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  • há 2 semanas
Entrevista com Ana Paula França

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Transcrição
00:00Começa agora, na Pan News, Vitória, Valores, com Edu Copernic.
00:08Olá, seja muito bem-vindo ao programa Valores, um espaço de discussão sobre o desenvolvimento do Espírito Santo,
00:15sobre como pensam os principais agentes que movem a nossa economia.
00:20E hoje a gente fala especialmente de finanças e como o executivo dessa área encara o mercado,
00:26os desafios e as oportunidades que o nosso Estado oferece.
00:31E não são poucos os fatores que podem influenciar as decisões financeiras no nosso ambiente.
00:38Ao mesmo tempo em que temos um Estado reconhecidamente bem administrado do ponto de vista financeiro,
00:44temos uma reforma tributária já aprovada e caminhando para a regulamentação,
00:49tem o fim dos incentivos fiscais previstos e que devem gerar um impacto significativo
00:55na economia do Espírito Santo e também a possibilidade de taxação de grandes fortunas.
01:00Bom, e como está a cabeça do Executivo de Finanças no cenário que a gente tem pela frente?
01:06É isso que a gente vai saber agora com a Ana Paula França,
01:10que é diretora executiva do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo.
01:16Tudo bom, Ana Paula? Seja bem-vinda ao programa Valores.
01:18Obrigada. E não só do Executivo, da Executiva também de Finanças.
01:22É isso aí, exatamente. Bom, o IBF é uma entidade que reúne os principais empresários
01:28e executivos de finanças do Espírito Santo, né?
01:32E agora a gente pergunta para você, Ana Paula, o Executivo de Finanças
01:36vê esse atual momento da nossa economia como risco ou oportunidade?
01:41Olha, o empresário, no geral, ele é otimista por natureza.
01:46Se não fosse, não estava empreendendo, né?
01:49A gente acabou de conversar aqui nos bastidores que ser empreendedor no nosso país
01:54é de fato um ato quase heróico.
01:58Então, de maneira geral, os empresários, os empreendedores, eles são positivos
02:03e têm esse olhar positivo sempre sobre o futuro.
02:07Mas vejo também um movimento de preocupação já há algum tempo,
02:14principalmente pela reforma tributária. A gente vai perder benefícios importantes aqui.
02:19O ano passado, a gente tem todo ano dois eventos importantes dentro do IBF.
02:24O CEO Meeting, que junta os principais presidentes e donos de empresas
02:29e o evento IBF, que daí junta todos os grandes executivos do mercado capixaba
02:35para discutir desafios e oportunidades.
02:38E o ano passado, esses dois eventos, eles trataram da tributação.
02:43Esse ano, mais precisamente sexta-feira passada, nós começamos a discutir
02:48para fechar esses dois eventos.
02:50E aí eu fiz uma proposta.
02:52Vamos parar de falar tanto de dificuldades e vamos olhar como as oportunidades?
02:58Então, eu acho que sim, nós estamos sempre olhando dificuldades
03:02porque elas são patentes, elas existem mesmo, mas a gente sempre tem a oportunidade
03:08de olhar o copo meio cheio ou meio vazio.
03:10Então, vamos olhar meio cheio?
03:11E para essas oportunidades, o que a gente vai fazer para, de fato,
03:17conquistar essas oportunidades, realizar os nossos sonhos
03:20e os desejos que as empresas têm em seus planos de negócio?
03:25Dá para a gente falar o que tem nesse horizonte de oportunidades aí
03:27para a gente aqui no Espírito Santo?
03:28Olha, eu faço parte do movimento Baia S de Compre o Espírito Santo.
03:33A gente está vendo uma transformação, não só dos últimos anos da gestão pública
03:40e como você colocou, bem administrada, com superávit, né?
03:45Sendo visto, o Espírito Santo é o melhor em vários aspectos, né?
03:50Econômicos, sociais, de gestão, tem seus desafios, tem sim, mas a gente evoluiu muito.
03:55Então, eu vejo assim, o turismo tem crescido, a construção civil passou por um vale há alguns anos
04:02e tem retomado...
04:03Gente, o metro quadrado é um dos metros quadrados mais caros do Brasil.
04:07E não é só mais caro por ser mais caro, é mais caro por tudo que tem em volta.
04:11Então, a nossa geografia é muito interessante.
04:15Quando, na época da descoberta, era um problema porque tinha montanhas,
04:21um cordão verde de mata que dificultava a logística, hoje virou vantagem.
04:27Então, a gente está, eu costumo falar que nós somos a Suíça brasileira, né?
04:32A gente tem praia e montanha perto, nós temos um clima ameno, capixabas cada vez mais receptivos.
04:40Eu vi uma história de que o capixaba era arisco, não recebia bem.
04:44Hoje, quase todo mundo que eu encontro que não é capixaba, que está visitando, nossa, imagina, fui super bem recebido.
04:51Então, apesar do incentivo fiscal estar próximo do fim, a gente tem muitas outras empresas,
04:58polos industriais crescendo aqui, que é linhares.
05:01Então, assim, existem muitas oportunidades.
05:05Cabe a nós esse olhar, olhar de oportunidade, porque sempre que há um problema, há uma oportunidade.
05:11Eu costumo falar assim, onde que é mais fácil você crescer?
05:15Na Europa, numa economia madura, com menos desigualdade, por aí vai, ou num Brasil cheio de problemas?
05:22É nos problemas que eu encontro solução.
05:25É dos problemas que saem novos negócios.
05:28Então, está pipocando empresas, startups, o mercado, sim, novos negócios.
05:33Então, sim, eu acho que aqui é um mercado de oportunidade e aí citei algumas, né?
05:38Legal. O que é que é preciso oferecer ao executivo de finanças para que ele invista no nosso estado?
05:45Quando a gente fala de dinheiro, independente de ser um executivo de empresa, ou até o nosso, dinheiro próprio, Edu,
05:52o que você busca? Segurança. Sempre a segurança.
05:56Sempre falei para os meus meninos, quando eu trabalhava no mercado financeiro,
05:59olha, você pode ter um atendimento primoroso, super bom.
06:02Se o seu investimento não der retorno, a pessoa vai sair daqui, o seu cliente vai sair daqui.
06:08Simples assim, né?
06:09Simples assim. É retorno, essa relação de custo-retorno.
06:14Então, além desse retorno, uma segurança também.
06:17Então, o executivo, ele precisa ter um ambiente, e aí no nosso país é bem complicado,
06:22porque a gente vive um ambiente estável e de mudanças, de incertezas,
06:27mas eu acho que um ponto primordial e que a gente sempre debate dentro do IBF,
06:31essa segurança jurídica, tributária, para nos dar confiança para fazer investimentos maiores,
06:39porque senão você vai testando, e aí vai aos poucos.
06:42E o que a gente quer? Uma curva acelerada, a gente quer mais.
06:46E o que o IBF faz em relação a isso?
06:49Faz nesse sentido de oferecer um ambiente melhor para o empresário?
06:53O IBF, o grande intuito dele é criar massa crítica, criar discussões, informações,
07:01para que o empresariado tenha condições de fazer melhores decisões.
07:06E não só o empresariado, também as outras entidades, todos os players do mercado.
07:10Então, por exemplo, no CEO Meeting, sai dali uma carta de recomendações para o governo.
07:15Tudo que os principais empresários do Estado almejam, desejam, esperam que o governo entregue.
07:24Nos nossos outros eventos, também debates importantes, relevantes, a criação de conteúdo,
07:29também artigos, podcasts, tudo para construir conhecimento e capacidade de decisão
07:37para aí fomentar a economia.
07:38É como se fosse uma mola, o conhecimento é uma mola.
07:41Com conhecimento eu tenho mais segurança, eu invisto mais.
07:44Legal, Ana Paula, a gente tem alguns quadros aqui no programa Valores.
07:48E agora a gente vai para o primeiro deles, que é o quadro Dica de Valor.
07:53Dica de Valor
07:56Ana Paula, na sua opinião, e você é bastante abalizada, porque você vem do mercado financeiro,
08:02na sua opinião, qual é o investimento que tende a dar o melhor retorno aqui no Estado?
08:08Retorno sempre é inversamente proporcional ao risco.
08:12Então, quanto maior o risco, diretamente proporcional, maior o retorno.
08:20Pensando nisso, investimentos, por exemplo, em Bolsa, podem dar maiores investimentos, maiores retornos.
08:29Mas, com uma Selic alta, como a gente está hoje, uma taxa de juros alta no nosso país,
08:37tendo assim, podendo entregar isso para todo o público, eu iria para títulos mais tradicionais de renda fixa.
08:45Mas aí, falando do mercado do Espírito Santo, o que você acha que aqui no Espírito Santo,
08:49qual investimento aqui dá o melhor retorno?
08:53Olha, imóveis têm aumentado muito o preço do metro quadrado, a gente já falou sobre isso,
09:01então, tem tido um retorno interessante, principalmente de alta renda.
09:06Os imóveis mais simples, nem tanto, e eu já passei também pela construção civil,
09:11não são tão fáceis o retorno, a curva costuma ser mais longa, e pela curva ser mais longa, cai.
09:18Então, investimento em alto padrão, a gente tem startups, e aqui no próprio estado,
09:23a gente tem veículos estruturados por empresas capixabas, que aí também tem um risco maior,
09:30mas se houver, se vingarem, essas startups, elas podem dar um retorno mais alto.
09:37E títulos, de maneira geral, tradicionais.
09:42Inclusive, o Banestes apresentou um resultado, o Cicobi tem apresentado um resultado,
09:47então, empresas capixabas, bancos capixabas, o Banestes é listado em bolsa,
09:53aumentou muito o número de investimentos.
09:57Foi semana passada que apresentou os resultados do trimestre,
10:02tem sido elogiado e reconhecido nacionalmente,
10:05e isso é muito bacana porque, gente, são poucos os bancos ainda públicos,
10:10inclusive eu sou conselheira do Banco de Sergipe, que é um dos poucos,
10:14junto com o Banestes, e com uma gestão muito qualificada,
10:18então, tem, inclusive, oportunidade aqui de empresas listadas.
10:23Você tem ações do Banestes?
10:25Banestes, tenho.
10:25É? Então, está entregando aí já.
10:28Ana Paula, como é que você vê os impactos?
10:30A gente falou um pouco mais cedo, você citou um pouco antes a reforma tributária.
10:34Como é que você vê os impactos da reforma tributária para o setor de finanças aqui no estado?
10:39A gente sabe que o setor produtivo sofre bastante com a reforma,
10:45deve sofrer bastante com a reforma que está posta,
10:48por causa das características econômicas do estado.
10:51Mas isso tem um impacto também no setor financeiro?
10:54O que é o setor financeiro, Edu?
10:56O setor financeiro, ele junta quem tem dinheiro com quem tem projetos.
11:03Quando esses projetos começam a ser menos atrativos,
11:08menos projetos tem, porque para ele virar um projeto de verdade,
11:12para ele ser viável, eu preciso ter um retorno,
11:16e com a reforma, com a redução dos incentivos, o retorno fica mais difícil.
11:22Então, com menos projetos, menos dinheiro disponível para essa junção.
11:27Então, sim, tem impacto direto nos investimentos, também nosso, pessoa física,
11:33não só nos investimentos das empresas.
11:36A economia é uma roda mesmo, todo mundo...
11:39Está tudo interligado.
11:39Está tudo interligado.
11:40E como é que você identifica os pontos fortes do estado,
11:44do ponto de vista das finanças?
11:46Quais são esses pontos fortes do estado?
11:48Primeiro, a nossa gestão, de fato, já há algum tempo...
11:52A gestão pública.
11:53Pública.
11:54Isso dá uma segurança, inclusive, para os investidores virem para cá.
11:59A gente está experimentando isso de forma crescente.
12:04Também, um ambiente que tem, por essa gestão já estar mais consolidada,
12:12que oferece menos risco também.
12:14Então, mais um incentivo para o executivo fazer o investimento aqui.
12:20Eu acho que...
12:21Mas aí, a gente está falando do ponto de vista da gestão pública, né?
12:25Você é uma gestora daqui do Espírito Santo.
12:29Saiu, você trabalhou por bastante tempo em grandes empresas em São Paulo
12:35e voltou aqui para o Espírito Santo.
12:36Do ponto de vista da gestão privada, como é que você vê o Espírito Santo hoje?
12:42Como é que você vê posicionados os profissionais que trabalham aqui
12:46na gestão, em empresas privadas, na gestão desses ativos ou possibilidades financeiras?
12:52A gente tem excelentes profissionais.
12:54Dentro do IBF, a gente, inclusive, tem um programa que chama CFO Connection,
12:59onde a gente faz encontros com os principais CFOs que tomam decisão
13:04e que, de fato, movem a economia capixaba.
13:06Então, a gente tem excelentes empresas e excelentes profissionais.
13:12Nós, capixabas, de maneira geral, quando a gente pensa em grande empresa,
13:16a gente pensa em seis, quatro, cinco.
13:19Essa é a resposta padrão.
13:21Você vai com onde você queria ir trabalhar.
13:23Na Arcelor, na Vale.
13:25Na Samarco, onde você trabalhou.
13:26Na Samarco, onde eu trabalhei.
13:27Agora não muito.
13:31Então, sim, São Paulo, na Garota, na Nestlé.
13:33Então, são poucas empresas que são conhecidas.
13:36Mas a gente tem gigantes, gigantes, grupos econômicos de relevância nacional
13:43e, às vezes, sem até serem conhecidos.
13:46Eu, por exemplo, conversei com uma pessoa sócia, já da segunda geração,
13:52de uma das maiores empresas do ramo do país, gigantesca.
13:57E fiz um convite a ela e falou, Ana, a gente, por princípio familiar,
14:03nós não fazemos exposição.
14:06Por quê?
14:07Porque tem os seus motivos.
14:10Mas aí, essas empresas, elas estão espalhadas no Estado.
14:13Apesar de pequenas, a gente tem grandes empresas.
14:15Então, tem, sim, bastante oportunidade.
14:17É igual São Paulo?
14:18Claro que não, né, Edu?
14:19Porque São Paulo, além de ter muito espalhado, é enorme.
14:22É o centro financeiro do país, ele é muito mais desenvolvido financeiramente, economicamente, né?
14:28Então, assim, não dá para comparar, mas tem bastante oportunidade.
14:32Eu recebo muito os meninos, assim, de escola, faço palestra em escola.
14:37E aí, Ana, eu preciso ir para fora?
14:40Precisar você não precisa.
14:41Talvez você queira, como eu quis, uma experiência fora.
14:44Sempre morei aqui, debaixo da saia dos pais, da minha mãe e queria uma outra experiência.
14:52Mas eu acho que tem oportunidade.
14:54Tem oportunidade.
14:54A gente tem empresas do mercado financeiro, grandes indústrias, grandes empresas de serviço.
15:01E outra coisa, você não precisa sair daqui para trabalhar para a China, para a Indonésia, para a Europa.
15:08Também tem essa possibilidade.
15:09Com o Covid, as fronteiras foram muito estreitadas, né?
15:13Revisitadas, né?
15:15Revisitadas.
15:15E o que você acha dessa coisa da empresa não querer expor, de repente, o sucesso dela, os negócios dela?
15:23O que você acha disso?
15:25Edu, nós estamos num mundo de muita exposição.
15:29É.
15:30De extrema exposição.
15:31E eu sou uma crítica a isso.
15:33Eu olho, apesar de estar exposta também, estar nas redes sociais, ser uma figura pública,
15:39eu vejo isso com parcimônia.
15:41E entendo por que tem consequências.
15:44Então, certamente, essa família experimentou consequências negativas.
15:49Então, a gente perde por poder se inspirar, por exemplo.
15:54Por poder se orgulhar de uma empresa que é familiar, que é uma das maiores do país,
16:02e que emprega milhares de pessoas, que faz a economia girar.
16:06Mas, por outro lado, eu respeito e entendo quem faz essa decisão.
16:11Que bom que muitos, e a maioria, ainda se expõe e com isso inspiram outras pessoas, outros empreendedores.
16:21Legal.
16:22Quais são as áreas que devem crescer nos próximos anos e são a bola da vez por aqui, pelo Espírito
16:28Santo?
16:30Eu acho que o turismo está se desenvolvendo.
16:33É exemplo aqui a curva da Jurema, o que está se transformando.
16:38A própria região de Linhares continua em crescimento, o porto sendo feito.
16:43Acho que a gente melhora também, apesar de perder os subsídios.
16:47A gente tem trabalhado com outro, e aí o governo com outros aspectos para manter a competitividade.
16:54Existe, inclusive, um comitê de competitividade que o IBF participa junto ao governo e outras entidades.
17:02Então, turismo, indústria...
17:06Edu, como todo local, eu acho que dentro do nosso país, a gente está sempre vivendo desafios.
17:12Você já experimentou algum tempo de paz?
17:14Não.
17:15Sempre tem algum conflito, sempre tem alguma crise, sempre tem alguma coisa.
17:19Então é sobre isso.
17:20Umas maiores do que as outras.
17:21Sim.
17:22É.
17:23Mas eu acho que o nosso povo é muito resiliente, o capixaba também.
17:27E agora, cada vez mais se orgulhando da sua terra, a gente deixou de ser aquele...
17:33O patinho feio.
17:34O patinho feio.
17:35A gente tem cada vez mais sentido orgulho.
17:37E aí a tendência é só melhorar.
17:40Com os desafios, sim.
17:41Mas é sobre isso, né?
17:43Legal.
17:44E quais são as nossas maiores carências aqui no Espírito Santo hoje?
17:48Olha, sempre eu falei disso ontem.
17:50Mão de obra.
17:52A gente tem uma mão de obra de serviço com baixa qualificação.
17:58Então, assim, com quase todos os empresários que eu converso, mão de obra tem sido uma questão.
18:06Inclusive, as pesquisas de grandes empresas, como o Great Place to Work, evidenciam, entre ela e várias outras, que o
18:16principal desafio dos RHs das empresas é desenvolver a sua equipe, as suas lideranças.
18:22Então, você acha que o IBF tem um papel nessa questão em desenvolver?
18:26Sem dúvida.
18:27Como? E o que o IBF faz?
18:28Então, a gente tem alguns programas.
18:31E aí, pensando em educação direta, a gente tem o IBF University, que é uma parceria com as principais escolas
18:38de negócios, universidades e academias do Brasil e do mundo.
18:41As principais, com descontos exclusivos para os nossos associados.
18:47Então, se você pensar que uma anuidade custa em torno de mil reais e você tem um desconto, mais ou
18:54menos, vamos lá, por exemplo, na FUCAP, de 8%, 10%, 12%, dependendo do curso.
18:59Com uma anuidade, você acessa a esse desconto, você paga 10 anos de anuidade.
19:04Vai fazer um mestrado, por exemplo, que é um curso mais caro.
19:07Então, nesse sentido.
19:09A gente também tem o programa, o IBF Academy, que é o programa de formação, de autoformação dirigida para os
19:16IBF anos mais jovens.
19:17Então, você está começando no mercado financeiro, tem todo um programa de palestra, leitura de livros, discussões, para você se
19:26desenvolver como um profissional de finanças.
19:29A gente também tem a diretoria de conteúdos, comitês qualificados.
19:33Nesses comitês, por exemplo, de finanças, de tributário, de liderança, cultura, se discute mais profundamente sistemas e se produz conteúdo.
19:43Então, por exemplo, a própria Rede Vitória é um local onde a gente publica os artigos desses associados.
19:51Além de todos os eventos onde há o debate.
19:55Então, com tudo isso, a gente vai criando massa crítica e também atuando em outras entidades.
20:03O IBF não é... a gente sempre fala que juntos a gente é mais forte.
20:06O ditado não existe à toa.
20:08Então, atuando junto com o governo, atuando junto com a FINDES, o Espírito Santo em ação.
20:15E juntos a gente vai construindo massa crítica, conhecimento e também direcionando e ajudando a direcionar as decisões, tanto do
20:24empresariado quanto do poder público.
20:27Legal. Ana Paula, vamos para mais um quadro agora.
20:29Quadro Valores Inegociáveis.
20:35Valores Inegociáveis.
20:37Ana Paula, quais são os valores que um executivo precisa sustentar independente do momento?
20:44Primeiro, para mim, é justiça.
20:47Então, ser correto nas suas decisões, íntegro.
20:51E quando a gente fala de finanças, é uma das posições onde eu mais preciso confiar.
20:56Edu, o executivo de finanças, ele define para onde vai o investimento.
21:01Ele aprova um pagamento.
21:04Então, eu preciso confiar muito nessa pessoa.
21:07Então, integridade também é um segundo ponto super importante.
21:11E hoje, cada vez mais, a inteligência é de outros aspectos.
21:18Não só a da exata, aquela voltada para o que a gente chama de hard, mas as soft skills.
21:25Então, eu preciso, não adianta eu falar que 2 mais 2 é 4 só.
21:29Eu preciso sensorizar o ambiente, eu preciso fazer leitura de cenários, eu preciso ter uma sensibilidade e até mesmo uma
21:39intuição que me ajude a olhar futuro.
21:43Eu preciso ter habilidade de comunicação, de interação, uma escuta ativa.
21:51Como é que isso faz diferença?
21:53Olha, pensa, de repente 2 mais 2 é 4 hoje.
21:57Mas amanhã, é ruim que 2 mais 2 é uma conta que não muda.
22:01Mas talvez a reforma tributária hoje seja um problema.
22:05Daqui a dois anos não vai ser, porque eu vejo uma outra oportunidade.
22:09Porque eu vou sair desse nicho.
22:11Então, o executivo de finanças, e aí eu pensando no nível mais alto, ele precisa estar olhando para o futuro
22:19das organizações.
22:20E não viabilizando o presente apenas.
22:23Não é o contas a pagar e a receber.
22:25Então, quando eu tenho uma escuta ativa, eu estou ouvindo os jovens, eu estou ouvindo os mais maduros.
22:30Quando eu estou indo para o mercado, fazendo benchmark, conversando, viajando, eu estou ampliando meus horizons, eu estou ampliando o
22:37repertório.
22:38E isso roda um algoritmo que eu consigo ver mais.
22:41Quando eu olho para a arte, você já pensou em arte como investimento?
22:46Porque a arte é um investimento.
22:48É.
22:49Eu tenho na minha casa de família quadros que não valiam muita coisa e hoje não valiam muito mais.
22:55Compre-se um carro.
22:58Já é alguma coisa, né?
23:00Muito? Quantas pessoas não têm um carro hoje?
23:02É verdade. Muitas pessoas.
23:04E que não valiam muito, mas foi uma aposta, foi um investimento.
23:09Então, essas questões que vão além do hard skill, daquela habilidade mais técnica, acho muito importante.
23:20E para finalizar, em tempos de tanta tecnologia, também conhecer de inteligência artificial pode ser o pulo do gato.
23:30Porque a gente tem técnicas hoje muito mais sofisticadas e rápidas para a tomada de decisão.
23:37Então, assim, estatística e inteligência artificial também pode ser bem importante.
23:42Não invalida o soft skill.
23:45Não invalida esse olhar humano.
23:46É humano, mas pode de forma, assim, contundente facilitar e potencializar decisões.
23:55Legal, Ana Paula.
23:56Agora a gente vai fazer um pequeno intervalo, um breve intervalo, aqui no programa Valores.
24:01Mas daqui a pouquinho a gente volta com mais Ana Paula França, aqui no programa Valores.
24:05Não sai daí, a gente já volta.
24:19Estamos de volta com o programa Valores, que hoje recebe a Ana Paula França,
24:24que é diretora executiva do IBF, do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças, aqui no Espírito Santo.
24:32Ana Paula, você se tornou executiva de finanças muito cedo.
24:36Participou de programas de trainee, atuou em grandes empresas, em grandes instituições financeiras do país.
24:43Como é que você avalia que deve ser a gestão do IBF?
24:48Principalmente em relação ao que o IBF representa para o mercado e para a economia do Espírito Santo.
24:54Primeiro que é como a gente já está colocando o IBF como uma instituição que influencia a tomada de decisão.
25:05Através do seu conhecimento e da geração de conhecimento e do fomento que a gente faz do conhecimento.
25:11Então, esse para mim é o principal ponto.
25:13O segundo ponto é, de fato, oferecer oportunidades de formação para os executivos diferenciados,
25:20que muitas vezes, sozinhos, eles não conseguiriam.
25:23Então, uma viagem, por exemplo, a São Paulo para a visita da Bolsa, para a visita de uma empresa,
25:29a gente faz muita conexão entre empresas, encontros de benchmark, não precisa, Edu, inventar roda.
25:36Tem gente que já faz e já faz bem.
25:38Então, poder trocar também figurinhas e experiências, isso é muito relevante e o IBF proporciona isso.
25:46E sem falar de toda a produção de conteúdo, eu acho que essas são as principais vias.
25:51Como é que é a relação do IBF com o governo do Estado?
25:54A gente já falou, você já falou um pouco disso um pouco mais cedo,
25:58mas como é que você avalia a condução das políticas econômicas do Espírito Santo?
26:04Olha, a gente está num momento positivo desse relacionamento.
26:08Primeiro porque nós acreditamos que a gestão pública está indo no caminho que a gente também acredita,
26:15de equilíbrio, de responsabilidade, de visão de médio e longo prazo.
26:22E nós não somos uma entidade, um xerife, para ficar cobrando no sentido de expor,
26:33só de criticar, de crítica por crítica.
26:35A gente se coloca, de fato, como um parceiro.
26:38O importante não é A ou B, é economia capixaba.
26:43Então, quando a gente se coloca com essa postura, não só o governo, como todas as outras entidades, elas abrem
26:49portas.
26:50Então, eu vejo que a relação tem sido bastante positiva e temos construído aí pautas relevantes,
26:59influenciado também na tomada de decisão.
27:01Legal. E como é que você enxerga essas possibilidades de influenciar nas tomadas de decisão no mercado do Espírito Santo?
27:08E como isso pode ser uma vantagem para um executivo de finanças?
27:14Só enxergo de forma positiva, né?
27:16Porque a gente consegue pautar o que, de fato, é relevante.
27:20Pensa, o governo, uma instituição privada, ela é muito distinta.
27:23E eu já trabalhei nos dois lados.
27:27São muito distintas a forma de gerir as prioridades, o timing é completamente distinto.
27:34Então, quando eu uno, quando eu consigo fazer interlocução desses dois lados,
27:40isso potencializa, porque eu vejo as dificuldades e vejo as oportunidades.
27:45E aí, juntos, a gente consegue construir.
27:47O que acontece para o executivo de finanças?
27:49Ele começa a participar dessa interlocução também.
27:53Ele começa a trazer as oportunidades, as dificuldades dele.
27:56Então, quando eu falo do CEO Meeting ou do evento IBF, do CFO Connect,
28:02todos esses encontros, a gente discute oportunidades e dificuldades.
28:06E o IBF, como entidade, leva, como interlocutor, essa pauta para as instituições e para as entidades de direito.
28:14Não só o IBF, muitas vezes, também os próprios associados são representantes e representam o IBF.
28:22Não é só a Ana ou o Pedro, o presidente, o Paulo, o vice-presidente.
28:25Mas também os associados, muitas vezes, têm a oportunidade de participar desses momentos.
28:30A gente tem uma associada jovem, por exemplo, a Efigênia,
28:35que ela conduziu um painel no último evento IBF, o ano passado,
28:40como, por exemplo, a Cris Samorini, uma menina jovem, com 30 e pouquinhos, advogada,
28:46e que talvez nunca teria a oportunidade de conversar, e ela conduziu brilhantemente o painel.
28:53Então, tem todas essas vantagens e benefícios.
28:58Legal, vamos para mais um quadro do programa agora.
29:00É o quadro Busca de Valores.
29:03Busca de Valores.
29:07Ana Paula, na sua opinião, o que o mercado exige de profissionais bem-sucedidos?
29:14Bacana.
29:16Edu, até algum tempo, e talvez ainda hoje,
29:20as empresas e o mercado mais retrógrado exigem muita dedicação.
29:25Horas de trabalho, jornadas muito extensas.
29:29Eu já começo a ver uma mudança e eu sou uma militante dessa mudança.
29:36Acho que a gente precisa de resultado, não de executivos estafados.
29:43Cada vez mais, e já é provado, que pessoas cansadas entregam mais resultado.
29:52Então, um...
29:53Você viveu isso?
29:54Vivi isso.
29:56Então, eu sou a prova-vida.
29:57Como é que foi a sua experiência e como é que você acha que pode ser diferente hoje?
30:02E deve ser diferente hoje?
30:05A gente precisa de inteligência.
30:07Inteligência emocional e inteligência para priorizar as coisas.
30:11Eu tive um burnout.
30:14Peguei uma época de pandemia,
30:17onde as coisas fugiram completamente do controle de todo mundo.
30:21Então, uma sobrecarga muito grande.
30:23E depois de passar do burnout, eu ainda voltei para o mercado financeiro,
30:28que é um mercado extremamente agressivo.
30:30Não é para amadores.
30:32Assim como o empreendedorismo no nosso país não é para amadores,
30:35o mercado financeiro também não é.
30:39E quase cheguei novamente numa crise.
30:43Eu já estava exausta.
30:44E o que muda entre um burnout e exaustão?
30:47E o cansaço?
30:48O cansaço, você vai para casa, Edu?
30:50Passa.
30:51Você dorme e passa.
30:52A exaustão, você tira um mês de férias.
30:54Quando você volta no primeiro dia, no final, você já está exausta de novo.
30:58Já está desgastada.
30:59O burnout é quando essa exaustão começa a ter sintomas físicos, psicológicos.
31:06Então, você...
31:06Eu adquiri bruxismo, insônia.
31:10Às vezes, crise de ansiedade.
31:13Então, começa a somatizar de fato.
31:16E o executivo de finanças, ele tem uma responsabilidade muito grande.
31:19Quando eu comecei a trabalhar com desenvolvimento de pessoas,
31:22o meu ex-marido falou, não sei se eu já te contei isso.
31:24Para com isso.
31:25Ninguém paga bem RH, paga bem o financeiro.
31:28Claro, porque o financeiro lida com dinheiro e com uma responsabilidade muito grande.
31:32Não que o RH não lide porque lida com pessoas e é o principal ativo.
31:36Mas ainda o mercado entende que o executivo de finanças...
31:39É mais importante.
31:40É mais importante e por isso mais bem pago.
31:43E aí, a gente romantiza esse executivo.
31:46Qual é o estereótipo dos executivos de finanças mais antigos?
31:52Um cara obeso, separado, talvez no terceiro casamento, distante dos filhos.
32:02Cara, isso não pode ser saudável.
32:04Para ele nem para a nossa sociedade.
32:07Então, eu acredito que a gente vai caminhar, já está caminhando, mas cada vez mais,
32:12ainda passos lentos, para um executivo que tem inteligência.
32:16Inteligência para priorizar o que de fato é importante.
32:21Para usar inteligência artificial, para usar automação, para usar melhoria de processos,
32:26para ter processos mais enxutos e que entregue mais resultado com menos esforço.
32:32Menos desgaste.
32:34Menos desgaste.
32:35Um executivo que sabe dizer não.
32:37Que sabe conciliar risco e retorno.
32:41Sabe?
32:41Isso é uma coisa fácil, né?
32:42Não é, mas é necessário, Edu.
32:45E com mais inteligência emocional.
32:47Todos nós.
32:48A gente está numa sociedade doente.
32:50E aí, quando você pega uma posição que tem mais estresse,
32:54que tem de fato uma responsabilidade grande,
32:56quando você fala, se faz um investimento ruim, você não está prejudicando só a si.
33:01É toda a cadeia de valor daquela empresa, são todos os funcionários, fornecedores,
33:05as famílias que vivem daquilo.
33:07Então, existe de fato uma responsabilidade muito grande.
33:10E esse profissional, ele precisa ter uma inteligência emocional muito grande
33:13para lidar com isso.
33:14E não só não ficar doente, mas também não adoecer toda a companhia.
33:18Você já falou um pouco antes, quando a gente estava conversando,
33:22sobre a posição de alguns executivos que a gente tem no Espírito Santo,
33:26que são bons executivos, são bons profissionais nas áreas que eles atuam.
33:31Mas você acha que a gente tem liderança técnica suficiente
33:34na área de finanças aqui no Espírito Santo para pensar dessa forma?
33:38Pensar em otimizar os trabalhos?
33:41Pensar em usar a inteligência emocional para conduzir os processos?
33:47Você acha que a gente tem esses profissionais aqui?
33:49Os profissionais que a gente tem aqui estão em condições de fazer isso?
33:55Como é que eles podem fazer a diferença aqui no Espírito Santo?
33:57Eu acho que nem no Espírito Santo, nem no Brasil, talvez, a gente tenha.
34:02É difícil.
34:03Porque a gente está construindo esse novo profissional.
34:07E aí, aquele que sai na frente, ele se destaca.
34:13Então, profissionais, por exemplo, eu tive uma carreira sempre bem sucedida,
34:20que eu tenho muito orgulho, mas eu nunca fui uma profissional só técnica.
34:24Na verdade, menos técnica, mais multi.
34:27Isso me levou aonde eu cheguei.
34:30E aí, normalmente, quem a gente promove?
34:34O bom técnico.
34:35É o cara que se destacou na carreira técnica, o bom analista.
34:39E aí, a gente perde um bom analista e, muitas vezes, perde também um bom gerente
34:43ou um bom executivo, porque ele não tem essa capacidade de gestão.
34:47Obviamente que tem um pouco de liderança que vem da natureza,
34:52mas a liderança pode ser desenvolvida e treinada.
34:55Você acha isso?
34:56Com certeza.
34:57Isso para qualquer pessoa?
34:58Para qualquer pessoa.
35:00Edu, nós somos o ser humano, é uma máquina, nós somos incríveis.
35:06O que a gente consegue é impressionante.
35:10Às vezes, falta conhecimento, às vezes, falta um suporte,
35:13às vezes, falta, inclusive, inteligência emocional.
35:16Então, esse profissional, eu acho que, assim, hoje nós não temos no Espírito Santo
35:20e ele precisa buscar ferramentas e buscar conhecimento fora.
35:26Mas, com a internet, com todas as fronteiras que a gente falou, que foram estreitadas,
35:31ele não precisa sair daqui também.
35:34Consegue fazer tudo por aqui.
35:36Aqui.
35:37Qual você acha que é o ponto de maior atenção no momento da economia do Estado?
35:43O que a gente tem que ficar mais de olho nesse momento, por aqui?
35:46É isso?
35:47É a formação dos profissionais?
35:50Como as coisas caminham nas empresas e no poder público do Estado, de uma forma geral?
35:57Como é que você vê como o ponto de maior atenção para a gente hoje?
36:00Para mim, o ponto de maior atenção ainda é a reforma tributária,
36:04a perda de benefícios e o ambiente, a perda da atratividade do ambiente econômico capixado.
36:10Nós estamos construindo, assim como o profissional de finanças está se reconstruindo
36:16e está construindo uma carreira diferente e mais sofisticada, no sentido de ser mais pluri,
36:22o Estado também está construindo.
36:25A gente era o... como que você falou?
36:30O patinho feio.
36:31O patinho feio, né?
36:32Então, vir um baque como esse tão cedo é bastante preocupante e vai depender do poder público
36:41e de nós, iniciativa privada, articularmos de forma conjunta para não deixar a peteca cair,
36:50que isso abale e a gente volte para um vale, para a gente olhar sempre para o copo meio cheio,
36:55achar oportunidades e construir outras coisas, né?
36:58A gente, no marketing, fala que nem sempre a necessidade e o desejo já existe.
37:06Não existia o desejo do iPod, do iPhone.
37:09Ele foi criado.
37:11Então, a gente também pode criar oportunidades, desejos e se reinventar.
37:17Eu acho que tem muita gente competente, tem muita paixão, capacidade e a gente tem,
37:25a gente estava falando dos profissionais, a gente tem escolas de negócios maravilhosos aqui.
37:32Então, temos um diamante bruto que já está sendo lapidado e a gente pode lapidar mais.
37:39Legal.
37:39Vamos ao próximo quadro, Ana Paula.
37:41Quadro Valores do Futuro.
37:44Valores.
37:45Valores de futuro.
37:48Essa é boa para tirar de você, ó.
37:50Qual é o investimento realizado agora que vai dar resultado real no Espírito Santo daqui a 25 anos?
37:58Não.
38:00Edu, eu acho que economia real, a gente está difícil 25 anos, porque no nosso país, cara,
38:06você fala assim, na Europa é mais fácil, né?
38:08Pensar em longo prazo é difícil no Brasil.
38:09Bem complicado, mas a gente está vendo um desenvolvimento econômico, então investir em economia real me parece,
38:17e aí quando eu falo em economia real é na produção mesmo, né?
38:20Me parece um bom investimento.
38:24Briga com o investimento de renda fixa, porque hoje, e sempre foi, um investimento seguro e de alta rentabilidade,
38:35mas investir na produção e em imóveis, e imóveis sempre foi também no nosso país,
38:41a gente ainda tem um déficit muito grande de moradia, então ainda investir em imóveis, e é um desejo, né?
38:48Continua sendo.
38:49Continua sendo.
38:50É nossa cultura, você vai, por exemplo, para a Europa de novo, por exemplo, para a Alemanha,
38:5590% das residências são alugadas, tem 10% da população que é dona de quase toda a Alemanha,
39:02e 90% do restante da população vive de aluguel, paga aluguel para essas pessoas.
39:09Aqui não, a gente, apesar de ter, quem vive de aluguel na maior parte das vezes,
39:14é porque ainda não chegou ao ponto de comprar, porque...
39:17Está procurando o imóvel próprio, né?
39:18Como diria a nossa caixa, é o sonho da casa própria.
39:23Então ainda acho também que a construção civil é uma oportunidade.
39:28Legal. E o que tem da Ana Paula França no IBF hoje?
39:31E agora a gente parte para uma parte da entrevista aqui no Valores, Ana Paula,
39:37porque a gente está na semana do Dia Internacional da Mulher, né?
39:40Dia 8 de março, e nada mais pertinente do que trazer você aqui,
39:45inclusive pela sua história de vida, porque você é oriunda de uma área que é extremamente
39:51masculina e agressiva por causa disso.
39:53E na pior concepção da palavra, você mesma citou esses pormenores todos, né?
39:59E o que tem da Ana Paula no IBF hoje?
40:02Eu acho que a ponderação nunca é, e quando a gente fala de homens e mulheres de gênero,
40:07as mulheres, elas não competem com os homens.
40:11Homens e mulheres se completam.
40:13Então ter uma executiva também no quadro feminino,
40:17então ter um presidente, um vice-presidente, homens, e uma mulher na diretoria executiva,
40:23traz uma ponderação, traz um outro olhar, traz uma sensibilidade que é natural,
40:29e não só natural, que foi também estimulada.
40:31A nossa criação é diferente das meninas e dos meninos.
40:34Os meninos são estimulados a arriscarem, a subir na árvore,
40:39a ver quem é o mais forte, quem é o mais valente, o mais corajoso.
40:42Então o homem em finanças e no instituto, por exemplo,
40:46ele tem um desejo, uma ambição normalmente maior pela nossa criação.
40:50Não que as mulheres não possam ter, mas foi assim da nossa criação.
40:55E a mulher vem com o olhar, muitas vezes, mais sensível,
41:02mais de longo prazo, o homem tem mais ímpeto, né?
41:07E a mulher olhando para o longo prazo.
41:09A escuta da mulher é mais ativa, então por uma instituição que é feita de associados,
41:14ouvir é importante.
41:16Não é o meu desejo, Ana, é o desejo dos associados.
41:21Nós trabalhamos para os associados.
41:23Traz aspectos diferentes, que homens e mulheres são estimulados de formas diferentes.
41:29Então a minha diretoria, ela é formada hoje,
41:33eu tenho mais diretoras mulheres do que homens, inclusive.
41:37Mas não vejo isso como uma vantagem.
41:40Mas como de fato a gente se complementando,
41:43e eu tenho uma diretora, por exemplo, financeira, mulher.
41:47Então eu acho que é essa complementariedade.
41:53Como é que você acha que a mulher ocupa esses espaços de executiva hoje no Espírito Santo?
41:59Você acha que precisa, a mulher precisa se lançar mais a esse mercado?
42:02Tem espaço para a mulher se lançar mais nesse mercado?
42:06Como é que você vê isso?
42:08E ela deve fazer isso?
42:10Deve se ela quiser.
42:11Tanto homens e mulheres, eles devem fazer o que a gente quer, gente.
42:15Não é obrigado a nada, né?
42:17Mas até pouco tempo, e eu acho que há um pouco ainda hoje,
42:22para você crescer você precisa ser uma mulher dura, firme, forte.
42:27É esse o esperado.
42:31E muitas vezes tentando se encaixar nesse ambiente que normalmente é masculino,
42:35então só 5% de fundadores de empresas são mulheres.
42:4095% são homens.
42:42Quando você vai para o C-Level, para o nível de diretoria como eu,
42:46menos de 20% são mulheres.
42:49Então o que nós tendemos a fazer?
42:53Se encaixar.
42:54Tentar caber naquele ambiente,
42:56e aí a gente começa a tentar parecer homem para ser aceita.
43:00Sabe o que vai acontecer, Edu?
43:02A gente vai falhar miseravelmente,
43:04porque eu nunca vou ser homem.
43:06Eu sou mulher.
43:07E o que me fez chegar até lá?
43:10Foram as minhas características como mulher,
43:12que são complementares.
43:14Então, para a mulher que quer se posicionar como executiva,
43:19crescer a carreira,
43:20ela precisa de cada vez mais estratégia e intencionalidade.
43:23Porque sim, é mais difícil para a mulher.
43:27E não sou eu também com mimimi falando,
43:29que veio essa história de mimimi, do feminismo,
43:32e eu nem sou feminista, eu falo que eu sou feminina.
43:35Mas quero posições cada vez mais igualitárias,
43:39eu quero oportunidades iguais.
43:41E como eu construo essas oportunidades?
43:43Me posicionando, planejando bem a minha carreira,
43:46me preparando.
43:47Mas, por exemplo, o nosso estado é o quarto estado do Brasil
43:51com maior diferença salarial entre homens e mulheres
43:53em mesma posição.
43:56A mesma posição.
43:57E mulheres ganham menos.
43:59Então, eu preciso me posicionar muito firme,
44:02sem perder a minha natureza,
44:04sem perder a minha feminidade.
44:06Mas sem medo de dizer não.
44:08Mulheres têm dificuldade de, por exemplo,
44:10de dizer não, de impor limites.
44:13A gente vive pedindo desculpa.
44:14Você já viu homem pedir desculpa em reunião?
44:17Desculpa por perguntar, desculpa por discordar.
44:19Desculpa não, eu simplesmente discordo.
44:23Então, essa consciência dos desafios
44:27nos faz estar mais preparados.
44:29E precisamos estar mais preparados.
44:31E, assim, não dá pra...
44:33Ai, que nossa, que pena, eu preciso estar mais preparada.
44:35Precisa.
44:36Esse é o jogo hoje.
44:37Então, se você quer estar nesse jogo,
44:39você precisa estar mais preparada,
44:41com mais intencionalidade, com mais estratégia.
44:44Então, você vai pra uma reunião difícil?
44:46Se prepara.
44:47Pensa quais os tipos de argumentos que podem acontecer,
44:50como você pode ser interrompida,
44:51como você pode romper com uma objeção.
44:54E por aí vai.
44:56Legal. E o que você quer deixar no IBF, Ana Paula?
44:59Um legado de finanças de gestão,
45:05com justiça, meritocracia,
45:08mas um olhar pras pessoas.
45:10Porque a gente não precisa ser dura com as pessoas.
45:12A gente precisa ser dura com resultados.
45:14E o executivo de finanças,
45:16por ser muito pragmático,
45:17muitas vezes ele é aquele cara pragmático,
45:22catedrático, né?
45:23Muito duro.
45:25E eu não acredito que precisa ser assim.
45:28Eu acho que a gente tem que, sim,
45:29ser justo com os resultados.
45:33Mas olhando com ternura as pessoas.
45:37Legal.
45:38E aí você acha que ser mulher afeta, de alguma forma,
45:42a sua condução, pensando nisso tudo que você acabou de falar?
45:46E você também acaba, que além das suas funções que você exerce,
45:50de todas as funções, da função no IBF,
45:52você também é professora, você também é mentora,
45:55e dá mentoria pra muitas mulheres também.
45:58Sob esse ponto de vista,
46:00como é que isso muda a forma de você ver o ambiente de trabalho,
46:04o ambiente econômico, o ambiente financeiro que a gente está inserido
46:08e essas oportunidades pra mulheres?
46:10Eu acho que, pela nossa natureza e por como nós somos criadas,
46:15a nossa sensibilidade é algo diferente.
46:18A mulher tem uma sensibilidade maior e então isso muda.
46:22Eu sou uma mulher muito prática também, pragmática.
46:26Então, essa sensibilidade me ajuda a equilibrar.
46:30Porque, de fato, pra você ser uma executiva,
46:32você precisa ter uma energia de execução grande,
46:35você precisa ter uma liderança.
46:38Então, essa sensibilidade, ela me ajuda.
46:42Acho que um outro ponto é que nós mulheres,
46:47nós temos, talvez, pela baixa autoconfiança,
46:51e eu sempre brinco que a autoconfiança masculina
46:55devia ser encapsulada e estudada pela NASA.
46:58Que é algo que nós, mulheres, deveríamos aprender.
47:01Não é uma crítica, tá, Edu?
47:03É uma piada, mas é...
47:04É claro que é uma crítica, né?
47:06Não, mas é algo que a gente deveria aprender.
47:10Não é que o homem deveria ter menos autoconfiança,
47:12nós que deveríamos ter mais.
47:14E por ter essa autoconfiança menor,
47:19talvez isso influencie a gente aceitar mais ajuda.
47:22Então, nós, mulheres, também...
47:23Você vê, quem faz terapia?
47:25Normalmente, a maioria são mulheres.
47:27Quem busca mais formação?
47:29Você sabia que, apesar de nós termos entrado no mercado de trabalho
47:33muito depois dos homens,
47:35nós, no Brasil, mulheres, já somos, em média,
47:38mais escolarizadas do que os homens?
47:40Mesmo tendo filho, tendo licença,
47:43tendo todos os aspectos que a gente sabe
47:44que são complexos,
47:47nós, segundo o IBGE, já somos mais...
47:49Temos mais tempo de estudo do que os homens.
47:52Então, essa...
47:53Se por um lado a autoconfiança é ruim,
47:56por outro, ela também nos faz...
47:57Nos desenvolver mais.
48:00E aí, isso também traz um olhar diferente
48:04que eu acho que, para qualquer empresa,
48:08seja o IBF ou para qualquer instituição,
48:10é muito salutar.
48:12Legal, Ana Paula.
48:13Vamos ao nosso último quadro do programa Valores,
48:16que é o quadro Valor Pessoal.
48:18Valor.
48:19Valor.
48:20Pessoal.
48:21Pessoal.
48:22Ana Paula, que aspecto da sua vida pessoal
48:25é essencial para que você tome
48:28as melhores decisões para o futuro?
48:31Ah, eu sempre falo que...
48:33Não sei se você conhece...
48:34Se nosso telespectador conhece,
48:36construção civil.
48:37Antes de eu subir um prédio,
48:39a primeira etapa é a fundação,
48:42é preparar o solo.
48:43E qual é a fundação da carreira
48:45ou da felicidade de qualquer pessoa?
48:48O autoconhecimento.
48:49Então, quando eu me conheço,
48:51eu sei os meus limites,
48:52eu sei o que me faz feliz,
48:54aí eu tomo decisões acertadas.
48:56Então, eu conheço o meu limite,
48:58que eu, por exemplo,
48:58preciso dormir mais horas,
49:00que eu preciso priorizar isso,
49:01preciso dizer não para um projeto,
49:03preciso me cuidar,
49:04eu estou atenta aos sinais do meu corpo,
49:08opa, estou falhando,
49:09comecei a sentir dor, comecei isso,
49:12deixa eu dar um passo atrás
49:13e entender o que eu preciso fazer.
49:15Não, esse tipo de trabalho,
49:17como eu falei,
49:18está me levando,
49:19e eu precisei de uma crise de burnout
49:21para reconhecer uma possível crise novamente.
49:25Isso eu acho que nós, mulheres,
49:27a gente tem essa habilidade
49:31e aí um pouco maior,
49:34um pouco,
49:35claro que não é absoluto,
49:37mas para mim,
49:38esse autoconhecimento,
49:39e esse autoconhecimento é contínuo,
49:41tá, Edu?
49:41Não acaba.
49:43Ah, então eu fiz terapia,
49:44fiz um curso, fiz aquilo outro.
49:46Não acaba.
49:47O tempo todo,
49:48a gente está aqui
49:49numa jornada de desenvolvimento.
49:51E quanto mais eu me conheço,
49:53mais eu fico confiante,
49:55mais eu faço melhores escolhas,
49:57e mais eu estou próxima
49:58do que me faz feliz,
49:59dos meus sonhos,
50:00das minhas metas.
50:01Legal.
50:02Ana Paula França,
50:03muito obrigado pela entrevista
50:04aqui ao Programa Valores,
50:05muito legal.
50:06Parabéns pelo seu dia agora,
50:08na semana do Dia Internacional da Mulher.
50:10Muito obrigado
50:10por ter vindo aqui com a gente.
50:12Obrigada, Edu.
50:13Feliz Dia das Mulheres
50:15para todas as mulheres.
50:17Em finanças,
50:18é um desafio à parte, né?
50:20Mas eu tenho certeza
50:21que a gente está caminhando
50:23a passos largos
50:24no país, no mundo,
50:26já conquistamos muitas coisas
50:28e vamos conquistar
50:30cada vez mais
50:30junto aos homens.
50:32Legal.
50:33Muito obrigado, Ana Paula França.
50:34E a você que nos acompanhou
50:35até agora,
50:36muito obrigado pela companhia.
50:38O Programa Valores
50:39fica por aqui.
50:40Até a próxima.
50:41Tchau.
50:43Você ouviu
50:44Valores
50:45com Edu Copernic.
50:46Até o próximo.