- há 4 horas
Famílias inteiras são destruídas após os episódios de violência
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NotíciasTranscrição
00:00A gente está falando aí de uma ex-mulher que levou 15 facadas e aí nessa história toda a mãe
00:06para entrar na frente
00:07tentou defender a filha, infelizmente não resistiu.
00:11E quando a gente diz que a violência doméstica atinge toda a família de casos como esse que nós estamos
00:17falando,
00:18mães, pais, filhos que tentam defender essas mulheres e acabam perdendo a vida ou então ficam com as marcas dessa
00:25violência aí para sempre.
00:27E só uma pessoa pode quebrar esse ciclo, é quem? A vítima.
00:33E esse vai ser o assunto de agora. Vem cá, participa com a gente.
00:36Eu recebo a psicóloga Elza Leite. Obrigada, Elza, pela sua participação.
00:41Doutor Riverino Amaral, advogado criminalista, já vai começar explicando para a gente um caso como esse.
00:47Ele matou a ex-sogra. Se enquadra na lei Maria da Penha, doutor? Boa tarde.
00:51Claro, claro. Então, a lei, ela fica tentando se atualizar à realidade atual, né?
00:59Então, assim, em 2006 nós criamos a lei Maria da Penha para esses crimes cometidos em relação da convivência das
01:06pessoas.
01:08Criamos o botão do pânico, medidas protetivas.
01:12Então, o Estado fica buscando atender a essas demandas.
01:15O Estado não é unipresente, não pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo.
01:20O Estado, como eu digo, é a polícia, né?
01:22Especialmente a polícia militar, que é a polícia que está na rua, que faz a nossa defesa no dia a
01:27dia.
01:28Então, a lei, ela fica trazendo mecanismos para proteger as pessoas.
01:33Criamos também, em 2015, o crime de feminicídio, quer dizer, com a pena mais alta que tem no Código Penal,
01:40que é de 30 anos.
01:41Então, quer dizer, a lei existe, as punições existem, o Estado fica criando mecanismos para tentar proteger as mulheres vítimas
01:50que são a todo tempo,
01:52como as matérias estão trazendo, mas, infelizmente, esses crimes acontecem.
01:56Nesse caso específico, sim, vai estar abarcado pela lei Maria da Penha, se, eventualmente, ficar constatado, por exemplo, a intenção
02:05de tirar a vida, enfim, um crime de feminicídio.
02:08Perfeito.
02:09Elza, a gente fala tanto, a gente reforça tanto, né?
02:12A mulher que sofre agressões, o que a gente orienta?
02:15Qual é o nosso papel?
02:16O que vocês psicólogos também orientam?
02:18O quê?
02:19A tentar sair desse ciclo.
02:21Essa mulher vivia um relacionamento violento.
02:24Inclusive, esse foi o motivo do término.
02:27Só que, ainda assim, ela não consegue sair dele.
02:30Por que é tão difícil?
02:32Por que a mulher tem tanta dificuldade de sair, mesmo colocando um ponto final nisso, de tentar seguir a própria
02:40vida?
02:41Existem muitos atores, Roberta.
02:43Às vezes, é medo, dependência financeira, dependência emocional, vínculo com os filhos, às vezes ameaça.
02:50A gente tem que entender que é importante, desde o início das relações, a gente não ignorar os primeiros sinais.
02:56Crimes como esse são evitáveis.
02:59Lá atrás, lá no início, quando tudo começa.
03:02É importante estar atento aos sinais que esses homens dão, de controle, ciúmes, tentativa de anular a vítima,
03:10sempre fazendo críticas, controlando a roupa, controlando o envolvimento dela com amigos, com família, proibindo de trabalhar.
03:17É importante também, antes da gente se relacionar, perceber qual é o histórico dessas pessoas.
03:22Esse rapaz, por exemplo, é um rapaz com histórico de crime já.
03:25Então, saiba do histórico, da cultura, perceba se tem comportamento machista, se teve um relacionamento anterior.
03:32Tenta saber por que aquele relacionamento acabou.
03:34Se ele tem filhos, observe como é que ele trata os filhos, como é que ele trata a ex-companheira.
03:39Se ele é um homem trabalhador, como é que esse cara reage quando ele é contrariado, quando ele é frustrado,
03:46ele pune, ele é vingativo.
03:49Como é que ele se porta?
03:51Mas só que no início, a gente não vê essas características.
03:53Isso que é engraçado, que no início eles burlam, né?
03:55Aparecem como príncipes encantados.
03:58Então, assim, o que nos resta é o quê?
04:00Daqui a pouco a gente tem que puxar mesmo o histórico antes de se relacionar com uma pessoa, porque a
04:05Suelen trouxe essa informação, né?
04:06Que ele já tem aí na ficha ali que ele já responde por um homicídio.
04:12Sim.
04:12Por isso que é importante a gente conversar bastante, não se precipitar, né?
04:17E começou os sinais.
04:18Tem relações, Roberta, que a gente fica tentando ajustar, consertar e, na verdade, elas precisam ser rompidas.
04:25Existem relações que a gente não deve nem começar.
04:28Quem dirá tentar consertar alguma coisa?
04:31As mulheres precisam estar muito atentas, principalmente aquelas que são solteiras, mães solteiras, separadas,
04:38mulheres com uma condição financeira muito boa ou mulheres que são muito vulneráveis do ponto de vista emocional, do ponto
04:44de vista financeiro.
04:46É a oportunidade perfeita para um homem desse nível buscar uma mulher dessa fragilizada e fazer um estrago na vida
04:52dela e na vida da família inteira.
04:53Você sabe, Roberta, que o CNJ fez um estudo por conta da preocupação do aumento do crime de feminicídio e
05:02ficou constatado que o crime de feminicídio não acontece de uma hora para outra, como ela colocou.
05:08Ele mostra sinais.
05:11Primeiro são as ameaças verbais, depois as agressões físicas e, por último, o feminicídio.
05:18O estudo do CNJ aponta e deixa isso muito claro.
05:22Então, as pessoas precisam mesmo ficarem atentas aos primeiros sinais.
05:26O problema é que o relacionamento das pessoas é movido por paixão, por amor.
05:32E aí as pessoas ficam cegas porque elas acreditam que aquilo vai passar, elas querem que aquilo dê certo.
05:42Então, é muito difícil você quebrar um paradigma.
05:45E outra coisa que cai mais na minha seara é assim, que eu já disse também.
05:50O que faz as mulheres se encorajarem e, de fato, comunicarem?
05:57Porque ela precisa comunicar ao Estado, ela precisa tomar uma postura, ela precisa sair desse ciclo vicioso.
06:02Um dos fatores é ela perceber e entender que o Estado está preparado para protegê-la, para recebê-la, se,
06:12eventualmente, ela chamar a ajuda do Estado.
06:16Quer dizer, se ela comunicar, por exemplo, que foi agredida, se ela precisar voltar para a mesma casa, ela vai
06:21ser agredida de novo e vai ser morta.
06:23Então, quer dizer, ela precisa saber que se ela comunicar, o Estado vai poder, por exemplo, retirar esse homem de
06:31dentro da casa, proibir esse homem de se aproximar, retirar a mulher de dentro da casa com os filhos, proteger
06:39essa mulher.
06:40Então, essa função do Estado é muito importante, quer dizer, dela entender e perceber que o Estado está preparado para
06:48recebê-la nesses casos,
06:50porque, senão, ela não consegue sair, porque ela está dependente física, emocional, financeira.
06:57Então, quer dizer, a figura do Estado é muito importante e até da sociedade, né?
07:01Quer dizer, a gente também tem um papel importante, que se a gente perceber que está havendo do vizinho uma
07:07agressão, enfim,
07:08que aquela história de briga de marido e mulher não mete a colher, mete sim, a gente precisa.
07:12Então, é um conjunto de fatores, né?
07:15Mas, a meu sentido, o mais importante é a mulher perceber que se ela eventualmente precisar, o Estado vai acolhê
07:22-la, vai protegê-la e vai impedir que ela seja agredida novamente.
07:26É, a gente tem aí ferramentas...
07:28Isso não é fácil, né?
07:28Para isso, né?
07:29Nem todas, não são todos os casos que a gente vê, de fato, isso acontecendo na prática, mas a gente
07:36tem que usar as nossas ferramentas, essas ferramentas a nosso favor.
07:39E olha só, em 2021, gente, teve um caso chocante.
07:43Lembra do caso da Karina de Freitas, de 20 anos?
07:46E também a mãe dela, a Silvanete dos Santos Freitas, de 38 anos.
07:51Elas foram mortas a tiros pelo ex-marido de Karina, em Vila Velha.
07:57Primeiro, ele foi ao bairro Zumbi dos Palmares e matou a ex-sogra.
08:02Depois, ele seguiu para o galpão de material reciclável, onde a Karina trabalhava, e a tirou também contra ela.
08:10A Adenilton, de Jesus Nascimento dos Santos, de 29 anos, não aceitava o fim do relacionamento e decidiu, por vingança,
08:22tirar a vida das duas.
08:23Pela internet, eu vou conversar agora com a dona Marlete, a mãe da Silvanete e a avó da Karina, que
08:30foram mortas covardemente.
08:33E ela vai falar para a gente, né, como que é essa dor, dona Marlete, ouvir mais uma história se
08:39repetindo.
08:40Obrigada pela sua participação.
08:45Posso falar?
08:46Pode, pode sim.
08:48É uma dor que a gente está carregando para sempre, essa dor, né?
08:52É uma dor que a gente está carregando para sempre, essa dor, né?
08:53Perder duas pessoas da minha família, minha neta e minha filha.
08:58Não foi fácil, não está sendo fácil.
09:03E para a gente, a gente deve conviver, mas ter alegria, mais a gente não tem.
09:09Ele acabou, destruiu a nossa vida.
09:13E qual é o sentimento que a senhora tem quando as histórias se repetem?
09:18Igual é o que aconteceu ontem.
09:21Muitas saudades.
09:22Fico triste de saber o que aconteceu também com esse pessoal aí.
09:26Essa menina que morreu, essa senhora que morreu para defender a filha.
09:30Igual a minha filha foi defender a filha dela, né?
09:33Eu fico triste, muito triste mesmo, que isso venha a acabar.
09:37Que eu não continue fazendo isso com as pessoas.
09:39Principalmente as mulheres são parte do praja.
09:42Ele já apresentava, no início do relacionamento, esses sinais de ser uma pessoa violenta?
09:50Não, ele era assim, um tipo de pessoa muito calado.
09:53Ele nunca foi divertido, assim, muito calado.
09:56Mas eu nunca esperava que isso acontecesse, não.
09:58Não esperava?
09:59Ele não apresentava esses sinais?
10:02Não, ele foi toda a vida, foi um cara que gostou de muita bagunça, gostou de festa.
10:06Mas eu chegar a ponto de matar, eu nunca pensei que eu cheguei a esse ponto, entendeu?
10:09A Karina já tinha relatado para a família alguma agressão, alguma cena de ciúmes que ele teve?
10:18Já.
10:19Tinha falado que ele tinha ciúmes demais e que...
10:24Falou tanta coisa que a gente esquece, entendeu?
10:28A família chegava a alertar, dona Marlete?
10:31Eu mesma alertei ela, se a vida, se não desse para continuar, era para terminar.
10:35Eu mesma alertei ela muitas vezes, a mãe dela falou com ela.
10:38Pô, toda a mãe dela morreu em cima disso aí, né?
10:42Eu vou aproveitar esse gancho que a senhora trouxe para a gente, vou trazer aqui para o estúdio.
10:46Continua com a gente na ligação, já já volto a falar com a senhora.
10:50Às vezes, Elza, a família, os sinais existem, mas nem sempre a gente consegue, de fato,
10:56identificar que aquela pessoa vai evoluir naquele comportamento.
11:00Mas a agressividade, ela é certa que ela evolui?
11:04Nem em todos os casos.
11:06Todo mundo tem componente de raiva, de medo, de ódio.
11:11A gente tem que aprender a trabalhar as nossas emoções.
11:14O problema é o que a gente faz quando a gente está com raiva.
11:17Algumas pessoas, ela falou, ele era um rapaz discreto, calado.
11:20Existem mentes que são muito barulhentas.
11:22Aí vai para aquele sentido da vingança.
11:24A vingança, na maioria das vezes, ela nasce de uma frustração, de uma contrariedade,
11:29e ela se torna um desejo de punir o outro, de fazer algo para prejudicar a vida do outro.
11:34E aí a pessoa chega nas últimas consequências, inclusive de tirar a vida das pessoas.
11:39Então é importante a gente prestar atenção àquelas falas sobre punição,
11:44quando a pessoa é contrariada.
11:46Ah, eu vou matar, eu vou fazer alguma coisa para prejudicar.
11:49A gente precisa estar atento a isso.
11:51Começou com esse comportamento?
11:53Joga um alerta, olha, a gente não precisa fazer na mesma proporção,
11:57vamos trabalhar essas emoções, a gente precisa aprender a lidar com os nossos sentimentos,
12:02senão daqui a pouco todo mundo que me fizer raiva, todo mundo que me contrariar, eu vou matar.
12:07Doutor Rivelino, mais um caso que a gente vê aí de uma pessoa que não aceitava o fim do relacionamento,
12:13se não bastasse tirar a vida da ex-companheira, tirou a vida também da mãe, né?
12:18O que que falta de proteção para a mulher para que ela possa tentar seguir a vida dela?
12:25A gente já citou aqui alguns elementos que o senhor vem citando aqui desde 2006,
12:29algumas mudanças, né?
12:31Inclusão de alguns aparatos, dispositivos, mas o que que ainda pode ter?
12:34A própria punição, né?
12:36Dois crimes de homicídio qualificado apenas de 60 anos, né?
12:40Então, quer dizer, assim, infelizmente, o Estado não consegue atender a tudo imediatamente, sabe?
12:47E o que que ocorre?
12:50Para que o Estado haja, para que evite que crimes dessa natureza aconteçam,
12:56ele precisa saber, as pessoas precisam dar conhecimento, porque imagina,
13:00nesse caso, por exemplo, dessa senhora, infelizmente aconteceu esse duplo homicídio,
13:06se o Estado sabe, eventualmente ele aplica alguma medida, né?
13:12Uma medida de protetiva de afastamento, de proibição de aproximação,
13:18de uso de tornozeleira eletrônica, um botão do pânico,
13:23porque se o Estado não sabe, ele não consegue agir,
13:26porque eu imagino, se essa pessoa pega a arma, ela vai num lugar,
13:29tira a vida de uma pessoa, vai num outro lugar, tira a vida de outra pessoa,
13:32o Estado não consegue agir.
13:34Infelizmente, o Estado não consegue estar em todos os lugares ao mesmo tempo.
13:37Então, o papel da sociedade de comunicar, de trazer essas demandas
13:42para que o Estado possa efetivamente aplicar suas medidas, aplicar a lei,
13:47é muito importante, porque senão ele não consegue agir, sabe?
13:50Porque tem um imediatismo, quer dizer, a pessoa perdeu a cabeça, como a Elza colocou,
13:56às vezes o comportamento dela é introspectivo, mas ela não aceita um não,
14:01e ela vai agir no outro dia, sem que ninguém tenha comunicado ao Estado,
14:05não tem como o Estado agir e não tem como culpar o Estado, sabe?
14:09Porque, assim, o Estado fica trazendo mecanismos, trazendo pena.
14:13Imagina, a punição pode chegar a 60 anos de reclusão, de prisão,
14:18então é uma pena altíssima.
14:20As pessoas têm mania de dizer, ah, no Brasil não tem lei, não tem pena.
14:23Tem, tem lei, imagina, um caso dessa natureza,
14:26a pessoa pode ficar presa 60 anos, sabe?
14:29Mas o Estado precisa ser impulsionado, ele precisa ser comunicado,
14:33ele precisa ter números para ele poder fazer ações, enfim.
14:38Mas número a gente tem, né?
14:39Inclusive nós somos líder nesse ranking.
14:40Muito e alarmante, né?
14:41Líder nesse ranking.
14:41Inclusive a gente discute até assim, será que esses números já existiam
14:45e agora as mulheres estão tomando mais força para dizerem
14:49ou se eventualmente estão aumentando mesmo, né?
14:53A gente nem tem certeza dessa informação.
14:55E olha só, teve outro caso também que chocou todo mundo, né?
14:59Em março do ano passado, gente, olha isso.
15:01O padrasto matou a enteada, que tentou defender a mãe das agressões.
15:08Angélica Otto Hammer e a irmã, uma adolescente de 14 anos,
15:13foram esfaqueadas ao tentarem socorrer a mãe,
15:16Evanilda Otto, de 45 anos, que já havia sido ferida com um facão
15:22pelo companheiro Valdeni Plaster, de 47 anos, durante uma briga.
15:26Ao ouvirem os gritos da mãe, o que as irmãs fizeram?
15:30Elas correram para ajudá-la.
15:32Só que nesse momento, elas também foram esfaqueadas por Valdeni.
15:38Angélica não resistiu e ela tinha apenas 23 anos.
15:43E o sonho dela, gente, era ser modelo.
15:46E aí, a gente se pergunta, Elza, movidos por qual sentimento, né?
15:51Igual esse caso que a gente está trazendo hoje.
15:55O alvo era a ex-companheira, mas ele acabou matando a mãe.
16:01Nesse agora que a gente contou nessa história, o alvo era mãe,
16:04mas acabou matando a filha.
16:06Qual é o sentimento?
16:07Sempre a vingança é a grande motivação.
16:10Esse fenômeno que acontece, que aconteceu aí nesse caso,
16:13chama-se complexo de Medéia, é quando os filhos são mortos
16:18na tentativa de punir um dos pais.
16:20Foi o que a pessoa fez.
16:22Assim, a vingança leva o ser humano para casos extremos, chocantes,
16:27que a gente tem dificuldade até de acreditar que o ser humano
16:31é capaz de chegar àquele ponto.
16:33Então, a gente tem que ter muita atenção quando esses sentimentos
16:37começarem a nos invadir, para que a gente comece a trabalhar.
16:40E se você está se relacionando com uma pessoa que você percebe
16:44que é vingativa, ligue seu alerta, porque você pode virar um alvo.
16:49Já começa, então, com esse sinal, né?
16:51A pessoa que tem esse sintoma vingativo.
16:53E a gente vai ver agora o depoimento da Carla.
16:56Olha só, a mãe dela foi vítima de feminicídio
16:59e se não bastasse, a filha também sofreu ameaças.
17:03Ela era cadeirante e ele matou ela com a faca de serra no pescoço.
17:10Além dele matar a minha mãe, ele ainda teve coragem de falar
17:16que vai fazer o mesmo comigo que minha filha.
17:20Ele ameaçou a gente até no tribunal.
17:24Então, eu peço que a justiça não solte ele tão cedo.
17:29Ele não merece ser solto.
17:31Ele me ameaçou e me ameaçou minha filha também, de 12 anos.
17:37Dona Carla, obrigada pela sua participação, viu?
17:40E aí, a gente aproveita aqui a presença do doutor Rivelino, né?
17:44Porque casos como esse, ele está preso.
17:48Mas o medo dela, é assim que ele sair,
17:50é que ele faça, que ele tente algo contra a Carla, né?
17:54Que é a pessoa que participou com a gente agora,
17:56até mesmo com a filha dela, né?
17:57Como a pessoa pode se proteger?
17:59Não, veja, olha, se uma testemunha comunica ao juiz, ao delegado,
18:04à autoridade mais próxima, que ela está sendo ameaçada de qualquer forma,
18:10esse é, inclusive, um dos motivos que gera a prisão das pessoas.
18:14Porque a regra no nosso país é que as pessoas respondam aos processos em liberdade.
18:18A Constituição fala isso.
18:20Todas essas pessoas têm o direito de responder ao processo em liberdade,
18:23independente do crime que tenha cometido.
18:24Mas tem exceções, quer dizer, se essa pessoa representa risco para o processo,
18:29quer dizer, se ela pode fugir, se ela representa risco para a sociedade,
18:32se ela está ameaçando as testemunhas, se as pessoas têm medo dela,
18:36se ela estiver solta, ela pode continuar cometendo crimes.
18:40Mas isso precisa ser comunicado, sabe?
18:42Isso pode agravar a pena dele? Ele ainda não foi julgado.
18:45Pode agravar a pena dele e pode mantê-lo preso por mais tempo, sabe?
18:49Então, se essa pessoa tem medo ou se ela está sendo ameaçada,
18:54se ela comunica isso para o juiz, se o juiz toma conhecimento...
18:56O juiz precisa tomar conhecimento, é isso que eu estou dizendo.
18:59Essas demandas precisam chegar.
19:00Então, se o juiz toma conhecimento, certamente essa pessoa fica presa.
19:04O juiz não solta, porque, efetivamente, é o que eu expliquei.
19:08O Estado não vai poder estar vigiando todo mundo o tempo todo.
19:11Se ele solta essa pessoa, ele pode ir lá e matar essa testemunha.
19:14Então, esse é um dos motivos de manter as pessoas presas,
19:18embora a Constituição diga que as pessoas têm o direito de responder o processo de liberdade.
19:23E olha só esse outro caso.
19:24A filha da Márcia foi assassinada pelo companheiro.
19:28Ela conseguiu que ele fosse preso, mas o crime mudou a vida da família.
19:34A minha filha, Claudiane Fernanda, ela ainda ficou uma semana viva, antes de falecer.
19:41E ela mesma disse, mãe, ela não queria nem que eu prestasse queijo.
19:45E os médicos insistindo, e ela falava para mim, não, mãe,
19:48eu tenho medo do que ele pode fazer com a senhora, com meus irmãos.
19:52E ela faleceu, e eu postei a cara dele.
19:55Eu sou mãe, né?
19:56Ouvi os céus e terras e coloquei ele na cadeia.
19:59Mas eu senti muito medo.
20:00Mudou a minha vida, mudou a vida dos meus filhos, porque foi o medo dele.
20:06A gente fez toda uma mudança de vida.
20:08Eles saíram da casa, eles saíram lá com o serviço deles,
20:11estiveram para ir para outra casa, para outro serviço.
20:16Obrigada pela sua participação também.
20:18E aí, Elza, o depoimento dela traz um aspecto muito interessante,
20:23que a filha já tinha tomado ciência do grau de violência que ele poderia representar,
20:29só que ela não contava para a mãe, com medo da aceitação da mãe,
20:34da mãe não querer que a filha continue aquele relacionamento.
20:37Porque é o que o doutor Rivelino disse, chega um momento que a gente também está envolvida, né?
20:42Mas é preciso pedir ajuda nessas horas.
20:44Muitas vezes a mulher que está envolvida emocionalmente,
20:47ela subestima muito o comportamento do outro,
20:49ela acha que ele vai mudar, e ela também acredita que ele pode ter feito com todo mundo,
20:53mas ele não vai ter coragem de fazer com ela.
20:55E ele é manipulador também, se você me permitir, né?
20:58Ele é manipulador, ele tem o poder de manipular, ele é como um drogado.
21:03O drogado também é assim, ele consegue convencer, não, não vou fazer mais, né?
21:07Ele se fantasia, né?
21:09A gente viu o caso ali de Portugal, né?
21:11Da brasileira que foi parar em Portugal, o áudio que ele mandou para ela,
21:15tentando convencê-la de que não vai dar tudo certo, né?
21:18É o que eles fazem.
21:18Sim.
21:19Aí faz chantagem emocional, manipula, faz juras de amor, fala, ele observa, né?
21:24Ele fala o que a mulher quer e precisa ouvir naquele momento.
21:28Eu amo você, você é o amor da minha vida, nossa vida vai ser perfeita,
21:32sua família é maravilhosa, a gente vai casar, viajar, ter filhos.
21:35E aí presa nessas promessas, o caso anterior, ela estava presa numa promessa de casamento.
21:41A mulher se entrega.
21:42E aí para não ser contrariada pela família, para que esse rapaz não seja rejeitado,
21:47às vezes a gente mascara informações importantes e a gente se proíbe de se proteger
21:52e de fazer com que as pessoas nos ajudem também.
21:55Então, mulheres, por favor, não se calem, né?
21:58Usem todo esse direcionamento que o doutor passou de levar para o Estado,
22:03levar para a delegacia o que você está vivendo e pede ajuda nas pessoas,
22:07ao seu entorno, da sua família, da sua igreja, da sua comunidade,
22:09porque a gente precisa, como sociedade, dar as mãos e tentar cada vez mais diminuir esses índices
22:15que estão muito assustadores.
22:17E é um risco não só para a gente, como a gente está mostrando aqui, é para a família inteira.
22:19Para a família toda, os filhos.
22:21A irmã da Liliane, gente, foi assassinada pelo companheiro que conviveu com ela por 18 anos.
22:28Acredite, vamos ver.
22:29A minha irmã, Maria Magdalena, conviveu 18 anos com um homem que tirou a vida dela.
22:38No início era um relacionamento bom, agradável, agradava todo mundo, agradava minha mãe,
22:46eu, que era irmã dela, minha outra irmã, e assim foi.
22:51Com o tempo foi começando a ficar abusivo, né, e ela não conseguia sair dele.
23:02Conseguiu deixar ela em casa, sem trabalhar, privar ela da família, dos amigos.
23:10Por outro crime que ele cometeu, ele foi preso, ficou quatro anos e meio.
23:15Minha irmã viveu esses quatro anos e meio, né, ficou linda.
23:21Linda ela era linda, né, mas ela ficou mais linda, conviveu, viveu, né, esses quatro anos e meio.
23:30Quando ele saiu, ele tirou a vida dela, pelo fato dela ser mulher.
23:38A sua participação, os nossos sentimentos, viu?
23:42E olha só, tem um comentário aqui da Fabi, ela diz que está tentando se livrar e não consegue.
23:46Ela diz até que levava uma vida normal.
23:49Hoje entrou em crise de ansiedade, toma cinco remédios, fica toda rocha,
23:54já mandou ele embora e ele não vai.
23:57O que ela ainda pode fazer, doutor Rivelin?
23:59Delegacia, família, buscar ajuda, psicólogo, tem que se fortalecer de alguma forma
24:05para ela poder conseguir sair desse problema, né?
24:09Mas às vezes consegue sair, que foram os casos que a gente mostrou,
24:13ainda assim eles vêm atrás, não aceitam o fim do relacionamento
24:18e é por isso que a gente tem que contar com as ferramentas que estão aí.
24:22Inclusive da sociedade, das pessoas, dos vizinhos, da família.
24:26E não é fácil para o Estado, porque uma ação criminosa pode acontecer à noite,
24:33num dia inesperado.
24:34Então, é um conjunto de fatores que precisam existir para proteger as mulheres, né?
24:40Então, quer dizer, o Estado precisa fazer a parte dele, a sociedade, a família, a própria mulher,
24:45é um conjunto de fatores.
24:47E, infelizmente, mesmo assim, com todos os mecanismos,
24:51mecanismos com toda a conscientização, infelizmente os crimes continuam acontecendo.
24:57Bianca Batista também participa.
24:59Ela diz, eu vivo com medo que o pior aconteça com a minha irmã.
25:03Damos conselho e não adianta.
25:05O marido promete mundo e fundos para ela.
25:10Fica complicado para a família, viu?
25:11Uma enorme responsabilidade para a família.
25:14Deixa eu voltar a falar com a dona Marlete, porque quando a gente diz assim,
25:18ah, de ferramentas, a importância de buscar ajuda, por exemplo,
25:22a senhora sabe dizer se, na época, a Karina, sua neta,
25:26chegou a solicitar uma medida protetiva contra ele?
25:31Não, no dia que ela foi, que ela ia de tarde fazer a medida protetiva,
25:36ele chegou antes das 11 horas, pegou e matou ela.
25:42Então, foi assim, uma ação completa.
25:44Matou ela, minha filha e matou ela trabalhando.
25:48Dona Marlete, a gente agradece imensamente a sua participação.
25:52Agora, o que eu desejo é que ele fique o resto da vida dele preso,
25:55que esse homem não pode ser solto.
25:57Nem ele, nem esses outros que estão aí.
25:58A senhora, por ser avó, né, e está sempre lutando contra essa violência,
26:05contra o que a mulher sofre, está sempre participando aqui com a gente.
26:08A senhora, inclusive, sente medo, sente receio de quando ele sair, algo, né,
26:15a senhora receber ameaças, por exemplo?
26:18A gente fica com o pé atrás, né, a gente fica com medo, né?
26:22É o que a gente sabe que, infelizmente, a gente não conhece a mente, o coração dessas pessoas.
26:27Não conhece a mente, nem esperava que ele ia fazer isso.
26:30Tá certo, dona Marlete.
26:31Obrigada pela sua participação.
26:33Mais uma vez, a gente agradece imensamente.
26:35A senhora está aqui, de mãos dadas, com a gente, lutando contra essa violência.
26:39Eu que agradeço a vocês e peço a Deus que ele não saia da cadeia,
26:43como esses outros aí também que estão fazendo as mesmas coisas que as outras pessoas aí,
26:47que são mulheres, indefesa, que não saia, que tem uma lei que a gente nunca sai da cadeia pra fora.
26:53Tá certo.
26:54Então, peço a Deus que o juiz olha pra esse lado, a justiça olha pra esse lado,
26:58pra não botar eles na rua.
26:59Olha, a gente encerra com esse pedido da dona Marlete,
27:04que foi o mesmo pedido da dona Carla também que participou com a gente agora há pouco com o vídeo.
27:09São filhas, são mães que clamam que essas pessoas permaneçam presas,
27:14porque só assim a família consegue ter paz pra tentar seguir a vida.
27:18Obrigada, Elza Leite, pela sua participação.
27:21Obrigada, doutor Rivelino, também, viu?
27:22Eu que agradeço.
27:23Obrigada, Elza Leite.