00:00Olha, a tecnologia virou uma aliada no combate à dengue.
00:05Aqui em Vitória, até drones estão sendo usados.
00:15A Ayla só tem um ano e três meses.
00:18E olha só a perninha dela, cheia de marcas de picadas de mosquito.
00:23No Matheus, irmãozinho mais velho de 11 anos, a situação está pior.
00:27O medo da Camila é que os filhos acabem pegando dengue.
00:33Está complicado, né?
00:34Aqui não tem horário para mosquito.
00:36É manhã, tarde, noite.
00:37Mesmo aplicando repelente, batendo veneno, botando na tomada, não resolve.
00:44Assim como a Camila, a Ilse teme pela saúde do filho, o Miguel de apenas cinco anos.
00:50O pequeno tem anemia falciforme desde que nasceu.
00:53E se juntar com qualquer outra doença, vira caso de internação.
00:59Lorenzo, ele automaticamente, qualquer coisa que aconteça com ele, a gravidade é muito alta.
01:05Normalmente, as internações do meu filho sempre resultam em transfusão sanguínea.
01:10Se hoje, meu filho contrair a dengue, é uma internação grave.
01:15Não tem outra escapatória.
01:17A gente nem sabe o que faz.
01:18Esse é o maior receio.
01:21O medo da Camila e da Ilse se estende por toda a comunidade da Santa Clara em Vitória,
01:27já que os moradores estão convivendo com um terreno abandonado.
01:31O local abrigou uma escola estadual, mas atualmente está tomado por lixo e mato.
01:37A Cíntia tem medo de que existam potenciais focos para o Aedes aegypti, o mosquito da dengue.
01:45Está tudo abandonado, quebrado, o terceiro andar está tomado de água.
01:51E está escorrendo a escada toda.
01:55Atualmente, o Estado tem mais de 123 mil notificações de casos de dengue, além de 17 óbitos.
02:03Em Vitória, o número de casos notificados é de quase 10 mil.
02:09Aqui seria o portão principal de entrada, se a escola estivesse funcionando.
02:15Do lado de fora, a gente já consegue ver que tem muito mato lá do lado de dentro e também
02:20lixo acumulado,
02:22o que pode ser criadouro para o mosquito da dengue.
02:25E o problema é que a escola faz muro com a casa de muitos moradores aqui da região.
02:31Minha casa é junto com o muro da escola, só dá para escutar barulho de água, é mato que já
02:38está subindo pelo alombrado.
02:41O médico infectologista Paulo Pessan explica que para os casos como o da comunidade da Santa Clara,
02:47só há uma solução, a limpeza imediata de qualquer possível foco do mosquito.
02:53Nós precisamos, de fato, estar preocupados em evitar, em desmontar esses criadouros.
03:04Nós não podemos ter lixo acumulado, nós não podemos ter latas, vidros, garrafas soltas e espalhadas e coletando água.
03:16E pensando no reforço das ações de combate aos focos do Aedes aegypti, a capital Capixaba conta agora com a
03:23tecnologia.
03:25O drone veio como uma tecnologia complementar ao que, de fato, é prioridade para a gente no controle de arbovirose,
03:33de dengue, zika e chikungunya, que é a visita domiciliar.
03:36A gente tem levado o drone e a gente faz um sobrevoo naquela área.
03:40Então, a partir desse sobrevoo, se a gente faz uma identificação de um determinado criadouro
03:47ou algo que a gente suspeita que esteja com água acumulada, a gente identifica o local, leva para a equipe
03:54de campo.
03:54O drone é uma espécie de olho adicional dos agentes de combate à endemia.
04:00Durante os mutirões realizados nos bairros para limpeza e também orientação dos moradores,
04:06o equipamento levanta voo para checar locais inalcançáveis ou de difícil acesso dos agentes.
04:14As imagens produzidas pelo drone também servem de argumento para convencimento do morador
04:21que insiste em não aceitar as visitas dos agentes.
04:25Tiveram alguns mutirões em que nós participamos e que foi possível, por exemplo,
04:30um morador que não deixava a equipe entrar.
04:32Quando a gente faz um sobrevoo, a gente identifica a caixa d'água, a gente mostra a imagem
04:36e aí sim, isso já aconteceu da gente conseguir adentrar essa casa
04:40e fazer todo o manejo correto para eliminar o criadouro.