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  • há 2 semanas
A família conversou com o suspeito após o crime que alegou legitima defesa. Filha e pai tinham histórico de brigas. Ambos eram usuários de drogas.

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Transcrição
00:00O caixão com o corpo de Brenda chegou ao bairro Santos Dumont pouco depois das 9 horas da manhã.
00:06Vilma é uma das irmãs dela. Acredita que o pai agiu em legítima defesa e explicou o porquê.
00:12Acredito que ele usou a faga para afastar ela, para amedrontar ela, só que ela não teve medo.
00:20Talvez ela achou que ele não fosse fazer e partiu para cima dele.
00:23Quando eu cheguei, que ela estava morta, quando o cara falou que ela estava morta, do SAMU,
00:29eu fui para cima dele. Fui, dei um monte de soco nele, bati nele e ele ficou lá quieto, pedindo
00:35perdão, falando que foi legítima defesa.
00:38Brenda gravou esse vídeo uma hora antes de ser morta pelo pai.
00:43Tinha discutido com ele na semana passada, não dialoguei, ele foi até na feira, gritando, me estimulando,
00:49para me agredir ele pela lei do idoso, para dizer que eu sou uma drogada, ainda por cima.
00:55Por quê? Ele quer praticamente que eu saia do estabelecimento dele.
01:00Os dois já tinham brigado antes e continuaram depois.
01:04Vilma contou com detalhes como foi.
01:06Minha sobrinha me ligou, falando que os dois estavam brigando.
01:09Falou, tia, meu avô esfaqueou a Brenda e deu um soco no nariz dela.
01:16Ela está sangrando aqui, corre para cá.
01:18Aí eu fui, liguei para ele, liguei para o meu pai.
01:23Falei, pai, faz isso não, pai. Vai para a rua, vai e sai, vai se parecer, vai conversar com alguém,
01:29deixa ela falando.
01:30Mas, quando o Sebastião voltou para casa, a tragédia aconteceu.
01:34Brenda foi morta com três facadas.
01:36A irmã disse que todos os golpes foram superficiais.
01:40Brenda perdeu muito sangue.
01:41Apesar do bairro ficar do lado de um hospital, o Hospital das Clínicas, ninguém se ocorreu a Brenda.
01:47A irmã chegou minutos depois do crime e ouviu da boca do próprio pai que ele agiu apenas para se
01:53defender.
01:54Ele não queria fazer isso.
01:56Tenho certeza que ele não queria fazer isso.
01:57Ele deve estar destruído.
01:59Que era a filha caçula dele, a filha que ele mais gostava, que ele mais cuidava.
02:05Ele passava mal, ela ficava no hospital com ele, cuidava dele.
02:09Isso é droga, isso é droga, isso é álcool.
02:13Brenda era a filha caçula do seu tião, como é conhecido aqui no bairro.
02:17Viu uma conta que o pai é alcoólatra e a Brenda, usuária de crack.
02:21Uma combinação que só fortalecia o comportamento agressivo dos dois.
02:25Uma família completamente desestruturada.
02:28Os dois brigavam muito, existiam muitas brigas.
02:32Era todo dia essa brigada.
02:33Meu pai é alcoólatra, meu pai usava cocaína, a Brenda fumava pedra.
02:39Então, os dois, ela na abstinência, ela era uma pessoa muito estressada, muito nervosa.
02:45Ela ia para cima dele, os dois, sim.
02:49Era uma pessoa que brigava muito, era boa de briga.
02:52E meu pai, já um senhor, já debilitado, já teve tuberculose.
02:57Há pouco tempo atrás, ele inchou o coração, estava internado.
03:00Ele não está mais naquele pique mais.
03:03Se ele fosse sair na mão com ela, ela ganharia na briga.
03:07Olha, aqui no bairro Santos Dumont está todo mundo em choque.
03:10Porém, todos acreditam que essa foi, de fato, uma tragédia anunciada.
03:15A irmã que deu entrevista contando que o pai matou a filha para se defender em legítima defesa,
03:20disse que só conseguiu romper esse ciclo de violência e agressividade
03:24porque buscou apoio psicológico e tratamento também.
03:28Eu caí nessa também, né?
03:30Eu já fui usuária, eu fui lá no fundo do poço, já fui casada com um bandido, passeio.
03:37Cheguei lá, eu fui nesse buraco que eles foram, eu fui também.
03:41Só que o que me deu força a subir, primeiramente, Deus que me deu essa força,
03:46e o meu filho.
03:47Porque eu pensava o que seria do meu filho.
03:50Falava com ela, Brenda, você precisa de...
03:52Eu fiz acompanhamento com o psicólogo, meu filho fez acompanhamento com o psicólogo.
03:57Eu acho isso muito importante, você conversar, você desabafar, botar para fora essas margas,
04:02essas amarguas.
04:03Brenda não conversava com ninguém, Brenda era uma menina muito amarga, muito sofrida.
04:09Acredito que isso é culpa dele.
04:11Essa aprovação que ela procurava do pai, esse amor, esse carinho,
04:15que ele nunca deu, que ele nunca soube dar.
04:18Porque ele também não teve, ele foi criado em um alfanato,
04:22ele era um cara violento, ele era um cara muito agressivo.
04:25Então ele passou essa agressividade para os filhos.

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