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  • há 9 horas
Especialista analisa desempenho inexpressivo de candidatos da direita fora do bolsonarismo

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Transcrição
00:00Governabilidade é uma palavra-chave nesse caso, então como você falou, quem quer que ganhe, seja Lula, vai ter um
00:08congresso praticamente, uma grande maioria contrária, já o Flávio Bolsonaro, se vencer, vai ter uma maioria a seu favor, mas
00:17com vozes ali dissonantes que falam bastante alto.
00:22A gente trocou aqui de lugar, aqui no estúdio, vou mostrar para vocês um pouco dos resultados agora, como está
00:29a apuração aqui do TSE, vamos ver como estão os estados? Bora lá, para o telão.
00:38Então, a gente tem aqui a eleição presidencial, 24,45% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro segue na frente com
00:4650,94% dos votos, Lula vem logo em seguida com 40,97%, de novo, nem 25% ainda das
00:57urnas apuradas, é um processo,
01:00mas a gente vê aqui, o terceiro colocado é o Augusto Cury e depois Ronaldo Caiado com uma diferença muito
01:08próxima ali, Romeu Zema nem aparece nessa primeira tela,
01:11talvez tenha sido uma das grandes decepções dessa eleição, o governador de Minas Gerais reeleito no primeiro turno em 2022
01:20e nessa eleição presidencial acabou sendo um fiasco.
01:24A gente tem resultados dos estados também para mostrar? Bora lá?
01:31Governo de São Paulo, governo do Rio de Janeiro, a gente tem os dados aqui.
01:39Eu aproveito e pergunto para o Mazieiro, justamente sobre isso, sobre essa terceira via, a gente estava mostrando aqui o
01:45Augusto Cury na terceira colocação,
01:47em algum momento da eleição ele até pulou ali, apareceu com quase 10%, ficou todo mundo meio impressionado, foi depois
01:54do primeiro debate,
01:55do único debate entre os presidenciáveis na TV aberta, que foi o debate da Band, Mazieiro, a quem você atribui
02:01o fato de Ronaldo Caiado,
02:03Romeu Zema, nenhum deles ter tido praticamente nenhuma expressão nas urnas, são nomes importantes, governadores reeleitos em seus estados,
02:12em primeiro turno, por que foi tão difícil para eles conseguirem se viabilizar nessa eleição?
02:20Paula, eu vejo que a direita, ela hoje, ela anda junto com o Bolsonaro e o bolsonarismo, e a direita
02:30mais centro-direita,
02:32o tradicional que a gente conhecia aqui no Brasil desde a redemocratização, ela perdeu um pouco a pauta,
02:38não tem uma pauta própria que seja atrativa o suficiente para o eleitor.
02:43Então, eu gosto sempre de olhar os recortes mais recentes que a gente vai ter no cenário eleitoral,
02:49se a gente pensar em 2016, 10 anos atrás, quando a gente teve o impeachment da Dilma,
02:56todos os principais nomes daquele movimento do impeachment, eles foram arrasados pelas urnas,
03:03a Dilma evidentemente perdeu o cargo, mas ainda assim o PT chegou em segundo lugar com a Dade,
03:10se eu não me engano, acho que fez nove governadores à época,
03:13e uma bancada que era a segunda maior do Congresso.
03:16Então, ficou como oposição e com força de oposição.
03:20E a direita, que era o PSDB, a gente tinha ali aqueles grandes nomes do impeachment,
03:25o próprio Temer, Aécio Neves, o Eduardo Cunha,
03:29todos eles perderam muito protagonismo e força política.
03:33Então, a direita, que era ali a direita mais tradicional, centro-direita,
03:37que a gente tinha mais moderada, que hoje a gente faz essas divisões,
03:42perdeu força, uma força que foi levada pelo Bolsonaro.
03:46Desde 2018, o polo da direita, ele orbita em torno de Jair Bolsonaro.
03:52Todos os nomes que surgiram mais próximos, ou nem tão próximos, de Bolsonaro nos últimos anos,
03:58acho que foi o Irapuã que comentou mais cedo,
04:00todos foram, assim, dizimados politicamente pelo Bolsonaro,
04:05justamente porque ele é o detentor desse voto,
04:08não abre mão disso de jeito nenhum.
04:10Então, politicamente, é um exercício que faz sentido,
04:15ele conseguiu conquistar esses votos,
04:17o poder não se passa de mão beijada.
04:19Então, a direita entendo que precisaria ter uma proposta nova,
04:24buscar criar um caminho novo,
04:27que fugisse desses dois polos,
04:29porque o eleitor de centro acaba sendo disputado pelo Lula e pelo Bolsonaro,
04:34oscilando aí, dependendo da eleição, do contexto que a gente tem,
04:38para onde que ele vai.
04:39Então, o que eu vejo hoje é a direita não buscando um caminho próprio
04:45e tentando se aproximar de Bolsonaro, sem ser Bolsonaro.
04:49Para ilustrar os candidatos que a gente tem,
04:51o Cura surgiu como uma novidade,
04:53eu entendo que, por ele ser uma pessoa muito famosa,
04:56de muito tempo com venda de livro, best-seller,
04:59quando o nome dele surge nas pesquisas e na imprensa,
05:01chama a atenção do eleitorado,
05:03e isso pode ter motivado ali um pouco esse pequeno entusiasmo
05:07que depois diminuiu nas pesquisas e, pelo que a gente tem de apuração até agora,
05:11parece que se confirma.
05:13Agora, o Zema, o Caiado e o Renan, eles dialogam com o eleitor mais raiz
05:19de Flávio Bolsonaro.
05:21O Renan ainda tem algumas divergências,
05:23mas o Zema foi cotado para ser vice do Flávio,
05:26e o Caiado disse, assim que foi homologando a sua candidatura,
05:30seus primeiros atos de campanha seriam da anistia para Bolsonaro.
05:34Só que essa pauta também é do Flávio, já é do Flávio, já é do Bolsonaro.
05:39Então, o eleitor, para que vai votar no Caiado,
05:42sendo que o próprio filho de Bolsonaro tem as mesmas pautas?
05:46E, para esse eleitor de direita não defender a anistia de Bolsonaro,
05:51soaria como petista, esquerdista.
05:53Então, o que eu vejo é a gente se colocando nessa situação hoje,
05:57em que a direita precisaria ter uma força política,
06:00criar esse movimento político de propostas,
06:04trazendo um pouco mais ao centro um caminho viável eleitoralmente.
06:10Isso exigiria da direita também algumas renúncias,
06:14principalmente com o eleitor da direita.
06:16Acho que esse é o ponto.
06:18Então, seriam umas renúncias, por exemplo,
06:20de evitar chegar nos limites democráticos,
06:23proeitar com tentativas de golpe ou avanços institucionais,
06:26que pautam muito das movimentações do bolsonarismo.
06:30Então, tem um custo, um preço político a ser pago por isso,
06:33e uma necessidade de criar caminhos.
06:36E um tema que perpassa toda essa discussão de composição de Congresso
06:40é a discussão de cláusula de barreira.
06:43A gente tem as mudanças nos últimos anos,
06:46que deixa mais exigente para os partidos terem direito a fundo partidário,
06:52tempo de TV, a representação.
06:54Então, precisa eleger mais gente do Congresso,
06:56para os partidos terem essa força,
06:58e se valerem do dinheiro eleitoral, do dinheiro público, para as campanhas.
07:04Então, isso faz com que ninguém queira arriscar e perder voto.
07:07Eu entendo que a dificuldade da direita ter um caminho,
07:09que seria chamada de terceira via, passa por isso.
07:14Em 2022, o fato novo que a gente teve
07:17foi a união de um quadro super tradicional da direita com Lula,
07:21criando uma união de centro-esquerda com Lula,
07:25a ida do Alckmin ali.
07:28E de lá para cá, a gente não viu esses fatos acontecendo.
07:31O que a gente viu foi um reforço do Bolsonaro, politicamente,
07:34dentro desse campo da direita,
07:36puxando mais para o canto extremo,
07:39e ninguém conseguindo se desvincular disso,
07:41nem criar um caminho próprio dentro desse campo da direita.
07:43E aí

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