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  • há 3 semanas
Jovem apresentava sinais de embriaguez

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Transcrição
00:00É muita, não é pouca, não é? Muita irresponsabilidade tirar a vida de três idosas e dessa forma,
00:08a gente vai deixar bem claro que isso não é um acidente, isso é um crime.
00:12E a gente precisa falar com os nossos filhos, com os nossos netos, sobre as responsabilidades deles no trânsito.
00:21A gente sabe, né? O jovem aventureiro é destemido, nunca acha que as coisas vão acontecer com ele, né?
00:27E esse vai ser o nosso assunto de agora.
00:30Participa com a gente também, no nosso estúdio eu recebo o advogado criminalista, Rivelino Amaral.
00:34Muito obrigada, doutor, pela sua participação.
00:36Eu que agradeço.
00:37E Alexandre Brito também, que é psicólogo, a gente também agradece a sua contribuição com esse assunto.
00:41Doutor Rivelino, jovem, 19 anos, se for provado, já tinha licinagem de embriaguez,
00:48se for comprovado que ele realmente dirigiu sobre o efeito de álcool, né?
00:53O que acontece com ele a partir de agora?
00:55Então, na verdade, a legislação evoluiu, né?
01:00Nós temos o direito de nos recusarmos a fazermos o teste do bafômetro,
01:06mas nós atribuímos à polícia, seja ela militar, agente, polícia federal,
01:13através dos sinais e do comportamento, dizerem se nós estamos sob efeito de álcool ou não.
01:20Então, o policial vai nos analisar, vai ver a roupa, vai ver o hálito etílico, vai ver os olhos vermelhos,
01:28vai ver o andar trôpego e, nesse sentido, ele pode, então, dizer que aquela pessoa está sob efeito de álcool.
01:36Os tribunais superiores tiveram, durante muito tempo, e ainda tem um entendimento que prevalecia na legislação,
01:45submetendo essas pessoas ao tribunal do júri.
01:48E a pena para cada homicídio no tribunal do júri pode chegar a 30 anos.
01:53Então, como são três vítimas, a gente está falando de uma pena que pode chegar a 90 anos.
02:00Só que o Código de Trânsito teve uma alteração em 2007, porque existia uma lacuna no que diz respeito a
02:06isso,
02:08e eles fixaram a pena em 2017 para quem dirige sob efeito de álcool e tira a vida das pessoas,
02:15de uma pena de até oito anos.
02:17Mas essa discussão, Roberta, ainda existe.
02:20Ou seja, se essa pessoa que, sob efeito de álcool, tira a vida de alguém, vai a júri,
02:26quer dizer, que a gente está falando de uma coisa técnica que chama, ele assume o risco de produzir o
02:31resultado,
02:32que é um homicídio doloso, um dolo eventual, que a gente chama tecnicamente,
02:36mas é mais ou menos assim.
02:37A pessoa bebe, se eventualmente acontecer a morte de alguém, ela está responsabilizada,
02:44quer dizer, ela assume o risco de produzir o resultado.
02:47Ou se a gente vai aplicar o que diz o Código de Trânsito com pena máxima de oito anos.
02:51Então, quer dizer, se essa pessoa for a júri, a pena dela pode chegar a 90 anos.
02:55E esse entendimento é do juiz que vai analisar esse processo.
02:59Se ele entender que essa pessoa vai a júri, a pena dela pode chegar a 90 anos.
03:03Se ele entender que não, que vai se aplicar a esse caso concreto, o Código de Trânsito,
03:07a pena dela pode chegar a 24 anos.
03:11Mas na prática a gente não vê cumprindo esse tempo todo, né?
03:15É, porque na verdade existe no nosso país também a progressão dos regimes.
03:20Todas as penas de até quatro anos o regime é aberto,
03:24de quatro a oito no semiaberto, acima de oito no fechado.
03:27E todas as pessoas do nosso país, não obstante o crime que tenha cometido,
03:32elas fazem jus, por força da Constituição,
03:35a progredirem o regime atendendo a dois requisitos.
03:38Requisito objetivo de tempo e requisito subjetivo de bom comportamento no sistema carcerário.
03:44Então não importa o crime que a pessoa tenha cometido,
03:47todas as pessoas passam do regime fechado para o semiaberto,
03:51depois de cumpridos esses dois requisitos, e do semiaberto para o aberto.
03:55Isso está escrito na Lei de Execuções Penais, por força do que dispõe a Constituição Federal.
04:00Mas vamos deixar claro também que hoje em dia esse tipo de crime dificilmente passa impune, né?
04:05Até porque a gente tem a nosso favor, por exemplo, as câmeras de segurança.
04:08Não, essa polícia pede as imagens e aí consegue comprovar se a pessoa realmente, por exemplo,
04:15estava na balada, fez consumo de álcool.
04:19Existe a possibilidade até, por força das imagens, Alexandre,
04:21de você determinar a velocidade que o carro estava.
04:24A perícia consegue dizer absolutamente tudo.
04:26Tudo isso com as câmeras de segurança é possível.
04:27Com as câmeras de segurança.
04:28Qual é a velocidade do carro, qual era a velocidade daquela pista de rolamento, por exemplo,
04:32se era 60, o carro estava 120.
04:35Se aquela pessoa, então, se ela se negar a fazer o teste do bafômetro, as polícias
04:40estão autorizadas a fazer essa análise.
04:42Então, quer dizer, a lei, ela vai tentando dar subsídio para o Estado para que, em havendo
04:48crime dessa natureza, que haja uma condenação.
04:52Teve no caso da Luísa, né, que foi atropelada na casa, em Camburi.
04:56Em Camburi, a gente está aqui lembrando agora, em que a polícia conseguiu até as câmeras
05:01da casa noturna, onde a pessoa estava, e foi também mostrado ali, foi revelado tudo
05:09que a pessoa até consumiu na noite.
05:10É, você pode pedir o extrato do consumo, você pode pegar as filmagens.
05:15Agora, assim, veja, é um conjunto de fatores, sabe?
05:19Você pode pegar a imagem da pessoa saindo do lugar.
05:22Hoje está tudo filmado e tudo gravado, né?
05:25Os delegados, eles diligenciam no sentido de pegarem a comanda da pessoa para saber o
05:30que ela consumiu, se ela consumiu água, se consumiu refrigerante, se consumiu bebida
05:34alcoólica.
05:35Então, é uma análise de circunstâncias e de fatores.
05:38Nesse caso concreto, analisa-se tudo.
05:41Qual era a velocidade do carro, quem estava no carro.
05:43É importante dizer também que o carona, as pessoas que estavam no carro, não têm
05:46responsabilidade nenhuma sobre o crime, tá?
05:49Só quem tem responsabilidade sobre o crime é quem estava conduzindo o veículo.
05:53Quem estava no carona, quem estava sentado atrás, não tem responsabilidade nenhuma.
05:56Então, vai-se verificar a velocidade, de que forma que as vítimas foram atingidas,
06:02enfim, absolutamente tudo.
06:04E, especial e notadamente, se esse condutor estava sob o efeito de álcool.
06:09Alexandre Brito, por que é tão difícil convencer os jovens a, primeiramente, mudar
06:14a cultura de beber e não dirigir?
06:16Já é um processo difícil.
06:18Se tratando dos jovens, se tratando dessa nova geração, a impressão que a gente tem
06:24é que é um processo ainda mais complicado.
06:26Por quê?
06:27O instinto aventureira fala mais alto nessa fase?
06:30Olha, a gente percebe que os jovens, eles têm uma taxa muito alta de morte.
06:36E a taxa mais alta de morte que tem é no trânsito, envolvendo os jovens.
06:41E a segunda taxa é suicídio.
06:43Então, tanto essa direção alcoolizada ou sob efeito de qualquer outra droga,
06:49quanto, por exemplo, essa estatística do suicídio, demonstra um problema também de saúde.
06:54Não apenas um problema legal, de lei, de políticas públicas, mas também políticas públicas
06:59voltadas para essa questão de segurança pública, trânsito, mas também de saúde,
07:03saúde pública, saúde mental, saúde coletiva.
07:06Então, a gente vê muitas dificuldades para essa conscientização, um desafio,
07:13mas a gente não pode recuar diante desse desafio.
07:17É preciso que haja, ainda assim, esse trabalho educativo, de conscientização,
07:22de implicação e de responsabilidade diante dessas situações.
07:26E a própria palavra responsabilidade vem de responder.
07:29É responder diante daquilo na qual você, de alguma forma, afeta o mundo.
07:34É como você, de alguma forma, produz algo no mundo, seja bom, seja ruim.
07:39Então, essas dificuldades a gente vê mesmo nesse sentido em que é um alerta muito grande
07:45para esses cuidados com a saúde também.
07:49Além dos cuidados com a educação em trânsito, além da compreensão da lei, das políticas públicas,
07:54em saúde.
07:55E a gente vai vendo muitos casos de violências no trânsito por causa disso, principalmente,
08:02e é a taxa mais alta que tem, é a de jovens.
08:05Então, será que, além de ter toda essa responsabilização, de pensar todas essas questões legais,
08:11também a gente não precisa pensar na saúde desse jovem.
08:15Que cultura que se está se constituindo hoje, de, às vezes, você se sente mais vivo, se arriscando?
08:22E que risco é esse?
08:23Você se coloca em risco e também coloca o outro?
08:25Então, é muito importante a gente também ter uma consciência em relação aos cuidados com a saúde.
08:31Sobre essa informação que você trouxe, dessa estatística, né?
08:34A gente também trouxe aqui que dirigir alcoolizado.
08:36O excesso de velocidade são as principais causas de acidentes entre jovens, né?
08:43E aí soma esse espírito aventureiro que o adolescente tem, que o jovem tem,
08:50que acha que nada vai acontecer com ele.
08:53Então, a combinação disso é perigosa.
08:55O que falta?
08:56Essa que é a explicação dos tribunais superiores STJ e STF
09:00submeterem as pessoas que bebem e tiram a vida das pessoas
09:05ou aceleram demais e tiram a vida das pessoas.
09:08Então, quem está batendo pega e, eventualmente, tira a vida de alguém.
09:12Ninguém pega carro para matar outra pessoa.
09:14Ninguém tem essa intenção.
09:16Mas os tribunais superiores, STJ e STF, entenderam assim.
09:20Quem bebe, dirige e tira a vida de alguém vai a júri,
09:24porque ele está assumindo o risco de produzir o resultado morte.
09:27Quem está batendo pega e tira a vida de alguém,
09:30também está assumindo o resultado morte, vai a júri também.
09:34E o tribunal do júri tem a maior pena do nosso país,
09:37que são 30 anos de reclusão.
09:39Então, nesse caso, como eu disse, a gente tem uma pena,
09:43se for a júri, de 90 anos de reclusão.
09:46Olha, você está falando aí da maior pena que a gente tem.
09:49A gente sabe também que nós temos a lei seca, que também é bem rigorosa.
09:53Mas, ainda assim, é preciso ter uma mudança na cultura.
09:58Mudança de comportamento.
09:59O que está faltando também na nossa legislação, doutor Rivelino,
10:03para que contribua ainda mais nessa mudança da cultura?
10:06Roberto, então, eu penso que, na verdade,
10:10precisa haver mudança de comportamento da sociedade.
10:13A legislação, ela pune.
10:15Ela pune severamente, né?
10:17Quer dizer, a pena de 30 anos.
10:19Se você botar uma pessoa presa 90 anos,
10:21tem que ser suficiente para ele se ressocializar, né?
10:24Quer dizer, as punições do Código de Trânsito são
10:28perda do direito de dirigir, quer dizer,
10:30perda da carteira de habilitação,
10:31suspensão da carteira de habilitação,
10:34multas altíssimas, né?
10:36Prisões em decorrência da morte, por exemplo.
10:39Então, quer dizer, a legislação existe,
10:41o Código de Trânsito é bem estruturado,
10:44as punições existem.
10:46Eu acho que vale muito mais é o comportamento da sociedade.
10:49Que é a meu sentido, Alexandre, não sei se eu estou errado,
10:52já houve mudança de comportamento da sociedade.
10:56Eu vivi um tempo, sou um pouco mais velho que você,
10:59que as pessoas diziam que dirigiam melhor sobre o efeito de álcool.
11:04E hoje isso não é bonito mais falar.
11:06Ninguém fala isso, ninguém ousa falar isso.
11:08Ou sem o Código de Segurança.
11:09Então, já houve uma mudança de comportamento.
11:12Os aplicativos estão sendo utilizados bastante.
11:16Mas ainda há a incidência desses crimes?
11:20Infelizmente, há.
11:21Mas que já houve uma mudança de comportamento.
11:23E como que há mudança de comportamento?
11:25Com blitz intensa, com punição intensa,
11:28isso tudo vai gerando resultado positivo.
11:31A meu sentir, a sociedade já se modificou.
11:35Para a minha época de história de vida,
11:38de adolescente, de jovem,
11:39o comportamento hoje é melhor, vamos dizer assim.
11:43Eles são menos ousados por conta de já saberem.
11:46É isso aí.
11:47Se você observar na conversa dos adolescentes,
11:50eu tenho dois filhos adolescentes,
11:51eles não têm mais aquela coisa,
11:53eu quero ter um carro tal,
11:54eu quero ter como a gente tinha.
11:56Eles andam de aplicativo.
11:58Completar 18 anos, tirar a carteira,
12:00não tem tanto esse interesse mais.
12:02Tal carro e pensar, associar a conquista do veículo
12:06à balada, à independência.
12:08O que hoje a gente sabe que é uma combinação
12:09que não dá nem para pensar.
12:11E isso tem deixado muitos pais de cabelo em pé.
12:15Daqui a pouquinho, Alexandre, eu quero que você dê dicas
12:17de como os pais podem ser mais assertivos
12:19na comunicação com os filhos
12:21para levar essa consciência.
12:23Porque ainda tem muitos jovens que se arriscam.
12:27E arriscam a vida dos outros também.
12:29Pela internet, eu vou conversar agora com a Ana.
12:31Olha só a história dela.
12:32O primo da Ana, gente, morreu em um acidente de carro.
12:37E ela vai contar para a gente detalhes
12:38de como foi que aconteceu.
12:40Ele era jovem, tinha 18 anos.
12:42É isso, Ana?
12:44Oi, boa tarde, Roberta.
12:47Ele tinha 18 anos.
12:50E a pessoa que estava com ele, pilotando, tinha 20.
12:55E qual foi a história deles?
12:59Eles saíram para ir a curtir uma festa juntos?
13:01Foi isso?
13:03Foi.
13:04Eles moravam em uma cidade pequena.
13:06E para ir para outra cidade que era mais movimentada
13:08e tinha festinhas, tinha que pegar uma estrada de chão.
13:11Tinha que ficar um tempinho ali no volante.
13:14Aí eles foram e na volta para casa, o amigo tinha bebido, né?
13:20E ele saiu da mão, foi para a contramão e colidiu com um caminhão.
13:26E meu primo faleceu, ele faleceu.
13:28E mais uma pessoa que estava no carro também.
13:31E só uma que saiu viva.
13:33Só que hoje em dia não é mais a mesma coisa, né?
13:37Ou seja, ele pegou a carona com o colega, pensando em se divertir.
13:42O grupo de amigos ali consumiu álcool e jamais imaginava,
13:46jamais pudesse ter essa noção exata de que estaria colocando a própria vida em risco, né?
13:53Pois é.
13:54Como é que está a vida da sua tia hoje, Ana?
13:58Ontem e hoje ela postou a foto dele nos stories.
14:02Faz 10 anos que aconteceu, né?
14:04E até hoje ela não é mais a mesma pessoa.
14:07Ela tem depressão, ela não se recupera com medicamento.
14:12É outra pessoa, acabou com a vida dela.
14:15Eu não sei como que é perder um filho, porque eu não tenho filho,
14:18eu não conheço amor de mãe.
14:20Mas vendo o que ela está passando, eu consigo entender, sabe?
14:24E de que forma, então, que isso impactou toda a família, os amigos, né?
14:29Porque o que aconteceu com o seu primo traz uma mensagem, né?
14:36Que deveria ser também de ensinamento para toda uma geração, né?
14:41E causou isso?
14:44Causou.
14:44Na minha família, eu não bebo, meu irmão não bebe.
14:47A gente tem esse receio.
14:49A minha tia é outra pessoa, o irmão dele, inclusive,
14:52hoje em dia, o curso é psicologia, né?
14:54Se formou agora, o curso é psicologia, por causa da mãe dele,
14:58que a mãe dele ficou num período bem ruim da vida,
15:02para tentar entender como poderia ajudar.
15:04E acarretou, né?
15:05Que mudou a família toda.
15:07Todo mundo ficou muito sentido.
15:09Já volto a falar com você, Ana.
15:11Eu quero trazer esse assunto aqui para o Alexandre Brito,
15:13que é psicólogo, que está com a gente aqui no estúdio.
15:16Alexandre, infelizmente, né?
15:17Às vezes, a gente precisa ter a consciência do perigo
15:21quando a gente vê casos assim acontecendo.
15:24E aí, quando acontece, traz aquele susto imediato.
15:27Mas aí, depois, os amigos, as pessoas que leem as notícias,
15:31vão achando, de novo, que nada acontece com eles.
15:35Por que é assim a mente do jovem?
15:38Olha, o grande problema nosso, né?
15:40Isso tem muitos estudos que vão demonstrar o quanto isso acontece,
15:45que, em geral, a gente precisa de consequências para mudar o comportamento.
15:50O ideal na educação, igual você falou de dicas para os pais,
15:53é que não precise ter aquela vivência ruim para eu evitar aquela situação de risco.
16:00Mas, em geral, a gente precisa da consequência ruim para tentar mudar o comportamento.
16:04E, ainda assim, não é regra que, com uma consequência ruim na minha história,
16:09eu vivendo algo de ruim, uma consequência negativa, eu vá mudar esse comportamento.
16:15Então, a gente vê que isso é um grande problema.
16:19Porque, por mais que você traga exemplos, você tente demonstrar isso sem precisar passar por isso,
16:25acaba que, muitas vezes, ainda se colocando nesse risco.
16:29Então, o grande desafio, quando a gente fala em educação, lidar com essa questão da saúde,
16:34o quanto que nós conseguimos fazer com que o comportamento seja feito a partir de bases
16:39que não precisem, necessariamente, ter consequências, ter vivido aquela experiência.
16:45Isso é uma grande dificuldade, principalmente numa etapa da vida,
16:49em que você está em descobertas, em que você, de fato, se arrisca.
16:53Mas tem que ser um risco, ainda assim, que você evite prejudicar e ser prejudicado.
16:59E por isso que é tão importante, como eu falei no início, que a gente pense na questão da saúde
17:04também.
17:05Até que ponto esses riscos que a gente se coloca, que a juventude se coloca,
17:09não é uma questão de saúde coletiva também.
17:11E você ter um carro na sua mão é uma responsabilidade muito grande,
17:16porque de um veículo, em questões de segundos, pode se tornar uma arma.
17:21A gente tem aqui a participação da Lucimara Silva, ela diz,
17:25um motorista bêbado, evadiu a contramão, bateu de frente na moto e matou o meu filho e o garupa também.
17:32E esse motorista já está solto.
17:34E aí tem um comentário da Maricilda Borges,
17:37prendem e solta.
17:38Tinha que ter uma pena mais rígida, sim,
17:41porque quem perde um ente querido é quem sofre e fica por isso mesmo.
17:45Olha só, em julho desse ano, nós mostramos aqui na TV Vitória o acidente que matou o Igor Nascimento, de
17:5217 anos.
17:54A família dele contou que a vítima, que estava sozinha no carro,
17:58tinha saído no dia anterior para ir para o bairro vizinho participar de uma festa.
18:02Na volta, perdeu o controle da direção e bateu violentamente contra um poste.
18:08Segundo parentes e amigos, apesar de não ser habilitado,
18:13o rapaz dirigia desde os 12 anos de idade e sempre fazia esse trajeto.
18:20E aí, gente, uma pessoa da família do Igor, que preferiu não se identificar,
18:24disse que os parentes sempre pediam para ele andar mais devagar.
18:28Vamos ouvir.
18:30O Igor sempre foi muito independente, desde muito novo.
18:33Ele aprendeu a dirigir muito cedo.
18:35Mas eu acho que por causa dessa independência, ele não ouvia muita gente da família.
18:41A gente sempre aconselhou muito.
18:43A mãe, o pai, os avós sempre aconselhou ele muito.
18:47A não correr, a andar de vazar.
18:49Ele também pilotava moto, entendeu?
18:52E sempre foi um garoto que corria muito, muito, muito, muito.
18:56E 17 anos é aquela fase, né?
18:58De que se acha independente, não quer ouvir ninguém.
19:01Não, sabe, não escuta o conselho dos pais, nem de ninguém.
19:07Então, ele sempre correu muito.
19:09Mas a gente sempre dava o alerta para ele correr menos, entendeu?
19:13Agora, em novembro, dia 27, ele ia fazer 18 anos.
19:17E a gente sempre falou, Igor, corre atrás de tirar essa carteira, tal.
19:20Mas ele sempre correu muito, muito mesmo, sabe?
19:25Sempre andou muito rápido, ele não ouvia muito.
19:30Vivia trocando de carro, porque ele trabalhava, entendeu?
19:33Aí vivia trocando de carro, aí pegou um carro velho, que eu acho que não funcionava direito.
19:38Eu não sei o que...
19:39Realmente, até hoje, a gente se pergunta o que foi acontecer.
19:42O que levou a correr tanto e causar aquele acidente tão grave que o carro partiu no meio.
19:51A família, gente, e aí, muito se discute sobre a redução de 18 para 16 anos, a idade, para tirar
19:58carteira de motorista.
20:00O que vocês aí de casa acham disso?
20:02Aproveito que eu estou lendo aqui alguns comentários no Facebook e a gente também vai abrir aí para a sua
20:06opinião.
20:07E a gente quer saber do Alexandre Brito.
20:09O que a psicologia diz a respeito dessa responsabilidade?
20:13Você acredita que um jovem de 16 anos, um adolescente, né?
20:17Estaria preparado para tirar carteira de motorista?
20:19Olha, a responsabilidade para a psicologia é algo que você tem desde muito cedo.
20:24Desde quando você já tem os seus comportamentos, já pode responder por eles, desde a infância, inclusive.
20:29É diferente da questão legal, da lei que vai estipular algo para definir a partir disso, né?
20:37Situações, ocasiões, qual a resposta que vai ser dada diante de uma violação.
20:42Mas na psicologia a responsabilidade é algo que você quase sempre tem, vamos dizer assim, em todas as idades, né?
20:50Então, seja um jovem de 8, 10, 12, 16, 18 anos, né?
20:56Mas condiz com a idade dele, você acha?
20:58Você acha que é condizente a responsabilidade de 16 anos para estar habilitado e assumir, né?
21:05Todos os riscos, porque a gente sabe que existem as chances de qualquer acidente, até mesmo para nós, né?
21:11As irregularidades na pista, a má iluminação, que tudo isso também contribui.
21:17E aí a gente precisa estar também, ter maturidade para agir em questões de segundos,
21:23num momento que há necessidade disso.
21:27Agora, a responsabilidade para algo voltado para uma legislação é algo muito mais amplo, né?
21:34Essa responsabilidade que eu estava trazendo antes é uma responsabilidade no sentido de você já ter uma responsabilidade
21:40sobre a sua vida, sobre o outro.
21:42A moralidade se constitui desde a infância, né?
21:45Então, a moralidade inclui a responsabilidade.
21:47Agora, uma discussão sobre dirigir, isso aí você vai começar a ter que ter uma discussão muito mais ampla,
21:54pensando também de políticas públicas, pensando quais as condições para que isso aconteça, né?
22:00Então, não existe essa impossibilidade, mas é uma discussão que tem que ser desenvolvida.
22:05E o Brasil estaria preparado, doutor Rivelino, para essas consequências?
22:08Não, eu sou frontalmente contra reduzir maioridade pedal, reduzir idade para 16 anos para ter carteira de habilitação.
22:17Então, eu acho que, de fato, a geração de hoje, com 16 anos, não está preparada para conduzir um veículo
22:24automotor,
22:24porque é uma arma, né?
22:26E também não acho que reduzir idade, reduzir a maioridade penal vai ser suficiente para reduzir índice de crime.
22:34Não vai.
22:35Pelo contrário, vai aumentar.
22:37Nós somos o terceiro país no mundo em população carcerária, né?
22:41O Espírito Santo tem 37 presídios superlotados, capacidade de 13 mil presos.
22:47Nós temos 23 mil pessoas presas no Espírito Santo.
22:51Então, nós estamos prendendo cada vez mais e não estamos sabendo o que fazer com essas pessoas presas.
22:57Porque o objetivo de prender as pessoas são três, punir, prevenir e ressocializar.
23:01Nós estamos só punindo.
23:03As pessoas estão entrando no sistema carcerário de um jeito e estão saindo pioradas.
23:07Então, reduzir a maioridade penal é uma mentira.
23:11Não vai reduzir índice de criminalidade.
23:13Pelo contrário, vai aumentar a população carcerária e vai aumentar a possibilidade dessas pessoas piorarem o seu comportamento.
23:21Então, o que reduz índice de criminalidade é a aplicação de políticas públicas.
23:27Lá atrás, gerar emprego, renda, dignidade para as pessoas.
23:30E no que diz respeito a trânsito, é orientação, é blitz, é rigor nas punições que já existem, quer dizer,
23:38né?
23:39Suspensão do direito de dirigir, multas altas, quer dizer, multa de 2.700 reais, enfim.
23:45A gente já tem uma legislação que já ataca essas ações.
23:48Tá certo.
23:49Doutor Rivelino, muito obrigada pela sua participação.
23:51Alexandre Brito também.
23:52Obrigado.
23:52Olha, eu vou fazer o seguinte, eu vou tentar ler ao longo do programa as opiniões de vocês, porque o
23:57nosso tempo aqui acabou.
23:58Um beijo, tá?
23:58Boa tarde.

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