00:00A gente não sabe o que a menininha sofreu, entendeu? Muito triste.
00:05A moradora de Itacoari se emocionou. Chorou de tristeza e de revolta também.
00:10De certo modo, se sente culpada pela morte da criança de 8 anos.
00:14A gente não conseguiu fazer nada para salvar porque a gente não ouvia nada.
00:17A gente não ouvia nada. Igual tem muita gente julgando por que os vizinhos não interviam,
00:21por que os vizinhos não falavam nada, por que vizinhos com paredes coladas, portas coladas,
00:26não faziam nada. Então, assim, a gente não ouvia mesmo.
00:30A gente nem sabia que as crianças moravam aí.
00:32Para a gente, elas só vinham passar um final de semana.
00:35Então, assim, é dolorido demais. A gente mal conseguiu dormir, a gente não está conseguindo ter paz.
00:39A gente tem muito medo, entendeu? A gente pensa muito no menininho.
00:42Esse espaço de brincadeira fica na frente do condomínio,
00:46onde a menina foi espancada até a morte pelo pai.
00:49A criança de 8 anos e o irmão gêmeo dela nunca brincaram aqui.
00:54Eles viviam trancados em casa.
00:56As crianças não saíam de casa. Era muito raro a gente ver as crianças.
00:59Só viam quando eles passavam para jogar o lixo fora ou comprar pão, sempre pela manhã.
01:04Porque na parte de tarde eles estudavam e mesmo a gente não via as crianças nem saindo nem voltando, né?
01:11Sozinha dentro de casa, com a porta fechada, trancada, dentro de casa.
01:16E a gente só descobriu que eles moravam aí depois do ocorrido.
01:19Que eles moravam aí já tinha três meses.
01:21O pai e a madrasta moravam há um ano aqui em Itacoari.
01:25Há cerca de três meses, o menino e a menina vieram morar com eles, mas eles não saíam de casa.
01:30Os vizinhos até acreditavam que o menino e a menina passavam só o final de semana com o pai.
01:35A morte da garota de 8 anos deixou todo mundo chocado por aqui.
01:53Foi em um dos apartamentos desse condomínio de Guarapari, em Cariacica, que a menina de 8 anos foi espancada a
02:01socos e pauladas pelo pai, que não negou as agressões.
02:04O caso veio à tona no sábado cedo, quando o pai e a madrasta levaram a menina morta para o
02:11PA de autolagem.
02:12Foi aí que chamaram o conselho tutelar.
02:15O álibi que ele usou na delegacia, falando que foi por causa de bilhete da escola, isso foi só para
02:22disfarçar a crueldade, a atrocidade que ele fez.
02:25Essa criança, porque os vizinhos relatam que não ouviu, essa criança provavelmente foi amordaçada lá, teve sua boca tampada durante
02:35as agressões.
02:37Porque uma criança quando toma um tapa, o que vem na hora ali é gritar, de dor, pedir, num bimbate,
02:46como a gente já pegou em outras situações aí.
02:48A menina e o irmão gêmeo estudavam nessa escola, do bairro Itacoari mesmo. O diretor não quis conversar conosco.
02:56Quando o pai e a madrasta levaram a garota para o PA do trevo de autolagem, o irmão dela, que
03:00tem 8 anos também, ficou sozinho em casa e foi acolhido por uma vizinha.
03:05O menino contou então para a vizinha que realmente foi o pai que bateu na irmãzinha dele e disse ainda
03:11que o pai teria pisado no pescoço da garota.
03:14Houve boatos que a menina estava com fome, né, e ela pediu para comer um pacote de biscoito e a
03:19madrasta não deixou, ela pegou o pacote de biscoito escondido para poder comer.
03:23E nisso aconteceu as agressões. Só que assim, não souberam dizer para a gente, né, porque foi os vizinhos que
03:28falaram assim, que a menina relatou, o menininho relatou, né, na verdade, o menino relatou,
03:35que o pai e a madrasta batiam muito neles. E que antes da menininha sair para ir para o médico,
03:40que ele falou que a irmãzinha dele estava passando mal,
03:41o pai dele levou que a irmãzinha dele estava passando mal, o pai dele havia pisado no pescoço da menina,
03:46batendo, falando que hoje ele ia matar um bicho.
03:49E ainda no PA, vendo que o crime já tinha sido descoberto, a madrasta enviou um áudio para a vizinha.
03:56Pediu que ela tirasse pedaços de madeira que estavam no quarto das crianças.
04:01Eu não posso falar mais, por favor, faz o que eu estou te pedindo. Vai lá no quarto, tira a
04:05madeira que está lá, por favor.
04:07Desconfiada, a vizinha então mandou uma mensagem para outra moradora aqui do condomínio,
04:12confirmando que a madrasta enviou um áudio, dizendo, né, pedindo para ela tirar um pedaço de madeira que estava no
04:18quarto.
04:19Madeira que teria sido usada nas agressões.
04:21A polícia encontrou esse pedaço de madeira.
04:24E no apartamento do condomínio, descobriu que as crianças não tinham conforto e nem sequer brinquedos para se divertir.
04:31A cama onde as crianças moravam era uma cama de solteiro, onde tinha só o extrato da cama e um
04:37pedaço de pano por cima, como se fosse um edredom.
04:40Mas assim, não tinha nada para dizer que era um colchão. Não tinha conforto nenhum.
04:45Para o conselheiro tutelar, o irmão da menina morta disse que também era agredido pelo pai.
04:51Nos relatou também que ele também era agredido, que o pai chegava até a bater nele com pau também.
04:58Em determinado momento lá, ele até pensou que a gente ia pegar ele lá e levar ele para casa.
05:05Ele falou, não, não quero voltar para casa não, porque aqui eu não apanho, aqui eu estou bem.
05:10E meu pai, ele me batia também, como batia na minha irmã.
05:14A mãe do aluno autista que estudava com a menina espancada pelo pai se emocionou.
05:18Ficou revoltada com tanta crueldade.
05:21A gente não sabe o que o menininho sofreu, entendeu? Muito triste.