- há 2 dias
Caso registrado nesta semana foi mais um caso de feminicídio no estado em 2023
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NotíciasTranscrição
00:00A gente fala agora da morte da dona Bernadette, assassinada no centro de Vitória nesta semana.
00:06Além da violência assustadora e injustificável contra a dona Bernadette, que foi morta facadas dentro de um apartamento,
00:16tem um outro detalhe que chocou todo mundo.
00:19É a ficha criminal do principal suspeito, minha gente.
00:24Escuta, tá sentado? Senta e tal.
00:25O ambulante Antônio Fernandes da Silva, de 61 anos, já era acusado de um outro feminicídio.
00:34É, em 2016 ele teria matado uma mulher lá na cidade de Jundiaí, em São Paulo.
00:40Vai lá pra Jundiaí, pergunta quem era ele.
00:42Havia contra ele um mandado de prisão.
00:45Isso mesmo, esse homem estava solto, vivendo tranquilamente, trabalhando como vendedor de coco aqui em Vitória.
00:54Não estava se escondendo não, tá?
00:56Tinha mandado contra ele e estava ali, bonitão, trabalhando tranquilamente.
01:00A delegada que cuida desse caso contou que o homem que matou Bernadette faz isso por ciúmes.
01:07Já o delegado geral o classificou como um serial killer e revelou que no depoimento, escuta,
01:14o homem afirmou que mataria novamente.
01:17Vamos ver.
01:19Depois que ele cometeu o crime, ele ainda deixou uma carta, ele, por trabalhar junto com a vítima,
01:26ele conhecia a família dela, ele sabia que ela tinha dois filhos, falou que o fez porque amava muito ela,
01:32que também é outra coisa muito característica de um feminicida, e apontou a suspeição da traição.
01:39E depois ele confessou, falou que tinha matado porque amava, indicou que foi por conta da traição,
01:48e aí depois disso ele foi até um amigo, confessou a prática do crime e empreendeu fuga.
01:54Após a análise do comportamento do acusado, analisando a sua personalidade, ficou assim, bem característico,
02:03que é um serial killer, alguém que mata por compulsão.
02:08Ele deixou claro para a delegada que se ele solto, ao se relacionar novamente, ele pode matar novamente.
02:15Ela deixou bem claro que hoje eu conversei com uma parente da dona Bernadette.
02:21Ela deixou bem claro que a família não reconhece esse relacionamento.
02:25Talvez esse homem aí pudesse até ter uma paixonite por ela, mas que a família não reconhece.
02:33Ela não era mulher desse homem.
02:35Só que a gente sabe que, independentemente da história, esse e tantos outros covardes apostam na impunidade
02:44para continuar fazendo o quê? Agredindo as mulheres, matando as mulheres.
02:48Se esse homem tivesse preso na cadeia, a dona Bernadette ainda estaria aqui,
02:54e a família dela não estaria vivendo todo esse sofrimento, todo esse drama.
02:59Não é verdade?
03:00Esse assunto a gente vai repercutir agora aqui no nosso programa.
03:03Vem cá, conto muito com a sua audiência, sua participação.
03:07Aqui no estúdio, Alexandre Brito, psicólogo, obrigada pela sua presença.
03:11Camila Dias, também advogada, agradeço muito sua participação.
03:15Paola Rocha, que já já vai relembrar o caso da irmã dela, que também foi vítima de um feminicídio,
03:21coincidentemente também no centro de Vitória.
03:24Boa tarde a todos.
03:25Camila, não era para esse homem estar preso?
03:29Em 2016, lá em Jundiaí, ele é o principal suspeito de um feminicídio que aconteceu lá.
03:36Tinha um mandado de prisão.
03:37A gente se pergunta o que esse homem está fazendo solto aqui no Espírito Santo.
03:40O que esse homem está fazendo solto, né, Roberta?
03:44Olha, quando a gente vê uma notícia dessa, se fosse uma primeira vez, já não surpreenderia, né?
03:50Porque é um crime.
03:52Agora, um crime reiterado, mais um crime.
03:56E prosseguiria ainda, matando mais mulheres, né?
04:00Pela declaração que ele deu lá.
04:02A frieza.
04:03A frieza, né?
04:04Para a delegada.
04:04Agora, por que esse homem está solto?
04:07A gente não tem acesso, mas parece que ele mudou até a sua identidade, né?
04:13Tem essa parte de...
04:13Se apresentava aqui no Estado como outra pessoa.
04:15Então, ninguém imaginava.
04:16Tanto que ele teve que sair de lá, por algum motivo, né?
04:19Agora, precisamos saber.
04:21E aí, a outra investigação dele deve entrar agora em compartida com essa daí,
04:28para a gente saber o que estava acontecendo.
04:30Por que ele estava solto?
04:31Se continuaram atrás, tem muitos anos.
04:33Foi em 2016?
04:34Isso.
04:35Então, esses anos todos, o que aconteceu?
04:37Se o homem chegou a ser preso, foi solto, o que houve?
04:40Porque esse tipo de caso, esse tipo de crime e essa impunidade é o que gera na gente essa incredulidade,
04:47né?
04:47E a gente fica à mercê.
04:49Qualquer pessoa, então, que está ao nosso redor pode ser um homicida solto, um feminicida,
04:54e a gente fica como nessa história?
04:56E é interessante a gente pensar, Alexandre, como que isso repercute na sociedade, né?
05:00Porque se esse homem tem essa certeza da impunidade, porque até agora nada aconteceu com ele,
05:06ele estava levando uma vida normal aqui no Espírito Santo, ao noticiar um caso como esse,
05:11a sociedade interpreta isso de que forma?
05:13A impunidade de fato, né?
05:15Isso faz com que a gente tenha uma descrença mesmo no senso de justiça e segurança.
05:21A gente fica sentindo que nós estamos vulneráveis o tempo todo e com essas taxas tão altas de assassinato,
05:29de morte, mesmo que isso ainda pareça algo que frequente, a gente ainda tem que continuar estranhando,
05:35a gente ainda tem que continuar não admitindo, a gente não pode normalizar de forma alguma
05:41esse tipo de comportamento, esse tipo de crime, essa forma de lidar com essa violência.
05:47Então, a gente não só não se sente protegido no sentido preventivo, nem também no sentido de ter alguma consequência.
05:56Então, dá essa sensação social de injustiça, de impunidade, de insegurança.
06:02Então, a gente acaba o quê? Vivendo uma vida desconfiada, uma vida com medo,
06:07uma vida em que você não pode simplesmente circular e se relacionar com as pessoas de modo seguro.
06:14Você sempre dá um passo para trás, você começa a pesquisar ficha criminal de pessoas que você pode vir a
06:20se relacionar, se envolver.
06:20Daqui a pouco a gente já passou desse ponto já.
06:23Exato.
06:23A gente não sabe quem é a pessoa que a gente está conhecendo, seja um amigo ou então até mesmo
06:27se relacionando.
06:29Enfim, a gente não pode mais confiar em ninguém, dá um medo.
06:33Agora, Paola, essa história, como a gente já contou aqui, tem até alguns traços que faz lembrar um pouco
06:39do que aconteceu com a sua irmã em maio desse ano, né? Que também no centro de Vitória.
06:44É, ontem eu tive, infelizmente, né? Mais um caso, muito se assemelha, né?
06:50Porque foi no centro de Vitória, a forma como ela foi morta também foi a mesma que a minha irmã
06:56foi morta.
06:58É muito triste, né? Mais uma mulher morrendo desta forma, mais uma família sofrendo uma dor que...
07:07Só quem passa, né? É para saber.
07:10É uma dor diária, é uma luta, né? Para superar essa dor, para conseguir continuar a vida e lutar por
07:18justiça.
07:19Eu acho que é algo que tem me dado força, né? E eu tento passar isso para os demais parentes.
07:27Essa sensação de impunidade é o que nos fortalece para superar a dor e buscar por justiça, né?
07:44Para que a gente consiga suportar, né? A única coisa que a gente tem é isso.
07:51É lutar por justiça para que a gente consiga superar, sabe?
07:56É uma forma de superar, apesar da dor que vai ser para sempre, né?
08:00Infelizmente, eu acho que é a sensação de impunidade de muitos destes criminosos que cometem esse tipo de crime, né?
08:11Como aconteceu o caso de ontem, a pessoa já havia cometido, não foi presa, mudou de estado e depois de
08:20tantos anos cometeu um crime contra uma mulher novamente.
08:25E, infelizmente, eu acho que há também questões de políticas públicas, né?
08:32Para que haja mais políticas públicas para alertar mais as mulheres e incentivá-las a ter voz, né?
08:40Porque não é de um momento para outro que a pessoa é morta, né?
08:45Começa as agressões verbais, depois a violência física, né?
08:54Então, acho que precisa mais de alerta, mais de, né?
08:58Para que as mulheres busquem ajuda antes que sejam tarde demais, né?
09:03E qual é o seu sentimento, Paola, quando você vê os casos se repetindo, né?
09:08Você que sofre até hoje, vai, infelizmente, é uma marca que vocês vão carregar para o resto da vida.
09:14Porque, como você bem disse, isso destrói uma família.
09:17E aí vê casos se repetindo.
09:19Como é que é esse sentimento?
09:21É um sentimento...
09:23Quando eu vi ontem, quando eu tive conhecimento, é como se eu estivesse revivendo aquele dia novamente, né?
09:29Que eu soube do que tinha acontecido com a minha irmã.
09:32E na hora, deu até um mal-estar, na hora eu pensei no sofrimento dessa mulher, né?
09:38Que morreu dessa forma monstruosa.
09:42A dor da família, mais pessoas sofrendo.
09:45Então, assim, é muito revoltante, né?
09:48É muito revoltante.
09:49Eu acho que muita coisa tem que ser feita, como eu te falei, políticas públicas.
09:55Eu acho que a lei tem que ser mais, talvez, mais severa na questão da penalidade a se aplicar em
10:04crimes como esses, né?
10:06De feminicídios.
10:07As mulheres são muito frágeis, né?
10:10E muitas, assim, emocionalmente, né?
10:12No caso da minha irmã, eu acho que faltou maturidade também.
10:16Mas, assim, cada caso é um caso, né?
10:19A gente não pode culpar a vítima, né?
10:20A minha irmã era muito nova, né?
10:22Primeiro relacionamento.
10:24Então, ela era provavelmente muito crédula, né?
10:27Que apesar da violência que ela vinha sofrendo, que eu só tive conhecimento após o crime,
10:34violência física, né?
10:36De acordo com as testemunhas que eu soube.
10:39Psicológica também, né?
10:40Psicológica.
10:40Que você já relatou pra gente.
10:42Talvez ela, mesmo com isso tudo, ela achava que ele ainda gostava dela, né?
10:47Infelizmente.
10:47Agora, você usou uma palavra que eu quero aproveitar a presença aqui da Camila, né?
10:52Você falou das leis serem mais rígidas.
10:55Camila, o que que falta?
10:56Porque, vamos lá, a gente tem ferramentas bem interessantes, a gente tem medida protetiva,
11:01a gente tem leis, sim, a gente tem leis.
11:03A gente tem a Lei Maria da Penha, a gente tem ainda várias outras ferramentas dentro da própria lei
11:09que nos ajudam, o botão do pânico, a gente tem a patrulha também,
11:14que visita a mulher de tanto em tanto tempo, vai até a casa dela.
11:19Mas, a gente tem também a sensação de que a execução disso, talvez não esteja sendo bem feita,
11:27é a sensação que a gente tem.
11:29O que que tá faltando?
11:30Olha, o ciclo da violência doméstica, ele é imenso, né?
11:35O ciclo e as esferas.
11:37A gente assistiu ali um caso antes, aquele do elevador, aí a gente fica perguntando numa hora dessa,
11:42ela vai denunciar?
11:44Porque ali cabe uma denúncia, ele a agrediu.
11:47Então, a gente não sabe, né?
11:48Então, aí vem uma parte da... já é uma violência.
11:51Vou usar um exemplo, porque a gente tem um exemplo prático aqui do que passou.
11:54Se ela denunciar, o que que vai acontecer com ele?
11:56Ele é um advogado, ele é um homem que tem uma certa instrução,
11:59porque, às vezes, a gente acha que esse tipo de crime vai acontecer só numa determinada classe,
12:04que só vai ser impune porque a pessoa é vulnerável socialmente, economicamente.
12:09Mas, então, o que que a gente faz para que o crime diminua?
12:14Para que essas estatísticas diminuam?
12:15Como é que a gente estanca essa cachoeira?
12:19Porque parece que a gente tá segurando aqui com um baldinho e isso não tá parando.
12:25Denúncia, rompimento de ciclo, que o doutor fala bem também,
12:29emocional dessas mulheres, dessa dependência desses homens.
12:33Caso aconteça, além da denúncia, a eficácia dessa denúncia,
12:36porque nós temos a lei, que é uma lei muito boa, que é a Lei Maria da Penha, né?
12:41Nós temos a lei.
12:42Nós temos meios que estão sendo trazidos até nós, que você bem citou.
12:47Patrulha, campanha de conscientização, nas empresas, nas indústrias, nos lugares todos.
12:53Nós também pedimos o quê?
12:54Que os homens, que é a parte favorável para nos auxiliar nisso,
12:58escutando um comentário de um amigo, sabendo daquele amigo que agride verbalmente,
13:04psicologicamente também tem esse oposicionamento.
13:05E aí? E a partir daí, depois da denúncia?
13:08Então, aí vem a parte da justiça.
13:12O que está sendo feito? Como é que está ensinando a delegacia?
13:14Isso está sendo levado adiante?
13:15E aí, Roberta, a gente chega nessa impunidade,
13:19que é onde a gente pensa, poxa, chegamos até aqui e agora.
13:23Quantos casos a gente tem aí de mulheres que têm medida protetiva, né?
13:27Que tem que ter aquele distanciamento e esses homens não respeitam?
13:31Então, quando não respeitam, porque assim, a gente não vai ter como trancar um homem dentro de casa.
13:37Um homem veio e me deu um tapa, eu vou denunciar esse homem.
13:39E a partir daí?
13:40Ah, mas aí mesmo com medida protetiva ele veio.
13:42Sim, gente, não tem como segurar, porque um tapa não vai fazer ele ser preso,
13:46senão a gente ia ter que ter, né?
13:47Trancar todo mundo praticamente, infelizmente, tá? Essa realidade.
13:51Agora, e depois?
13:53Aí, quando ele descumpre, tem que fazer, tem que ligar,
13:57porque a polícia tem que vir, porque se ele descumpriu,
13:59essa ordem vai permanecer da medida protetiva e aí sim.
14:02Olha a cabeça dele, se ele descumpre, não vai dar em nada.
14:05Não vai dar em nada.
14:06Inclusive, nesse caso aqui do centro, da dona Bernadette,
14:09esse homem teria ido até a casa de um colega e falado isso,
14:13vou ficar três dias, vou fugir três dias, confessou com o colega,
14:16vou sumir por três dias para não ser preso em flagrante,
14:19porque não vai dar nada.
14:20Não deu em nada em 2016, não vai dar em nada agora.
14:24Olha o pensamento.
14:24E agora ainda falou que ele faria mais e faria de novo.
14:27Agora, vamos ver, acompanhar esse caso, né, Roberto?
14:30Vocês vão estar em alerta para que esse homem fique preso,
14:33para que esse outro crime que ele cometeu, muito provavelmente,
14:36porque se ele já está falando isso agora, é porque ele cometeu antes, provavelmente,
14:40seja anexado para ser um crime já reiterado, a pena aumentada,
14:45porque um homem desse não pode estar no nosso meio.
14:47Não pode, não pode.
14:49Imagina uma próxima mulher se relacionando com esse homem,
14:52acreditando ali, ele hoje, dessa vez, se passou como vendedor de coco.
14:56E depois?
14:57Aí ele vai se transferir numa outra personalidade.
15:00Troca de nome e por aí vai.
15:02Agora, Alexandre, nessas histórias que a gente conta,
15:06que a gente relembra do caso, tanto da Ana Carolina, a irmã da Paola,
15:11nesse caso também da dona Bernadette,
15:12tem um sentimento que está por trás, que a gente repara, que é qual?
15:16Os ciúmes.
15:18Independentemente se tinha alguma coisa ali ou não,
15:20ele criou na cabeça dele, talvez, um relacionamento e relatou ciúmes.
15:24Olha que ponto o ser humano pode chegar por esse sentimento tão...
15:29Até perdi a palavra.
15:31É, existe o ciúme enquanto um sentimento até que pode ser saudável,
15:37que é aquele ciúme que você zela pelo outro,
15:40você tem uma certa dificuldade de, às vezes, ficar sempre distante,
15:46ou de perder essa pessoa para outras pessoas.
15:49É um sentimento trai-sueiro, lembrei, trai-sueiro.
15:52Isso, é um sentimento...
15:53Só que nesse caso, não sei nem se a gente pode falar de ciúme,
15:57ou se seria melhor da gente falar de sentimento de posse, tá, Roberta?
16:00Porque é isso aí.
16:01Porque, assim, é muito mais uma sensação de que a mulher é um objeto dele
16:07e que ele pode fazer o que ele bem entender com ela.
16:10E esse é o grande problema, né?
16:12E essa é a grande questão mais perversa das situações envolvendo assassinatos.
16:17A gente vê que não é um ciúme, como a gente pode pensar,
16:21ah, eu fiquei com medo de te perder para alguém, né, para uma situação, para outra pessoa.
16:27Não, é o sentimento de posse, de que você é minha.
16:30E eu posso fazer o que eu bem entender, você me deve, vamos colocar assim.
16:36E, às vezes, existem artifícios, tá, que o manipulador usa para a pessoa até se sentir culpada,
16:43com medo, né, e entrar um pouco nessa situação sem perceber, tá?
16:49Então, existe, sim, essas estratégias, né, de dominação, vamos colocar assim,
16:55em que a vítima não percebe que ela está entrando.
16:58Às vezes, ela se sente até culpada de que está entrando, mas ela é tratada como posse, tá?
17:03Então, realmente, esse é um grama de problema.
17:06E nessa posse, tem a sensação de que eu posso fazer com você o que eu bem quiser, o que
17:11eu bem entender.
17:12Então, é aí que entra a agressividade e a violência, que é inadmissível.
17:17Olha só, a gente tem aqui vários participantes, vários telespectadores que mandaram mensagem para a gente no Facebook.
17:22A Tereza Loureiro diz, o Espírito Santo bate recorde em feminicídios devido à impunidade.
17:27A justiça tem protegido esses bandidos.
17:31Quando chegam na audiência de custódia, são libertos.
17:34A Jana Oliveira fala, cada caso que eu fico chocado, infelizmente, gente, parece que virou moda a violência contra as
17:40mulheres por conta dessa impunidade.
17:42Eu não me acostumo com essas covardias.
17:45A Edmara fala, essa é a justiça brasileira, o famoso, lembra do famoso maníaco do parque, né,
17:52que estuprou mais de 10 mulheres, matou algumas no passado recente.
17:56Tem mais comentários aqui, o Edson Juvenal diz,
18:00O que adianta ter lei Maria da Penha que só serve para as mulheres?
18:05É essa a pergunta que a gente se faz, Camila.
18:08De que adianta a gente cria as ferramentas, né, tem aí, a gente luta por essas ferramentas,
18:12mas, na verdade, o criminoso, que era a peça-chave de se resolver, ele continua solto.
18:21O que falta?
18:22É porque também, Roberta, a Constituição, ela permite que a pessoa fique solta, né, até julgamento,
18:30a não ser que ela, né, ela, há indícios, há provas que a polícia tem que recolher e apresentar para
18:39o judiciário
18:39que essa pessoa, se continuar solta, vai, poderá, né, cometer outro crime,
18:45ou ela pode atrapalhar as investigações.
18:50Então, assim, tem, quando acontece um crime, né, como o que aconteceu ontem,
18:55que leva dessa gravidade de levar à morte,
19:02a polícia tem que juntar provas testemunhais
19:06para tentar mostrar para o judiciário que ele não pode ficar solto até julgamento, entendeu?
19:12Aí acaba que o julgamento demora dois, três, até mesmo quatro anos para acontecer e a pessoa fica solta.
19:19Em média, o julgamento aqui no Brasil leva oito anos para acontecer.
19:23Isso é na melhor das hipóteses, né, eu acho que em quatro anos são casos que têm muita repercussão,
19:30acabam que eles dão uma celeridade maior, né, porque a sociedade está sabendo, está acompanhando de certa forma.
19:37Mas no caso, Camila, de crimes dessa natureza...
19:41Mas olha só, em caso de feminicídio é diferente, né, a gente está...
19:44Uma, vamos separar, né, agora juridicamente falando.
19:48A violência contra a mulher é algo X, feminicídio já foi cometido um crime.
19:54Aqui na violência ainda há possibilidade de denúncia ou não, de manter a medida ou não.
20:00Tem mulheres que recolhem as medidas, permanecem com os homens,
20:03aí o Ministério Público tem que dar continuidade, aí ele vai ser escutado, aí tem arrependimento.
20:08Tem uma série de questões que a gente passaria um programa falando só sobre esse tipo de crime.
20:14Agora, o feminicídio, que já foi o crime de morte contra mulheres por conta do gênero e, enfim, por conta
20:22do histórico.
20:23E aí, vamos usar agora o exemplo.
20:25Ele confessou, ao que a gente sabe, né, tanto para um amigo quanto para uma carta e quanto para os
20:31indícios,
20:31e a gente ainda falou para os delegados que cometeria de novo.
20:34Ali, a gente está lidando com o suspeito, porque ainda não houve o julgamento, mas ele vai ficar preso.
20:41Ele não tem...
20:42Eu, como advogada, juridicamente falando, ele não tem nenhuma possibilidade de estar solto.
20:46Ele é um perigo para a sociedade.
20:47Então, ali, nesse caso, não tem por que ele estar solto.
20:50É diferente de ele cometer um crime, fugir, como ele havia até dito,
20:55não haver indícios práticos e aí ser instaurado um inquérito.
21:00Então, assim, a sociedade precisa entender que, em casos de crimes onde há a morte e onde tem indícios,
21:09hoje, muito provavelmente, esse tipo de criminoso já fica retido, já fica preso, detido.
21:16Agora, no caso, realmente, de uma violência psicológica, uma violência física que é reiterada
21:22e que as mulheres, por vezes, titubeiam ali nas denúncias e tudo mais, é mais difícil de...
21:28Ah, mas ele já bateu em uma, bateu na outra, mas a gente tem que se unir para poder estar
21:32levando esses casos para frente,
21:33porque somos todos nós que temos uma parcela.
21:37Eu também penso, não só como advogada, mas como mulher, que realmente a falta de execução das nossas leis nos
21:44desanimam.
21:45Saber que esses homens podem estar soltos mesmo com acusação.
21:49Mas eu continuo, a gente precisa continuar combatendo, continuar com esperança, denunciando e mostrando para a sociedade esse pequeno.
21:56E é esse o papel da imprensa, é justamente mostrar essa indignação da sociedade para que a gente cobre a
22:02forma correta da execução,
22:04para que ela aconteça conforme está lá na lei.
22:08Obrigada, Paola, pela sua participação, conte sempre com a gente.
22:11Camila Dias, também advogada, Alexandre Brito, voltem sempre, viu?