00:00Você também sofre de enxaqueca? Conhece alguém?
00:02Vem cá, chega mais pertinho, porque aqui no nosso estúdio eu recebo o neurologista,
00:07Dr. Bruno Burjali, e também a Silvana Soares, que vai contar pra gente agora
00:12como que as crises de enxaqueca atrapalham a vida dela, não é verdade, Silvana?
00:18Boa tarde.
00:19Boa tarde.
00:20Atrapalham em tudo, totalmente, né?
00:23Quem vai querer, a princípio, quem vai querer contratar alguém que passa
00:27mais de 15 dias com dor e trabalha 10 dias, né?
00:31Já começa por aí a dificuldade de ter uma vida normal.
00:35Então eu falo assim, eu não tenho uma vida normal como a de todo mundo,
00:39porque eu marquei de estar aqui.
00:42Quem sabe se eu realmente conseguiria vir.
00:44Se eu estivesse acordado com a crise de enxaqueca, eu não abriria nenhum olho pra começar.
00:51Ela é frequente?
00:53Frequente.
00:54Frequente.
00:55Dói muito, dói, começa a doer do nada, tipo, eu vou dormir bem, 3 horas da manhã ela aparece,
01:02já começa da minha nuca pra minha cabeça e aí tensiona tudo.
01:08Se eu comer, eu vou vomitar.
01:10Se eu não comer, eu também vomito o que nem tem, o que nem existe, certo?
01:15Não posso ver a luz, tento me isolar, ficar de olho fechado.
01:19Não gosto que converse comigo, porque a fala me irrita, não uso hidratante, perfume, shampoo, amaciante.
01:29É complicado, porque os cheiros...
01:31Nossa, é de assustar, hein?
01:32Andar de ônibus pra mim é complicado, porque tem muita gente, envolve muitos cheiros ali, né?
01:38A gente sabe, né?
01:40É muito difícil, porque é difícil as pessoas falarem assim, enxaqueca é doença de rico.
01:46Entendeu?
01:47Então fica muito distante a gente falar assim que eu sou uma simples pessoa, que eu só
01:52quero viver, produzir, fazer minhas coisas.
01:55Muitas vezes eu não consigo.
01:57E tem 37 anos que eu tenho enxaqueca.
02:0037 anos, doutor.
02:01A gente viu ali na reportagem o caso da Virgínia e outras mulheres.
02:04As crises de enxaqueca, elas são mais comuns nas mulheres?
02:08Por quê, hein?
02:09Boa tarde.
02:10Boa tarde.
02:11Bom, é uma série de dores, né?
02:13Podem ter algumas correlações com mecanismos hormonais.
02:16E tem algumas também que são mais comuns nos homens, né?
02:19Alguns outros tipos de dores.
02:21Mas, de qualquer maneira, a gente vê com muita frequência, por exemplo, associado ao período
02:26pré-menstrual, né?
02:27Então isso tem que ser levado em consideração, às vezes fazer até um tratamento em conjunto
02:30com outros colegas.
02:31Agora, olha o caso dela.
02:3337 anos sofrendo com enxaqueca.
02:36A gente se pergunta, não tem remédio?
02:39Não tem solução?
02:41Tem.
02:42Como toda dor crônica, a gente não diz que tem cura, quer dizer, não vai desaparecer
02:47e não voltar nunca mais.
02:48Mas tem controle.
02:49E quando a gente sofre com isso, a gente tem sempre a impressão de que a gente já fez
02:52tudo o que podia fazer.
02:54Mas é frequente, no nosso dia a dia, às vezes, no mesmo dia, são várias pessoas com
02:58esse relato que já tiveram, já passaram por várias tentativas, né?
03:02Em várias situações.
03:03Mas você verifica que tem muita coisa ainda para ser feita para aquela pessoa.
03:06Em termos de combinação de medicamentos, de medicamentos que ainda não foram utilizados,
03:10de retirar medicamentos que não devam ser utilizados, de corrigir até alguns abusos,
03:15engajar a pessoa em alguns hábitos de vida mais saudáveis.
03:18Em alguns casos, até procedimentos um pouco mais invasivos.
03:22Eu sou neurocirurgião, a gente trabalha com procedimentos invasivos para dor, mas eu
03:26confesso que para dor de cabeça é muito difícil a gente precisar e lançar mão desse
03:31recurso.
03:32Você chegou a fazer o que já na sua alimentação, na mudança dos seus hábitos, para tentar
03:39dar um basta nessa enxaqueca?
03:42É, na minha alimentação, pelo meu corpo, dá para você perceber que eu como bem pouco,
03:47sou bem equilibrada, assim, eu não como queijo, eu tento evitar uma fritura, eu não
03:53como gordura.
03:56Frutas azedas, não.
03:57Bebida, só de sentir o cheiro, para mim, já não dá.
04:02O cheiro do cigarro também me incomoda.
04:05Então, assim, eu já tentei também ir por esse caminho.
04:08Eu acho que me ajudou bastante, com 37 anos, eu acho que já deu uma...
04:12Quando eu consegui dosar esse, deu uma...
04:14Quando eu consegui descobrir que certos alimentos para mim não dá, né?
04:18Quando vinha aquele queijo maravilhoso, todo mundo na mesa partilhava, eu ficava olhando,
04:23não vai comer, olha, não...
04:25É mito ou verdade, doutor?
04:27Não dá.
04:27O queijo, o vinho, determinados alimentos que acabam ganhando essa fama de vilão.
04:33Não, é verdade.
04:34É claro que a pessoa pode ter dor e comer esses alimentos sem ter sintomas.
04:38Mas é comum, né?
04:40São esses gatilhos, né?
04:41De alimentos e cheiros.
04:43Então, o caso da Silvana, é muito comum a gente ouvir esse relato, né?
04:46A gente piora com queijo, com vinho, com algumas outras bebidas alcoólicas.
04:50Açúcar é um gatilho muito importante.
04:52A pessoa piora com doce, por exemplo.
04:54E é odores como de alguns perfumes.
04:57Então, é...
04:58E tudo que ela também falou, sensibilidade à luz, sensibilidade ao som.
05:02Isso a gente vê frequentemente nas pessoas com enxaqueca.
05:06No ápice da crise, o que você tem que fazer?
05:08Me isolar.
05:10Me isolo.
05:12É...
05:12A minha irmã me ajuda muito.
05:14Vai lá, pergunta, quer uma sopinha?
05:15Porque não dá pra...
05:16Não vou conseguir comer uma comida normal, né?
05:19Aí ela fala, quer uma sopinha?
05:21Quer um caldinho?
05:23Quer o que eu consigo ainda comer?
05:25E às vezes segurar.
05:27Porque eu só paro de vomitar mesmo.
05:28Quando a dor para, aí eu consigo parar de vomitar.
05:32Aí ela me ajuda a tomar banho.
05:34Aí eu prefiro que você nem pintir meu cabelo.
05:38Porque...
05:38Eu até falei com o doutor antes daqui.
05:40Eu não faço nada no meu cabelo porque eu não gosto que pegue na minha cabeça.
05:43Porque a minha cabeça pra mim se tornou uma coisa assim...
05:46Não bota a mão.
05:48Porque é complicado pra mim.
05:50Eu até falei pra ele.
05:52Tem gente que vem às vezes orar por mim.
05:54Não, eu vou orar, né?
05:55Porque tal...
05:56Coloca a mão em qualquer outro lugar.
05:58Não na minha cabeça.
05:59Porque a minha cabeça é uma coisa muito delicada.
06:01Eu sei que ela fica dolorida depois da dor de cabeça.
06:05Eu sinto dores mesmo aqui na minha cabeça apertando...
06:08Sensibilidade.
06:09Sensibilidade.
06:09Sensibilidade.
06:10Então eu fico...
06:12Eu me resguardo.
06:12Eu me separo mesmo.
06:14Entendeu?
06:14Doutor, você já disse que se trata...
06:16Ele é um tratamento, né?
06:18Mas o que que na hora pode ajudar a aliviar essa crise?
06:22As dores de cabeça tem basicamente dois tipos de tratamento diferente em termos de remédio.
06:28Tem os remédios pra você usar na hora da crise.
06:30Que podem ser comprimidos.
06:31E algumas vezes algumas outras medidas.
06:34Até dentro do hospital medicamentos que são dados direto na corrente sanguínea.
06:38E também tem os tratamentos preventivos, né?
06:40Os profiláticos.
06:41Que a gente usa diariamente pra diminuir a intensidade.
06:45E a frequência das crises.
06:47É muito comum quem tá sofrendo com dor de cabeça não estar fazendo o tratamento preventivo adequado.
06:52Não é por culpa da pessoa, porque às vezes não encontrou alguém pra orientar corretamente.
06:56E também um erro muito comum, e até relativamente pouco comentado,
07:00é das pessoas abusarem de alguns medicamentos, como até analgésicos,
07:05que se usados com muita frequência, eles passam até a provocadores.
07:09A pessoa tem muita dor de cabeça, às vezes ela toma analgésico todo dia, isso tá errado.
07:14Porque o próprio analgésico, ele vai ter um efeito rebote quando o efeito dele passa.
07:18A pessoa acha que ele tá ajudando, mas ele que está perpetuando, que tá segurando aquela dor por todo aquele
07:24tempo.
07:24Então o primeiro passo, muitas vezes, é interromper esse abuso de medicamentos inadequados.
07:31E começar os medicamentos adequados.
07:33Olha só, a gente tem aqui o comentário da Antônia Mota, ela diz,
07:36Boa tarde, Roberto, eu tenho enxaqueca há 10 anos.
07:38Eu já estou preocupada porque de uns tempos pra cá, está muito intensa.
07:43Todas as noites acordo com dores muito fortes na cabeça.
07:47Também tem um comentário da Cláudia, ela diz,
07:50Eu tinha enxaqueca, igual a dela, de parar no hospital.
07:54Depois que eu apliquei o Botox no couro cabeludo, nunca mais tive enxaqueca assim.
07:59Minha neurologista me ajudou muito.
08:01Isso tudo tem que ser com acompanhamento médico, viu gente?
08:04O Gilberto fala, minha esposa tem dor de cabeça direto e demais, frequente.
08:09A Denise Assis também fala,
08:11Boa tarde, desde quando tive meu filho, sofro com enxaqueca.
08:14O que pode ter acontecido? Por que que isso ocorre?
08:17Essa é a pergunta da Denise, doutor.
08:20Algumas dores de cabeça têm até que ser investigadas,
08:22que podem representar sintomas de outras doenças, né?
08:26Inclusive, às vezes, a gente tem que fazer exames de imagem e tudo.
08:30Mas outras dores de cabeça são chamadas as primárias.
08:32Elas existem entre aças porque existem.
08:35Tem modificações no corpo que fazem elas existirem,
08:37mas elas não vêm como consequência de uma outra doença, tá certo?
08:40Isso tem a ver com alteração da atividade elétrica em algumas regiões cerebrais,
08:46neuroinflamação, dilatação dos vasos.
08:47Os vasos ficam muito dilatados, a enxaqueca, por exemplo, tem muita relação com isso.
08:52Então, tem mecanismos que explicam as dores,
08:54mas não quer dizer que a pessoa tenha feito alguma coisa de errado, necessariamente,
08:57ou que tenha alguma doença por trás, tá?
08:59E o que a outra colega mencionou sobre o Botox,
09:04é um tratamento possível, mas ele tem que ser mantido.
09:07E ele também não pode vir pulando essas etapas, o que tem que vir antes dele, tá?
09:12Perfeito.
09:13A Sirlene Santos também participa com a gente.
09:15Ela disse, sofreu muito tempo com enxaqueca, tive melhoras depois que tirei o açúcar,
09:20o chocolate, leite e derivados.
09:22Então, é importante que você se conheça e busque ajuda médica.
09:25Silvana, espero que você melhore a cada dia, viu?
09:29Que você, de repente, procure novos recursos, novas ferramentas
09:34para te auxiliar nessas crises.
09:37Obrigada pela sua participação.
09:38Obrigada, doutor.
09:39Volte sempre.
09:40Obrigada, doutor.