- há 4 semanas
O papel fundamental da família no processo de recuperação de usuários de drogas é fundamental. Para abordar esse tema, o psicólogo Alexandre Brito, André e Lorrainy, que compartilharão suas experiências sobre o assunto. Acompanhe essa emocionante conversa em nosso estúdio.
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NotíciasTranscrição
00:00E agora a gente vai falar da recuperação do ator Sérgio Rondiakoff.
00:04Lembra do famoso Cabeção?
00:06Ele luta, gente, contra o vício em drogas.
00:09E ele acaba de fazer as pazes com o pai, o seu Francisco Mendonça.
00:14Durante uma crise por causa da abstinência, o Serginho chegou a ameaçar o pai de morte
00:19porque ele não quis dar dinheiro ao filho.
00:21Então a gente vai ver agora como foi esse reencontro.
00:25Esses tratamentos aqui em Resende, né, que tem um preço mais em conta do que no Rio de Janeiro.
00:30E aproveitando, né, fiem, vim aqui na casa dele, né, cara, pra revê-lo, né, cara.
00:34Fazia muito tempo, tava com saudade também daquele tempo, porque já tô com essa cidade, né, cara.
00:38Não podia ficar também muito tempo sem falar com ele, né, cara.
00:41A gente não sabe o dia de amanhã, né, cara.
00:43Então eu gostei muito de ver ele assim, com saúde, cara.
00:47Assim, feliz, com essa cara boa.
00:49Sereno, né, paciente, me contrariando, aceitando, né, dando valor pras pequenas coisas.
00:55E me alimentando do alimento espiritual, né, principalmente.
01:02Isso aí, senhor.
01:02Que você continue assim, cara.
01:03Obrigado, pai, pela torcida.
01:05Sei que foram muitas recaídas na vida, mas eu tenho certeza que dessa vez eu vou, só por hoje, ficar
01:11limpo pra sempre.
01:12Sobre, né, almejando melhorias aí, cognitivas e profissionais também.
01:17Pô, torcer muito, meu filho, pô, tomara que você continue sempre assim, cara, nessa vibe aí de positividade, de sobriedade.
01:27Você viu ali, gente, o Serginho reconhece, viu que ao longo da vida foram muitas recaídas, né, por conta das
01:33drogas.
01:34Mas, sem sombra de dúvidas, a reconciliação com o pai será fundamental pra esse processo de recuperação.
01:42Sem a família, é impossível, né.
01:44E hoje o nosso estúdio aqui é sobre esse assunto.
01:47Participa com a gente, senta aí no sofá da sua casa, você que tá no trabalho, presta atenção nesse bate
01:52-papo, que é muito importante.
01:53Eu recebo o psicólogo Alexandre Brito.
01:56Obrigada, Alexandre, pela sua participação.
01:58Bom, André, conhecido como André Vencedor, que também tem uma história muito interessante de reviravolta na vida.
02:04Boa tarde, André.
02:06Obrigada, viu?
02:09E eu também vou dar boa tarde aqui pra Lohane.
02:11Calma que ele tá ansioso pra contar a história dele, é que é linda, realmente, viu?
02:15Lohane, boa tarde também, viu?
02:17Boa tarde, boa tarde.
02:23Na visão de vocês dois, o que essa reconciliação, o que esse pedido de perdão, né, essas pazes, o que
02:34que isso, Alexandre, representa principalmente pro Serginho, né, que é o famoso cabeção aí?
02:42O que que isso representou? Eu observei bem o sorriso dele ao longo, no momento que o pai ia falando
02:49no vídeo.
02:50Olha, quando a gente vê essa situação, né, em que uma pessoa que tá enfrentando um vício de álcool e
02:58outras drogas, ou outras drogas, ela tem esse contato com a família?
03:02É porque a família, ela, muitas vezes, né, ela tem uma função, às vezes, mais importante do que algumas outras
03:11amizades, outras relações que ele talvez possa vir a ter, porque a família é o afeto, é aquilo que não
03:18se substitui, né?
03:20Então, tem coisas que é preciso que haja, justamente, esse apoio familiar, porque muitas vezes a gente vê que essa
03:28dependência e o desenvolvimento dessa dependência também se dá por um, além do sofrimento, né, angústia que a pessoa tem,
03:36ela se sente solitária, ela se sente de alguma forma ali vulnerável e a família faz esse acolhimento.
03:42E quando a gente vê que alguém tem uma dependência química, alguma dependência por álcool ou outras drogas, de alguma
03:49forma, a família toda também adoece, está nesse processo.
03:54Então, o vício de uma droga não é um problema individual, apenas daquela pessoa, é um problema social, é um
04:01problema familiar.
04:01Então, de fato, o encontro com a família produz mudanças importantes e a pessoa sente um lugar de segurança, um
04:12lugar que ela pode retornar.
04:13E isso é essencial para quem está passando por uma vulnerabilidade.
04:18É essencial, Lohane, você viveu uma situação parecida.
04:22Analisando, né, esse pedido de perdão que aconteceu ali entre os dois, o que que isso representa?
04:29É, eu fico até emocionada, né, porque eu acredito muito, assim, só quem veio já dessa situação de ser usuário,
04:37só quem já passou isso na pele e viveu ali um preconceito na família,
04:42aquela sensação de você estar sendo motivo de desgosto para a família, você poder, de certa forma, dar um orgulho,
04:50você poder, de certa forma, fazer com que aquele familiar, né,
04:55no caso dele, o pai ou a mãe, que um dia sentiu vergonha de você, hoje ter orgulho de você,
05:01isso não tem pressa, Roberta.
05:02Porque eu acredito piamente, assim, que a família é a base do ser humano.
05:07E, assim, para mim, assim, é muito emocionante e isso é uma verdade mesmo que eu trago comigo, pelo fato
05:14de eu ter vindo disso, eu fico assim, sério, meu coração chega a disparar.
05:17Mas, é, isso é lindo, isso é lindo. Hoje eu ouvi da minha avó, né, minha mãe já não está
05:22mais com a gente, já está com Deus,
05:23mas hoje eu ouvi da minha avó, dos meus tios, o quanto eles têm orgulho de mim, né, eu poder
05:29vir aqui numa rede de TV aberta e falar que é possível, sim,
05:32que a gente consegue, sim, basta querer. Isso para mim, assim, não tem preço. Isso não tem dinheiro que pague,
05:39sabe?
05:39E, assim, é lindo. E ser um bom exemplo também para os meus filhos, sabe? Isso não tem preço.
05:46Você também, né, André, passou por esse sentimento e teve uma grande reconciliação na sua família.
05:52Sim, Roberta, passei por esse processo, né? E você começou falando uma palavra muito interessante, é,
06:00a gente tem que reconhecer que nós precisamos da família, entendeu?
06:05Então, quando nós reconhecemos que precisamos da família, aí vem o perdão, né?
06:11O perdão é uma construção de palavras, de atitudes, entendeu? De perseverança.
06:18Isso é o perdão, porque para construir é tempo, é tempo, é força de vontade, as pessoas não acreditam,
06:29você tem que romper com aquilo, com o não acreditar das pessoas e você autoacreditar que é possível.
06:36Agora, esse processo da família tentar ajudar, da família estar ali presente, se dedicando,
06:44apoiando para tirar aquela pessoa realmente, ajudar que aquela pessoa saia daquele ciclo,
06:51nem sempre isso é bem visto pelo usuário.
06:54Às vezes, ele acaba até criando uma repulsa da família, Alexandre.
07:00Faz parte desse processo?
07:02É, faz parte, porque nem sempre, quando você adoece, você sabe que você adoeceu.
07:08E às vezes a família, ela tenta te dar sinais sobre isso, te fazer uma espécie de espelho sobre isso.
07:15E a questão da dependência, ela faz com que muitas vezes você se afaste das relações com pessoas
07:24para se relacionar com as drogas, para se relacionar com a substância.
07:28Então, tem esse prejuízo social, tem esse prejuízo nas relações, nos afetos.
07:34E muitas vezes, principalmente no início da dependência, nas recaídas, etc.,
07:39é muito comum a pessoa ficar, poder ter comportamentos agressivos.
07:44Então, a família, às vezes, tenta acolher, mas a pessoa, às vezes, no estado de abstinência, de dependência,
07:50ela precisa tanto daquela substância que ela não pensa nas relações, ela não vive os afetos.
07:57Então, de fato, ela tem um prejuízo em vários aspectos da vida, da vida cognitiva, afetiva, enfim.
08:05Então, de fato, Roberta, pode haver uma hostilidade nas tentativas de ajuda.
08:11Por isso que é importante esse reconhecimento do que está acontecendo com você.
08:16Cada pessoa vai mais ou menos saber, vamos dizer assim, cai a ficha de que não está bem.
08:22E, às vezes, são situações graves.
08:25Uma situação em que você vê que, às vezes, a vida fica por um fio.
08:29Então, aí ela começa, talvez, infelizmente, chega a esse ponto em muitos casos,
08:34e ela começa, talvez, a se abrir de novo para a família para receber esse apoio.
08:40Mas não é um processo fácil.
08:42Hoje a gente fala sobre a importância da família na recuperação de quem tenta se livrar das drogas.
08:48A gente vai saber aqui a Lohane, o André, que tem histórias incríveis.
08:50O Alexandre, que ele é psicólogo também, está falando da importância da família nesse processo.
08:56E aí eu deixei uma pergunta no ar.
08:58Vocês passaram por esse momento de criar essa repulsa da família, de quem tentava ajudar?
09:05Aconteceu isso com você, Lohane?
09:06Aconteceu, Roberta.
09:07Aconteceu.
09:08Minha mãe, por diversas vezes, vinha me chamar atenção e para me sair daquela situação.
09:14E eu não dava ouvidos.
09:16Na adolescência, ali na rebeldia, eu achava que qualquer momento que eu quisesse parar, eu iria parar.
09:23Só que não foi assim, assim como o doutor Alexandre falou ali, quando eu me vi numa situação assim que
09:28eu realmente precisava de mudança ou minha vida acabava ali.
09:34Foi onde me deu um start, eu acordei, sabe?
09:37Eu tive a dimensão do que eu estava, eu mesma estava causando a minha própria vida.
09:42E com você, André?
09:43Aconteceu também, eu discutia muito com meu pai, né?
09:47Meu pai sofreu muito, minha esposa e minha filha sofreram muito.
09:52E não foi fácil, foi fácil reconquistar tudo, né?
09:58Reconquistar o perdão, entendeu?
10:01Foi com muita força de vontade mesmo.
10:04A pessoa tem que querer, querer isso, do fundo do coração.
10:08Querer essa mudança e a família, ela sempre está pronta a querer ajudar.
10:14Por que eu perguntei isso?
10:16Porque quantas vezes, Alexandre, a gente já recebeu mães aqui, pais também, que falam assim, eu já fiz de tudo.
10:22Eu já chamei para conversar, já ofereci ajuda para internar, já fui indo até a rua, já tentei tirar da
10:29rua.
10:30Não sei mais o que fazer.
10:32Pais que ficam desesperados.
10:34E aí, o que eu posso fazer para ajudar?
10:36Qual é o próximo passo que a pessoa ainda pode dar na vida?
10:39É um problema realmente complexo.
10:42Por quê?
10:43Muitas vezes, dentro da própria família, tem a rejeição, preconceito, tem dificuldade, né?
10:48Às vezes, os parentes também julgam a família como se a sua família fosse um problema, como se a sua
10:54família fosse um fracasso.
10:56Sendo que isso é um problema muito maior do que um problema simplesmente pessoal, individual.
11:00Então, a família, ela tem, de fato, Roberta, que entender que ela é extremamente importante, mas é insuficiente.
11:08Tem o apoio profissional também, as redes de apoio, os serviços sociais, tudo isso é essencial.
11:17Uma coisa também que pode ajudar bastante, sabe o que é?
11:20É uma família que tem essa experiência de dependência, de álcool e outras drogas.
11:26Ela encontrar outras famílias que também tem.
11:29Essa troca, Roberta, é de uma riqueza muito grande.
11:34Isso é muito importante, assim.
11:35Porque você acaba tendo contato com outras experiências muito próximas da sua, pessoas que vão te acolher,
11:42pessoas que vão também saber te encaminhar, bem como os profissionais o fazem.
11:46Então, é importante que a família entenda que ela tem a sua importância.
11:51Não é um processo fácil e, às vezes, é um processo contínuo.
11:54Alguns casos, é para a vida toda.
11:58Continua sempre aquele cuidado, é permanente.
12:01Tanto que, por exemplo, no Alcoólicos Anônimos, é um cuidado para sempre.
12:06Eles contam todos os dias em que não houve a ingestão do álcool.
12:11Todos os dias é um dia a ser comemorado.
12:14Olha só o comentário aqui da Marli, no nosso Facebook.
12:18Ela diz, sem o apoio da família, daqueles que o amam verdadeiramente, não tem como sair.
12:22Como pais, temos que lutar, brigar, libertar os nossos filhos.
12:25O amor é a chave.
12:27A Mari Santos fala, me emocionei com o depoimento da Lohane, falando que você é uma verdadeira vencedora.
12:33A Lutz Ferreira também participa.
12:35Ela diz, não deve ser fácil sair dessa vida.
12:37Mas quando a pessoa quer sair e a família está junto, ela acredita que isso fica um pouco mais fácil.
12:43A Cida Santos diz também.
12:45Só quem passa por esse problema sabe o que é conviver com o usuário de drogas.
12:50Já sofreu muito isso no passado.
12:52A Suelen Castro também participa com a gente.
12:54Beijo para você, Su.
12:55Ela diz que coisa mais linda, Robertinha.
12:57Uma pena não poder estar aqui hoje, no nosso estúdio.
13:00Ela diz que ficou 13 anos sem conversar com o tio, que já até chegou a colocar arma na cabeça
13:05dele.
13:05Mas depois ela conheceu Jesus, pediu perdão ao tio por tudo que ela fez com ele.
13:10Na outra semana, o tio morreu.
13:12Que bom que você tirou esse peso do seu coração, conseguiu ainda ter essa reconciliação com o seu tio Suelen.
13:20A Mari Silva Borges fala, que bom que o pai não abriu mão do filho, né?
13:24Falando aí do caso do pai, do Serginho Rondiakoff.
13:28Ela diz que isso é fundamental e o amor está falando mais alto.
13:32Daqui a pouquinho eu vou baixar mais comentários.
13:34Estão chegando mais aqui, tá, gente?
13:35Ah, chegou aqui, ó, um da Solange Miguel.
13:37Ela diz, boa tarde, eu e meu esposo estamos com um problema.
13:41É que o meu enteado está usando drogas, estamos tentando ajudar, mas está muito difícil.
13:46Ele está mentindo, tá?
13:49Ele tinha esposa, filhos.
13:52A mulher o largou por causa das drogas.
13:55As drogas agora, a droga agora está aqui em casa.
13:58Ela pede, então, essa ajuda, né?
14:01Alexandre, não é fácil encarar, né?
14:05Ainda tem também, às vezes, a fase da negação da própria família,
14:08que demora a perceber tudo o que está acontecendo e não quer, de fato, acreditar.
14:14E aí, qual é o próximo passo que uma mãe também pode fazer?
14:17Você já disse, né?
14:17Pedir ajuda, tá?
14:18Mas e se a pessoa também não quer?
14:22Tem também uma fase que você deve respeitar?
14:25Existe isso ou não?
14:28Olha, ela pode pedir essa ajuda, inclusive, por exemplo, temos o CAPS-AD, né?
14:32Que é um espaço psicossocial, né?
14:35Voltado para álcool e outras drogas, também importante.
14:38É uma ajuda que você pode pedir.
14:41De ter tantas outras também, como a gente comentou aqui.
14:45Mas é muito difícil quando você vê essa resistência, né, Roberta?
14:50De ter uma dificuldade, tanto da pessoa quanto da família, para lidar com essa situação.
14:57Você trouxe esse exemplo que fala da mentira também.
15:01Ela é muito comum nesses casos, a mentira.
15:04Porque a pessoa quer, vamos dizer assim, se proteger no uso das drogas.
15:09Ela quer continuar fazendo esse uso.
15:12E, gente, não é porque ela quer simplesmente fazer o uso.
15:15E tem essa ideia que você trouxe, né?
15:17Ah, se eu quiser, eu paro quando eu quiser.
15:19Não é assim.
15:20Não para.
15:21Porque o organismo, ele se torna junto com a droga.
15:25É como se a droga fosse um órgão.
15:27Sem ele, não funciona.
15:29Então, tem que fazer todo um trabalho quanto a isso.
15:31Então, a negação acontece, ela é muito difícil mesmo.
15:36Então, é muito importante que haja essa consciência, essa percepção de que é um progresso, muitas vezes, lento.
15:46A família começa a desistir porque ela começa a ficar cansada.
15:49Ela perde a paciência.
15:50Ela tem que estar preparada para as frustrações, né?
15:52Não, ela perde a paciência mesmo.
15:54É muita frustração uma atrás da outra.
15:56E, às vezes, a gente vai tentar ver pequenas conquistas, Roberta, que são, assim, conquistas quase invisíveis aos olhos,
16:04que precisam ser valorizadas também, que, às vezes, nem a família consegue perceber, mas é importante.
16:10E olha só, gente, presta atenção nesse depoimento que o Kleber Serrano mandou para a gente.
16:16Um grande paizão.
16:17E olha só o que ele foi capaz de fazer para ajudar o filho a sair das drogas.
16:22Meu filho começou a usar droga aos 10 anos de idade.
16:26Foi um sofrimento terrível.
16:27Até os 18 anos, eu não tinha noção do que fazer, como cuidar disso.
16:32Às vezes, eu tratava por severa ignorância, mas não resolvia o problema.
16:36Quando eu voltei dos Estados Unidos para cá, então eu comecei a me interar.
16:40Tive que internar ele num lugar involuntário.
16:43Fiquei junto com ele internado nove meses para poder dar esse apoio emocional e também para entender o que se
16:50passava.
16:50Ele saiu, ainda teve algumas recaídas, mas ele hoje é uma pessoa diferente.
16:56Eu não desisti, não abandonei meu filho e nunca vou abandonar.
17:00Hoje, infelizmente, está em uma cadeira de roda em função de uma diabetes não tratada por causa do uso excessivo
17:08do crack.
17:09Continua sendo um menino bom, um menino ajuizado nesse momento, fazendo as coisas, trabalhando em prol da sua própria sobrevivência.
17:19Que história linda, né?
17:20Um pai que se propôs a internar junto com o filho para tirá-lo dessa vida.
17:25E aí, a gente estava aqui nos bastidores, a Lohane falou, minha mãe também fez isso por mim, né?
17:31Assim, ela não saía do seu lado, né, Lohane, quando você se internou?
17:35Não, não precisei ficar internada.
17:36Não, mas em que momento que ela estava ali o tempo todo com você?
17:39Ela estava, a todo tempo, a todo momento, ela estava ali, né?
17:43Eu tenho situação na minha família que uma prima minha saiu de casa.
17:50Meio que a família meio que expulsou ela de casa por conta de rebeldia.
17:54E minha mãe nunca abriu mão da gente.
17:57Minha mãe nunca abriu mão, assim, era uma guerreira, assim.
18:00Aquela mãezona que fala, você pode estar toda errada, mas você vai ficar aqui, você não sai, eu não te
18:05largo, eu quero ver mudança.
18:06E ela era aquela mãe, assim, que abraçava.
18:08O filho podia estar toda errada, ela não deixa, eu não admito isso, mas eu não te largo, você vai
18:13mudar, você é alguém melhor.
18:15Então, assim, é algo, assim, que constrange.
18:17Ver o depoimento desse pai, esse amor faz muito lembrar da minha mãe, sabe?
18:23Aquele amor que acolhe até ver algo de bom saindo dentro do filho, sabe?
18:27Isso é lindo.
18:28E você, André, quais são as memórias que você tem da sua família também, fazendo de tudo para te resgatar?
18:36Ah, eu lembro que meu pai sempre ia me dar conselho, eu sempre era ignorante com ele, né?
18:41Sempre era ignorante com ele.
18:43E uma pessoa de idade sofreu muito, entendeu?
18:47Mas eu lembro que quando eu fui para a casa de recuperação, lá no Paraná, ele foi a primeira pessoa
18:53a se disponibilizar e ajudar.
18:56E eu lembro que ele falou com o pastor Benzinho que, quanto que eu preciso ajudar, quanto que eu preciso
19:02ajudar?
19:02O pastor falou assim, não, o senhor não precisa ajudar com nada.
19:04Só o senhor orar a Deus e somente.
19:08E a igreja luterana livre me ajudou e fui para lá e foi uma bênção.
19:12Olha só, André, você estava falando aqui das memórias que você tem com sua família, né?
19:17Inclusive, você já contou uma história muito interessante, que você teve o perdão da sua esposa, que ela chegou a
19:21separar.
19:22Chegou um momento que ela desistiu, até do casamento, né?
19:24Sim, sim, ela desistiu, foi embora.
19:27Eu não acreditava que ela ia embora.
19:29E um dia ela falou que ia embora, foi um dia que eu lembro que marca até hoje, que choveu
19:34muito.
19:34E depois que passou aquela...
19:41Porque eu parei de usar droga e eu fui atrás dela, né?
19:45Passou a sensação da droga, eu fui atrás dela e não achava ela, não achava lugar nenhum.
19:50E a família não falava.
19:52E eu fiquei dias e dias procurando, até que eu procurei ajuda,
19:57que um amigo meu me ajudou, chamado Ricardo Alvernais.
20:00Ele está até aqui comigo, ele que me ajudou a dar os primeiros passos e seguir avante.
20:07Então, a gente tem um recado muito especial pra você.
20:10Olha só.
20:12Fala, Espírito Santo!
20:14Boa tarde.
20:16Viemos aqui falar sobre a importância que o perdão teve na nossa família.
20:20Meu esposo, ele foi um usuário de droga,
20:23por um período de três meses, mais ou menos, nós nos separamos.
20:26E ele decidiu se recuperar, sair das drogas, ele saiu.
20:31E ele voltando, ele me pediu perdão.
20:33E eu resolvi perdoar ele, dar uma segunda chance.
20:37E graças a Deus, até hoje, ele não voltou mais.
20:40Estamos juntos há 22 anos.
20:42Nesse período, só tinha nossa filha Vitória.
20:45E pela minha família, eu dei uma oportunidade para o André,
20:50para que ele voltar, para que nós voltássemos a ser felizes.
20:54E depois de três meses, né, sem ver meu pai,
20:57quando eu vi a primeira vez, eu vi um outro homem.
21:00Eu vi uma nova história para a nossa família.
21:02E eu falei, mamãe, tenta, né, vamos tentar.
21:06E nós tentamos juntos, não foi fácil, mas graças a Deus,
21:10hoje eu estou com 21 anos e está sendo muito bom,
21:16está sendo um momento muito espetacular para a nossa família.
21:20Um momento extraordinário que a gente está vivendo.
21:22E outra, veio o Nemias.
21:24Depois desses três meses que nós voltamos,
21:27a nossa reconstrução foi fechada com chave de ouro,
21:31que hoje nós temos o nosso filho Nemias.
21:34E quero relatar também da nossa neta, Antonella,
21:37e o meu gerro, Pedro.
21:39A nossa família hoje é restaurada para a glória de Deus.
21:42Eu quero deixar para o André um forte abraço
21:44e dizer que eu a amo muito.
21:46Te amo, beijo.
21:50Fica até difícil assim, né?
21:51Está todo mundo aqui segurando as lágrimas no estúdio.
21:54O que essa nova chance representou na sua vida, André?
21:57Ah, representou muita coisa, muita coisa mesmo.
22:03Não foi fácil, Roberta.
22:06Quando minha esposa me largou, não foi fácil.
22:10Eu vivi uma infância um pouco complicada, entendeu?
22:16E quando eu decidi a recuperar, me entregar,
22:21eu decidi mesmo.
22:23Foi difícil, muito difícil, a dor da separação.
22:28Minha esposa é uma mulher sensacional,
22:30uma mulher trabalhadora,
22:32uma mulher que merece muita coisa boa.
22:35A Vitória.
22:36Beijo também, amo vocês.
22:39E, Lohane, me recordo que em outros momentos
22:42você sentou aqui e eu te perguntei, né?
22:46Qual foi, em que momento,
22:49qual foi o seu ponto de partida para você sair dessa vida?
22:52E você falou também de um relato do seu filho mais velho, não é isso?
22:56Sim.
22:58O Matheus, assim, eu me recordo quando ele chegou e me visitar,
23:02na época quando eu estava presa,
23:03e ele perguntou, né?
23:05Mãe, você chegou aqui por conta da droga,
23:08por conta da maconha, mãe?
23:09Você está presa porque você fumou maconha?
23:11E ele só tinha cinco aninhos.
23:13E a Jasmine, que está aqui com a gente,
23:15ela tinha seis meses.
23:17E aquilo ali, assim, acho que todo o desfecho
23:20que eu já estava vivendo, aquela situação,
23:22aquilo ali foi assim, foi só o...
23:24Agora, virou a chave.
23:26Agora você muda ou você muda, né?
23:29Porque eu não queria que eles passassem
23:31pela situação que eu também estava vivendo.
23:34E, assim, eles foram, assim,
23:36o meu combustível naquele momento.
23:38E eu, todo o apoio da minha mãe,
23:41aquele amor, aquele incentivo de nunca desistir,
23:43isso fez total diferença para que eu chegasse até aqui.
23:46Então, o Matheus também mandou um recado para você.
23:49Acredito, gente.
23:51Eu amo muito a senhora,
23:55que sou muito feliz pelo que a senhora se tornou.
24:00Agradeço a Deus todos os dias pela mulher que a senhora é,
24:03pela mãe que a senhora é,
24:05entendeu?
24:06Pela criação, a senhora me deu, aos meus irmãos.
24:10Então, tem que dizer que eu sou muito orgulhoso da senhora.
24:13Tô um orgulho imenso da senhora.
24:16Que as coisas que a senhora vem conquistando
24:20não vai parar por aqui, né?
24:22É só o começo.
24:23Então, eu quero dizer que amo muito a senhora.
24:28Eu não tenho muito o que falar.
24:30Sou tímido, mas para a senhora eu faço um esforço.
24:34Beleza?
24:35Um beijo.
24:36Te amo.
24:38Ó, a gente fez isso aqui, tá?
24:40Para conseguir o depoimento do Matheus.
24:42Ô, gente, vocês se superaram,
24:44porque o Matheus é muito tímido.
24:47Ai, gente, eu não sei nem o que dizer,
24:49Betta.
24:49Esse menino é o meu orgulho.
24:5121 anos, né?
24:53Assim,
24:54olha, não tenho o que dizer.
24:56Meus filhos, eles são um benção do Senhor na minha vida.
25:00E eu tenho chegado...
25:01Gente, vocês...
25:02Ó.
25:03Ó, se recompõe aí.
25:05Eu tomo uma aguinha.
25:07Alexandre, para a gente finalizar,
25:09às vezes é o pai, às vezes é a mãe,
25:12às vezes é o filho.
25:14É importante que a própria família se una
25:16e identifique quem tem uma proximidade maior
25:20com aquela pessoa para se dedicar ainda mais?
25:24Com certeza, isso é importante.
25:26Sabe por quê?
25:27Porque na pessoa que está vivendo a situação de vício,
25:31muitas vezes a pessoa que ela tem mais afeto,
25:34mais proximidade, mais confiança,
25:36é aquela que consegue, vamos dizer assim,
25:38acessar ela.
25:40É aquela que consegue mexer com alguma coisa.
25:43Então, ela trouxe aqui o exemplo do filho,
25:45com cinco anos, visitando ela,
25:47estava presa,
25:47e a criança, com cinco anos, já entendia tudo.
25:50E conseguiu falar com ela sobre isso.
25:52Então, de fato, é importante a gente perceber
25:56quem é a pessoa que talvez tem até também, Roberta,
25:58habilidade para falar sem julgar e sem condenar.
26:01Então, é importante sim esse encontro afetivo,
26:05que a gente está vendo aqui,
26:06que quem cura no final das contas é o amor.
26:08É verdade, é sobre isso,
26:10e foi sobre isso o nosso estúdio.
26:12Obrigada pela participação de vocês.
26:14Se deixasse, olha, tinha aqui uma chuva de comentários
26:17para a gente ler.
26:18Agradeço imensamente.
26:19Obrigada, Lohane.
26:20Obrigada, André.
26:21Obrigada, Alexandre.
26:22Beijo especial, tá?
26:24Agradeço aos filhos, à esposa,
26:25a família inteira.