,
37:51que você já conhece bem,
37:53de passar por dificuldades,
37:55de matar a situação
37:56em cima da hora,
37:57de decidir em cima da hora.
37:59Eu lhe pergunto,
38:00Emerson,
38:01dá para acreditar
38:02nesse acesso?
38:03Em relação,
38:04não ao jogo
38:05da Inter
38:06e Ferroviária,
38:07em relação à vitória
38:08contra o Brusque,
38:10por que apostar?
38:11Você aposta
38:12nesse grupo?
38:13Aposta que esse grupo
38:14vai vencer
38:14lá em Santa Catarina?
38:16100%.
38:17Desde quando nós
38:18votamos no jogo
38:19contra a Inter,
38:20eu falei com o Gabriel,
38:21eu falei com o Jean,
38:23falei com o Marcão,
38:24com os goleiros,
38:25falei assim,
38:26acredita,
38:28enquanto há possibilidade,
38:31de maneira alguma
38:31nós vamos jogar
38:32a toalha.
38:33Enquanto matematicamente
38:35tiver 1%,
38:360,5%,
38:37se há chance,
38:38há possibilidade.
38:40O que nós precisamos
38:41é o quê?
38:42É mentalmente
38:43estar preparado
38:44para as oportunidades.
38:45A oportunidade é o quê?
38:46É o próximo jogo.
38:47Ah, mas o outro jogo.
38:48Esquece.
38:49O outro jogo
38:49a gente não pode mudar nada.
38:50Nós precisamos fazer
38:52a nossa parte.
38:53Qual seria a nossa parte?
38:54É vencer.
38:56Vamos fazer a nossa parte.
38:58Vamos fazer a nossa parte
39:00que nós temos chance.
39:01E nós viemos
39:02e fizemos
39:03a nossa parte.
39:04Quando acabou o jogo,
39:06os goleiros
39:06iam falar comigo,
39:07porra,
39:07e deu certo,
39:08você falou que dá certo.
39:09Meu, acredita.
39:11Acredita.
39:11Nós precisamos fazer
39:12a nossa parte.
39:13O que está
39:14ao nosso alcance,
39:15nós precisamos fazer
39:16com 100%,
39:16200%,
39:17com intensidade.
39:19O que nós não podemos
39:20é o seguinte.
39:21Poxa,
39:21eu deveria ter chutado,
39:23eu deveria ter pego.
39:24Não, não.
39:25Não pode acabar
39:26com essa sensação
39:26que eu deveria.
39:27Não, eu fiz.
39:28Eu fiz o que tinha
39:29que ser feito.
39:30Então, faça.
39:31E o restante
39:32é consequência.
39:34Então, assim,
39:34se lá atrás
39:35a gente tinha
39:36essa convicção,
39:37porque agora
39:38que depende da gente,
39:39a gente não vai acreditar.
39:41Nós vamos acreditar.
39:42E para isso,
39:42nós vamos fazer por onde?
39:44O tempo que for,
39:45o momento que for,
39:47nós vamos fazer por onde?
39:48Beleza.
39:48Ainda mais na trasladação,
39:50não é?
39:50É, ainda mais
39:51num sábado
39:52de trasladação
39:53com a imagem
39:53de Nossa Senhora de Nazaré,
39:54assim como foi
39:55em 2023.
39:5823.
39:5823, mano.
39:59Eu estava na porta
40:00da série social do País Andor.
40:02Você vai estar onde esse ano?
40:05Aonde você vai estar?
40:06Amigo, estou pensando
40:07em repetir
40:08para ver se dá certo.
40:10Pronto, tem que repetir.
40:12Aliás, nós viemos,
40:13né?
40:14Já falei isso?
40:15Verdade, né?
40:15Eu vim de Azul Marinha,
40:16ela veio de...
40:17É, tem o repai, viu?
40:19E foi bem...
40:21E foi bem...
40:22Como é que é?
40:23Despretensioso.
40:23Despretensioso.
40:24Eu cheguei e zoei ela aqui,
40:26eu falei,
40:27nossa, porque veio o Ricardo,
40:28que a gente aproveitou os dois
40:30para gravar hoje
40:31para o nosso videocast.
40:32E lembrando,
40:33você também acompanha
40:34na 98.9,
40:35sempre importante
40:36ressaltar isso.
40:37Aí quando eu olhei,
40:37ela falou,
40:38mano, você está bem
40:38me colou, hein?
40:40Aí nem ela agoniada ainda.
40:42Está melhor já?
40:43Estou, amiga.
40:43Então pronto.
40:44Você é grega,
40:45não está com o celular do meu lado.
40:46Ela tem me zoado,
40:48você está com a camisa azul marinho aí.
40:50Não, ela falou antes,
40:51eu falei,
40:51não vou falar não,
40:52vou ficar quieto,
40:53não está legal.
40:55Obrigado,
40:55muito obrigada pela sua presença,
40:57de verdade.
40:58Eu estava querendo há um tempão,
40:59desde a entrevista com o Gabriel,
41:02não antes até do Gabriel,
41:04eu tinha falado para o Tote,
41:05Tote,
41:05eu quero o Emerson aqui.
41:06O Michel foi assessor de empresa
41:07do Emerson.
41:09Ah, é?
41:09Foi.
41:10De quem o Michel?
41:11Não foi.
41:12Foi do Emerson aqui.
41:14Foi, foi.
41:14Emerson, muito obrigada.
41:16Que Deus e Nossa Senhora de Nazaré
41:17acompanhem vocês.
41:19Vai dar tudo certo a esse acesso.
41:22Se Deus e Nossa Senhora de Nazaré quiserem,
41:24e eles vão querer.
41:26Então,
41:26eu agradeço pelo convite,
41:28estou sempre à disposição,
41:29pode falar com o Tote aí.
41:31E assim,
41:32para mim é um prazer
41:32poder participar com vocês.
41:34E eu fico feliz,
41:35assim,
41:36pelo trabalho,
41:39pela entrevista,
41:40porque assim,
41:40a gente consegue esclarecer
41:42para o nosso torcedor,
41:43todas as situações.
41:43Desde revelações importantes.
41:45Sim, sim.
41:46E isso,
41:47o que a gente quer é ser claro,
41:48o mais claro possível.
41:49E muito obrigado,
41:50e que Deus abençoe vocês aí sempre.
41:52Obrigada, Emerson.
41:53Obrigada, Rodolfo.
41:54Tchau, amiga.
41:55Valeu, Natália.
41:55É nóis.
41:56Obrigada, Nath.
41:57Vocês aí de casa,
41:58muito obrigada
41:59e até a próxima semana.