- há 3 semanas
Brasileiros estão 'perdendo a cabeça' no trânsito.
Categoria
🗞
NotíciasTranscrição
00:00Gente, existe um projeto de lei que está em discussão, que pune com multa, prisão e até proibição de dirigir
00:06o motorista que brigar no trânsito.
00:08O fato é que alguma coisa precisa mudar.
00:12Até porque, segundo o Observatório Nacional de Segurança Viária, cinco pessoas morrem por hora aqui no Brasil por causa de
00:20brigas de trânsito.
00:21E esse vai ser o assunto de agora aqui no Fale Espírito Santo.
00:24Conto com a sua participação, vem cá, chega pertinho.
00:27Aqui no nosso estúdio eu recebo o advogado, doutor Rivelino Amaral.
00:30Muito obrigada, doutor, mais uma vez pela sua presença.
00:33Gisele Martins, que é psicóloga, a gente agradece também sua participação com a gente.
00:37E hoje recebemos aqui o Douglas, ele é motoboy e já enfrentou também diversas situações complicadas no trânsito.
00:46Mas antes, doutor Rivelino, algo precisa ser feito, algo precisa mudar.
00:52Porque essas situações de brigas, discussões no trânsito e que a gente vê até mesmo casos de morte, parece que
00:59estão acontecendo com muita frequência, né?
01:02Uma banalidade.
01:02Então, Roberto, e na verdade assim, o Código de Trânsito, ele trata dos acidentes de trânsito.
01:09Mesmo que o acidente gere lesão corporal, a perda da vida de alguém, o homicídio.
01:15Mas essas discussões no trânsito que geram, por exemplo, a morte, que geram a lesão corporal, elas são tratadas pelo
01:24Código Penal.
01:24A pena é de até 30 anos no caso de homicídio, né?
01:28Então, quer dizer, o que precisa ser feito?
01:31Por óbvio que alterar a lei que, de alguma forma, limite essas pessoas que estão, então, agredindo, brigando, batendo carro,
01:42tirando a vida,
01:44com a perda da carteira, com punições mais severas, mas o comportamento das pessoas que precisa ser mudado, né?
01:52Precisa ter trabalho de conscientização das pessoas, né?
01:56Essas matérias são importantes justamente para isso. Por quê?
01:59Porque a discussão do trânsito, ela gera a perda da vida de uma pessoa.
02:02E a perda da vida é muito séria, porque reflete na família de todo mundo, no filho, no pai, nos
02:08avós, enfim.
02:09Então, quer dizer, a lei existe, o Código Penal está em vigor desde 1940, o Código de Trânsito desde 1997.
02:16As alterações vão sendo feitas.
02:18Esse projeto de lei, por exemplo, é muito bem-vindo.
02:20Quer dizer, a gente fala muito isso, né? A gente fica tentando atualizar as leis para a realidade atual.
02:27O Código Penal, por exemplo, de 1940, a sociedade de 1940 era muito diferente.
02:31A sociedade de 1997, quando entra em vigor o Código de Trânsito também.
02:35Até os carros são diferentes, são mais potentes, correm mais, enfim.
02:39Então, essas alterações, elas são muito bem-vindas para tentar adequar à nossa realidade.
02:44Isélio, o que está por trás desse comportamento, esses comportamentos agressivos, violentos no trânsito?
02:51Boa tarde.
02:52Boa tarde.
02:54Roberta, a OMS já declarou que o Brasil é o país mais ansioso do mundo.
03:00Ou seja, nós estamos vivendo no fio da navalha.
03:04Está todo mundo o tempo inteiro agitado, preocupado.
03:08Nós vivemos num país de insegurança, insegurança alimentar, insegurança da segurança, né?
03:15Do ponto de vista ali da segurança nacional.
03:18Nós vivemos todo tipo de insegurança.
03:21Então, assim, o brasileiro está o tempo inteiro com a corda esticada,
03:24preocupado em pagar as contas, preocupado com o filho na escola,
03:27preocupado que não consegue atendimento no posto de saúde do seu bairro.
03:31Então, isso não justifica, mas nos faz compreender o porquê tamanha ansiedade no trânsito.
03:41Então, isso se traduz na violência.
03:45E aí a gente pode dizer também o quê?
03:47Há uma severa desregulação emocional.
03:52Essas pessoas que cometem esse tipo de crime, de delito no trânsito,
03:56elas têm uma desregulação emocional.
04:00Porque não é normal, você que está nos assistindo,
04:04sair com o seu carro e fechar o outro no trânsito,
04:08abrir a janela, gritar, xingar, apontar uma arma,
04:13andar com uma barra de ferro dentro do carro,
04:16que para se defender.
04:18Isso não é normal.
04:20E aí, Roberto, eu quero destacar.
04:21Vamos pensar se há ali uma intensidade e um prejuízo.
04:28A intensidade.
04:29Toda vez que você pega o carro, você fica nervoso.
04:32O tempo inteiro, nervoso.
04:34Qualquer situação que acontece te tira da normalidade.
04:39Acende aí uma luzinha de amarela para vermelha.
04:42Você já ter isso é intensificado?
04:46É muito forte?
04:47Quando uma pessoa te fecha no trânsito,
04:50você fica extremamente bravo, extremamente nervoso,
04:55bate a mão no volante, buzina,
04:58ali com a sua família, ou às vezes sozinho,
05:01fala palavrão, fala palavras ruins,
05:04acende uma luzinha de amarela para vermelha.
05:07E se você já teve prejuízo, a luz é vermelha florescente.
05:13Se você já teve problemas ali, de boletim de ocorrência,
05:17já atropelou alguém, por conta do seu nervosismo no trânsito,
05:22procure ajuda.
05:24Isso não é normal, isso não é natural.
05:27Ali há um comportamento que a gente chama disfuncional.
05:32Há um comportamento que não condiz com a realidade de uma pessoa
05:38com as emoções mais reguladas.
05:41Você está precisando de ajuda.
05:44Não normalize esse comportamento assim.
05:47Não, é porque eu sou um pouco nervoso, sabe, Roberta?
05:50É o meu jeito.
05:51Não é o seu jeito.
05:53Isso não é normal.
05:54Agora, a gente também já recebeu casos aqui,
05:56já noticiamos histórias de pessoas que,
05:59não, a pessoa, fulano era da paz, era tranquilo.
06:01Mas, naquela situação, no trânsito, a pessoa não conseguiu manter os ânimos,
06:08se exaltou e aconteceu o pior.
06:11Isso também pode ser refletido no trânsito.
06:14Às vezes, a pessoa em casa, no trabalho, a pessoa da paz, é de boa.
06:17Naquela situação, ela não conseguiu manter o controle.
06:21Pode acontecer.
06:22Pode acontecer.
06:23Às vezes, a pessoa é tranquila, dita.
06:26Mas, aconteceu, às vezes, Robertinha, algo pontual naquele dia.
06:31Ela já não estava bem.
06:33Ou com um familiar doente, um filho doente, problemas no emprego.
06:37Sabe, aquilo já vem acumulando ali no seu interior.
06:42E aí, aquela situação no trânsito foi o fator desencadeante
06:47para que a pessoa explodisse e colocasse tudo para fora,
06:52que ela já vinha aguardando de um dia, dois dias, três dias, uma semana.
06:59E aquela situação no trânsito só veio, sabe, exacerbar aquilo que ela já estava sentindo.
07:06E que, por N motivos, não pôde colocar para fora, não pôde se regular.
07:11E aqui, Roberta, quero deixar uma dica para quem nos vê.
07:14Faça uma respiração.
07:16Se chama respiração diafragmática.
07:19Parece que não vai funcionar.
07:21Mas, isso é comprovado.
07:23Você vai respirar fundo, bem fundo, segura por três segundos e solta tudo.
07:30Sabe, igual a respiração do bebê, que a barriguinha fica ali redondinha, enche
07:35e depois vai toda murchinha para dentro?
07:37É a respiração diafragmática.
07:40Ajudar a acalmar.
07:41Parece que não funciona.
07:42Mas, muito comprovado que funciona.
07:47Vai oxigenar o cérebro, vai organizar os pensamentos, vai baixar a frequência cardíaca, vai diminuir a temperatura corporal.
07:58E essa pessoa vai voltar a raciocinar com racionalidade e não só de maneira emocional.
08:06Daqui a pouquinho, você vai dar mais dicas, então, para a gente, tá?
08:09Fica aí com você aí de casa também.
08:10Porque agora a gente vai ouvir o Douglas, como a gente já apresentou.
08:14Ele é motoboy, trabalha de manhã até à noite no trânsito.
08:17Todo dia.
08:18E entende muito bem desses conflitos, né?
08:20Já passou por várias situações complicadas.
08:22Inúmeras, inúmeras.
08:23Inclusive, até com exposição de arma de fogo.
08:27Uma certa vez, como eu estava contando fora do ar, aconteceu de um colega ser abauroado por um carro e
08:33o carro se evadia.
08:35Eu coloquei ele na garupa da minha motocicleta.
08:37Outros populares colocaram a moto dele de lado.
08:40E nós fomos atrás para poder ver se o rapaz pudesse prestar algum socorro, né?
08:44Quando chegou na altura de Santa Marta, geralmente naquela parte mais...
08:49Onde tem uma criminalidade mais acirrada ali, o cara sacou a arma e apontou para a gente e falou
08:54Vem!
08:55Falei, não, não vou não, vou voltar.
08:57Eu tive que voltar porque, claro, eu acredito no seguinte.
09:01Todo sábio, ele é inteligente, mas nem todo inteligente é sábio.
09:04Então, o sábio é aquele que sabe fazer a escolha certa na hora certa.
09:07Então, naquele momento ali, por mais que a gente estivesse com a razão,
09:10eu entendi o seguinte, que se eu extrapolasse um pouquinho mais,
09:13o que iria segurar aquele rapaz ali de não puxar o gatilho?
09:16Até porque eu estava só ajudando um colega, mas mesmo assim,
09:19eu poderia ter sido alvejado junto com ele.
09:21Então, eu preferi fazer o seguinte, vamos fazer o seguinte, vamos voltar,
09:24vamos até a delegacia mais próxima, você faz o boletim de ocorrência,
09:26nós temos aqui a placa do carro e vamos dar seguimento dessa forma,
09:30o que é melhor, porque pelo menos você vai estar vivo.
09:32Se você vai receber ajuda ou não, mas pelo menos a sua vida vai ser preservada.
09:36E eu gostaria de fazer um apelo aqui, o que acontece?
09:38Eu sou natural do Rio de Janeiro, mas eu cheguei aqui em Vitória,
09:41eu descobri isso que o doutor falou e a doutora pontuou,
09:44na prática, há um costume regional em cada cidade.
09:47E aqui em Vitória tem um costume que faz com que isso seja mais exacerbado ainda,
09:51a questão da falta de educação no trânsito,
09:54que é o costume do capixaba nunca abrir a faixa da esquerda para você fazer a ultrapassagem.
09:58Tem esse costume aqui.
10:00Pelo CTB, a faixa da esquerda, ela é prioritária para quem vai fazer a ultrapassagem,
10:05mas é cultural do povo aqui, não dá passagem, simplesmente não dá.
10:10E isso acaba se tornando cada vez mais um fator para acentuar ainda esse problema que já existe,
10:16como a doutora falou, de ansiedade.
10:18O camarada às vezes está com pressa, ele está no direito dele, ele quer fazer a ultrapassagem,
10:22o sujeito fica fechando ele propositalmente,
10:26embora a chance disso dar um problema maior é quase que de 100%.
10:31Então, o que acontece? Por vez, por outra, como motoboy, a gente sempre está com pressa,
10:35porque ninguém contrata um motoboy para fazer entrega como se fosse um vovô.
10:39A realidade é essa.
10:40Uma coisa é o que está no papel, outra coisa é o que é a realidade.
10:44O que está no papel é que você tem que andar direitinho e tal, mas isso é o papel.
10:47O papel aceita tudo, mas a realidade é que se você não for ágil,
10:50se você não for habilidoso, você vai ser mandado embora.
10:53Não, e a sociedade espera isso.
10:55Até os próprios clientes que contratam o serviço desses profissionais querem também essa agilidade.
11:01Eu acho que de tudo isso que você está falando, a gente ter empatia no trânsito,
11:06ter a gentileza, gerar a gentileza, porque hoje pode ser eu com pressa para pegar minha filha na escola,
11:11ou então o outro que está passando mal, o outro que está trabalhando.
11:14Então, é a gente respeitar o lugar de cada um realmente.
11:16Agora, doutor Rivelino, ele contou aqui uma história que ele foi atrás da pessoa que cometeu uma ameaça ali com
11:25o seu colega.
11:26Isso, isso, foi.
11:27Diante desses casos, o que a gente deve fazer?
11:30Então, Roberta, duas coisas para a gente observar.
11:34Em primeiro lugar, o perder, ficar nervoso, perder a cabeça, agir por impulso,
11:42não retira a responsabilidade de ninguém de nada.
11:46Se você reagir a uma injusta provocação imediatamente, a lei diminui a sua pena.
11:54No caso de trânsito, não.
11:55Então, ah, eu agi assim porque eu perdi a cabeça, eu agi assim porque eu estava nervoso,
12:00agi assim porque eu estava estressado, não retira responsabilidade de ninguém.
12:05Bom, o que o Douglas falou é o pior caminho.
12:09Quando nós começamos a viver em sociedade, nós definimos que quem iria nos trazer segurança seriam as polícias.
12:17Então, o que a gente tem que fazer?
12:19A gente tem que...
12:20Aconteceu um acidente, bateu no seu carro, arranhou o seu carro.
12:25Polícia, o caminho é comunicar imediatamente a polícia.
12:28Foi ameaçado, polícia, as delegacias, inclusive existe delegacia especializada de delito de trânsito,
12:36ela está super preparada para atender essas demandas.
12:40Hoje, os corredores todos estão todos filmados, então é muito fácil.
12:44Se você conseguir localizar a placa do veículo, acabou, você não precisa mais nada,
12:49você não precisa ir atrás de ninguém.
12:50Não é para ir atrás de ninguém, porque você vai morrer, você vai perder a vida,
12:55você vai brigar, vai ter um problema com o seu carro, enfim.
12:59Então, o caminho é buscar o Estado, buscar as polícias.
13:02As polícias estão preparadas para receberem essas demandas.
13:05E como eu disse, hoje está tudo filmado.
13:07Se você conseguiu a placa do veículo, da moto, do carro, acabou, você não precisa fazer mais nada.
13:12Você procura a delegacia, comunica e ponto.
13:15Esse caso que a gente mostrou, dessa perseguição, que o motorista, na estrada lá em Minas Gerais,
13:21estava sofrendo uma perseguição, exatamente esse daí que está passando aí na tela agora,
13:26estava sendo perseguido por um carro de passeio.
13:29Esse motorista aí, ele procurou logo a PRF, o primeiro posto que tinha ali na estrada,
13:35e parou para pedir ajuda.
13:37Então, ele fez o correto.
13:38Claro, polícia.
13:39Porque senão você pode ser, a resposta pode ser negativa, como o Douglas falou.
13:44Foi atrás do cara e ele apontou a arma para mim.
13:47Ele tira a sua vida.
13:49A sua vida é o bem mais precioso que você tem.
13:51A nossa vida é o bem mais precioso que a gente tem.
13:54Então, não é para ir atrás de ninguém, não é para discutir, não é para nada.
13:57Bateu no seu carro?
13:59Faz ocorrência.
14:00Vai à delegacia mais próxima?
14:01Faz ocorrência.
14:02Em alguns raros casos, hoje não acontece isso, mas hoje tudo está filmado.
14:08Você consegue localizar o veículo, a placa, o dono, absolutamente tudo.
14:12Se for um prejuízo de cunho cível, você vai entrar com ação de indenização, vai ser ressarcido.
14:18Se tiver um problema criminal, uma lesão corporal, certamente o Estado vai dar a resposta.
14:23Maricilda Borges participa com a gente aqui no Facebook.
14:26Ela diz, o trânsito anda muito violento.
14:28Temos medo até de sair de casa.
14:30Hoje uma moto me fechou na faixa de pedestre.
14:33Temos que ficar atentos para não ser atropelados.
14:36Também tem um comentário aqui da Marina Penincha.
14:38Por isso, Roberta, que não dá para confiar nem quando a gente está na faixa de pedestre, também no semáforo.
14:43Tem muitos que não estão preparados para ter uma carteira.
14:47Muitos não respeitam nossos direitos na rua, até mesmo nas calçadas.
14:52Então, a gente está vendo aqui um apelo da população.
14:54A gente ouve aqui o apelo do motoboy, a gente ouve também o apelo do pedestre.
14:58A gente escuta também o lado dos motoristas que estão nos veículos de passeios.
15:02O que a sociedade está precisando, por exemplo, Gisele, na hora de renovar a carteira de motorista?
15:08O que talvez pudesse ser incluído nesse processo que ajudasse a melhorar esse comportamento no trânsito?
15:16Então, Roberta, é muito falho a nossa legislação para tirar a carteira de motorista.
15:25Você faz ali as provas teóricas e depois a prova prática.
15:30Nós temos ali um teste ou dois psicológicos que são muito falhos, são muito simples.
15:37E que você logo depois pode refazê-lo.
15:40Então, o que a gente chama de...
15:42A pessoa já aprende meio que o jeito de fazer aquele teste psicológico.
15:48Então, ela acaba tendo um jeitinho de se dar melhor na hora da execução repetida daquele teste.
15:55Nós precisávamos, é o ideal, que nós tivéssemos testes psicológicos mais apurados, mais detalhados.
16:03Nós temos um acompanhamento ali com o psicólogo para identificar, porque isso é possível através de avaliação psicológica, é possível
16:12através de uma conversa ali com o psicólogo, um atendimento,
16:16identificar esses níveis de ansiedade, esses níveis de agressividade, os níveis de impulsividade.
16:25Porque a gente tem lá o teste, o palográfico, você que tirou a carteira já fez, aquele dos pauzinhos.
16:31Ele demonstra, evidencia o nível de agressividade, mas é só ele, é muito pouco.
16:39E ele nem é o mais indicado, o mais validado para isso.
16:44Então, nós temos aí aquilo que a gente chama de lidatria de perfeita para dar errado.
16:52Agressividade, impulsividade e ansiedade.
16:55E Douglas, para a gente finalizar, você, como a gente já disse, trabalha no trânsito, esse medo é diário, é
17:02constante?
17:03É diário, porque não é um problema só do motoboy, do pedestre ou do motorista, é um problema de sociedade,
17:10é um problema comportamental, como a doutora está explicando aqui.
17:14O trânsito, ele é como se fosse um tubo de ensaio para medir a educação de um povo.
17:19O melhor tubo de ensaio, se o povo é educado, por exemplo, a tecnologia evoluiu no Japão, na Coreia do
17:24Sul,
17:24mas lá as pessoas não se comportam como são aqui. Por quê?
17:27Porque as pessoas lá são educadas, as pessoas lá são conscientizadas.
17:32Tem tanta tecnologia quanto aqui, tem tanta ansiedade, entre aspas, quanto tem aqui.
17:36Por que lá as pessoas não se comportam como se...
17:38Porque aqui talvez não tenha punição correta, talvez não tenha a legislação correta, não tenha a forma de formar um
17:46motorista da forma...
17:47Porque eu acredito que a autoescola, hoje em dia, ela ensina o cara a passar na habilitação, tirar a habilitação.
17:52Mas ensinar a dirigir, a pilotar uma motocicleta, isso só depois de 3, 4, 5 anos no trânsito, você vai
17:59aprender de verdade.
18:00Eu já tomei fechada de motorista com carro com sensor de ponto cego.
18:04Mas sabe por que eu tomei essa fechada com sensor de ponto cego?
18:07Porque a luzinha do ponto cego estava ali no retrovisor, mas ele não usa o retrovisor.
18:11Então como é que ele vai ver o sensor?
18:13Você está entendendo?
18:13Então, mesmo com sensor de ponto cego, ele me deu uma fechada.
18:16Então é questão de educação, é questão cultural, é uma questão muito mais além, muito mais profunda do que só
18:23o trânsito.
18:23Está certo, gente. Obrigada pela participação de todos vocês.
18:26Eu acho que fica aqui uma reflexão, porque no trânsito todo mundo se acha o rei da rua e fica
18:31difícil se reconhecer realmente como uma pessoa que tem esse comportamento mais exacerbado.
18:38Então faça essa reflexão em casa, converse sobre esse assunto com a família, viu?