- há 3 semanas
Por conta do álcool, famílias são destruídas
Categoria
🗞
NotíciasTranscrição
00:00E gente, o final de semana foi marcado por um acidente grave envolvendo uma moto e um carro em Guriri.
00:06Um casal que estava na moto morreu na hora.
00:09Eles foram atingidos por um carro em alta velocidade que passou por uma viatura da polícia e fugiu após não
00:17respeitar uma ordem de parada.
00:21Já começa aí outra irresponsabilidade.
00:23Ao passar por um quebra-molas, a motorista perdeu o controle do veículo, atingiu dois carros e a motocicleta onde
00:33estavam as vítimas.
00:34Segundo os policiais que atenderam a ocorrência, quem dirigia o carro era uma mulher de 37 anos.
00:42Ela admitiu que estava em uma festa, que bebeu, mas se recusou a fazer o teste do bafômetro.
00:48Como ela apresentava sinais de embriaguez, foi presa em flagrante.
00:54Encaminhada para o presídio.
00:56E a gente sabe que a lei seca, a gente até disse isso aqui no programa, ela acaba de completar
01:0115 anos.
01:02O Brasil é um dos poucos países do mundo com uma lei tão rígida.
01:07Mesmo assim, mais de 10 mil pessoas perderam a vida por causa dessa mistura de álcool e direção.
01:14Esse dado aí é de 2021, o que dá uma média de 1,2 óbitos por hora.
01:20Olha só, vamos bater um papo sobre esse assunto aqui no nosso estúdio?
01:25Eu recebo o advogado João Luiz Guerra Júnior, especialista em direito de trânsito.
01:31Muito obrigada, doutor João, pela sua participação.
01:33Elza Leite, psicóloga.
01:35A gente também agradece muito sua presença aqui com a gente.
01:38E a gente também recebe aqui a Ana Carolina, que perdeu um primo em um acidente de carro,
01:43também provocado por um motorista, que também perdeu essa mistura na época, né?
01:48Não foi isso, Ana Carolina? Boa tarde.
01:50Boa tarde, Roberta. Tudo bem?
01:52Foi sim.
01:53Meu primo, ele estava voltando de uma festa com um amigo e esse amigo, ele tinha bebido muito nessa festa.
02:00E aí, ele, no meio da noite assim, né, dirigindo o carro, ele entrou com o carro na contramão
02:06e o carro colidiu com o caminhão.
02:09Na hora, o meu primo foi a óbito.
02:11Ele, o motorista e só uma pessoa que saiu vivo.
02:15O carro estava com cinco pessoas e uma pessoa saiu com vida.
02:18Mas até hoje, ele não vai ter a mesma vida nunca mais.
02:23Ele precisa de cuidados especiais, né?
02:25A mãe dele tem que tratar dele, tem que cuidar dele.
02:28Ele é super dependente.
02:29Isso aconteceu há quanto tempo? Há quantos anos?
02:31Tem dez anos.
02:31Elza, de dez anos pra cá, a gente vê que as histórias se repetem.
02:37Por que é tão difícil, assim, mudar essa cultura de que bebida e direção não combinam?
02:43Na verdade, a bebida traz diversos prejuízos pra vários âmbitos da nossa vida.
02:48Boa tarde.
02:49Boa tarde.
02:49Primeiro que as pessoas pensam...
02:51Ela está microfonada. Obrigada, Ana.
02:53As pessoas pensam que não vai dar em nada.
02:55A sensação de impunidade também faz essa coisa se repetir, né?
03:00Ah, não vai dar nada, eu não fico preso, eu vou ser solto, é só pagar fiança, não vai acontecer.
03:07E aí, quando acontece no nosso meio, dentro dos nossos entes queridos, aqui a gente começa a perceber que beber
03:16e dirigir só causa prejuízo.
03:19Prejuízo.
03:19Primeiro na família que perdeu esse ente.
03:22Nunca mais essa família vai ser igual.
03:24Fica um luto pra sempre, fica a sensação de vazio, fica a revolta por saber que, por mais que essa
03:32pessoa seja punida, a vida do outro não vai ser retornada pra nós.
03:38A gente perde a nossa dignidade, a gente perde a nossa segurança, a gente coloca todo mundo em risco, a
03:44gente se coloca em risco.
03:46Então, quem bebe precisa perceber que bebida só traz prejuízos, por exemplo, no trabalho, na vida social, na família.
03:56Quando você bebe, você deprime o seu sistema nervoso central.
04:01O álcool produz efeitos em todos os nossos órgãos, principalmente no cérebro.
04:05Então, você não consegue mais filtrar o risco, a consequência, você não consegue mais ter habilidade, a sua visão fica
04:16comprometida, a sua cognição fica comprometida.
04:20Então, assim, são inúmeros danos, danos patrimoniais, prejuízo sem fim.
04:25E a gente sabe o quanto que a família sofre junto, quem tem criança e assiste essa cena, ou do
04:30pai, ou da mãe, que tem, né, que precisa reconhecer que é um alcoólatra, ou que faz esse consumo também
04:38abusivo de álcool.
04:39Mas, voltando aqui ao assunto do trânsito, doutor, a Elza bem disse, né, que as pessoas sempre pensam, ah, se
04:46eu for pego, não vai dar em nada.
04:48E a gente sabe que esse é um pensamento muito comum. Por quê?
04:52É, hoje, no Brasil, a prisão é exceção. A pessoa só fica presa numa exceção, se eles entenderem que ela
05:02vai ter que ficar presa.
05:03Esse caso agora que a gente está falando, pode ser que agora, na audiência de custódia, o juiz mantenha ela
05:09presa por um tempo, mas, provavelmente, no decorrer da instrução, ela vai sair, para responder em liberdade.
05:16Só que vai depender aí de ser o homicídio culposo ou o homicídio doloso, porque o doloso é o seguinte,
05:22ela, com a sua conduta de beber e dirigir anteriormente,
05:26ela assumiu o risco de produzir o resultado. Então, pode ser que ele entenda, no decorrer da investigação, que ela
05:32praticou isso aí por dólar eventual,
05:35que ela assume o risco de produzir o resultado. Mas, na maioria das vezes, Roberta, a pessoa não fica presa,
05:40ela vai responder em liberdade.
05:41Em quais situações que ela pode ficar presa?
05:45Ela vai ficar presa, por exemplo, quando tem um crime que dá muita repercussão, como esse, eu acredito que ela
05:50vai ficar um tempo presa.
05:51Vai depender da capitulação do crime, se vai ser o homicídio doloso ou o homicídio culposo, porque, se for o
05:57homicídio culposo, vai responder em liberdade,
06:00vai pagar a fiança, liberdade provisória com fiança. Agora, se for doloso, pode ser que ela fique um tempo lá,
06:07mas ela vai responder, ela vai sair.
06:09Mas ela pode ficar um tempo na prisão, mas, futuramente, ela vai sair.
06:13Aí, a gente se coloca no lugar dessa família, Elza, que está enterrando ali duas pessoas, um casal, e que
06:20a pessoa responsável por isso tem essa chance de responder em liberdade.
06:25E aí, o sentimento de impunidade é o primeiro que ressalta.
06:29A gente fica revoltado, a gente fica questionando, né, ao Estado, que é falho, né, na aplicação da lei, por
06:39conta dessas brechas.
06:41A gente fica vazio com a sensação de que alguém, com a sua irresponsabilidade, foi lá e roubou.
06:49E, sim, vamos pensar, Roberta, quando alguém bebe e causa um acidente de trânsito porque está bêbado,
06:56aquilo dali não foi um acidente, aquilo é um homicídio.
06:59Você assumiu o risco de destruir pessoas, de matar, de ceifar muitas vidas.
07:06Então, a gente precisa ver as consequências que isso causa.
07:10E causa uma série de irresponsabilidades, que foi o que a gente viu nessa reportagem.
07:16Primeiro que ela assumiu, né, o fato, e se ela realmente for comprovado,
07:20que ela havia bebido, ingerido álcool, já começa com essa atitude irresponsável.
07:26A segunda atitude irresponsável, o fato dela acelerar, tentando fugir da polícia.
07:32Isso pode agravar a situação dessa mulher?
07:34Pode agravar, sim, porque quando ela teve a voz de parada, ela não parou.
07:38Ela atingiu, ela empreendeu fuga, por isso que eles foram atrás.
07:43E nessa fuga também, ela vai responder por outro crime também, um deles por desobediência.
07:48Ela desobedeceu uma ordem da autoridade policial.
07:51Ou seja, a segunda irresponsabilidade, a terceira, que é a mais trágica de todos,
07:56que é esse casal, que não tinha nada a ver com a história.
07:59Estava ali, infelizmente, teve a vida interrompida.
08:03Ana Carolina, diante do que aconteceu com o seu primo há 10 anos,
08:06de que forma que isso impactou a sua vida, a vida da sua família?
08:12Então, eu tenho 24 anos hoje, eu tinha 14 na época.
08:15Eu não bebo, né, porque me causa ansiedade.
08:18E você falou algo que me gerou uma lembrança.
08:22A minha tia, ela se culpa porque ela deixou o meu primo sair naquela noite.
08:26Então, até hoje, ela se culpa por causa disso, porque ela deixou.
08:30Ela quis ser uma mãe legal com ele, sabe?
08:32E a gente tenta dizer pra ela, olha, você não tem culpa.
08:35Aconteceu, infelizmente, mas você não tem culpa.
08:38Vamos levar a vida, entendeu?
08:40Só que é difícil uma mãe que perde um filho, né?
08:43O luto fica ali, ela é outra pessoa.
08:45Agora, olha só que importante.
08:47A Ana Carolina trouxe um relato aqui, Elza.
08:50O quanto ela se conhece.
08:52Você já chegou a experimentar beber alguma vez e não teve essa sensação boa, agradável?
08:58Sim, antes mesmo do álcool fazer efeito, né?
09:02Eu senti meu coração palpitar todos os sintomas da ansiedade.
09:06Por isso, eu evito, não bebo.
09:08Então, é importante que a pessoa se conheça.
09:10Porque quando a gente fala do consumo abusivo do álcool, a gente sabe, né?
09:16Que o álcool está ligado a vários tipos de crime, gente.
09:19Não só os de trânsito, não.
09:22Os estudos provam que o álcool é um facilitador de situações de violência.
09:28Olha só esses dados.
09:29Em 52% dos homicídios, a vítima ou o autor estavam embriagados.
09:36Nos casos de violência doméstica, em 42% dos casos, o agressor, adivinha?
09:42Estava alcoolizado.
09:43No caso de afogamentos, adivinha?
09:45Olha, olha esse número.
09:46É de assustar.
09:4764% das vítimas também tinham bebido.
09:51E 32% dos casos de suicídio têm relação com o álcool.
09:58Elza, a gente está falando aí de dados que chamam muita atenção
10:03e que a gente vê o quanto a bebida tem esse poder de encorajar.
10:10Isso causa o quê?
10:11Como se fosse aquelas pessoas que, ainda mais no volante também,
10:16que se acham imbatíveis.
10:18O que o álcool tem de tão poderoso assim?
10:22Ele produz muita euforia, né?
10:24Muita coragem.
10:25E como você não consegue mais mensurar o tamanho do risco,
10:28a velocidade, o lugar que você está,
10:31uma autoridade policial tentando inibir a sua ação,
10:36você acaba se colocando num risco iminente de morte
10:39e provocar a morte do outro também,
10:41porque você não consegue mais filtrar nada que vai acontecer ali.
10:46Quando ela fala, eu não bebo,
10:47porque todas as vezes que eu bebo eu sinto sintomas de ansiedade,
10:52isso quer dizer que ela tem um nível de autoconhecimento.
10:55A gente precisa aprender a respeitar os nossos limites.
10:59Quando a gente bebe, a gente se transforma em outra pessoa.
11:01Às vezes você fica agressivo, às vezes você fica muito choroso,
11:05você incomoda.
11:06E é o que você falou, potencializa ainda mais a violência doméstica
11:10e outros tipos de violência aí.
11:12Então, assim, essas misturas não são boas, não são positivas.
11:16Tem aqui o relato da Nelly Charili.
11:18Obrigada, Nelly, pela sua participação.
11:20Ela diz, boa tarde, Roberta, boa semana.
11:22Eu tinha um irmão que bebia muito.
11:25Quando fiquei sabendo que ele ia comprar um carro,
11:29eu entrei em desespero.
11:30Ele comprou o carro duas horas da tarde,
11:33às quatro e meia no caso.
11:35Perdão, duas horas da tarde, né?
11:37Ah, tá.
11:37E aí duas horas depois, às quatro e meia da tarde,
11:40ele bateu o carro e morreu na hora.
11:43E sobre essa violência que o álcool acaba também potencializando,
11:48nesse domingo, uma cuidadora de idosos de 37 anos
11:52foi violentamente agredida pelo marido,
11:56que passou o dia o quê, minha gente?
11:57Bebendo.
11:58A mulher contou para a nossa reportagem que já estava deitada
12:02quando o companheiro chegou muito bêbado.
12:05No quarto, estavam ainda um filho pequeno do casal,
12:09a irmã dela e os sobrinhos.
12:10A porta estava trancada.
12:12E ele quebrou tudo.
12:13Entrou, tá?
12:14Saiu entrando na casa, quebrando tudo.
12:16E a companheira foi agredida com vários golpes de marreta.
12:21Olha isso que absurda.
12:23Que ponto que a gente sabe que as pessoas podem se tornar ainda mais violentas.
12:28É importante também dizer isso, né, Elza?
12:30Ah, é todo mundo que bebe, que tem esse comportamento violento?
12:32Olha só.
12:33Ela ainda disse que esse homem passou o dia fazendo ameaças.
12:38Quando foi meia-noite, ele chegou e não estava em casa.
12:41Estava, acho que no bar, né, socorrisando.
12:45Aí ele chegou totalmente socorrisado, transtornado, dando um muro nas portas,
12:51dizendo que ia me matar.
12:52Arrombando essa porta aí, pedi um tal de carregador.
12:56Levantei, peguei o carregador, procurei o carregador e entreguei ele.
13:01Mesmo assim, ele não contente, voltou a esmurrar a porta.
13:04Lá na casa da vó dele, ele já falou assim, hoje eu vou te dar um pau.
13:07Aí ele perguntou assim, eu tinha ido à noite na casa da minha colega e minha irmã,
13:11e ele falou assim, eu fui onde ontem à noite?
13:14Aí eu falei assim, eu vou te dar um pau.
13:16O tio dele falou assim, rapaz, para, tá falando, vai bater na mulher.
13:19Aí ele falou assim, hoje o quê?
13:20Hoje eu regaço com ela, hoje eu vou acabar com a vida dela.
13:24É triste esse depoimento, né?
13:25E isso não está com cara de que foi a primeira vez, né, Elza?
13:28Provavelmente não.
13:29O álcool, ele afeta a nossa memória, a nossa cognição, o nosso comportamento, o nosso humor.
13:36Então, quem bebe, com certeza, não vai se comportar do mesmo jeito.
13:41E aí, qual é a chance de você ficar agressivo?
13:44Total.
13:45E qual é esse limite, Elza?
13:47Porque tem muita gente assistindo agora o programa em casa e fala assim,
13:49ah, mas eu bebo socialmente, eu sou tranquilo.
13:52Eu não faço nada disso, eu não agrido a minha esposa.
13:55Eu não pego algo, de repente, quando a pessoa se arrisca, né?
13:58Eu não pego o carro e sai correndo.
14:00Só que a pessoa consegue, no momento da bebida, ter essa noção de equilíbrio?
14:06Ó, por exemplo, vamos pensar no trânsito.
14:08O ideal é que a gente se programe antes.
14:10Por quê?
14:11Depois que você está bêbado, você não consegue avaliar se você está bem ou se você está mal.
14:15Então, vai sair de casa?
14:17Poxa, contrata um Uber, contrata um táxi, faz um esquema de rodízio, se programa antes,
14:22porque depois que você tiver bebido, você não vai conseguir fazer isso.
14:25E cada organismo tem uma tolerância.
14:27Tem gente que bebe pouco e realmente já fica alterado, tem sintomas.
14:31Tem gente que bebe muito até ele sentir que ele está diferente, já passou, né?
14:36Já tomou, já consumiu muita coisa.
14:38Então, a gente tem que avaliar a tolerância do nosso organismo, a quantidade que a gente bebe,
14:42a frequência que a gente bebe, como a gente se transforma depois disso.
14:47Só que isso tem que ser antes, não depois.
14:50Depois não tem mais o que fazer.
14:51Não dá nem para controlar muito o bêbado.
14:54Não dá.
14:55Como é que a família vai controlar alguém que já bebeu?
14:57Não tem nem como discutir com o bêbado.
14:59Quantos casos que a gente ouve, né?
15:00Que alguém tem que pegar a chave do carro, esconder.
15:03Vira uma confusão terrível, aí fica bravo demais, às vezes fica muito chorão,
15:07fica inconveniente.
15:10E olha, outro caso que nós mostramos aqui na TV Vitória é o da mulher que levou seis pontos na
15:16cabeça
15:16porque foi agredida com um golpe de foice pelo companheiro.
15:20Essa mulher ainda quebrou o braço, gente.
15:22Foi no bairro Serra Dourada 2, na Serra.
15:25Depois que a vítima levou o primeiro golpe, já ficou ali desacordada.
15:29Um vizinho viu tudo, socorreu a aposentada e levou para o quintal da casa dele,
15:35chamou a ambulância do SAMU.
15:37A vítima contou que os dois estavam em um bar, ele estava bebendo, aí ficou com ciúmes
15:43e quando chegou em casa, aí já sabe, aí as agressões começaram.
15:48Agora eu vou convidar para bater um papo aqui com a gente, a gente vai convidar pela internet,
15:52a Adriane Portela.
15:54Ela e a família, a gente lutam para tirar a irmã do alcoolismo e é uma luta muito difícil,
16:01não é isso, Adriane?
16:01Boa tarde.
16:03Boa tarde.
16:04É verdade.
16:06É complicado porque com todos esses relatos, igual foi falado agora,
16:12é muito difícil o alcoólatra identificar a hora de parar.
16:18É muito complicado.
16:20Então a gente, a família, quando gosta, a gente corre atrás, a gente procura todos os meios possíveis,
16:31porque o álcool acaba destruindo tudo.
16:35A família, os amigos, o trabalho, tudo.
16:38Quais prejuízos a sua irmã já teve por conta do álcool?
16:46Trabalho, o próprio físico, a gente vai se definhando, a gente vai vendo algumas coisas
16:56que vão acontecendo com a gente, com a pessoa, e a gente vai olhando e vai se entretencendo.
17:03A própria filha, tudo, vê sempre a mãe alcoolizada, se não é legal, é uma criança em desenvolvimento.
17:14Então isso é muito ruim.
17:17Isso é muito ruim.
17:18E a gente luta contra, né?
17:20De que forma?
17:21O que a família já fez para tentar ajudá-la?
17:26Agora, por último, nós colocamos ela numa clínica de reabilitação.
17:31É um longo processo, né?
17:34Porque para a gente conseguir isso pelo governo, são vários processos, né?
17:41Que você vai passando um após o outro.
17:43E com isso, só que infelizmente, o governo só nos dá para a família e consegue internar,
17:53depois de várias coisas, é apenas dois meses.
17:57E é um período muito curto, né?
18:00Com certeza, de uma reabilitação para depois ela sair e voltar.
18:06E que isso muitas vezes ajuda lá dentro, mas quando você volta, às vezes está muito fraco ainda
18:14para continuar a não beber.
18:18Adriana, você falou, você tocou em vários pontos que eu quero trazer aqui para o estúdio.
18:22Continua com a gente, já já volta a falar com você.
18:25Primeiro, ela disse que a irmã já teve um prejuízo no trabalho.
18:28E aí a gente se pergunta, doutor João, é possível a pessoa pode vir ser demitida por justa causa
18:36por conta de estar apresentando sinais de embriaguez com frequência no ambiente de trabalho?
18:41Sim, é possível.
18:42Algumas empresas aqui no estado, até no estado do Espírito Santo, já fazem essa triagem inicial aí do bafômetro
18:47antes da pessoa pegar o veículo.
18:50Então, isso vai ser apurado, mas pode sim ser por justa causa demitido.
18:55Perfeito.
18:55Elza, ela trouxe a informação de que tem uma criança também que assiste tudo isso.
19:02Então, a gente se imagina quais são os efeitos que isso vai deixando para essas crianças,
19:08para os adolescentes que assistem os pais, o pai ou a mãe, tendo esses casos de alcoolismo.
19:14Primeiro, a referência, uma referência de uma pessoa fraca, de uma pessoa que perdeu um pouco da dignidade,
19:21de uma pessoa que não consegue romper com aquele vício, com aquela dependência química, de uma pessoa doente.
19:28Então, esse filho, ele cresce com predisposição para se colocar em comportamento de risco,
19:34para repetir esse padrão, até porque o alcoolismo tem ações genéticas, né?
19:39A genética tem muito poder sobre esse aspecto.
19:43Então, para o filho é péssimo você olhar e saber que você não pode contar com a presença do seu
19:48pai,
19:48porque o seu pai não está ali naquela realidade, ele está ausente, ele está sempre fugindo da realidade.
19:53A família sofre demais, Roberta.
19:56A gente se sente impotente, a gente se sente perdido, desesperançoso,
20:00a gente, às vezes, não sabe o que fazer, o Estado não consegue dar todo o suprimento porque é uma
20:06doença, é uma doença...
20:07E são pessoas que demoram a aceitar ajuda, né?
20:09É porque tem a negação, né?
20:11O maior aspecto do dependente é negar que ele acha que ele não está dependente,
20:17que aquilo não é um problema, que as pessoas estão implicando com ele,
20:20que ele para quando ele quer, que aquilo não faz nenhum efeito.
20:24Então, ele vai negando veementemente, repetidas vezes, que aquilo não vai acontecer,
20:29até ele se ver dominado na situação.
20:32E quando a pessoa vai pedir ajuda, buscar ajuda, já teve muitas perdas.
20:36Perda no trabalho, perda na família, perda financeira, perda da dignidade, perda da moral,
20:42perda, às vezes, do casamento, do vínculo familiar, são perdas em cima de perdas.
20:47É terrível, é terrível. E é uma doença.
20:49E sobre essa perda, Ana Carolina, fala pra gente da dor de perder um primo
20:55diante dessa situação que você contou pra gente, num acidente de carro,
20:58em que o amigo dele estava dirigindo o colisado.
21:01Então, foi muito impactante, foi doloroso, sabe?
21:05Ele era um primo próximo, mas ele morava em outro estado.
21:09Mas só que quando eu soube a notícia, eu fiquei muito triste.
21:11Só que ainda hoje me dói, quando eu vejo o estado que a minha tia se encontra.
21:16Então, é uma dor que a gente sabe que nunca vai parar.
21:19Porque quando você vê outro familiar sofrendo, você sofre junto.
21:24E essa é a pior parte.
21:26Tristeza. Esses são os estragos que o álcool pode trazer pra nossa vida.
21:31Deixa eu voltar, só pra me despedir da Adriane, e saber com ela, inclusive,
21:36qual que é a postura do marido, da sua irmã, diante desses casos,
21:42desses episódios que ela teve, que ela já apresentou.
21:46É, no momento, hoje, ele também está no álcool, né?
21:54Então, isso, que eu achei que quando ela saísse da clínica, que tem pouco tempo até,
22:01que ele fosse, né, apoiar, sim.
22:05Mas, infelizmente, a pessoa que está ao lado dela não tem ajudado nisso.
22:12Por mais que a rede de apoio dela fora o marido, né?
22:17Tem, como a gente correu atrás, como a clínica até falou, peça novamente pra interná-la, né?
22:26Porque a gente consegue continuar o tratamento.
22:30Só que é muito burocrático, né?
22:32Mas, infelizmente, ela voltou a beber, está, né, novamente,
22:39e ele, como não segura, voltou também a beber.
22:45Infelizmente.
22:46Isso mostra o quanto as pessoas, né, podem nos ajudar a sair dessa ou não, né?
22:53Obrigada, Adriana, pela sua participação com a gente, viu?
22:56Obrigada mesmo.
22:56Agradeço muito a confiança que você tem aqui no nosso jornalismo.
23:01Obrigada.
23:02E a gente segue aqui o programa com alguns comentários.
23:06A Marina Penincha diz, tem pessoas que já têm um gênio ruim, né?
23:10Eu falo até do gênero, mas gênio ruim, e coloca a culpa na bebida.
23:14A Carmelita Luz diz, boa tarde, bebida é pra quem...
23:19Bebida pra quem não sabe beber é horrível.
23:22Eu acabei com o meu casamento porque meu marido bebia demais.
23:25Hoje eu sou feliz, mas já sofri muito.
23:28Então, só pra gente finalizar, Elza, a respeito desse comentário da Marina,
23:33porque a gente vê que tem pessoas que sabem, sim, levar uma vida social com o álcool.
23:39Já outras pessoas têm esse impacto e acabam aflorando um lado ainda mais violento, né?
23:46A gente percebe que existe uma diferença de comportamento, mas isso em algum momento pode se misturar,
23:51isso pode não ser uma garantia de nada?
23:53É, o álcool aflora muito as nossas emoções, aflora as nossas faltas, aflora a violência, às vezes, que está reprimida.
24:00Então, ele é como se fosse realmente você bota a gasolina ali no fogo e aquilo acende de uma forma
24:05que incendeia todo mundo, né?
24:07Todo mundo fica ali comprometido com aquele comportamento.
24:09Agora, muitas vezes a pessoa bebe, Roberta, e usa esse tipo de substância porque ela está tentando tamponar alguma emoção
24:17que não foi processada,
24:19às vezes, lá da infância. Então, a gente, quando vai buscar ajuda para o nosso familiar,
24:23primeiro que a família se coloca como codependente, né?
24:26A gente traz o peso, traz a responsabilidade sobre a gente, e quando a gente vê que não conseguiu fazer
24:31nada,
24:31aquilo gera muito sofrimento, gera muita impotência.
24:34Quando a gente vai ajudar essas pessoas, a gente tem que buscar ajuda de todos os lados.
24:39É uma ajuda multidisciplinar.
24:41Ajuda espiritual, ajuda profissional, ajuda medicamentosa, às vezes, tirar essa pessoa para proteger ela e botar numa instituição.
24:47Então, é realmente muito desgastante, muito cansativo tentar ajudar um dependente químico.
24:55E olha, se tem uma combinação que não dá certo, de jeito nenhum, mais uma vez, a gente começou falando
25:00dela e a gente encerra falando dela,
25:02que é a bebida e direção. A tolerância é zero, né, doutor?
25:06Tolerância zero. Bebeu, dirigiu, vai de Uber, vai de táxi.
25:11Uma consideração que eu quero fazer aqui, muitas pessoas, elas moram no bairro, por exemplo, Jardim da Penha,
25:16e vai num bar no Jardim da Penha.
25:17Ah, eu vou no bar ali, eu moro no Jardim da Penha, então não vou atravessar.
25:21Mas não é só a blitz ali, ela pode atropelar alguém, matar, ser presa.
25:25Então, assim, é mais a conscientização também dessa pessoa de pegar um aplicativo,
25:31mas a consciência de ficar morando no bairro, ela não vai.
25:34A maioria das pessoas não vão.
25:36Então, assim, tolerância zero, parou, vai ser feito a fiscalização,
25:42e ela pode ter a carteira suspensa, pode ser presa em flagrante,
25:45todo esse processo aí judicial pra frente, e ainda as famílias que ela vai prejudicar.
25:51Pois é, e a Ana tá aqui pra mostrar exatamente o quanto ela carrega a dor da perda do primo
25:56há mais de 10 anos.
25:58Obrigada, Ana, pela sua participação, viu?
26:00Elza, doutor João, a gente agradece muito também a contribuição de vocês.
26:03Boa tarde.