- há 3 semanas
Os traumas que os pequenos podem sofrer com essa perda
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NotíciasTranscrição
00:00Olha só o que aconteceu em Nova Rosa da Penca, em Cariacica.
00:04Um jovem de apenas 20 anos foi morto com seis tiros.
00:09Segundo a polícia, esse crime pode ter ligação com o tráfico de drogas.
00:15O corpo de Cayam de Aguiar, da Conceição, foi encontrado em um terreno por moradores ali da comunidade.
00:22A família esteve no local, só que ninguém quis gravar entrevista,
00:25porém, informaram que o jovem já vinha recebendo ameaças.
00:31Segundo os parentes, o rapaz deixou um filho de três anos.
00:36Pensa, gente, o corpo da vítima foi encaminhado ao Departamento Médico Legal de Vitória.
00:43E a gente para para pensar, essa criancinha de apenas três anos também é uma vítima direta dessa violência.
00:52Olha aí a herança que esse pai deixou, que um pai deixa para um filho.
00:57É uma história muito triste, gente.
00:59Por isso que a gente sempre reforça a importância das nossas escolhas.
01:04Elas atingem diretamente quem?
01:06Os nossos filhos.
01:08E a gente vai debater esse assunto aqui no nosso estúdio.
01:10Vem cá, participa com a gente.
01:12Eu recebo a psicóloga Elza Leite.
01:14Muito obrigada, Elza.
01:15Boa tarde.
01:15Queja bem-vinda, viu?
01:17E também a Ana Paula, gente.
01:19Ana Paula Honorato, ela vai contar para a gente a história dela.
01:23Que você, inclusive, se identifica um pouco com essa, né, Ana Paula?
01:27Se identifico.
01:28Boa tarde.
01:28Conta para a gente o que aconteceu.
01:31Eu fui mãe, né, nova.
01:33Quantos anos?
01:34Eu tive a minha filha com 17 anos.
01:3916 para 17 anos.
01:42Aí, conheci o pai dela, engravidei e fui morar com ele.
01:47Aí, ele começou a se envolver com pessoas do tráfico de droga.
01:52Saía, ficava dois, três dias fora de casa.
01:55Aí, quando eu fui ganhar a minha filha, ele ficou sabendo, depois que eu ganhei ela, né?
02:02Depois que eu ganhei no outro dia, ele foi lá, compareceu no hospital.
02:06Aí, enfim, tivemos um convívio, no começo até bom, mas depois, com três meses de nascido,
02:16antes dos três meses de nascido, foi que ele começou com a maconha, né?
02:21De novo, começou com a maconha.
02:23Eu não sabia, ele usava droga fora de casa.
02:27Aí, depois ele foi para a cocaína, da cocaína foi para o crack.
02:31E o que aconteceu com ele?
02:33Ele foi assassinado.
02:34Ele foi assassinado?
02:35Foi.
02:36A sua filha tinha quanto tempo de vida?
02:37Três meses.
02:39Três meses.
02:39Como é que foi para você essa mistura de sentimentos?
02:44De ter que encarar essa dor da perda da pessoa que você amava, que estava ali com você,
02:49era o pai da sua filha, e ao mesmo tempo lidar com essa realidade de ter que criar,
02:55a responsabilidade de criar uma filha, ser pai e mãe, e você ainda, ali na adolescência,
03:03na juventude, como é que foi isso para você?
03:05Foi uma situação muito difícil na minha vida.
03:08Eu confesso que foi muito difícil ter pai e mãe, ter uma responsabilidade.
03:12Eu tinha, na época, minha mãe era viva, tive um suporte da minha mãe, do meu padrasto,
03:17com o qual eu fui criada por ele, e quando eu completei meus 18 anos, ele me liberou.
03:23Assim que assassinaram o pai da minha filha, a minha mãe ficou muito assim, sem saber o que fazer para
03:30poder me ajudar, né?
03:31Porque foi, na verdade, foi um choque, né?
03:34Para nós, para todos nós, tanto quanto para a minha família, quanto a família dele.
03:39Encarar a dor também.
03:40Para encarar a dor da perda, como que a gente ia fazer?
03:44Porque é tipo tirar um pedaço de você, né?
03:47E agora, como é que eu vou fazer com uma filha pequena, né?
03:51Aí eu superei, eu fui morar com o meu padrasto, com 18 anos, foi que eu coloquei meus pés no
03:58chão,
03:58e hoje em dia estou aí, vivendo pela graça do Senhor Jesus, né?
04:02Em algum momento, qual foi o momento, né?
04:05Como é que foi isso que você trouxe essa verdade para a sua filha?
04:08Ela te perguntou, você que resolveu contar, como é que foi isso?
04:11Na verdade, ela ficou sabendo pela avó paterna, porque eu me relacionei com o pai do meu filho,
04:18que tem 13 anos, e daí, então, ela conhecia ele como pai, né?
04:23Um segundo relacionamento seu.
04:25Um segundo relacionamento.
04:26Aí, ela, foi difícil para ela, né?
04:30Ela falou que eu menti, mas não foi mentira, né?
04:33Para o mal dela, não menti.
04:36Eu não queria passar a situação para não bagunçar a mente dela, na verdade, né?
04:43Aí, depois, com o tempo, ela aceitou, né?
04:48Porque não tem como não aceitar, né?
04:51Não dá para mudar o passado.
04:52Não dá para mudar o passado.
04:54Mas, Elza, a gente consegue ressignificar, a gente não pode mudar o passado,
04:58mas se tratando das nossas crianças, como fazer essa abordagem,
05:02como explicar o histórico do pai, essa, digamos, essa herança,
05:08essa história triste que acabou ficando marcada na vida também dessa criança?
05:12A perda, por si só, já machuca muito.
05:15Quando ela vem por um homicídio, é muito mais complexo.
05:19A gente tem que entender que a criança, ela merece a verdade.
05:23E, muitas vezes, a verdade dói.
05:25Dói profundamente.
05:26Dói até em contar.
05:28Quem dirá em ouvir.
05:29É óbvio que, dependendo da idade da criança,
05:32das circunstâncias que essa criança está,
05:34da condição de saúde mental dessa criança,
05:37a gente tem que adaptar essa notícia.
05:40E, às vezes, se for preciso, chama um profissional
05:42para que dê essa notícia junto com você.
05:45Mas fale a verdade para ela.
05:46Ajuste a sua linguagem, a idade dela, né?
05:49Mas fale a verdade.
05:51A criança merece transparência.
05:53Por quê?
05:54Ela vai crescer e ela vai ficar sabendo de alguma forma.
05:57A verdade vai aparecer.
05:58E ela depois vai questionar.
06:00E isso, um vínculo de confiança com a figura que ficou,
06:03acaba sendo quebrado, porque ela entra em questionamento.
06:06Por que você não me falou a verdade?
06:07Você mentiu para mim.
06:09Você escondeu de mim.
06:10Então, assim, a gente pode evitar isso, sendo sincero.
06:13Quais são as consequências que toda essa história,
06:17toda essa carga pode trazer para a vida de uma criança, Elza?
06:21Essa criança, ela vai crescer com a sensação
06:22de que foi roubada pela vida.
06:25Tiraram o meu pai ou a minha mãe de mim.
06:27E eu fiquei desamparada.
06:29Então, a criança, às vezes, ela cresce um pouco mais isolada.
06:32Ela tem dificuldade de verbalizar os sentimentos dela.
06:34Às vezes, ela tem uma mudança de comportamento.
06:37A criança que dá mais trabalho, sabe?
06:38É mais bagunceira, é mais agressiva,
06:40porque ela está tentando compreender essa perda.
06:43E para a gente ressignificar, a gente precisa elaborar o nosso luto.
06:47O luto tem algumas fases.
06:48A primeira fase do luto é a negação.
06:50O impacto da notícia, você fala, não, não acredito, não consigo.
06:53O pai falou na reportagem anterior que ele ainda não consegue acreditar
06:57que o filho não vai entrar por aquela porta.
06:59Então, a gente tem que elaborar as fases do luto.
07:02Até via aceitação, que é a última fase, demora.
07:06Então, se está doendo, coloca a dor para fora, fala da dor, chora, esperneia, grita.
07:12Se possível, faça o ritual de despedida.
07:15A gente tem que viver o luto para que a gente não viva de luto.
07:20Você conseguiu viver essas fases, Ana Paula?
07:23No começo, foi difícil.
07:25Foi muito difícil.
07:27Eu já congregava no Ministério Empaque, que eu era do Pastor Márcio da Vitória.
07:32Ele foi um canal de bênção na minha vida e continua sendo até hoje.
07:37E hoje em dia eu sou missionária lá, né?
07:40Aí foi assim, foi...
07:43Foi diferente.
07:44Foi diferente porque quando a gente tem uma perda sem Jesus,
07:51com Jesus a gente consegue superar, né?
07:53Com Jesus e o meu Pastor Márcio da Vitória, ele foi muito...
07:57Foi muito, assim, acolhedor nesse lado aí.
08:00Na medida que a Elza ia falando das consequências que isso pode trazer na vida das crianças,
08:05essa mudança de comportamento, eu vi você concordando com ela.
08:09Sim.
08:09Você viveu isso dentro de casa com a sua filha?
08:11Sim, vivi.
08:12Ela fugiu de casa com 13 anos de idade.
08:15Fugiu de casa, botei na mídia, no Facebook.
08:19Porque foi tipo...
08:21Ah, porque eu perdi meu pai, eu tenho que ser assim.
08:25Eu falei, filha, não é assim.
08:27Eu criei ela no caminho de Senhor, depois ela conheceu o mundo, né?
08:31Com os 13 anos de idade.
08:34E ficou com uns comportamentos bem diferentes.
08:36Bem diferentes mesmo.
08:38E hoje?
08:38Como é que está a relação de vocês?
08:41Assim, eu tenho mais sabedoria agora, né?
08:44Porque por eu ter...
08:47Participar de coisas lá na igreja, curso de liderança, essas coisas ajudam muito.
08:51Eu tive mais sabedoria, que na época eu não tinha sabedoria nenhuma.
08:55Eu era uma menina, na verdade, né?
08:57Porque a gente sabe que é a realidade de muitas mães, né?
08:59Quando elas se envolvem com pessoas ali da comunidade,
09:03e aí às vezes esse rapaz pode ter ou não uma ligação com o tráfico de drogas,
09:07o que encanta, né?
09:08Talvez é o primeiro momento para essas adolescentes.
09:12Quantas mães adolescentes choram hoje por estarem viúvas
09:16e ainda ter essa responsabilidade de criar um filho,
09:21mesmo com esse histórico de violência, Elza?
09:24Dói perder o parceiro, dói ver o filho sendo roubado
09:29daquilo que ele não vai poder viver com o pai ou com a mãe que foi morto,
09:33que foi assassinado.
09:34E o ambiente, o ambiente do luto, Roberta,
09:39quando essa criança às vezes fica com os avós
09:41ou fica só com a mãe, só com o pai,
09:43é um ambiente muito pesado, de muito questionamento,
09:46de muita revolta, de muita mágoa, de muita raiva.
09:49E aquela criança, querendo ou não, ela vai ser impactada por aquilo,
09:53ela vai ser contaminada com todos esses questionamentos,
09:56com toda essa dor.
09:57Então ela já cresce com aquela revolta,
10:00querendo às vezes até fazer justiça pela morte do pai e da mãe.
10:05Então assim, a gente tem que ter muito equilíbrio em lidar com o nosso luto
10:09e cuidado com aquilo que a gente transfere para os nossos filhos.
10:12Olha só o comentário que a gente tem aqui da Maria Glória,
10:16ela diz, não é fácil, Roberta, a família toda fica refém, é um medo constante.
10:22Você também teve esse sentimento de medo de que algo talvez pudesse também acontecer com você, Ana Paula?
10:29Tive, confesso que eu tive sim.
10:30Com sua filha também, você teve esse medo?
10:34Tive.
10:34Porque quando se trata desse mundo cruel, do mundo do crime que a gente sabe que não compensa,
10:40infelizmente a família inteira pode acabar pagando por isso.
10:43Agora a gente está aqui falando também, não só da carga que essa criança vai e pode vir carregar
10:49como consequência para o resto da vida, mas vamos pensar também no lado da mãe?
10:53Você é adolescente, como é que foi?
10:54O que foi mais difícil para você?
10:56O lado emocional ou o lado financeiro?
10:59Os dois, afeta, tá? Os dois, porque na época ela era pequena, nem todo mundo na época dava emprego,
11:10pessoas que tinham criança pequena, você é mãe, você não tem como ficar aqui na empresa
11:16porque você tem filho pequeno e pode ficar faltando serviço e sempre justifica isso, entendeu?
11:22Você com 16 para 17 anos ali, tentou emprego e não conseguiu?
11:27Não conseguia.
11:27Como é que você fez para sustentar a filha? Então, mãe solo?
11:30Então, esse meu padrasto, né, que me ajudou, que ele tem filho com a minha mãe, meus irmãos gêmeos,
11:36inclusive um filho mais velho que é advogado, né?
11:40Então ele foi o meu suporte, ele começou a pagar custos para mim,
11:45esse meu irmão que hoje em dia é advogado há 20 anos, ele me ajudou também, pagou a escola para
11:50mim,
11:51e hoje em dia sou um esteticista.
11:52Você disse, pagou a escola para mim.
11:55Você chegou também a trancar por um período a escola?
11:58Tive, tive.
11:59Por quanto tempo você ficou sem estudar?
12:01Tive para estudar uns 4 anos.
12:03Olha aí a consequência para essa mãe também, né, Elza?
12:06A mulher, né, quando ela fica ali desamparada, assim, o parceiro, ela fica desesperada.
12:12Ela começa a questionar primeiro que ela vai, como é que eu vou dar conta, né, de trabalhar, sustentar.
12:17Então, quando a gente tem rede de apoio familiar, na igreja, a própria sociedade, a dor fica menor.
12:25Ela não vai diminuir, mas a carga fica mais leve, sabe?
12:29Mas não é fácil não, Roberto, o desafio é imenso.
12:32A maternidade por si só, quando a gente tem o pai da criança dentro de casa contribuindo, já não é
12:37fácil.
12:38Você imagina você ali sozinha, desamparada, vivendo o seu próprio luto, né, de ter perdido o parceiro,
12:43e ver a sua criança ali precisando exclusivamente, 100% de você.
12:47Você tem que buscar uma força, uma resiliência, uma capacidade que você nem sabe que tem para poder enfrentar isso.
12:54E olha, esse não foi o único caso, tá?
12:56Teve outro caso hoje de um jovem assassinado em Carapibus, na Serra.
13:01João Vitor Conceição da Silva, de apenas 18 anos, ele foi assassinado com vários disparos.
13:08Foi tanto tiro que até a placa, com os horários dos cultos de uma igreja ali próxima, até essa placa
13:15foi atingida, gente.
13:17Segundo testemunhas, quatro homens desceram de um carro atirando.
13:21Até agora, ninguém foi preso pelo crime.
13:25E olha, a gente sabe o quanto as mulheres que são, né, que se envolvem, que existe um relacionamento amoroso
13:33com essa pessoa, com esse jovem,
13:35não só as mulheres, vamos falar também do outro lado, os homens, o quanto também sofre preconceito depois de tudo
13:41isso.
13:41Você também passou por esse sentimento?
13:44Qual que era o julgamento da sociedade?
13:53Se o microfone tá falhando, a gente vai pedir aqui pra nossa produção o microfone de bastão,
13:58mas a gente sabe o quanto existe esse preconceito, Elza, e isso afeta muito, né?
14:04Uma mulher que ainda tem aquela responsabilidade, peraí, eu preciso cuidar do meu filho.
14:08E nem muitas têm essa maturidade também.
14:11É, o que que acontece?
14:13Quando a gente tá vivendo o nosso luto, as pessoas começam a questionar muito, às vezes, a causalidade daquela morte.
14:19Enquanto, na verdade, às vezes a gente não precisa falar nada, a gente só precisa ser apoio, ser abraço, ser
14:24escuta pra essa pessoa.
14:26E aí começam a fazer os apontamentos.
14:29Isso faz com que a pessoa tenha dificuldade de primeiro elaborar o luto dela, que é verbalizado muitas vezes, e
14:36de pedir ajuda também.
14:37Porque ela se sente culpada por aquilo, responsável de alguma forma por aquela vida não existir mais.
14:43Então, a gente como sociedade tem que ter muito cuidado com o que a gente faz com as pessoas no
14:47momento de maior dor, sabe?
14:49Porque não é o que a gente quer.
14:51A gente, quando começa a se relacionar com alguém, mesmo que essa pessoa esteja vivendo aí na criminalidade, a gente
14:58não imagina que essa pessoa vai continuar naquilo, a gente não imagina que essa pessoa vai perder a vida.
15:04Às vezes, vem uma notícia abrupta mesmo, sabe?
15:06Então, a gente tem que ter muito cuidado, muito tato, e não ferir ainda mais a pessoa que já está
15:12muito ferida.
15:13Ana Paula, qual foi o julgamento?
15:15De que forma que a sociedade te julgava, te apontava?
15:18As pessoas falavam, como é que você vai sustentar a filha, que você não terminou seus estudos, você não tem
15:24uma profissão.
15:26Aí, aquilo tudo ficava assim, na minha memória, né?
15:32Querendo ou não, de certa forma, você absorvia isso, isso te fazia mal?
15:37Me fazia muito mal, muito mal.
15:40Elsa, a gente tem um comentário aqui do Gilberto Marcelino, ele fala a respeito do tratamento, né?
15:45Que a criança, que a gente sabe que ela tem um pouco de dificuldade, mas também que a gente tem
15:49que ter muita paciência.
15:51E aí, você disse, quem puder contar com um profissional, foi uma das suas primeiras falas, né?
15:56Na hora de contar a verdade para a criança, de quem foi o pai dela, quem foi a mãe dela,
16:00qual foi a história, por que seu pai foi assassinado.
16:03Mas a gente sabe que nem sempre a gente tem acesso, né?
16:08A população tem acesso a esse profissional, quem dera.
16:11Eu queria que você deixasse alguma dica, né?
16:13De como que a mãe ou o pai pode introduzir essa verdade.
16:16Começa introduzindo a história da morte, né?
16:21Começa a falar sobre perda, sobre o luto, sobre morte um pouquinho antes.
16:25Para aquela criança perceber que aquilo é uma coisa que faz parte da vida.
16:29Tem alguma faixa etária para falar?
16:31A gente tem que adaptar de acordo com a linguagem, com a idade da criança.
16:34Então, às vezes, tem criança que está muito pequenininha, a gente usa uma forma mais lúdica.
16:39Depende muito da maturidade da criança também, porque às vezes a criança tem pouca idade e ela tem uma expertise
16:43terrível.
16:44Então, a gente...
16:45Por exemplo, três anos, pergunta, cadê papai, cadê mamãe?
16:47E aí, a gente faz...
16:49Olha, a vida tem um ciclo, as pessoas nascem, às vezes as pessoas crescem e por algum período, num determinado
16:57período, essa pessoa pode morrer.
16:59A morte é uma despedida que a gente faz para sempre, essa pessoa não vai mais voltar.
17:04Trazer na memória dessa criança, memórias boas.
17:07Ah, o seu pai não está mais aqui, mas ele amava muito você.
17:11A gente tem que ter cuidado, inclusive, com a alienação parental, né?
17:13Ah, seu pai era um mordido, ele morreu assassinado porque ele não prestava.
17:15Cuidado, não vai fazer isso com a criança.
17:17Ah, seu pai não está mais aqui, mas enquanto ele esteve, ele amava muito.
17:20De onde ele estiver, ele está olhando por você, ele gosta de você, ele foi importante.
17:25Então, traz boas memórias para a criança e fale a verdade para ela devagar.
17:31Perfeito.
17:31Muito obrigada pela sua participação.
17:33Obrigada, Dina.
17:33Ana Paula, tudo de bom para você, que você consiga cada vez mais ter uma relação maravilhosa
17:39com a sua filha, né?
17:41Que a gente sabe que vocês têm aí um bom caminho para ressignificar tudo isso.
17:45Obrigada, viu?
17:46Um beijo para você, volte sempre.