00:00Olha só, gente, teve alta, graças a Deus, aquela menina de 13 anos, foi baleada lá na Grande Jacaraípe.
00:06Só que, né, ela tá em casa e ainda vai passar um perrengue danado.
00:10Ela tava com a família na esquina de casa quando foi atingida por esse tiro.
00:13O Caio teve lá, ouviu essa menina, vamos ver.
00:18Uma cena impossível de ser esquecida.
00:21Eu não senti, tem? Parece que foi alguma coisa, parece que ardeu na hora.
00:25Na hora que eu já senti, já comecei, ai, ai, ai, já tá doendo.
00:27Porque já tava começando a doer, eu comecei a descer, eu comecei a correr, tentar correr só com a perna.
00:35Eu tava conseguindo ainda, consegui andar só com as duas.
00:37Só que aí ela tava saindo muito sangue, já que eu botava a outra perna, fazia esforço, já tava saindo
00:42muito sangue.
00:44Aí, já que nós tava na escada, já tava sentindo muita dor e ela já tava aqui.
00:50Você ouviu uma adolescente de 13 anos.
00:53Nós não vamos mostrar o rosto por causa da segurança dela e da família.
00:57A menina, gente, foi atingida por um tiro na coxa, no bairro das Laranjeiras, na Grande Jacaraípe.
01:04Era o terceiro dia da família na região, que tinha vindo de outro bairro da Serra.
01:09Era por volta de nove e meia da noite, a família ainda ajeitava a casa por causa da mudança.
01:15Só que eles estavam finalizando e dentro da casa tava muito quente.
01:20Todos decidiram ir pra rua, tomar um ventinho pra dar uma refrescada, porque tá fazendo muito calor e a gente
01:28sabe muito bem disso.
01:30E aí, gente, quando a adolescente de 13 anos estava bem aqui onde nós estamos, todos ouviram alguns tiros.
01:39Essa adolescente até tentou correr, tentou se proteger de alguma forma.
01:45Só que nisso, na hora que ela tava correndo, ela sentiu a coxa dela queimar, arder, doer muito forte.
01:55E aí ela percebeu que ela tinha sido baleada.
01:59Agora você vai ouvir uma mulher de 35 anos, instaladora de forro PVC.
02:05Ela é mãe da vítima.
02:06Viu tudo de perto e ficou desesperada.
02:09Nossa, foi horrível, né?
02:11Fora a espera no UPA.
02:14A gente ficamos uma hora esperando pra ser atendida, né?
02:16Depois ficamos mais uma hora e meia esperando dentro da ambulância,
02:21uma escolta policial que não chegou.
02:24A gente foi a caminho pro hospital infantil, né?
02:27Em Vitória, sem a escolta da polícia.
02:31Chegou lá, demorou mais um pouco pra ser atendida.
02:34E quando foi atendida, o médico chegou cheio de arrogância.
02:37Esses tiros foram disparados na última sexta-feira.
02:41Foram pelo menos seis.
02:42Um jovem de 25 anos também foi atingido.
02:45Ele correu muito para conseguir socorro.
02:48Ajuda essa para cuidar dos ferimentos causados pelo próprio amigo.
02:53Nós não tivemos mais notícias desta vítima.
02:56E enquanto o jovem corria pra um lado pra pedir socorro,
03:00a família da adolescente também corria contra o tempo.
03:03Em um carro por aplicativo, ela foi levada até a unidade de pronto atendimento
03:08à UPA de Castelândia.
03:10Foram duas horas de espera,
03:12até que uma ambulância do SAMU trouxe mãe e filha ferida
03:17aqui para o Hospital Infantil de Vitória.
03:20E foi exatamente aqui que a menina passou por um constrangimento danado.
03:26Sim, minha filha só tem 13 anos, né?
03:28Porque a gente tem pince, que tem o cabelo vermelho, que tem uma tatuagem,
03:32que a gente é negra e a gente usa droga, não.
03:34Aí ele foi e falou que não estava falando comigo, estava falando com ela.
03:38O médico olhou, simplesmente falou que era só pra tomar antibiótico,
03:42remédio pra dor e fazer curativo.
03:45que não poderia tirar a bala, né?
03:47Estava alojado.
03:48Agora, a adolescente fica deitada em uma cama sem poder andar.
03:52A região onde essa violência toda aconteceu,
03:55onde essa adolescente foi baleada e um jovem também foi atingido,
03:59é a mesma que um comerciante de 34 anos levou tiros.
04:04Tiro esses que marcaram para sempre a vida deste homem,
04:08que agora depende de uma cadeira de rodas.
04:11Vem pra mim muita tristeza, né?
04:13Que era um momento de alegria pra nós e pra comunidade,
04:16que os pessoal vêm e acabou com a nossa alegria.
04:19E as coincidências não terminam se comparadas à localização dos crimes, não.
04:24São pessoas que não têm nada a ver com o poder paralelo do tráfico de drogas.
04:29E adivinha, também sofreram com mau atendimento em hospitais públicos.
04:34Chegou lá no hospital, foi muito maltratado.
04:37Quando eu fui baleada, que eu cheguei lá, vim me atender, passou pra mim de virão e me mandou voltar
04:41pra casa.
04:42Aí no outro dia minha perna já estava morta.
04:44Aí voltei pro hospital, o outro médico falou,
04:46põe terra esse rapaz agora, senão ele vai morrer.
04:49Aí eu fiquei treininho, como?
04:50A família da menina baleada, que mora há uma semana no bairro,
04:53já está procurando uma casa bem longe daqui.
04:56Com certeza eu vou voltar aqui, aqui eu não quero ficar não.
04:59Eu não quero deixar isso pra ninguém, que eu tô indo.
05:02Tchau, tchau.